Fiquei um bom tempo aguardando o Armin por as ideias no lugar.
Deve ser complicado pra ele receber essa chuva de informações
Se bem que se conheço ele ele assimila tudo bem rápido, até demais.
OK que esse é o Armin de ANTES da Sweet Amoris.
Ele ainda namorava a Lety. Não sei o quanto ele mudou depois que terminou com ela.
"Tá . . . Agora que pensei . . . Você disse que veio do futuro e que somos casados ?" ele falou.
"Sim. Olha, no meu presente só moramos juntos, mas seu eu do futuro já me falou que nos casamos." falei.
". . . Tem um eu do futuro ?" ele perguntou.
"Sim. E seu eu que mora comigo também que é mais velho que você e mais novo que seu eu do futuro." respondi normalmente.
". . . Tá . . . Eu viajo no tempo, caso com uma ciclope--"
"Alienígena." interrompi completando.
". . . Você é um alienígena também ?" ele perguntou apático.
"Sim. Sou um ciclope alienígena com memória fotográfica que veio de outra dimensão paralela." falei.
". . . Você definitivamente me conhece . . . Pra ter coragem de jogar essas informações todas de uma vez sem medo de eu surtar tem que me conhecer mesmo." ele falou.
"Fui sua melhor amiga por tempos, desde antes de você perder a memória, depois virei sua namorada, começamos a morar juntos com o tempo . . . Acho que é o minimo." respondi.
". . . Cara, eu perdi a memória também ? Tem mais essa ?" Armin questionou.
"Sim. A organização de controle alienígena estava na sua cola ai você apagou suas memórias como neuralyzer do meu filho pra que não acessassem as informações que você tinha sobre mim." respondi normalmente.
". .. Pera, eu tenho um filho contigo ?" Armin parecia muito confuso.
"Olha . . . Apesar de vocês terem uma relação de pai e filho mais forte do que a relação que ele tem com o pai biológico dele, não, ele é filho do meu ex que viveu num futuro pós apocalíptico." respondi normalmente.
". . . Tem alguma coisa normal na sua vida ? Vai me dizer que sei lá . . . Você come pelos dedos ?" ele dizia parecendo se soltar mais.
"Na verdade eu como pela boca mesmo, mas transamos pelo meu umbigo." respondi.
". . . Sério ?"
"Não, isso foi brincadeira. Meu corpo é de uma Terráquea normal, só a memória e o olho que são diferentes mesmo." eu dizia rindo.
". . . Seria uma experiencia interessante transar pelo umbigo. Enfim . . . Tem mais alguma coisa que eu precise saber ?" ele questionou.
"Acho que não. Se tiver eu falo com o tempo. Além de que seria ótimo se você desistisse de se relacionar com a Lety o quanto antes e mudar pra Sweet Amoris o mais rápido possível." respondi.
"Isso é ciumes ?" Armin dizia com um sorriso de canto.
". . . Na verdade é só porque ela é escrota mesmo. Você no futuro odeia ela bastante, e bem . . . Não quero que sofra na mão dela.
Além do mais, melhor investir no que é certo né mesmo ? Tem eu lá na Sweet Amoris, só você me doutrinar que eu viro isso que você está vendo agora." falei.
" . .. Te doutrinar ? . . . Eu vou ter que te treinar ? Como assim ?" Armin estava realmente confuso.
Acho que de tudo que falei, isso foi o que mais confundiu ele.
"Vamos lá na Sweet Amoris ?" perguntei.
". . . Vou fugir no meio da aula . . ."
". . . Armin . . . Você cabula aula pra jogar video game, para de hipocrisia."falei batendo no bolso onde ele coloca o video game.
"Você realmente deve ser minha esposa mesmo." ele ria já mais solto, mas ainda bem travado, lembrava bastante aquele Armin antigo.
Assim, caminhamos pra fora da sala, finalmente.
Lety estava vindo em nossa direção, ela chamava meu nome.
Eu peguei a mão do Armin e puxei ele de lá de uma vez que me parou bruscamente.
". . . Tem certeza que é uma boa ideia deixar a Lety ali ?" Armin perguntava.
". . . Você gosta dela né . . . ?" perguntei com certo aperto no peito, confesso.
Sei que ele não é o Armin que está comigo, mas é difícil ver o Armin seja de que época for gostando de outra.
"Bem, eu acredito parcialmente em tudo que me contou, preciso de mais provas do que apenas frases soltas. Mas de qualquer forma, entenda que eu não te conheço, e bem . . . Mesmo que te incomode, eu namoro ela atualmente não você. Não é simples assim, você falar as coisas e eu simplesmente aceitar largar minha vida toda atual. Ela é minha namorada, não você.
É empolgante sim. E eu gostaria de provas concretas de que tudo que me falou é verdade. Só suas palavras não valem muita coisa mesmo você tendo informações incríveis sobre mim.
Se tudo que me disse for verdade eu vou realmente adorar ter isso na minha vida sem graça, mas . . . Não me peça pra processar certas coisas rápido assim, e isso inclui me separar da Lety do nada.
Acho que no minimo eu devia falar com ela." sabe, doía, eu sentia um aperto quente no peito, era horrível . . .Mas ele estava certo.
Eu surgi do nada, joguei um monte de coisas sem provas concretas na cara dele e tentei separar ele da Lety sem mais nem menos . . . Acho que não é assim que as coisas fluem né. . .
Tenho que aceitar que ele gosta da Lety . . .
Que merda. Voltar no tempo não é tão legal assim quando você vê seu namorado "feliz" com a ex dele.
". . . Qualquer coisa me procura em Sweet Amoris ou peça informações pro seu pai . . . " falei soltando a mão dele. Minha mão suava bastante, acho que era nervoso da situação toda.
"Meu pai ?" ele questionou.
Eu não tinha muito tempo e não tava afim de discutir com a Lety.
"E não esquece, não conta as coisas pra ela . . . Sério . . . " assim que eu falei isso eu virei de costas e saí de lá.
Não quis olhar pra trás ou saber se o Armin estava me olhando, olhando pra ela, tanto faz . . . Eu realmente só tenho que aceitar certas coisas.
Ouvi a Lety me chamar e o Armin aparentemente segurar ela.
"Se acalma Lety. Vamos conversar ok ?" ele falava calmamente.
. . . Porque eu to com tanto ciume se eu sei que estou com ele ? Inclusive o meu Armin tá andando por ai.
Eu estava saindo do colégio quando me deparei com o Alexy.
"oi Alexy . . . e ai ? Falou contigo ?" perguntei.
"Não me achei. Andei tudo e nada.
Eu até perguntei pro Leonard se ele sabia onde eu tinha ido antes de encontrar com ele, dei uma de esquecido, mas nem . . . Pelo menos demos uns pegas no banheiro, então valeu a vinda" Alexy ria.
Mais um nome masculino aleatório . . . Deve ser outro namorado do Alexy.
Eu sorrir de canto, achei engraçada a situação, porem , não conseguia mais que isso.
Estava muito incomodada com tudo.
"Vamos pra Sweet Amoris então . . . " respondi desanimada.
"Não conseguiu falar com o Armin ?" ele perguntou.
"Consegui sim . . . mas foi meio complicado, Ele acredita desacreditando . . . "
"E porque tá desanimada assim ? Só por causa da reação do Armin ?" Alexy passava a mão nas minhas costas.
". . . Ver ele com a Lety doí mesmo sabendo que eu to com ele atualmente."
"Eu ia falar sobre vantagens de ser poliamor mas com a Lety fica difícil já que ela é uma biscate desgraçada." Alexy falava com raiva.
"Ela arruinou o psicológico do meu irmão mais do que já ra arruinado, não tem como não odiar. Eu que vi e vivi do lado dele tudo que ele passava.
Eu não estava mais indo pra aula no período que ele parou de ir só pra cuidar dele pois ele estava tentando se matar praticamente todo dia. Mamãe estava quase internando o Armin pela dificuldade que estávamos tendo de cuidar dele 24 horas.
Ela não aceitava eu largar tudo pra cuidar dele . . . " eu nunca ouvi a fundo sobre o Armin, sobre essa época dele. Na realidade eu nunca soube muito do passado do Armin já que ele não é de se abrir ou falar de nada. SE eu pergunto ele até responde, mas ele não dá muitos detalhes e eu nunca lembro de perguntar também.
"Ela só contou sobre os transtornos dele e foi o suficiente pra ele ficar assim ? Mas . . . Foi só isso ?" perguntei inocente. Eu realmente não tinha noção do peso que isso era pro Armin . . .
"Boreal . . .O Armin se odeia acima de tudo, justamente por causa dos transtornos que ele carrega.
Fazer ele se aceitar na infância foi um inferno.
Tivemos que mostrar as qualidades dele pra ele se sentir melhor.
Ele se gaba e brinca que é um gênio isso e aquilo, mas na realidade ele sempre se achou um merda.
Ele até sabe que é um gênio e reconhece isso de verdade, mas . . .Custou.
Ele sempre lia sobre as coisas inclusive sobre seus transtornos, e isso acabou deixando ele mais incomodado e ele mesmo começou a criar preconceitos na cabeça quando via que parte do que ele tinha poderia gerar pontos da personalidade dele.
Eu tenho quase os mesmos transtornos que ele, não todos, só variantes dos de nascença, e veja como consigo me posicionar sobre isso tudo. Eu consigo me ver como uma pessoa maravilhosa, e por eu não ter medo de encarar as pessoas, eu bato de frente se vierem falar merda de mim.
Se começassem a mexer comigo porque descobriram que eu tenho TDAH por exemplo, eu ia mandar todo mundo tomar no cu e sai pra me agarrar com o Pierre. Ninguém mexe comigo porque eu sou foda-se pra tudo além de ser uma barraqueira de primeira.
Armin não consegue ser assim e ignorar tudo. Ele consegue só dentro do limite dele, basta pegarem na ferida dele que ele desarma.
O Armin sempre foi mais agressivo fisicamente. Ele sempre preferiu partir pra cima e ser ofensivo, mesmo que fosse hackeando como ele aprendeu mais tarde . . . Então a Lety espalhar as coisas dele e ele ver o colégio todo soltando piadinha sobre ele, humilhando ele e logo no ponto que ele mais detesta sobre ele mesmo, é uma coisa complicada . . .
Por isso que ele ficou tão esquisito quando o Ken estava sendo atacado entende ?
Ele já passou isso de um colégio inteiro inventar coisas.
No fim, ambos tiveram suas feridas abertas por um bando de aluno desocupado tacando sal dentro.
O Ken foi pior, ele não tinha ninguém e nem sabia como se defender já que ele não lembrava das coisas que acusavam ele. E--"
"Pode evitar falar do Ken ? . . . Eu sei que ele tá vivo aqui no passado mas ainda não aceitei bem aquelas coisas . . . Me dão certo enjoo" eu cortei o Alexy educadamente.
Era horrível ouvir sobre o Ken . . . Principalmente porque vinha a tona todas as imagens de tudo que aconteceu . . .
"Desculpa . . . Mas eu espero ter esclarecido. A Lety arruinou a vida do meu irmão, e eu não quero ver aquilo tudo de novo, assim como acho que você não quer ver as coisas do Ken né ?" Alexy dizia sereno, eu só balancei a cabeça positivamente.
"Vamos pra Sweet Amoris !" ele dizia colocando o braço em torno de meu ombro e fazendo cafuné na minha cabeça
Alexy é tão fofo, eu amo demais como ele é atencioso comigo.
Sweet Amoris não era tão longe do colégio antigo do Alexy e Armin, então fomos a pé.
Conversamos sobre inúmeros assuntos até chegar lá.
Assim que chegamos estava o Armin do futuro sentado no banco em frente ao colégio com um sorriso enorme em seu rosto.
"Armin . . . ?" falei em duvida.
"Estão prontos pras compras ?!" Armin dizia levantando um bilhete.
Aparentemente a ideia dele deu certo . . . Ele ganhou dinheiro nas apostas que fez.
"Estamos ricos então ?" Alexy perguntou empolgado enquanto puxava o bilhete.
"Sim ! E com essa belezinha podemos ficar mais ricos ainda !" Armin então bateu no caderninho dele.
"Tá, acho que antes de se preocupar com o resto, devíamos nos preocupar em comprar a casa não acha ? Afinal, estamos sem teto e uma hora ou outra o pai de vocês vai ter que nos expulsar de lá. Essa hora não vamos ter muita chance de achar uma casa . . . " falei.
"Na realidade eu já comprei um apartamento perto do Castiel. Assim que peguei o resultado e o dinheiro eu sai direto pra onde eu queria.
A localidade é ótima já que o apartamento do Castiel fica meio perto de tudo, então comprei lá por isso já que estamos aqui só por missão. Amanhã vou na concessionaria comprar um carro pra que possamos nos locomover." Armin dizia.
"Eu quero uma vespa ! Posso ter uma vespa Armin ?! Me dá uma vespa por favor !!" Falei repetidamente.
Eu realmente queria uma vespa. Sempre quis uma, acho uma graça.
"Me senti um sugar daddy agora." Armin dizia rindo enquanto Alexy simulava vomito.
"Já falei que não quero saber das brincadeiras sexuais de vocês."
"Eu não queria ter visto suas transas e vi não é ? Você ouvir a respeito da minha vida sexual é o de menos !" Armin gritou pro Alexy.
"Foda-se ! Você me cansa . . . " Alexy então se sentou.
'VOCÊ que me cansa seu lixo." e assim Alexy e Armin começaram a debater e gritar um com o outro sem parar.
Eu me sentei e fiquei vendo os dois discutindo.
Minha cabeça ainda estava com os pensamentos no Armin e na Lety na verdade.
. . . Eu odeio ser ciumenta nessas horas . . .
Isso não é momento pra ser cimenta sabe.
Estamos lidando com o passado. . .
"Tenho compras pra serem feitas pra decoração de nossa nova casa . . . " Armin gritou saindo de perto.
"Vai nos deixar sozinhos ?" falei desanimada.
Ele me encarou um tempo até que se sentou do meu lado.
"Você tá com um olhar bem triste . . . Tá tudo bem ?" Armin dizia.
". . . "
"Ela tá triste porque ter te visto com a Lety." Alexy tomou frente e falou por mim.
"Se te tranquiliza, eu gosto mesmo é de você, nunca tive um sentimento forte o suficiente pela Lety pra fazer um terço do que já fiz por você." Armin dizia bagunçando meu cabelo de forma carinhosa.
". . . Não muda o fato de que seu eu do passado está com a Lety . . . Doí ver isso ainda assim."
"Quer todos os Armins pra você agora ? Egoísta você." Armin ria.
"Você acha que é fácil pra mim voltar no tempo e ver que você era apaixonada pelo Lysandre por exemplo ?
Ou que ficava de agarramento com Castiel e Nathaniel ao mesmo tempo ? Não é fácil pra mim também Boreal . . . Mas faz parte do seu passado, só me resta aceitar."
"BOREAL É POLI ?!" Alexy gritou.
"Não, era biscate mesmo. Ela iludia os dois e ficava com os dois enquanto enrolava ambos." Armin falou levando uma cotovelada minha em seguida que o fez rir.
"Vamos entrar e encontrar os meninos, eles devem estar perdidos por ai com o Nath." falei me levantando e indo em direção ao colégio.
"É incrível como entramos e saímos sem sequer sermos estudantes. Essa escola é uma merda mesmo." Alexy completou.
"Olha, foi bem fácil de entrar no seu colégio antigo, ele também não tem uma segurança muito boa . . . "
"Mas tem gente vigiando, se você fizer algo suspeito com certeza vão te expulsar. Aqui ? Nem ligam." Alexy dizia.
Continuamos andando, então olhei pro ginásio e em seguida pro jardim.
E ali eu vi . . .
Vi ao longe passando com muita tranquilidade . . . Meu filho, o Jade.
Eu me aproximei do jardim, Jade só me olhou e cumprimentou com a cabeça.
Eu estava prestes a falar com ele quando o Nathaniel colocou a mão no meu ombro, me fazendo pular de susto.
"NATHANIEL ! EU QUASE TE BATI !!" gritei.
"Me perdoe. Não queria te assustar." ele dizia gentilmente.
Logo atrás dele estava Azriel e Armin.
"Parece que nos encontramos finalmente. E ai Nathaniel, tá mais tranquilo agora ?" Armin do futuro perguntava.
"É . . .Foi complicado assimilar tudo, mas sim, estou mais tranquilo sim." Nathaniel parecia cansado, deve estar sendo um baque e tanto pra ele o tanto de informação recebida.
"Acho que o mais incrível pra mim foi saber mais sobre o Azriel. Isso muda muito minha concepção quanto a Ambre . . . " Nathaniel parecia perdido.
"Sabe que ela divide consciência com alguma coisa né ?" perguntei.
"Sim . . .Armin me contou . . . É muito confuso pra mim . . . " pobre Nathaniel . . . Eu admiro como ele, Ken e Armin conseguem aceitar tudo de boa. Acho que no lugar deles eu não aceitaria não.
Seria mais parecida com o Alexy . . .
Por falar em Ken, ele vinha pra perto de nós.
Assim que ele se aproximou eu o abracei, ele corado, só devolveu meu abraço como cumprimento.
"Você tem andado muito com a gente ne ?" Alexy falou rindo.
"Eu falei pra ele não sair de perto de mim. Como ele falou que o Boris abusava dele, eu achei que seria melhor manter ele perto de mim pra evitar problemas futuros." Nathaniel respondia, inconscientemente me vi sorrindo pra ele, era tão bom ouvir isso, ouvir que o Nath protegeria o Ken . . . Me lembra as historias que ele me contava sobre a outra linha. Ele, a namorada e o Ken sempre juntos.
Era intervalo, o sinal tinha acabado de bater e os alunos sairam.
Pude ver o Jade se dirigindo até o jardim novamente, e mais uma vez eu fui correndo até ele.
Ele estava mexendo em algo, creio que eram aqueles brownies com drogas dentro.
Eu parei atrás dele silenciosamente e fiquei observando o que ele fazia.
". . . Se um filho meu cometesse um crime eu acho que puniria ele da pior forma possível. Ele ia ficar de castigo por anos." falei sem mais nem menos bem alto.
Pude ver o Jade dar um pequeno salto assustado enquanto escondia os brownies.
Sei que ele drogaria as meninas do colégio porque no diário dizia que ele faria isso . . . Creio que ele ainda não o fez.
". . . Que surpresa. Porque essa frase repentina ?" Jade falou se virando em minha direção como se não estivesse fazendo nada, e ele realmente agia com grande naturalidade, não passava surpresa sequer na expressão, ele fingia muito bem não ter relação alguma comigo ou com as situações que ele viria a criar.
"Escondeu o que ?" perguntei.
". . . É só meu lanche. Tomei um susto, mas se quiser um, posso te dar." Jade respondia naturalmente sorrindo.
"Não obrigada. " nessa hora notei o olhar do Jade mudar ligeiramente olhando pra trás de mim.
Eram os meninos se aproximando, entre eles, estava o Armin do futuro.
"B-Boa tarde. Eu tenho coisas pra resolver no jardim, se me dão licença . . ." Jade falou com um leve tom de nervosismo na voz enquanto desviava seu olhar do Armin do futuro, que por sua vez, sorria debochadamente.
Repentinamente o Armin foi atrás do Jade e o segurou.
Jade ficou surpreso e confuso.
Armin segurava ele firmemente.
Eu então me aproximei e fui em sua pochete. Tinha um diário e os brownies ali, fora o neuralyzer.
Peguei tudo.
"O-O QUE ESTÃO FAZENDO ?!" ele gritava.
Armin então arrancou uma das luvas de Jade de uma vez e puxou o receptor fora.
Armin e eu não tínhamos combinado nada, mas ele parecia saber exatamente o que eu pretendia, e como sempre, fechamos em tudo.
"ME DEVOLVAM MINHAS COISAS !!" ele gritava irritadiço e se debatendo muito.
"O receptor vai ficar comigo." Armin dizia guardando.
"E esse diário vai pro lixo." eu respondi rasgando o diário.
Rasguei o diário do Jade completamente.
Parecia que a cada pagina rasgada ele gritava mais.
"ISSO É BULLYING ! ME DEVOLVE !! VOU DENUNCIAR VOCÊS PRA DIREÇÃO DO COLÉGIO !!" Ele gritava mais e mais. Pude notar alguns alunos olhando, porém, como tudo no colégio, eles ignoraram.
"Isso é uma mãe tentando proteger o filho." eu falei encarando ele que ficou mudo.
Ele estava com um olhar que eu nunca vi.
Seus olhos estavam cheios de lagrimas e ele encarava as paginas rasgadas no chão completamente desolado.
"Não . . . Me devolve !!" Jade então de repente começou a tentar tomar o receptor do Armin.
"Vai fazer o que ? Tentar pegar outro diário ?!" ele falou pro Jade enquanto desviava do mesmo.
"ME DEVOLVE O RECEPTOR !!" ele gritava mais e mais enquanto se mexia muito. Era incomparável a força dos dois.
"Está tão cego que não se tocou que sua mãe sabe do diário, receptor e tudo mais ? Não notou que tem algo que não está batendo com o que leu ?" Armin dizia assim fazendo o Jade parar finalmente.
Jade olhou fixamente pra mim ainda sendo segurado pelo Armin do futuro.
"É Jade. Eu vim do futuro. Acho que no diário não tem essa informação né ?
Nosso futuro não existe mais.
As linhas estão uma zona . . .Não tem porque você continuar preso a um diário que não conta a verdade. Você tá seguindo algo que nunca vai acontecer." respondi.
". . . Como assim . . . " ele estava com o olhar mais expressivo e triste que já o vi fazer.
"Eu quero te tirar desse loop . . . E eu consegui momentaneamente. Afinal, não temos pra onde ir . Acabou nosso futuro, acabaram-se as linhas. Voltamos no passado justamente pra corrigir nosso futuro e as linhas, se não vamos ficar voltando no tempo até não sobrar mais tempo pra viver . . . e é obvio que eu quero te ajudar a ter uma vida Remy." quando eu falei isso, Jade que ainda era segurado pelo Armin começou a chorar na mesma hora.
Ele ficou mole e parou de tentar se soltar dos braços de Armin, literalmente ficou jogado enquanto o Armin o segurava.
Jade chorava muito . . . Eu nunca pensei que veria essa expressão no rosto dele.
Ele não falava nada, só chorava.
Eu me aproximei e pedi, com gestos apenas, para que Armin soltasse o Jade.
Jade caiu sentado no chão chorando mais e mais.
Ali eu vi, eu vi exatamente o que o Armin sempre descreveu pra mim . . . Uma criança.
Ele chorava como uma, ele se sentava como uma, ele se movia como uma criança.
Era uma criança em um corpo adulto.
Jade chegava a soluçar de tanto chorar . . . Aquilo me partia o coração.
Eu me abaixei e abracei ele.
Acho que é a primeira vez que eu fiquei tão próxima dele desde que ele nasceu e se raptou.
Inconscientemente eu comecei a chorar junto dele assim que o abracei. Eu não consegui amar ele como devia esse tempo todo . . . Será que agora eu teria a chance de ama-lo finalmente ?
É tão estranho . . .
Ele chorava e me abraçava mais e mais apertado.
Ele começou a relaxar finalmente . . . Meu Deus, quanto tempo esse menino viveu sem ter atenção de ninguém ?
Pior que não consigo nem me culpar ou me sentir negligente sendo que ele fugia de mim . . .
"Será que finalmente vou poder criar o meu filhinho ?" falei brincando tentando descontrair o clima pesado enquanto direcionava o rosto do Jade ao meu.
Jade acabou rindo enquanto esfregava o olho.
"Mãe . . . Eu sou mais velho que você . . . Me chamar de filhinho é estranho. " ele dizia.
Devo concordar, é estranho até ver um homem mais velho que eu me chamar de mãe. Mas porque pra mim soa tão natural ? E pelo que percebo é natural pra ele, pois ele não teve dificuldade em me chamar de mãe.
Nathaniel se aproximou aos poucos, com olhar confuso e curioso, ele olhava em direção ao Jade.
". . . Isso é a coisa mais esquisita que eu vivi . . . " ele dizia.
"Pai . . . Eu sou bem mais velho que você . . . " Jade falou, deixando o Nathaniel com olhar ainda mais confuso.
"Em 2 dias eu recebi essa chuva de informações . . . Minha vida toda eu nunca pensei que fosse ter tanta informação que eu consideraria mais bizarra do que eu ser um viajante temporal, minha namorada ser uma alienígena e eu trabalhar em uma organização de controle alienígena." Nath dizia.
". . . E seu filho foi responsável por salvar sua vida no futuro e te fazer rico no passado . . . "Jade completou.
"Ah, então agora tenho certeza que você era o cara que falou com os pais do Nath . . . Ora ora" eu encarava o Jade com minha nova descoberta.
"Sim . . . Não tinha outro jeito. . .Eu precisava salvar meu pai se não eu não existiria."
"Chuva de paradoxos !" Azriel falou chocado colocando as mãos pra cima e simulando uma explosão.
"A parte mais engraçada é que seu pai além de mais novo é virgem, e mesmo virgem é seu pai. Isso tá muito zoado cara." Armin do presente se escangalhava de rir.
"De tanto ser religioso o Nathaniel se tornou a nova virgem Maria" Armin do presente brincou.
"Por favor, respeite a religião dos outros." Nathaniel falou muito sério pro Armin.
"E o detalhe, ele nunca ficou comigo !" completei deixando eles com aquele clima de briga pelo comentário do Armin.
Jade se levantou calmamente e em seguida abraçou o Armin do futuro com força e em silêncio.
Armin parecia não esperar por isso e ficou confuso inicialmente, mas logo retribuiu o abraço.
". . . Eu falei que ia dar um jeito de te tirar desse loop não falei ? "Armin abraçava ele com muito carinho.
O clima estava pesado, mas era um peso bom, um peso de muitas emoções . . .
Vendo a cena realmente pareciam pai e filho . . . Mesmo o Armin tendo um rosto jovem, a postura de ambos . . . Jade parecia uma criança e chorava muito o tempo todo. Deve ser todo o choro que ele segurou todos esses anos em todos os tempos . . . Ele deve estar jogando todo o peso pra fora, devia estar sufocado com tudo, ele aceitou tudo muito fácil provavelmente porque ele sempre quiser ouvir um "Jade, você está livre"
Agora eu posso falar Jade . . . Você está livre.
Ele escondia o rosto no peito do Armin, e aquilo acabava comigo.
Nathaniel se aproximou de Jade, ele parecia curioso.
Jade se virou aos pouco pra Nathaniel, era um olhar tão fofo, tão inocente.
"O jardineiro é meu filho . . . " ele olhava pro Jade fixamente.
Jade sorriu sem graça pra Nathaniel. Eu notei que ele não tinha uma relação muito próxima com Nathaniel, e acredito que Nathaniel vai mudar isso.
". . . É muito pra minha mente ainda . . . Eu . . .Não sei como reagir nessa situação." Nathaniel dizia confuso enquanto olhava fixamente pro Jade.
"Abraça teu filho ue !" Armin disse então jogando o Jade no colo do Nathaniel e derrubando os dois . . .
OK . . . O que vou escrever agora eu quero que seja completamente ignorado.
. . . Mano porque minha mente é assim ?
Tá . . . Eu shippei visualmente o Nath e o Jade por uns instantes.
ME PERDOE UNIVERSO.
MAS NÃO FOI COM LIGAÇÃO SANGUÍNEA !
FOI SÓ VISUALMENTE
E FOI SÓ UM POUCO.
Claro que eu não apoio isso mas . . . Eu já shippei o Alexy e o Armin, me deixe com esse ship momentâneo e . . .doentio.
Meu Deus Boreal, que mente de merda a senhorita tem . . .
COMO FALEI, VAMOS IGNORAR ISSO NÃO É MESMO ? SIM, VAMOS.
Após todo esse encontro e todos estarem mais calmos, isso inclui o Jade, eu pude notar que a party estava crescendo aos poucos.
Ken, Nath, Armin, Armin, Alexy, Azriel e agora . . . O novo membro, Jade.
"Violette !" gritei repentinamente enquanto estava perdida nos meus pensamentos.
Era a Violette que estava se sentando no jardim.
Confusa ela fechou seu caderno que ela acabara de abrir.
"S-Sim ?" ela então se aproximou timidamente.
Jade ainda estava com os olhos vermelhos, e eu sabia bem dos sentimentos dele pela Violette.
"O-Oque vai fazer. . .?" Jade cochichou enquanto eu me afastava e ia pra perto da Violette.
"A professora pediu pra eu ir com o Jade comprar adubo. Mas eu to atrasada pra um compromisso, tanto que pedi licença pra diretora me liberar cedo hoje, você pode ir com ele ?? É muita coisa pra ele levar sozinho. Como vi que estava ali atoa, decidi pedir. Me desculpa te interromper do nada !" falei calmamente.
"N-N-Não ta tudo bem ! É só o adubo . . .?" ela falava timidamente como sempre. Não posso negar que ela é uma fofa.
"Sim só o adubo.Né isso Jade ?" perguntei.
"Hã ?" ele expressou surpreso seguido de minha interrupção "Viu ? Adubo apenas."
Ela encarou o Jade e eu timidamente e falou um "sim, ajudo" baixo.
"Obrigada ! Aqui o dinheiro que me foi dado. Divirtam-se" Armin literalmente colocou o dinheiro na minha mão rapidamente e discretamente.
Como eu amo essa nossa conexão . . .
"m-mã--- Boreal !" Jade dizia gaguejando vermelho enquanto eu acenava e saia de la com os meninos deixando ele e a Violette sozinhos.
"O que foi isso ?" Nathaniel perguntou.
"Ele gosta da Violette, só dei um empurrãozinho." eu respondi com grande satisfação.
"Já falei o quanto to gostando da sua nova eu né Boreal ?" Armin do presente dizia colocando o braço em torno de meu pescoço e me puxando pra perto, assim, claro, incomodando o Nathaniel. Inevitável. Como eu havia passado algo similar mais cedo com a Lety, decidi afastar o Armin no momento que não retrucou, na realidade acho que nem notou que eu o afastei bruscamente.
Lysandre passou por nós, essa hora Azriel me puxou de uma vez pra perto dele empolgado.
". . . Esse era o Lysandre ?? Eu nunca o vi de cabelo branco . . . " Azriel dizia olhando pro Lysandre caminhando.
"Sim . . . Ele ficava bem com esse cabelo, eu mal lembrava. . . " confesso que fiquei com uma pontadinha de falta de ar. Eu realmente acho o Lysandre MUITO lindo mesmo achando ele assustador atualmente.
"Meu Deus . . . Acho que meu amor por ele duplicou . . . Que Deus. E realmente seu pai se parece MUITO com ele !" Azriel dizia com ar apaixonado me fazendo rir.
"Se não consegui ele no futuro vou investir no passado." Azriel então tomou frente.
Nessa hora o Lysandre "terminou" a caminhada dele . . . Lysandre bateu a cabeça e por la ficou caído no chão sangrando. Azriel saiu correndo até o corpo do Lys.
"Tá tudo bem Lys ?!" ele dizia segurando o corpo de Lysandre.
Lysandre não respondeu.
Eu me aproximei, peguei o bloco que caiu um pouco distante e entreguei pro Azriel.
"Ele no passado tinha esse pequeno probleminha.
Ele batia a cabeça frequentemente e se ele perdesse o bloco ele virava um vegetal até ler o bloco novamente." falei.
"Tá . . .não sei se o amor é o mesmo depois disso . . ." Azriel dizia rindo enquanto pegava o bloco.
"Nesse bloco tem todas as informações sobre ele, ele usa isso pra lembrar das coisas desde andar até a vida dele mesmo.
Quando entregar pra ele ele vai voltar "ao normal" dentro do normal pra ele" falei batendo no ombro do Azriel e saindo do local enquanto desejava boa sorte pra ele.
Eu não tinha muito o que falar, preferi deixar le se virando com o crush dele.
"Temos que ir pra casa buscar seu pai e falar com o meu pai sobre o apartamentro novo Boreal" Armin do futuro dizia.
"Temos que esperar o Azriel. Ele não deve demorar já que ainda não tem intimidade com o Lys." falei.
"Bem, já desisti de comprar moveis hoje mesmo, então tá bom . . ." Armin dizia.
"Se quiser eu posso doar uns moveis do quarto de hospedes até que consigam mobiliar a casa toda." Nath dizia.
"Por isso você é meu melhor amigo ! Nunca me deixa na mão ! Mesmo sem sermos amigos você é o melhor amigo que eu posso ter." Armin dizia rindo.
'Elogio confuso, mas agradeço." Nath respondia.
Já começo a sentir uma sincronia entre os dois, o que é ótimo.
Esperamos um pouco mais quando o Azriel finalmente voltou sorrindo.
"Que foi ?" perguntei.
"Eu mexi no caderno do Lysandre, coloquei que somos namorados" ele ria mais.
Meu Deus . . .O que ele tem de fofo ele tem de podre.
"Bia estuda aqui ?" ele perguntou repentinamente.
"Não sei . . . Eu conheci ela muito tempo depois que entrei em Sweet Amoris.
Até um tempo eu só a via seguindo a Ambre mas foi algo muito repentino que eu não dava atenção. Se me lembro bem ela falou algo de ter entrado mais ou menos na época que o Armin entrou." respondi.
Ele ficou pensativo.
"Porra cara, tu já ta investindo no Lysandre, já mexeu no caderno dele e tudo, porque tá perguntando de Bia ?" Armin do presente falou.
" . . E-Eu não vi ela e . . . Eu queria ver como ela era no passado e . . . Eu gosto da Bia e . . . ."
"Ignora ele Azriel. Poliamor é mara, super te apoio a namorar os dois." Alexy interrompeu e assim começou os 2 Armins a discutir com o Alexy.
Nathaniel ficou pra trás, ele disse que resolveria coisas do grêmio, mas pediu pro Armin dar o endereço da casa que ficaríamos que ele passaria mais tarde pra levar coisas.
Ken ficou com ele, ele tem ficado bem quieto, mas ainda asim aprece bem mais feliz do que eu lembro.
Ele se despediu fofamente do Azriel.
Assim que saímos encontrei . . . meu pai parado no ponto de ônibus.
Seria uma ilusão ? Que confuso Meu Deus.
EU me aproximei.
"Pai ! O que faz aqui ?! Era pra estar na casa do Arnaud !" falei.
"Ah . . . Eu segui o cheiro de vocês até aqui.
Estava um tédio ficar naquela casa o dia todo.
Nunca gostei de ficar preso, como estavam demorando, decidi vir.
". . . E essas roupas ? Tirou de onde ? Elas não me são estranhas . . ." perguntei mexendo na jaqueta que ele usava.
"Ah, peguei na casa do Castiel !" ele respondeu.
". . . Ele sabe que você pegou essas roupas ?" Alexy perguntou.
"Na verdade não. Eu usei a chave pois sem onde ele guarda a chave reserva, peguei umas roupas e sai. Como ele é alto e tem mais corpo, as roupas dele serviram em mim." respondi.
"E o que faz no ponto de ônibus ?" Armin do presente falou.
"Eu to esperando o portal abrir." ele respondeu.
Portal ?
Mas que raios de portal é esse eu pensei na hora . . .
Então, repentinamente uma luz brilhou intensamente.
De repente a luz começou a diminuir e eu fui vendo algo tomar forma . . . Era. . . A Agatha ??
Tem como minha vida ficar mais estranha ?
Sério mesmo . . . Tem ? Alguém responde isso ? Porque . . . ACHO QUE NÃO.
"Agatha ??" Falei surpresa.
Ela sorriu pra mim e em seguida olhou espantada pro meu pai.
". . . Eliott ???? É VOCÊ MESMO ?! NO SEU CORPO ?!" Ela falava surpresa.
" Esse é meu nome Boreal ! Eliott !! Agora sim !! Se bem que acostumei com Charlie . . .
Sim ! Sou eu Agatha !! Eu vim aqui justamente pra te mostrar ! Eu não sei o que houve mas meu corpo está de volta." ela então abraçou o meu pai.
Eu comecei a gritar
"QUE CARALHOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI ?!"
Agatha me olhou com cara feia.
"É você que tá ensinando essas palavras feias pra minha sobrinha né ?!" Ela falou empurrando o Armin.
"PORRA QUAL O SEU PROBLEMA COMIGO ?! POSSO VOLTAR NO TEMPO QUE ELA CONTINUA DOIDA ?!"Armin gritou impulsivamente.
"Deixa de ser louca ! Você não é tia da Boreal !!" Armin gritou.
"Eu realmente sou sua tia boreal ! Não fale merda !!" ela gritou de volta.
"Ah claro ! E você é irmã da Lucia ?!" Armin respondeu.
"Eu não poderia falar que era irmã do cachorro. Eu sou tia dela por parte de pai !" ela gritou de volta.
"Sim, é verdade. Agatha é minha irmã. Inclusive, ela parece ter as lembranças do futuro . . . Estou certo Agatha ?" Meu pai falou.
"Sim . . . Eu sei de tudo, inclusive vi a realidade se desfazendo na minha frente, foi por pouco que não entrei no portal. O que tá acontecendo afinal ?" ela perguntou.
"E como você veio parar aqui ? Você é de outra dimensão !" Armin do futuro falou espantado.
"Se eu soubesse já teria levado o Eliott e minha sobrinha de volta ! Por algum motivo esse portal só se abre pra mim e só eu consigo passar de lá pra cá. . . E ele sempre da aqui no ponto de ônibus." ela completou.
"Olha . . .Seria mais fácil de acreditarmos na senhora se falasse que era irmã do cachorro, sério, vai por mim." Armin dizia rindo.
"Eu saia todo dia pra encontrar com a Agatha. Era a única pessoa com quem eu conseguia conversar livremente . . ." meu pai completou.
"Aqui minhas guelras provando que sou irmã dele. Eu normalmente escondo com colares." ela dizia mostrando os riscos que tinha no pescoço que se assemelhavam aos de meu pai.
"Então você é a mesma Agatha do futuro ?!" Alexy perguntou.
"Eu sou a mesma com as mesmas lembranças. Eu viajo através desse portal. E eu lembro bem que você é um amorzinho Alexy." ela falou sorrindo pro Alexy que sorriu de volta.
"E a merda só explode mais . . ." Armin falou.
"Como nunca notou a cor de pele dela filha ?" meu pai realmente parecia surpreso de eu não ter notado nada.
". . . Então . . . Quando meu pai Philippe falou que ela era esquizofrênica eu parei de questionar tudo." respondi.
"Tem sentido . . ."
Ali eu lembrei . . .Meu pai Philippe . . . Minha mãe . . . MINHA MÃE ESTÁ VIVA !!
Na mesma hora que eu pensei nisso eu falei empolgada ignorando todo o resto.
"Quero vistar minha mãe !! "
Eles olharam pra mim e falaram pra eu me acalmar.
"Não podemos simplesmente ir agora Boreal, não é simples assim." Azriel falou.
"Sim, temos que avisar pro Arnaud onde vamos ficar." Armin do futuro dizia.
"Alem de que temos que preparar todo o terreno antes de aparecer pra sua mãe. Não se esqueça que ela tem uma filha do presente dela convivendo com ela." Armin do presente completou.
Fiquei bem pensativa, mas logo me convenceram . . . A situação é delicada, eu tenho que dar ouvidos pra eles.
E assim fomos até a casa do Arnaud.
Meu pai e Agatha foram pra casa dela, e todo o resto foi pra casa do Arnaud.
Ele já devia ter chego do trabalho aquela hora.
Nos atendeu rapidamente e nos levou até a garagem para que pudêssemos conversar.
Armin explicou que ele conseguiu uma casa pra ficarmos e que iria buscar a maquina do tempo mais tarde.
Enquanto explicávamos, ouvimos a voz do Alexy se aproximando chamando pelo pai.
Arnaud então saiu da garagem falando "Só um instante, meus filhos chegaram, me esperem na garagem."
Não demorou muito, ele voltou com olhar preocupado.
"Que estranho Alexy disse que não viu o Armin em lugar nenhum,que a ultima vez que viu ele estava discutindo com a namorada . . . Ele não chegou ainda . . . " Arnaud dizia.
Armin do futuro ficou pensativo junto do Armin do presente, pareciam tentar pensar onde ele do passado foi. Claro, a situação estava diferente de quando viveram ela.
Por fim, eles levantaram de uma vez e saíram correndo.
Eles correram muito sem dar nenhuma explicação.
Azriel, Arnaud e eu só corremos atrás.
Eu reconhecia aquele caminho . . .Eles estavam indo pro parque.
O tal parque que o Armin me levou algumas vezes, onde ele falava que gostava de passar um tempo sozinho.
Eu pude ver alguém parado no balanço, o mesmo balanço que ele ia sempre.
Parecia ser o Armin.
Não conseguia acompanhar de perto a corrida dos dois Armins, mas assim que me aproximei vi eles se jogando em cima do Armin do passado.
Sim, era o Armin do passado.
A cena era triste.
Um Armin do passado triste jogado no chão com olhar surpreso, olhos vermelhos e cheios de lagrimas.
Um Armin caído de cada lado segurando a mão do Armin do passado.
E muitos remédios jogados no chão.
"O que significa isso.. . ?" perguntei surpresa pegando um dos comprimidos.
Armin do futuro se levantou apontando pro do passado.
". . . Te apresento uma tentativa de suicídio mal sucedida." nessa hora o Alexy puxou o Armin do passado de uma vez e o abraçou chorando.
Ele ainda estava com olhar espantado pra tudo. Armin parecia confuso.
". . . Mas . . . Porque se matar agora . . . ?" assim que eu falei Armin começou a chorar instantaneamente.
Ele nunca se entrega assim na frente das pessoas. Pra mim, custou ver ele chorando.
Ali tinha estranhos e tinha o pai dele presente . . .Mas o Armin começou a chorar, muito.
E cada vez mais ele apertava o Alexy e chorava mais. Alexy foi carinhoso e atencioso o tempo todo tentando acalmar o Armin que chorava quase gritando no peito do Alexy.
Era uma face do Armin da qual eu não conhecia . . .
Pude ver os dois Armins muito desconfortáveis com a situação. O do presente sequer quis olhar, ele se afastou . . . Estava um clima bem pesado . . .
O do futuro quando impediu o suicídio do Armin do presente, brigou e gritou muito, diferente de agora, ele parecia só triste . . . Ele encarava os remédios como se o Armin tivesse razão el não quisesse falar que ele devia ter se matado . . .Arnaud e Azriel se abaixaram junto com o Armin do futuro pra recolher todos os remédios que caíram.
"Esse suicídio foi antes da hora . . . " Arnaud falava baixo.
"Sim eu sei . . . E foi por pouco que não conseguíamos impedir." Armin do futuro falou.
Ouvimos passos vindo em nossa direção, pensamos de ser alguém passando por ali, mas os passos pararam próximo ao balanço.
Era o Alexy olhando surpreso e confuso, muito confuso.
Afinal, eram 3 Armins e 1 Alexy que estavam na sua frente.
Eu não disse absolutamente nada enquanto descíamos a rua. Minha cabeça tava tão cheia de coisa, e todas essas coisas estavam tão bagunçadas dentro dela, que eu nem percebia o quanto eu tava sendo desagradável com aquele silêncio todo. Só me toquei quando ela me cutucou:
Helo: Tu tava mais falante na festa.
Eu: Eu tava bêbado.
É, às vezes é melhor ficar quieto do que dar uma resposta atravessada dessas. Mas foi mais forte do que eu. Embora eu estivesse ali, com ela, pra esvaziar minha cabeça e parar de pensar (pelo menos um pouco) na Alícia e nas coisas que tinham acontecido ontem, parecia que aquilo só me fazia pensar mais ainda em tudo. Parece que, quanto mais tu evita pensar em algo, mais tu pensa naquilo. Só de mentalizar "eu não posso pensar nisso", tu já tá pensando. Nossa cabeça é mesmo um inferno. Eu queria que aquela parada do filme Homens de Preto (MIB) existisse de verdade. Ou não. Eu teria que usar aquela porra todo dia com a quantidade de merda que eu faço e tenho vontade de esquecer depois.
Eu só queria poder me orgulhar dos meus erros às vezes. Tem gente que consegue. Tipo aqueles caras que dizem "é, fiz merda mesmo, mas pelo menos vou aprender alguma coisa com isso." O que eu vou aprender com a quantidade de merda que eu falei pra Alícia ontem? Que eu sou um covarde, imaturo, sem noção e perdi a única guria que me faz sorrir toda vez em que eu olho pra ela. Olhava.
A Helo apertou minha mão com força. Acordei dos meus pensamentos negativos e percebi que ela tava me puxando pra atravessar a rua. Talvez ela tenha falado mais alguma coisa depois da minha resposta sobre meu grau etílico, mas se falou, eu não prestei atenção. E ficou por isso mesmo.
Paramos em frente a um típico prédio de classe média, todo pintado de branco, com sacadas grandes e uns dezessete andares. O porteiro acenou assim que a viu. Apaguei meu cigarro na grade do portão antes de entrar. Uma velha com um cachorro igualmente velho passou por nós, mas não nos cumprimentou.
No elevador, silêncio ainda. Soltei a mão dela e me encostei na parede. Ela apertou o botão que nos levaria até o nono andar. Por algum motivo, eu não queria olhar meu reflexo no espelho. Provavelmente porque aquilo confirmaria que eu tava mesmo onde eu tava, sentindo mesmo o que eu tava sentindo.
Assim que a porta se abriu, ela falou alguma coisa e, em seguida, deu risada. Provavelmente deve ter feito alguma piadinha sobre o tapete do Star Wars do vizinho da frente, mas eu não ouvi direito. Só forcei pra abrir um sorriso amarelo.
Entramos na casa dela que, pelo silêncio, tava realmente vazia. Fiquei parado na sala esperando que ela me dissesse o que fazer, enquanto ela pendurava a mochila na maçaneta da porta.
Helo: Ei, tudo bem contigo? - ela abriu um sorriso, achando engraçado meu jeito calado.
Eu: De boa.
Ela concordou com a cabeça e passou a mão pelo meu braço. De novo, forcei um sorriso. Uma vez li numa revista que, quando tu força o sorriso várias vezes, uma hora teu cérebro começa a acreditar que tu tá realmente feliz. Talvez meu cérebro seja mais esperto que essas revistas baratas de banca.
A Helo saiu andando e me chamou com a mão pra que eu fosse atrás. Entramos na cozinha, que tava bem limpa e arrumada. Fazia tanto tempo que eu não via uma pia sem louça suja que eu já nem me lembrava como era. Ela abriu o forno e tirou uma travessa de vidro coberta por papel alumínio. Colocou sobre a pequena mesa de canto e tirou o papel de cima. Batata assada. Automaticamente me lembrei de uma cena de anos atrás, quando a namorada do meu pai da época (ou amante) fez batata assada pra me agradar. Me lembro de ter agradecido e soltado a travessa no chão. Quebrou em tantos pedaços que deve ter caco de vidro embaixo do fogão de casa até hoje. Nessas horas eu vejo o quanto eu sou um cara perturbado.
Helo: Hein, Thom?
Eu: O quê?
Helo: Perguntei se tu gosta de batata assada.
Eu: Eu não ouvi. Gosto.
Ela fez uma cara estranha pra mim e se virou pra pegar um prato no escorredor de louça.
Eu: Mas eu não quero. Valeu.
Helo: Não fui eu que fiz, fica tranquilo. - ela sorriu. - Prometo que é muito boa.
Eu: Eu to sem fome.
Helo: Mesmo?
Fiz que "sim" com a cabeça e coloquei a mão na frente da minha barriga. Não era só a minha cabeça que tava cheia. Parece que meu corpo todo se enche quando eu to com algum problema. Era como se a bad me ocupasse inteiro por dentro.
Helo: Tá de ressaca?
Eu: É.
Não deixa de ser uma ressaca.
Helo: Dá pra ver. Hahaha.
Forcei o sorriso de novo. Não era possível que o cara que escreveu aquela matéria estivesse 100% errado. Uma hora vai dar certo. A Helo foi até a geladeira, tirou duas garrafas marrons de lá de dentro e as colocou em cima da mesa. Eu nunca tinha visto aquele rótulo colorido na vida, mas pareciam cerveja.
Helo: Dizem que cerveja é bom pra curar a ressaca.
Ela se sentou na cadeira e apoiou os cotovelos em cima da mesa.
Helo: Eu também não to com muita fome. - ela deu de ombros.
Silêncio de novo. Aquilo claramente me pareceu um convite pra beber com ela. E, por mais cheio que eu estivesse, to ligado que uma cerveja cai bem a qualquer hora. Principalmente nessas horas em que o tu mais quer na vida é esvaziar a porra da tua cabeça. Me sentei na cadeira do lado dela e abri as garrafas usando a barra da minha camiseta pra não machucar as mãos.
Helo: Tu é mesmo profissional nisso, né? - ela sorriu.
Ela tava muito mais simpática do que no dia da festa, mas eu não sabia exatamente por quê. Só sabia que eu tava sendo um puta de um escroto por não retribuir a simpatia. Queria que ela soubesse o quanto era difícil pra mim, mas como explicar? "Então, é que ontem eu chapei o globo, vi a luz do quarto da minha ex acesa e falei um monte de merda pra ela. Agora to aqui pra ver se tu me ajuda a esquecer disso, porque eu to ligado que não vou conseguir sozinho". Dei um gole na garrafa no gargalo mesmo. Ela me imitou.
Eu: Foi mal pela minha cara de bosta.
Helo: Tudo bem. Eu já percebi que ela é permanente.
E eu ri, mas dessa vez foi sincero.
Eu: É, também tem isso.
Helo: Mas eu gosto de gente mal humorada, sabia? Não sei por quê.
Eu: Ninguém gosta.
Helo: Eu gosto. Prefiro um cara mais sério do que um que fique fazendo graça o tempo todo. Não confio em quem ri demais.
É, não é a toa que o Fred não é um cara muito confiável. Isso explica muita coisa.
Helo: Mas já que tu precisa ficar bêbado pra falar mais... - ela apontou pra garrafa.
Eu: Vou tentar. - levantei a garrafa.
Ficamos em silêncio de novo, cada um tomando a sua cerveja. O rosto da Alícia chorando apareceu na minha frente como mágica. Puta que pariu. Beleza, se o que eu quero é me distrair, então eu preciso me distrair.
Eu: Que cerveja é essa? É boa.
Helo: É de trigo. Do meu pai.
Eu: Ele não liga de tu beber?
Helo: Não.
Eu: Nem a cerveja dele?
Helo: Ele não precisa saber. Tem outras embaixo da pia. Eu substituo depois.
Eu: Saquei.
Helo: Essa cerveja é da Bélgica.
Eu: É.
Dei mais um gole e fiquei quieto. Vamo lá, Thom. Se ajuda.
Eu: Dizem que são as melhores do mundo.
Helo: Dizem que sim.
Eu: Mas eu não manjo muito, na real. Não tenho dinheiro pra isso.
Helo: Hahaha. Acaba virando tipo um hobby. Meu pai gosta bastante, sempre compra cervejas diferentes pra experimentar. Tem vários tipos e tal. Tu tem algum hobby?
Tenho? Pensei por alguns segundos.
Eu: Acho que não.
Helo: Tem certeza? Todo mundo tem algum. Alguma coisa que tu gosta e costuma fazer no teu tempo livre.
Eu: Fumar maconha.
Helo: HAHAHA!
Eu: Foi a primeira coisa que me veio na cabeça.
Comecei a rir também. Rir da minha própria desgraça por ser tão desinteressante a ponto do meu hobby ser fumar maconha.
Helo: É, não deixa de ser um hobby.
Eu: Tu tem algum?
Helo: Eu gosto de costurar.
Percebi que eu tinha conseguido ficar quase 1 minuto sem pensar na Alícia. Não deixa de ser uma vitória. A Helo ficou falando sobre as coisas que ela gostava de costurar, quando ela tinha começado com aquilo, a máquina de costura que ela herdou de uma avó... De vez em quando a Alícia surgia na minha mente como um fantasma. Outras vezes, quem aparecia era o Fred me chamando de troxa. Mas tava funcionando manter minha mente ocupada com aquela conversa. E aquela cerveja, que era mais forte do que as que eu tava acostumado a beber.
Helo: E o teu amigo com a Larissa?
Eu: O quê?
Helo: Qual é... Eu sei que eles namoraram.
Eu: Ah. Deu merda, claro.
Helo: Como assim "claro"?
Eu: É o que sempre acontece no final, não é? Dá alguma merda.
Ela deu de ombros. Pela cara e pela idade, ela não parecia ter muita experiência no assunto. Bom pra ela.
Helo: Mas depois fica tudo bem de novo.
Eu: Espero que sim.
Silêncio de novo. E dessa vez, ele tava durando mais do que eu gostaria. Aquele papo de namoro, de dar merda no final... E a Alícia apareceu na minha cabeça pra valer. E agora, ela não queria mais ir embora. Por mais que eu tentasse pensar em outra coisa além dela chorando, as únicas coisas que eu conseguia pensar de diferente eram ela sorrindo, ela falando daquele jeito rápido dela, ela me acordando de manhã e me zuando do quanto eu curtia dormir até tarde, ela me lembrando de não esquecer o isqueiro em casa, ela me perguntando o que eu faria se uma nave espacial descesse no pátio da escola. Caralho, Alícia. Caralho.
CARALHO!!!
Eu queria tanto berrar "CARALHO". Enfiei os dedos no meio do meu cabelo e puxei de leve num gesto de desespero contido. A Helo ficou me analisando enquanto eu agia feito um maluco. Ela devia estar tentando adivinhar qual era meu problema. Meu problema, cara? Meu problema é ser eu. E antes que ela resolvesse me perguntar alguma coisa, ou antes que a cerveja e as imagens da Alícia na minha cabeça me fizessem protagonizar mais alguma merda, eu me inclinei e beijei o rosto sardento da Helo. Ela fechou os olhos e virou o rosto pra beijar minha boca. E o que começou como um beijo tranquilo, quase como um carinho de consolação, evoluiu pra algo mais desesperado. Quando ela já tava quase caindo da cadeira, ela se levantou ainda me beijando. Nos encostamos na pia e continuamos naquela doideira até ela segurar meu rosto.
Helo: Calma. - ela ordenou com o olhar sério.
Não sabia o que eu tava fazendo de errado até aquela hora, mas não respondi nada.
Helo: Vamos pro meu quarto. Pode chegar alguém.
Eu: Teus pais não tão fora?
Helo: Estão, mas pode chegar meu irmão, ou a empregada, não sei. A cozinha não é um bom lugar.
Ela me puxou pela mão. Saímos da cozinha, passamos pela sala, por um corredor estreito e entramos no quarto dela. Um típico quarto de menina. Sempre que entro no quarto de alguma guria pela primeira vez, eu me lembro de uma das brisas do Fred. Um dia, bêbado, ele tentou me explicar sobre o quanto gostava de quartos de guria. "Eles têm cheiro de mina, tão cheios de coisa de mina.", ele disse. "É praticamente como se tu entrasse dentro dela, saca? Sem contar que é sempre uma vitória quando tu consegue entrar no quarto de uma guria". Eu achava meio engraçado o jeito como ele falava, mas não deixava de concordar. Vi os sapatos dela espalhados no canto, o edredom verde claro perfeitamente esticado em cima da cama, os infinitos produtos de beleza em cima de uma mesa que deveria servir como escrivaninha. Bem como o Fred diz, é como entrar no universo dela. Fora o cheiro de perfume permanente que tinha aquele lugar. Mas antes que eu perdesse mais tempo admirando tudo aquilo, ela fechou a porta e veio pra cima de mim de novo.
Nos deitamos na cama e não demoramos muito pra tirar toda a roupa. Eu só odeio quando não consigo tirar meu tênis com os próprios pés, e tenho que parar tudo que eu to fazendo pra desamarrar o cadarço. Dá vontade de pedir desculpa pelo vacilo. Mas ela parecia tão empolgada que nem se importou. Eu não podia fazer nada além de ficar feliz, porque não tem nada mais foda do que perceber que uma guria tá muito a fim de transar contigo. Tênis e meia devidamente tirados, nos deitamos e voltamos a nos beijar. Ela resolveu ficar por cima e eu achei boa ideia. Continuamos nos beijando.
E nos beijando.
E nos beijando.
E beijando. Sem parar.
Até que eu comecei a estranhar. Quero dizer, ela beijava bem, dava pra dizer que a gente tinha um encaixe bom, mas já faz um tempo que estamos os dois levemente bêbados, sem roupa, deitados na cama dela, sozinhos em casa. Que horas a parte realmente legal começa, caralho? A gente vai ficar só beijando? Eu não queria ser babaca de forçar a barra pra comer ela, mas é o que se espera numa situação dessas. Comecei a fazer uns movimentos que indicassem que ela podia, digamos, fazer alguma coisa além. Mas estando por baixo, não tinha muito o que eu pudesse fazer. E como a gente não tinha muita intimidade (pra não dizer nenhuma), eu não sabia o que falar. Não dava pra soltar um "tu não vai sentar no meu pau logo?". Até dava, mas não seria muito legal da minha parte. Talvez eu dissesse isso alguns anos atrás, mas se o tempo me fez algo de bom, foi me deixar menos escroto com as gurias. Na medida do possível.
Continuamos mais um tempo daquele jeito. Será que se eu ficar por cima e tomar a iniciativa, vou ser escroto? E se ela não quiser? Quero dizer, se não fez nada até agora, talvez ela não queira. Mas porra, nunca vi o negócio chegar a esse ponto sem que... Cara, foda-se.
Eu: Tu já pode... Tipo... Se quiser...
Helo: Eu sou virgem.
Beleza.
Beleza.
De boa.
Tudo bem.
Não surta. Não broxa. Não pensa na Alícia. To pensando na Alícia. To pensando na Maíra. COMO ASSIM TU É VIRGEM, VELHO? Fechei os olhos e respirei fundo.
Eu: Beleza.
Helo: Beleza o quê?
Eu: Nada.
Ela parou de se mexer e ficou me encarando, claramente incomodada com a minha reação.
Helo: Que foi?
Eu: Nada. Tudo bem.
"Tudo bem" o caralho, mas tudo bem. Eu tava levemente puto por ela ter chegado até ali pra só depois me dizer que era virgem, o que indicava que, provavelmente, não passaríamos daquilo. Mas vou fazer o quê? Respirei fundo de novo pra me forçar a ser minimamente maduro e não mandá-la pra puta que pariu. Tanta guria pra comer nesse mundo, eu fui pegar logo essa, logo hoje, que eu tava precisando esvaziar minha cabeça e meu corpo inteiro mais do que tudo. Cacete.
Helo: Mas eu queria... Que fosse contigo.
Eu: Que fosse comigo o quê?
Helo: Tu sabe...
Apertei os olhos. Eu to entendendo o que eu to entendendo?
Eu: Tu quer perder a virgindade comigo?
Ela fez que "sim" com a cabeça.
Eu: Tu tem certeza?
De novo ela fez que "sim" com a cabeça. Eu fiquei meio sem graça, meio feliz, meio nervoso. Talvez mais sem graça do que tudo. Ou mais nervoso. Eu não sabia. Normalmente as gurias têm bastante cuidado na hora de escolher o cara pra quem elas vão dar pela primeira vez, ficam idealizando um momento perfeito, com um cara perfeito, que as ame, que faça com que seja como nos filmes. E eu não era aquele cara. Mesmo.
Mas ela continuou olhando pra mim. E não pareceu ter mudado de ideia nos minutos em que eu fiquei pensando. Beleza, né?
Sabendo daquilo, comecei a tratá-la de outra forma. Não porque ela fosse especial, ou porque ela fosse tosca por ser virgem, mas sei lá... Porque ela não devia saber muito bem o que fazer, então fazia mais sentido que eu guiasse as coisas. Até porque ela pareceu ter ficado meio nervosa depois de ter me confessado ser virgem. E se eu bem sei, a pior coisa que pode rolar é tu ficar nervoso na tua primeira vez. Se tu for um cara, tu pode broxar ou gozar rápido demais. Se tu for guria, pode doer. Caralho, o que eu fui arrumar pra mim? Eu realmente não queria que fosse uma merda pra ela. Seja lá qual for o motivo dela ter me "escolhido", queria que valesse a pena. Fiquei por cima dela e dei meu máximo pra fazê-la relaxar e ficar minimamente à vontade comigo, por mais que eu fosse um cara totalmente estranho que ela conheceu numa festa, bêbado.
E tudo correu bem. No começo ela pareceu um pouco incomodada com a sensação ou sei lá, mas depois se acostumou. Talvez ela tenha até gostado. Do oral eu sei que ela gostou. E pareceu ter gostado quando ficou por cima também. É difícil falar. Terminado, cada um deitou de um lado, e ela foi pra baixo do edredom. Eu tava morrendo de calor, então não fiz o mesmo.
Eu: Não precisa se cobrir.
Helo: Eu to vem assim.
Eu: Tu tá com vergonha ou sei lá?
Helo: Não, eu...
Eu: Tu é bem bonita. Mesmo.
Silêncio. Ela nem se mexeu.
Eu: Tipo, mesmo.
Helo: Valeu. - a voz dela saiu baixa.
Eu: De verdade. Não precisa ter vergonha de nada.
Talvez aquela tenha sido a melhor decisão que eu tomei nas últimas 24 horas. Até consegui relaxar e não pensar em muita coisa, por mais que não tenha durado muito tempo. Tampei meus olhos com o braço pra diminuir a claridade e até consegui cochilar.
Acordei sem saber onde eu tava com a Helo me chacoalhando como se o mundo fosse acabar.
Helo: Thom, Thom! Acorda!!
Demorei um pouco pra entender o que acontecendo, mesmo depois de ter aberto os olhos.
Helo: Acorda! - parecia que ela queria gritar, mas não podia.
Eu: Que foi?
Helo: Meu irmão!!!
Eu: Teu... Quem?
Helo: Shhhh! Não fala nada! Meu irmão chegou. Ele não sabe que tu tá aqui.
Eu: Tu não disse que...?
Helo: Vai pra baixo da cama! Eu explico depois!
Ela tirou uma força do além e conseguiu me puxar e me empurrar pra debaixo da cama dela. Chutou minhas roupas e meu tênis pra baixo também e abriu a porta do quarto, tudo isso em questão de segundos. Eu só comecei a entender o que tava rolando quando percebi que eu tava pelado embaixo de uma cama.
Helo: Oi! Eu tava dormindo. - disse isso pra alguém e saiu do quarto.