Capítulo 57
A semana pareceu eterna e agoniante. Ela parecia passar em câmera lenta . . . Eu estava muito ansiosa pro fim de semana. Eu, Armin e Ken andávamos grudados pra cima e pra baixo pensando em formas de conseguir respostas e a infiltração perfeita . . . Eu acho que por ansiedade eu estava me sentindo fraca e cansada demais. Eu mal dormia ou comia. "Caolha ?" Eu ouvi o Castiel se aproximando de mim enquanto pegava meu lanche no armário para encontrar com os meninos. Eu lembro da filmagem que vi, e bem, eu agora sei que o Castiel gostava de mim e que ele não queria mais me usar . . . Assim como sei que o Castiel tem um lado humano dentro dele pela reação estranha dele com o Dajan . . . Isso me faz ver ele com outros olhos, olhos de pena, ajuda. E ouvir o que a Ambre falou me dá agonia . . . "O-oi, Castiel" eu virei olhando diretamente pra ele. Espero que meu olhar não passe meus sentimentos de dor por ele. "Você tá bem ?" ele falou preocupado e . . . Sério ? "Sim, por que não estaria ?" eu realmente não entendi bem. Então ele pegou minha mão e levantou pelo pulso. "Olhe pra você ! Você está péssima ! Não me diga que tá paranoica com o peso e virou anoréxica ? Onde estão suas bochechas salientes ? E esse pulso só osso ? Daqui a pouco você vai ficar sem seus melões também do jeito que tá indo ! Aí nunca vou te perdoar" ele falou como se tentasse brincar comigo mas parecia estar realmente preocupado. "Eu tô bem, e eu não sou anoréxica nem nada do gênero. Admito que estou dormindo mal, mas nada de mais. Você está exagerando . . . " eu realmente me sentia fraca e tonta, mas não podia falar minha preocupação pra ele . . . "É sério, caolha. Você tem andado só com o Ken e o Armin essa semana. Mal tem respondido quando eu falo com você e está ficando muito magra. O que tá acontecendo ? Eu fiz alguma coisa de novo ? Fala, eu não gosto dessa palhaçada de ficar de cu doce. Sabe que se falar o que fiz de errado eu vou responder numa boa." Quando ele falou isso eu só sorri. "Não, sério, é só porque eles tem me ajudado com umas dúvidas que tenho. Sabe que os dois são bastante inteligentes, né ? Então . . . " eu tentei dar uma resposta e sair, porém . . . "SÉRIO ! VOCÊ ACHA QUE EU VOU ACREDITAR EM VOCÊ ? Você nunca foi de falar com gentileza comigo, e eu nem quero isso. Eu gosto de você porque você sabe entrar nas minhas brincadeiras sem ficar de mimimi igual os outros . . . O que tá acontecendo ?" Eu admito que fiquei um pouco tonta com a frase do Castiel. Em poucos segundos ele tentou se corrigir. "G-Gostar eu me refiro como pessoa ! Não vem pensar merda não !" Ele falava se afastando um pouco. "Castiel, só confia em mim. Eu tô bem . . . Ao invés disso, porque não me conta um pouco sobre seus problemas ? Você sim parece ter vários . . . " Joguei isso na esperança de ele me falar algo. Porém . . . Ele só gritou um "isso não é da sua conta" e se retirou. É . . . Depois desse fim de semana vou pensar em uma forma de pressionar ele. Eu realmente estou preocupada com o Castiel . . . Ele parece ser bastante depressivo se eu juntar as peças . . . O que a Ambre falou dele, o que vi nas filmagens e o suposto passado dele com o Nathaniel. Lembro bem dele no shopping falando que a vida dele era um lixo por culpa do Nathaniel . . . Eu estou bastante preocupada com ele. . . Até porque a forma como a Ambre falou deu a entender que ele não aguenta mais o peso dos próprios problemas, e se ela tem medo do que ele possa fazer . . . Eu só consigo pensar que o Castiel talvez possa se matar no fim de tudo. . . . Qual a importância desse ritual ? Eu encontrei com os meninos no pátio. "Castiel reparou o mesmo que nós pelo visto" Armin falava. "Armin, não enche, eu tô bem." eu respondia enquanto sentava já abrindo meu lanche. "Não. Você não tá. Já se olhou no espelho ? Seu aspecto está horrível ! Ele tem razão, tá parecendo uma anoréxica ou bulímica." Armin completava. "Ken, fala algo, me defende" eu falei em direção ao Ken. Ele fez um olhar desesperado e falou "Desculpe, eu não posso. Ele tem razão." Meu Deus, como esses meninos são exagerados. "gente, eu só tô ansiosa, mais nada, tô dormindo mal e me alimentando mal sim, mas falar que pareço anoréxica é exagero ! Sabe quanto tempo demora pra uma pessoa chegar no estágio que vocês estão me colocando ? Eu teria que estar sem comer NADA pra estar magra como falam" eu estava realmente irritada com a situação. "Celes, acho que você não entendeu. Você está REALMENTE MAGRA DEMAIS. Falando sério. Você tem se olhado no espelho ?" Armin completou. Nesse momento decidi puxar meu espelho de bolso pra ver o que eles falavam . . . E me espantei, pois . . . Realmente eu estava bastante magra. Eu acho que estou exagerando um pouco em ficar sem comer por ansiedade . . . Todos ficaram em silêncio. Armin e Ken colocaram seus lanches sobre o meu. "Come, você tá precisando. Ficar fraca não vai te fazer mais forte." Armin falava. "Mas vocês tem que comer . . . " "Cara, tem uma cantina na escola qualquer coisa. Diferente de você nós não estamos fora de forma. Sério. Esquece um pouco os problemas e come." Armin parecia sério. É fácil falar pra esquecer . . . "Celeste, t-tudo que você tá passando é complicado, mas nós estamos na sua retaguarda. Tenta se apoiar um pouco na gente e relaxe . . . P-P-Por favor . . . Coma." eu definitivamente tenho os melhores amigos atualmente. Eles realmente se preocupam comigo . . . Mesmo que tenham interesses por trás. Eu consegui relaxar por uns instantes e comi o lanche deles como se nunca tivesse visto comida na vida. Eu comi rapidamente o lanche deles e o meu . . . Engraçado, eu ainda sentia uma fome enorme . . . Acho que eu passei dos limites mesmo. Os meninos olhavam impressionados pra mim, Armin ria de leve. "Uma tal ciclope aí falou que não estava com fome e nem exagerando . . . Acho que essa tal ciclope mentiu" Eu não me contive e bati nele, brincando claro, e nada igual faço com o Castiel. Mas eu caí pra frente, por sorte ele me segurou. Estávamos sentados e eu caí, senti minha cabeça pesar muito . . . Eu me sentia muito mole. "Tá tudo bem ??!" ele falava enquanto me levantava e olhava espantado pra mim, Ken se aproximou rapidamente também. "Eu acho que exagerei um pouco na minha ansiedade . . . Mas . . . Eu não posso ficar assim. É hoje que vou pra casa do Nathaniel." Eu estava desesperada. "Se você continuar fraca desse jeito não vai ter como ir . . . " Ken falava preocupado. "NÃO ! EU VOU ME ARRASTANDO, MAS VOU ! EU PRECISO SABER PORQUE A AMBRE DISSE QUE EU MORRI ! ISSO NÃO ME SAI DA CABEÇA ! Vocês têm noção do quanto eu tô péssima com isso ??" eu acabei me alterando e alguns alunos olharam pra gente. "Sim, nós temos noção e estamos vendo seu estado atual. Mas você não pode se arriscar desse jeito . . . " Ken falava de forma desesperada. "Ken, eu não vou ter outra chance dessas, eu não posso jogar fora . . . Vou na enfermaria procurar algumas vitaminas. Talvez eu melhore . . . " Eu falei isso levantando, porém, fraquejando. Armin e Ken me ajudaram a levantar e me acompanharam até a enfermaria. Chegando lá, a enfermeira me mandou ficar de repouso, ela brigou bastante comigo por ficar me alimentando mal, infelizmente o sinal bateu e todos deviam voltar pra suas salas, eu ficaria na enfermaria até o fim do dia me recuperando. "Toma, vai ser um tédio . . . " Armin falou enquanto me entregava o PSP dele. "M-mas você fica jogando na aula . . . " Eu falei espantada. "Nah, tá tudo bem, eu tenho o Kentin de companhia, podemos conversar. Fora que tenho o celular comigo que, aliás, você não trouxe hoje. Eu te mandei mensagens e você não respondeu nenhuma. Então seu dia vai ser bem chato aqui. Só toma os remédios direitinho, fim do dia eu e o Ken vamos voltar pra ver como você está e acompanha-la até a Ambre. Se não estiver bem, saiba que o Ken vai te levar direto pra casa." ele falou isso apontando pro Ken. "Sim, e você já é fraca normalmente, imagine nesse estado. Não terá como medir forças." Ken falava me encarando. "Obrigada, meninos . . . Isso significa bastante pra mim. Acho que é a primeira vez que me sinto realmente importante aqui." eu estava com vontade de chorar, sinceramente, era mais anormal pra mim ser tratada bem desse jeito do que ser tratada mal. "Ah, para com isso ! Você é bastante importante pro Castiel, afinal, ele queria te usar no ritual" Armin falou isso rindo. Ken olhou pra ele com cara feia, mas admito que acabei rindo também, logo o Ken terminou rindo junto. Esses dias que tenho passado com os dois tem sido fantásticos. Tenho me sentido em meu momento de paz com amigos . .. Se não fosse esses pensamentos sobre Ambre e Nathaniel, eu poderia dizer que foi a semana perfeita. Eles voltaram pra sala de aula e eu fiquei lá na enfermaria. Comecei a mexer no PSP do Armin, ele tinha um cheiro forte e doce, cheiro daquele creme de mãos dele. Sinceramente eu amo esse cheiro, é uma fragrância tão delicada. Tinha uma pequena case com CDs e tinha varias coisas na memória que eu não sabia mexer e nem me atrevi a tentar descobrir. A case era pequena e parecia só levar os jogos que ele pretendia jogar no dia. Tinha dois jogos daqueles de encontro tipo date sim que ele falou que gostava e um que parecia ser RPG. Decidi passar as horas vendo o jogo de Date sim. Quero entender o que tem de mais, afinal, nunca joguei isso. Passei o dia jogando e parecia divertido. Os diálogos eram divertidos. Cheguei a liberar cenas e eram um tanto quanto pornográficas, mas o jogo em si era divertido independente disso. Eu nem senti a hora passando. "OW ! Acabou a aula !" Eu ouvi essa voz vindo de uma vez, era o Armin. Eu estava tão entretida que esqueci totalmente. "Ah, queria mais. . . " Eu falei devolvendo o PSP. "Mais ? Claro ! Você ficou aqui no bem bom deitada na cama e jogando PSP. Tenta ouvir os monólogos do professor Faraize sobre nada com nada . . . Acho que o Castiel que é burro se sairia melhor professor que ele . . . " Armin reclamava. Ken ria do Armin. Acho bom ver que ele interage com mais alguém além de mim aqui no colégio. "Então isso significa que você gostou do jogo, né ? Pra ter te distraído desse jeito . . . " eu só balancei a cabeça positivamente. "Nah, toma, pode levar. Só cuida do meu jogo." Armin estendeu o PSP de volta pra mim, eu realmente estava assustada, o Armin respirava aquele PSP. "Mas, Armin, e você ? " "Eu tenho o do meu irmão. Minha mãe quando comprou, comprou um pra cada, porém, como você sabe, ele não curte video-games e o dele ficou encalhado. Se eu pedir pra ele, ele vai me dar fácil, facil. Principalmente se eu falar que o meu está contigo. Ele te adora, garota." Eu fiquei com bastante vergonha, admito. Eu sei o quanto o Armin ama o PSP dele. Me senti pegando uma responsabilidade enorme. "Está melhor ? " Ken falava se aproximando. "Sim . . . Me sinto mais forte." "Tem certeza ? Ou tá falando isso só pra poder ir ?" Ken falava enquanto pegava meu pulso e tentava sentir ele." "Que exagero Ken , eu tô legal, sério" eu admito que ri. Eu nem sei como agradecer por toda essa atenção. O Ken sempre foi assim, mas admito que eu tenho dado valor de verdade só agora . . . Então me levantei pra pegar minhas coisas que estavam depois da cortina, por fim me encontraria com a Ambre. No que eu pegava minha mochila, eu ouvi um "furacão" entrando no quarto. "CAOLHA ! EU FALEI PRA SE CUIDAR ! TÁ TUDO BEM ??!" Era o Castiel. Ele parecia ter corrido bastante até a enfermaria. "C-Castiel ? ! O que faz aqui ?" eu estava surpresa, óbvio. "VIM TE VER, ORAS ! Eu vi que você não apareceu na sala e achei estranho, no que perguntei pra Iris e pra Rosalya, elas falaram que você havia vindo pra enfermaria por causa de fraqueza." Acho que estou ficando louca . . . Ou o simples fato de eu ter visto aquelas filmagens me fizeram passar a ver as atitudes dele como mais gentis que o normal. "Eu já tomei vitaminas . . . Tô melhor." eu falava rindo serenamente. "Vou te acompanhar até em casa junto com o Kentin !" "Hoje vou para a casa de uma amiga . . . Desculpe." Eu falei. "VOCÊ NÃO VAI PRA LUGAR NENHUM NESSE ESTADO !" ele estava realmente preocupado. E a essa altura não posso mais pensar que ele se preocupa porque só sirvo pra um ritual. "Eu falei exatamente isso pra ela ! Mas ela é teimosa e não me ouve . . . " Ken reclamava. Que milagre, ele conseguiu dirigir a palavra diretamente ao Castiel sem gaguejar. "gente, eu vou e acabou, tchau" tentei dispensar eles, mas Castiel me segurou. "Não, você não vai" eu tentava me soltar, foi quando o Armin me segurou e tirou a mão do Castiel do meu pulso. "Eu entendo sua boa intenção, mas não acha que ela tá bem grandinha pra decidir se quer sair ou não ? Sabe, mesmo que levemos ela pra casa, se ela quiser sair, ela vai sair. Você é todo rebelde e sabe melhor que ninguém que não é simples assim fazer outra pessoa obedecer." Armin . . . Enfrentou o Castiel !! ". . . Me liga qualquer coisa . . . Por favor . . . "Castiel falou triste e conformado com o que o Armin disse. Eu estou me sentindo mal pelo Castiel . . . E impressionada com o poder de manipulação do Armin. Tô com medo de estar sendo manipulada por ele sem saber. Eles me acompanharam até a saída, no ponto de ônibus me despedi e fui direto para o endereço que a Ambre havia me passado. O Ken deixou o celular dele comigo, ele dizia que eu precisava ter uma forma de comunicação e que dormiria o fim de semana na casa do Armin. Eu mandei mensagem agradecendo a eles, quase mandei pro Castiel também, mas tive receio de ele explodir por receber mensagem minha do celular do Ken. Ao chegar no endereço indicado, eu toquei o interfone e um empregado me atendeu de forma bastante gentil. Eles realmente eram muito ricos. Ele me levou até a sala e subiu as escadas avisando que chamaria a Ambre. Logo ela desceu. "Demorou, hein. Nossa, você tá um caco" ela ria de mim. "É, estou um pouco cansada, nada de mais." eu tentei rir. "Bem, vou te mostrar a casa. Meus pais não estão em casa no momento, e o Nathaniel foi pro centro cuidar de um grupo na ala de caridade. Doentes que precisam de atenção. Você vai poder mexer nas coisas dele a vontade. Caso ele chegue e pergunte porque está aqui, fale que estamos amigas, vou confirmar." Ambre fez um tour na casa dela. Me mostrou onde eu dormiria, os banheiros, os outros quartos, sala, tudo. Ela foi bastante atenciosa, nem parecia aquela menina antipática do colégio. "Bem, agora que sabe tudo, pode deixar suas coisas no meu quarto e se quiser pode ir pro quarto do meu irmão procurar as coisas que você deseja. Mas quando eu te chamar, vem ! Porque meus pais sabem que você viria pra cá mas é bom ter um pingo de educação e falar com eles." Ela falou entrando no próprio quarto e já deitando enquanto ligava o note e colocava os fones. . .Bem, mãos à obra. Eu entrei no quarto do Nathaniel. Estava bem escuro, mas eu não quis ligar a luz pra evitar ser pega por alguém que passasse pelo lado de fora e visse a luz saindo do quarto. Usei a luz do celular para enxergar as coisas. Aliás, o plano de fundo do celular do Ken era uma foto minha . . . Oh, god. O quarto dele tinha alguns crucifixos, muitos livros, um notebook . . . Era tudo bem na cara. Comecei vendo embaixo da cama, mas não tinha nada. Em cima do armário parecia ter bastante caixas. Mas eu não as alcançava. Eu peguei a cadeira da cômoda onde ele estudava e tentei alcançar, mas ainda estava longe . . . Deixei algumas caixas caírem. Tinha caixas de vários tamanhos, pequenos, médios, grandes . . . Eram 4 caixas no total. Me sentei na cama do Nathaniel e comecei a mexer nas caixas. A menor tinha varias fotos . . . Nossas . . . Ao ver as datas escritas atrás de cada foto . . . Eu . . . Eu . . . Eu não acreditei. Eram datas de quando eu já estudava na Sweet Amoris. Como . . . Assim ? Eu lembro de tudo que fiz quando estudava . . . Não lembro ? Tinha todo tipo de foto nossa, e sempre parecíamos muito felizes nas fotos. Na outra caixa menor, tinha cartinhas e bilhetinhos . . . Eu podia ver, eram cartinhas feitas por nós dois um pro outro. Pareciam aqueles textos daqueles que alunos usam pra conversar durante a aula . . . O que mais me intrigou nisso tudo foi a data de tudo . . . Era tudo progressivamente recente. Começava de antes até . . . Dias atrás. Minha memória está em eterna mudança ? Ele está sempre apagando ela ? O que se passa ? Eu estava cada vez mais desesperada . . . Logo o tal "homem santo" está sendo o que está me enlouquecendo. Me restava a caixa maior e a mediana. Decidi ir na média antes. Tinha vários presentinhos. Pelúcias, chaveiros, flores secas, etc. Coisas de namorados. Eu podia deduzir de quem eram os presentes . . . Me sinto estranha vendo isso tudo. Eu sequer recordo uma lembrança sobre isso tudo . . . Por fim, na caixa maior, não tinha nada relacionado a nós dois. E sim equipamentos. Provavelmente da tal organização. Bastava bater o olho pra ver que não era tecnologia alienígena. Por fim decidi ler tudo, cada cartinha . . . Porém, ouvi alguém vindo. Eu não tinha tempo de arrumar tudo, eu saí correndo, fechei a porta e fui direto para o quarto da Ambre. Chegando lá, ela estava normalmente conversando através do note. Eu entrei de uma vez: "AMBRE ! VOCÊ FALOU QUE ME AVISARIA QUANDO ALGUÉM ESTIVESSE CHEGANDO !" Eu estava alterada. "Ihh o garota ! olha como fala comigo que EU SOU A DONA DA CASA. Além do mais, esqueci. Eu não sou acostumada à ter pessoas espionando coisas por aqui. . . De qualquer forma, encontrou o que queria ? " Ambre perguntou. ". . . Não . . . Só o que eu já sabia . . . " eu falei frustrada. "Olha, ele tem bastante coisa, e ele tem a mania de guardar tudo, principalmente depois que você esqueceu dele, ele começou a ficar paranoico e guardar qualquer lembrança falando que é pra caso ele esqueça algo também, sei lá, deve ter algo . . . " Ambre falava como se tentasse pensar em algo. "Bem, eu não li as cartas que encontrei lá . . . " eu falei. "É, pode ter algo. Vem, vamos falar com meus pais. Depois você volta pra lá pro quarto dele. Como falei, ele está no centro." Ambre e eu descemos até a sala de jantar. Lá encontramos os pais dela. "Mãe, pai, essa é a menina que falei que viria dormir aqui." Ela me apresentava bem desanimada. "Oh, eu lembro bem da senhorita ! Era a chapeuzinho vermelho da peça, não é mesmo ? " A mãe do Nathaniel falou. "S-Sim, senhora . . . " "Querida, não precisa dessa formalidade toda. Só corrija essa postura se não quiser ficar corcunda no futuro." Ela dizia isso me dando um leve empurrão nas costas. "S-Sim, desculpe." "Ambre, onde está seu irmão ?" O pai do Nathaniel nem falou comigo e já perguntou meio encrespado para Ambre. "Ele foi no centro, ajudar aquele abrigo lá de novo com doentes." "Ah sim . . . Eu precisava que ele fosse na igreja pegar algumas coisas pra mim, mas já que ele foi pro centro fazer algo importante eu não me importo." Nós jantamos, conversamos um pouco, e logo retornamos pro quarto. Os pais do Nathaniel parecem ser bem ríspidos e rigorosos, mas não me parecem pessoas ruins, só rigorosas DEMAIS mesmo. Eles exigem muito dos filhos que sejam perfeitos . . . Dos filhos não, do Nathaniel. A Ambre fala cada coisa absurda e não é repreendida. Mas eles parecem se irritar com qualquer comentário feito em cima do Nathaniel. Durante o jantar eles reclamaram inúmeras vezes que o Nathaniel não devia ter aceito participar da peça porque aquilo não era algo digno suficiente dele . . . Enquanto a Ambre, pode fazer o que quiser. Eu subi, fui direto pro quarto da Ambre. Chegando lá ela falou que eu podia retornar pro quarto do Nathaniel se quisesse . . . E eu o fiz. Com todo cuidado eu fui. Lembro que deixei uma bagunça, e fora que ele iria voltar tarde. Entrei desesperada pra arrumar tudo. Comecei a por caixa por caixa em cima do armário. Deixei pra pôr por último a caixa com as cartas, pois queria ler o conteúdo. Eu me sentei na cama do Nathaniel e comecei a ler as cartas . . . Eram cartas de amor, bilhetinhos combinando encontros dentro do colégio, e coisas do tipo . . . Mas . . . Como fizemos isso ? As datas são de dias que eu vi as filmagens. E os horários aconteceram outras coisas . . . Quando vi isso eu fiquei ainda mais desesperada. Coisas do tipo "estou no plano entre vida e morte" passaram pela minha cabeça. Eu não sabia mais o que pensar, não sabia mais o que fazer, eu comecei a chorar lendo aquelas cartas. Porque a cada carta que eu lia eu ficava mais confusa e mais desesperada. Se eu lembrasse pelo menos de um dia desses que passei com Nathaniel . . . Um único dia. Eu fiquei bastante tempo lendo as cartas, até que ouvi alguém se aproximando de novo. Pensei ser a Ambre me chamando, mas . . . Eu pude ouvir a voz, a Ambre estava falando com essa voz, e era a voz do Nathaniel ! Ela estava tentando enrolar ele pra não entrar no próprio quarto, e ela falava alto. Claramente ela estava tentando me alertar . . . Eu tinha que me esconder rápido. E não daria tempo de guardar a caixa. Eu corri pra de baixo da cama. "Ambre, uma amiga sua ia vir, não ia ? Vai lá dar atenção pra ela e não me enche !" eu pude ouvir o Nathaniel falar isso e bater a porta de uma vez na cara da Ambre. Nossa . . . Nunca imaginei o Nathaniel falando desse jeito com alguém. Eu tentei ficar parada, sem fazer nenhum som. Só via aquele movimento pra lá e para cá do Nathaniel andando pelo quarto e mexendo nas coisas. Ele acendeu a luz de um abajur, era uma luz leve e avermelhada. Nem um pouco forte. "Ué . . . Eu não me lembro de ter tirado essas caixas de cima do armário." Ao ouvir isso eu pude sentir que eu estava suando frio. ". . .Aquele problema de perda de memória da Celeste me atingiu também . . . Será ? Me pergunto se o Lysandre sofre do mesmo problema . . . " ele falou isso enquanto sentava na cama. Ele abaixou para tirar os sapatos, eu fiquei desesperada achando que ele me veria embaixo da cama, mas não . . . Ele não me viu. Ele ligou uma música calma que soava muito bem. Era uma voz linda. Não sabia que ele gostava desse tipo de música. Pensei que ele só ouvisse musica gospel. "Então pude ver sua calça e sua blusa ser jogada no chão" Eu fiquei desesperada, tinha medo do que eu veria. Nathaniel se afastou e foi em direção ao banheiro dele. Pensei em sair, mas fiquei com medo demais e preferi ficar parada. Caso eu ouvisse som de chuveiro eu sairia, e foi o que aconteceu. Alguns minutos depois ouvi o som do chuveiro ser ligado . . . Tentei sair como eu havia pensado, porém, um som chamou a minha atenção . . . Era um som de choro intenso vindo do banheiro, com sons de pancadas e estalos. Eu me aproximei da porta do banheiro pra tentar ouvir e entender o que se passava, mas acabei tropeçando na caixa que estava mais cedo. "quem está aí ? " Ouvi a voz do Nathaniel. Eu fiquei em pânico ! Não sabia se corria pra fora do quarto ou entrava embaixo da cama. Então decidi voltar pra de baixo da cama, mas ele saiu de uma vez e não tive tempo. "C-Celeste ?! O que faz aqui ?!" Ele falou surpreso. Eu não conseguia parar de olhar pra ele sem reação, sem resposta. Ele estava só de cueca. E ao me tocar disso eu comecei a querer correr de lá de tanta vergonha. "Eu já estava de saída, com licença." eu tentei ignorar tudo. "NÃO ! ESPERA !" Ele me segurou. "Como você entrou aqui ?! O que faz no meu quarto ?! SABE QUE HORAS SÃO ?!" ele realmente estava impressionado com minha presença, também, quem não ficaria. "E-Eu . . . Eu só vim aqui pra descobrir a verdade já que você não quis me contar." Tentei me manter firme. Ele se calou e olhou pra caixa no chão. " E descobriu algo . . . ?" "não . . . Nada do que eu já não soubesse. . ." Nesse momento os olhos dele brilharam de uma forma intensa e ele me segurou de uma vez. "Você lembrou de mim ?! Lembrou de tudo ??! É isso ??! Por isso não descobriu nada que já não soubesse?!?! " "Não ! Eu soube que fomos namorados, mas eu não lembro disso . . . " Eu senti meu corpo super quente de vergonha. É muito constrangedor falar que nós fomos namorados sendo que eu mal falo com ele ou sequer lembro do ocorrido . . . "Então . . . Você sabe que fomos namorados . . . ? Desde quando . . . ? "Ele estava ficando menos eufórico. "Desde que você deixou essa foto cair da sua carteira" Eu puxei a foto que o Armin me entregou. "Então estava com você . . . " "Bem, mas estou de saída, afinal, você não vai me falar nada mesmo, né ?" falei isso caminhando em direção à porta, a verdade é que eu queria sair logo de lá pois a situação estava constrangedora demais. "Não, espera ! Como você entrou aqui ? Ainda não me falou . . . Não acredito que passou pelos seguranças." ele falava me segurando. Eu o empurrei de uma vez no desespero de sair de lá e não ter que responder nada "SAI ! ME SOLTA !" eu gritava enquanto o empurrava. Ele gemeu de dor enquanto se afastava de uma vez, assim, ficando de costas pra mim. Pude ver que as costas dele estavam mais machucadas do que da ultima vez que eu vi a meses atrás, e tinha sangue recente. Eu fui até ele impressionada e enquanto tocava nas costas dele perguntei "Por que você faz isso . . . ?" ele só respondeu um "eu n--- . . . Eu . . . " ali pensei "hmm, parece que o Nathaniel mente, ele vai falar que não fez isso ?" Mas logo ele completou a frase: "Eu não consigo evitar . . . " e se sentou na cama. Eu me aproximei dele e sentei ao seu lado. "Nathaniel, vou perguntar de novo . . . Por que você faz isso . . . ?" "Eu . . . Eu tento entender a dor de todo mundo. Mas não consigo . . . Eu me machuco pra tentar entender a dor dos outros . . . E pra me castigar por todo mal que eu já fiz pras pessoas . . . " Ele estava com os olhos cheios de água. "Nathaniel . . . Você é todo certinho, como pode ter feito mal pra alguém ?" eu estava tentando acalmar ele, a visão que eu estava tendo dele era muito triste. Nathaniel é sempre perfeito e forte, eu estava vendo um menino frágil e acuado . . . "Eu não . . . Eu não sei se devo falar." "Nathaniel . . . Você tem me feito mal sabia ? Mas acredito que não seja por ser ruim . . .Mas por querer me proteger demais. É muito chato perguntar coisas e não ter respostas." Nathaniel olhou profundamente no meus olho e respirou fundo. "OK . . . Eu vou responder suas perguntas . . . Você já descobriu parte das coisas mesmo . . . " Nathaniel se levantou para pegar antisépticos e gazes para limpar seus ferimentos. Ele se sentou na cama e começou a se limpar sozinho. Tomei frente e deitei ele e eu mesma comecei a tratar seus ferimentos . . . Eu estava me sentindo péssima em ver ele naquele estado catatônico. Ao olhar as costas dele, reparei que ele tinha cicatrizes que provavelmente nunca sairiam . . . Ele se machucou de tal forma que tinha cicatrizes profundas. As costas dele estão muito piores . . . Então ele perguntou o que eu gostaria de saber . . . "Antes de tudo, tem algo que está me destruindo . . . Eu estou . . . Morta ?" Nathaniel deu uma leve olhada em minha direção como se não acreditasse em minha pergunta. "Quem te disse isso ?" ele falava espantado. "Sua irmã . . . Só me responda por favor." "Minha irmã ? Porque ela te disse isso ?" "Porque eu perguntei se nós fomos namorados. Custou um pouco tirar dela, mas ela falou no fim, e disse que não sabia de mais nada . . . " Nathaniel olhou para frente com olhar perdido e ficamos em silêncio por uns segundos. Só conseguia ouvir o som de nossa respiração. Ele estava com a respiração bem acelerada. "Nós namoramos por um bom tempo . . . Foi a época mais feliz da minha vida . . . E acho que única época que eu fui feliz." Ele começou a falar. Ouvir que éramos namorados me machuca muito. Mas não por motivos sentimentais, e sim porque . . . É muito estranho ouvir isso e ver o estado dele sem poder fazer nada . . . Dói por ele. Eu, além de não lembrar, não sinto absolutamente nada por ele. "Nathaniel, seus pais apesar de rigorosos te amam. Você é bom em tudo que faz, todos te admiram, você tem boas condições financeiras . . . Como pode dizer que não é feliz ?" "Se você tivesse tudo isso seria feliz ?" ele me perguntou. "Acho que sim . . . " respondi com receio de essa não ser a resposta certa. "A felicidade definitivamente é relativa . . . " ele respirou fundo. "Sabe. Pra alcançar essa "perfeição de vida" eu demorei muito. E passei por muita coisa. Sinceramente, agora que tenho eu vi que tudo que passei não valeu de nada. Eu fiz pessoas sofrerem pra ter tudo que tenho agora . . . Sabe, eu acho que tudo que passei de ruim é castigo por eu ter pisado nas pessoas pra melhorar minha vida. O Castiel tem razão, Deus é só uma desculpa pra mim . . . Pra todas as atrocidades que cometi. E Deus deve me enviar todo tipo de castigo justamente porque eu ainda uso ele pra tentar me sentir menos culpado pelas coisas que fiz . . . Eu sou um monstro." Ele começou a se encolher na cama . "Nathaniel . . . Desabafa." Eu falei abraçando ele. No que eu o abracei, ele começou a chorar. Ele estava realmente muito mal. Nunca pensei que veria ele em um momento de fraqueza desses . . . "Você não sabe como tem sido difícil pra mim todos os dias lembrar de quando eu te encontrei morta . . . Eu . . . Eu quero acreditar que aquilo não foi real." ele chorava tanto que acabou me contagiando. Ouvir que ele estava naquele desespero porque supostamente eu morri. "Nathaniel, como eu morri ? Como estou viva ?" eram coisas que não saíam da minha cabeça. Principalmente após ver que ele confirmava isso tudo. " Foi . . . O Castiel. E a culpa foi toda minha" ele começou a chorar mais. Peraí . . . Castiel me matou . . . ? Mas . . . "Rever você viva, mesmo que não lembrasse de nada, foi a melhor coisa que me aconteceu. Será que Deus me perdoou por tudo que eu fiz ?" ele virou colocando a mão no meu rosto. Estávamos com os rostos bem próximos um do outro. Nunca fiquei tão próxima assim do Nathaniel, nem nunca imaginei na vida que ficaria. Não pude evitar de pensar no quanto a Melody estaria irritada ao ver isso. Eu deitada na cama do Nathaniel, com ele de cueca, não consigo evitar de pensar nisso e rir depois do inferno que ela fez comigo. ". . . Tá tudo bem com você . . . ? " A expressão de ternura dele se transformou em espanto. "Mais um . . . Armin, Castiel, Ken e até sua irmã já falaram pra mim que estou muito magra . . . Eu vacilei essa semana com comida, admito isso." Ele me levantou de uma vez e correu na gaveta já voltando com uma maleta com coisas de médico. "Não, pra você estar nesse estado você teria que estar muito tempo sem comer. Seu rosto está muito fundo." Ele falava apalpando meus ossos. "Eu tô bem, sério. Só preciso me alimentar. Eu estava ansiosa demais por pensar que ia dormir aqui e talvez descobrir mais coisas . . . Que aliás, você não me contou ainda . . . " eu falava em tom calmo pra não deixar o Nathaniel pior do que ele já estava, enquanto o mesmo tirava minha pressão. "Pera, e desde quando você vai dormir aqui ? "Ele falou sorrindo de forma levemente debochada. Definitivamente esse é um Nathaniel que eu não conheço. "Se você não sabe, eu sou a amiga da sua irmã que ia vir aqui." quando eu falei isso ele começou a ficar com uma expressão desesperadora. "Eu falei pra você não se aproximar dela !!" ele começou a gritar comigo ! Parecia um Castiel da vida. "VEM CÁ ! PORQUE NÓS FOMOS NAMORADOS SEI LÁ QUANDO NÃO SIGNIFICA QUE VOCÊ POSSA ME TRATAR ASSIM !" eu gritei ainda mais alto. Essa altura acho que acordamos a casa toda . . . Tenho medo do quanto chamamos atenção. Os pais do Nathaniel não demoraram muito já estavam lá no quarto batendo na porta. "O que está acontecendo aí ?" eu estava morta de vergonha, o que eles pensariam de mim ?? "Nada ! ME DEIXEM EM PAZ !" ele gritou com os pais. Eu pude ouvir um murro na porta muito forte, era o pai do Nathaniel. "EU JÁ FALEI PRA NÃO FALAR NESSE TOM COMIGO ! AQUELA AMIGA DA AMBRE TÁ AÍ, NÃO É ?! O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO ?!" ele parecia MUITO nervoso. "JÁ FALEI PRA ME DEIXAR EM PAZ ! AMBRE, TIRA ELES DAQUI !" Pude ouvir a Ambre pedindo pra eles saírem, e eles saindo sem nem retrucar. Eu olhava pro Nathaniel assustada, a postura dele estava totalmente agressiva. "OK, o que ela te pediu em troca de te deixar dormir aqui ?"ele perguntou olhando pra mim com toda raiva do mundo. "Como você sabe que ela me pediu algo . . . ?" eu estava muito assustada. Nathaniel parecia mais assustador do que o Castiel durante seus surtos. "Ela é minha irmã. Eu conheço ela bem. Agora fala." Engoli seco e respondi "Ela só pediu para que eu dividisse o peso dos problemas do Castiel com ele. Ela se lamentou gostar dele e coisas do tipo, achei muito fofo e nobre da parte dela se preocupar com o menino que ela gosta desse jeito, ela deixou o ciúme de lado só pra ver o bem dele, justamente por eu ter mais afinidade com ele . . . Como são os problemas do Castiel eu decidi aceitar, pois ele já me ajudou um bocado e bem, qualquer coisa é só eu desistir . . . E---" Então ele me interrompeu já alterado. "VOCÊ ACEITOU O QUE ELA TE PEDIU ?!" ele me sacudia com força, chegava a doer. "T-Tá me machucando Nathaniel . . . !" "SÓ ME REPSONDE ! " ele não queria saber se estava me machucando, ele queria respostas. Eu não tinha como medir forças com ele. "Sim, aceitei. Que problema tem . . . ?" então ele finalmente me soltou e sentou na cama frustrado. "É um carma não é, Deus ? Eu tenho que sofrer muito ainda pra aprender, não é ?! " Ele começou a falar olhando pra cima com um olhar muito frustrado. "N-Nathaniel . . . ?" Eu toquei o ombro dele, estava tudo muito confuso. Nathaniel não parecia são. "Parabéns, você agora está dividindo o peso dos problemas do Castiel com ele . . . E pensar que eu sou a causa de tudo . . ." "Nathaniel . . . Eu . . . não sei do que você tá falando . . . E--" "Simples: Sua vida tá em risco. Eu falhei DE NOVO ! E . . . não tenho mais como corrigir . . ." Ele escorou o rosto sobre as mãos que estavam apoiadas nos joelhos. Eu . . . Não estava entendendo mais nada. "Temos que falar com o Castiel . . . Ele vai me bater com certeza, E MUITO . . . Mas com razão . . . Como sempre." ele completava. "Nathaniel, eu mereço saber o que se passa . . . Principalmente depois de você ter dito isso tudo." "E você vai saber ! Não tem como não saber na situação que chegamos. Vou mandar mensagem pro Castiel avisando que preciso falar com ele urgente." ele já estava colocando a roupa enquanto pegava o telefone. "Peraí ! O que o Castiel tem a ver com a gente ?!" "Ele também fez um pacto com minha irmã e é isso que ele tem tentado se livrar esse tempo todo . . . Eu falei pra você se afastar dela ! PORQUE NÃO ME OUVIU ?! Castiel entende melhor essa situação que eu . . . " Ele terminou de digitar a mensagem e enviar para o Castiel "Você vai sair de pijama ?" Nathaniel falou isso terminando de por o casaco, ele foi muito rápido. Eu . . . Acho que finalmente vão me contar o que está acontecendo. E eu acho que . . . Me arrependi de ter alcançado meu objetivo.
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