Capítulo 59
Nathaniel e eu chegamos na casa dele. Em silêncio, fomos direto pro quarto dele e por lá ficamos. Ele em nenhum momento retrucou sobre eu dormir no quarto dele ou da irmã, na verdade, acho que mesmo que ele não preferisse que eu ficasse no quarto dele eu iria querer ficar . . . Ele trancou a porta, me deitou na cama dele e se sentou na mesma, parou para cuidar dos ferimentos novos que Castiel deu pra ele. Eu estava bastante tonta com a situação e meu estado físico não ajudava em nada . . . "Nathaniel . . . Eu gostaria de ouvir . . . Sua versão da história." Eu falei e ele pareceu agradecido por eu estar curiosa, pela primeira vez. "Tudo que ele falou é verídico . . . Eu não nego nada. Eu fui culpado e, Deus me--" Eu sinceramente estava um tanto impaciente, não queria magoar ele nem nada, mas também não queria ficar engasgada com isso, então interrompi o Nathaniel. "Nathaniel. Respeito sua religião . . . Mas para de por Deus em tudo. Sério." ele se desculpou e segundos depois prosseguiu. "Eu . . . Eu realmente me isolei e me tornei fanático religioso . . . reconheço isso. Eu . . . Só queria que alguém perdoasse todo mal que fiz . . . E bem, eu realmente acredito no que prego, mas . . . O Castiel tem razão, maior parte de mim só crê pra tentar fazer eu me se sentir menos culpado com tudo." "Nathaniel, me conte do começo. O que sua irmã é ?" então Nathaniel respirou fundo. "Eu vou te contar . . . Mas quero garantia de que não vai contar nada para ninguém. Eu . . . Já te contei minha vida uma vez . . . Tive medo, medo de te contar novamente e você morrer de novo. Mas como tudo está caminhando da forma que está, acho que eu te contar tudo não vai mudar nada." eu me sentei, com bastante dificuldade, e me aproximei para prestar atenção atentamente. "Como comecei a falar mais cedo, eu não sou daqui . . . Eu vim do futuro. Sabe . . . No futuro não tem carros voadores, roupas prateadas e edifícios magníficos. Pelo menos a linha temporal que vivi não é assim . . . É pobreza pra todos os lados, mas pobreza de uma forma caótica, de ficarmos dias e mais dias sem comer . . . Várias vezes dei da minha comida pra minha irmã e passei dias sem comer. Faziamos um rodizio de quem seria o próximo à ter refeições. Era um estado catatônico . . . Eu e minha família passávamos fome. Comíamos o que tivesse pra comer. Eu ganhei hábitos alimentares horríveis, você os conhece bem, mas . . . Era o que tínhamos. . . No futuro, tem uma peste que estava pegando as pessoas aos poucos, inclusive, minha irmã desenvolveu essa doença. Estávamos sem chão, eu era um menino bem bruto até certo ponto, mas era a forma que eu tinha de lidar com as coisas, pois as ruas são bem mais cruéis no futuro do que aqui, no passado. Eu e meus pais estávamos sem esperanças, tínhamos certeza de que minha irmã morreria, era certo, e provavelmente nós morreriamos em serguida. Mas . . . Um rapaz, jovem, entregou um caderno pra minha mãe. Eu era muito pequeno, devia ter meus 4 ou 5 anos, e não lembro bem como era a fisionomia do rapaz, apesar de que pouco importa, ele provavelmente ficou no futuro . . . No caderno que ele entregou para meus pais tinham instruções. O rapaz falou que as instruções vinham de alguém que conhecia a gente e que queria nos ajudar pois "mudaríamos o futuro". Sinceramente, não entendemos bem, e eles nunca me mostraram o que tinha no caderno. Sei que o caderno nos levou até uma área vazia, um campus abandonado. Esse campus tinha um protótipo de máquina do tempo da qual meus pais usaram pra voltarmos no tempo. Seguindo as instruções, que diziam hora, data e local para o qual deveríamos voltar, nós paramos no colégio Sweet Amoris. Tinha várias instruções de como meus pais poderiam investir para ter dinheiro, o que fazer com minha irmã, entre outras coisas das quais nunca tive acesso. E bem, no nosso futuro não tínhamos nada a perder. Iríamos morrer de fome ou doença o mais breve possível, então obviamente que ao conseguir esse caderno nós seguimos as instruções sem pestanejar. Com o caderno em mãos, meus pais queriam mudar nosso futuro, salvar minha irmã, e retornar para nossa época e ver se estava tudo certo. Lá na nossa epoca estava tudo destruido, mal tinha médicos e medicamentos, aqui nós temos acesso a médicos, medicinas, etc. Meus pais cogitaram de levar medicamentos pro futuro pra ajudar as familias, mas preferiram tentar mudar o futuro. Porém . . . 1 Ano depois de nossa chegada, minha irmã faleceu . . . A doença dela estava muito avançada. O caderno previa que isso aconteceria, e dizia tudo o que deveríamos fazer para mante-la viva. Eu nunca tive acesso direto ao caderno, e nem queria, sinceramente. Eu era um menino bem levado e rebelde, eu desconfiava de tudo, mas não tinha coragem pra nada, só pra ser grosso. E posso dizer que me arrependi muito da forma como eu tratava minha irmã . . . Ela era doce e gentil e eu só maltratava ela . . . Eu me arrependia muito todos os dias de pensar que ela morreu levando as piores lembranças possíveis ao meu respeito. Eu não tinha amigos por ser difícil de lidar. Eu não confiava em ninguém. No futuro você só pode confiar em si mesmo, até sua família é perigosa. Todos querem sobreviver . . . Minha família, por sorte, era unida. Mas eu não conseguia evitar isso. Mesmo dentro de mim, eu sabendo que tudo era diferente aqui no passado, eu não conseguia evitar. Pra mim a qualquer momento iriam tentar me matar ou me maltratar. . . Eu não me culpo por ter sido como fui na infância, eu realmente estava bastante abalado com tudo que vivi e eu era incrédulo nas pessoas. Castiel era um menino da mesma rua que eu. Ele sempre brincava com minha irmã e tentava manter ela feliz e sem ter raiva de mim. Ele era o único que mesmo eu maltratando se aproximava de mim. Ele sempre dizia que mesmo eu tendo o jeito todo rude eu parecia ser bom, pois eu tentava ajudar quem eu visse por perto . . . E de fato eu tentava. Eu não conseguia era confiar em ninguém, mas eu sei bem o que é ter todos virando as costas pra você . . . Eu não conseguia virar as costas pra ninguém. Depois de muito tempo eu comecei a confiar aos poucos no Castiel, e infelizmente, quando decidi mudar, minha irmã morreu. Castiel me convenceu a ser uma pessoa que confiasse mais nos outros. Ele quem me convenceu de tratar minha irmã da forma como ela merecia. E eu perdi a chance de fazer isso tudo. Todo dia era um sofrimento pra mim. Só o Castiel via o quanto eu estava mal com a morte da minha irmã. Então . . . No caderno as instruções nos levavam ao ritual para trazer minha irmã de volta a vida, esse ritual envolveu o Castiel. Aparentemente esse ritual tinha propriedades demoníacas, o que fez com que minha irmã voltasse . . . Sem ser necessariamente ela, mas sim algo como um demônio. Sua alma voltou maculada. E ela e o Castiel formaram um vínculo desde então. Ela se mantém viva as custas dele, e bem, você ouviu tudo vindo dele . . . Eu e minha família decidimos que iríamos tentar mudar o futuro como eu havia dito. Sabíamos as datas das tragédias, nos tornamos bastante religiosos após o ocorrido do Castiel. Acho que foi uma forma de arrependimento juntamente com uma forma de espalhar o bem. Eu evitava tentar mudar drasticamente os acontecimentos por medo de destruir minha própria existência no futuro. . . . Sabe o quanto foi doloroso saber que ia acontecer cada tragédia do mundo e não poder fazer nada pra impedir ? Ver aquelas pessoas morrendo e gritando por socorro . . . Eu . . . Me senti um monstro por cada um que eu deixei de salvar por medo de deixar de existir. Mas, fiquei grato por ter a chance de diminuir o número de mortos em cada acidente. . . Infelizmente . . . Eu não consegui diminuir a dor do Castiel. Ele parou de falar comigo e eu sinceramente tinha medo . . . Medo do que fiz com ele. Eu não sabia de nada. Eu nem sabia o que pensar quando falaram de ritual. Eu não compreendia nada de religião ou coisas desse gênero, o futuro estava acabado demais, sem valores ou crenças. Eu não conhecia isso. Meus pais conheciam provavelmente de sua época de juventude, mas eu ? Nunca tive contato com esse tipo de coisa. Então pra mim, ritual, era só uma repetição de algo que não necessariamente fosse fazer mal a ele. Eu cheguei a ver em livros ilustrados antigos que rezar era um ritual por exemplo. E bem, não é algo que faz mal pra alguém, certo ? Minha visão do mundo era inocente . . . Eu quando vi o Castiel adoecer eu não sabia o que fazer. Eu chorava todos os dias no meu quarto pensando na atrocidade que eu fiz com meu próprio amigo, ele foi a primeira pessoa que consegui confiar em tanto tempo de vida e eu tinah destruido ele sem nem saber disso. Eu queria muito visitar ele . . .Mas eu não tinha coragem. Tinha medo do que eu ia ver . . . Eu cheguei a ter raiva dos meus pais . . . Eles engaranam não só o Castiel mas à mim também. Comecei a ficar cada vez mais religioso . . . Eu queria perdão. Eu nunca aceitei que eu fui cúmplice naquela atrocidade. E minha irmã ? Nunca mais vi minha irmã. Aquele troço que mora comigo não é minha irmã . . . Meus pais têm medo dela . . . Meus pais obedecem tudo que ela fala . . . Eu . . . Eu quem devia estar morto !" O Nathaniel chorava e estava com um olhar perdido. Ele parecia um animal acuado. Eu não sabia como reagir, só abracei ele. "Quando chamei você pra comer gatos, foi de propósito pra ver se você lembrava de mim ! Você sempre odiou isso em mim . . . Mas você não lembrou de mim. Sabe, antes, você foi quem me fez parar com isso. Era um hábito horrível que adquiri no futuro . . . Eu . . . Prefiro que você não lembre de mim do que te ver morta." ele chorava mais e apertava minha mão. Eu estava com os olhos cheios de água. Era agoniante ver o estado dele. Era agoniante pensar que ele estava assim por minha causa. "Nathaniel . . . Fala um pouco sobre mim ? Eu gostaria de ouvir o que você tem a dizer sobre mim." Eu falei isso sorrindo pra ele enquanto enxugava o rosto dele. Eu estava tentando acalmar ele. Nathaniel parecia muito abalado com tudo. "Sobre como nos conhecemos ? Sobre o que acho de você ? O que quer ouvir ?" ele perguntava. "O que quiser falar, não vou te forçar a nada" Então o Nathaniel suspirou e começou a conter seu choro. "Quando minha família ficou rica, nos mudamos pra área nobre da cidade . . . Isso foi pouco depois da mudança do Castiel. Nós praticávamos caridade em vários países. Ajudando com comida, medicamentos, etc. Sabíamos de tudo, cada tragédia como eu já lhe disse. E eu precisava de um colégio que permitisse essas minhas faltas. E bem . . . Sweet Amoris não é uma escola muito correta, né. Então meus pais me matricularam nela pois eles são um tanto quanto incompetentes a respeito dos alunos. Foi bem fácil me tornar o "destaque". Afinal, eu levo meus estudos a sério, diferente de maior parte dos alunos desse colégio . . . Em Sweet Amoris eu descobri que o Castiel estudava lá, tivemos vários desentendimentos, mas sinceramente ? Fiquei muito feliz de saber que ele estava bem e vivo . . . Nunca forcei uma comunicação direta com ele, ele tem todo direito de me odiar e me querer morto. Muita coisa na minha vida começou a mudar. . . Inclusive, eu sempre tive muita facilidade pra aprender de tudo. Sabe, quando você chegou na terra com seus 7 aninhos . . . Meus pais quem ligaram pros pais do Ken avisando de sua vinda, pouco antes do ritual. Estava escrito naquele caderno a respeito disso também. Dizia no caderno que deviamos aguardar sua chegada pra realizar o ritual . . . Nunca compreendi bem. E assim que eu tive idade pra compreender tudo e entrei na Sweet Amoris, meus pais entraram em contato com os pais do Ken para que eu pudesse ser treinado . . . Eu fiquei como a única pessoa que tomava conta de vocês vindos de fora das redondezas da Sweet Amoris. Não era oficialmente nada, sabe. De organização nenhuma. Digamos que era um treino pra entrar na organização. E bem, precisavam de alunos com urgência porque a Debrah tinha chego. Eu e Debrah fomos bons amigos até, apesar de ela não confiar em nenhum terráqueo, eu não a culpo, eu era assim . . . Depois de passar muita coisa com ela, inclusive do Castiel ter achado que tínhamos um caso, você chegou na escola. Mas eu já cuidava da sua segurança antes, nós realmente fomos ficando bem próximos e bem amigos, admito que logo ali comecei a nutrir sentimentos por você . . . Você era doce e diferentes dos outros alienígenas com quem eu convivi. Não enxergava a gente como ameaça . . . Eu me senti a vontade logo. Eu não saia de perto de você assim como eu fazia com a Debrah. A diferença é que . . . Seu jeito me cativou. Eu era encantado por cada coisa que você falava e fazia. Só eu e você. Andávamos sempre juntos, fazíamos tudo juntos. Eu era tão feliz . . . Eu ali pensei que tinha ganho o perdão, sabe. Sem querer ser fanático religioso, mas foi realmente o que acreditei . . . Principalmente quando você aceitou namorar comigo. Pensei que finalmente minha vida ia me dar algo bom. Você começou a estudar na Sweet Amoris. Íamos pra escola juntos, estudávamos juntos, era tudo perfeito. Eu sempre só vivi pra fazer os outros felizes e ver todo mundo sofrer. Sempre me culpei por tudo . . . Sempre me castiguei pelo que aconteceu com o Castiel. Você me fez parar de me machucar. Você fez eu parar com muitas coisas ruins . . . E foram os melhores momentos que vivi na vida ! Nós ficamos juntos por quase 2 anos . . . Infelizmente, quando fazia pouco pra completarmos 2 anos . . . Aconteceu aquilo . . . Castiel usou você como ele queria . . . Foi uma vantagem a mais pra ele. Ele queria me prejudicar e se livrar da minha irmã . . . Eu sinceramente nem sei se deu certo. Eu queria matar ele, eu tive os piores pensamentos possíveis . . . Então me lembrei que eu ainda tinha a máquina do tempo que meus pais usaram. O acesso à área era restrito, mas eu sempre fui de confiança . . .Sem pensar duas vezes, eu fui até a máquina e programei pra voltar alguns dias antes de você ter se matriculado na Sweet Amoris. Levei meus pertences mais importantes. Meu objetivo era não deixar você ir pra Sweet Amoris . . . E . . . No que voltei você não lembrava de mim. Eu tinha certeza absoluta que tinha voltado no tempo certo. Aquela altura já estávamos namorando . . . " quando ele falou isso eu me lembrei que . . . Dias antes da minha matrícula um menino loiro veio em mim como se me conhecesse dizendo que eu não devia entrar na Sweet Amoris. "Pera . . . Era você ! Sim eu lembro de você falando comigo pra não me matricular. Mas tanta gente falou isso . . . Falando que a escola era fraca e quase não tinha aula. Eu sinceramente sou bem preguiçosa e bem, eu não quis dar ouvidos pros mais velhos que diziam isso. Pensei que você fosse daqueles alunos responsáveis que estavam me dando uma dica de que a escola não era boa." "Não . . . Eu queria evitar que você fosse pra Sweet Amoris . . . Como éramos namorados, eu tinha certeza que te convenceria facilmente . . . E . . . Errei . . . Pois você não se lembrava de mim. Eu pensei em mostrar nossas coisas, mas você provavelmente me acharia um maníaco maluco." Então é isso . . . Tudo faz sentido agora . . . Nathaniel só estava me mantendo viva . . . Nathaniel estava fazendo tudo por trás dos panos. "Nathaniel . . . Eu . . . Eu só tenho que agradecer . . . Eu realmente duvido que eu fosse acreditar em você . . . Porque não tentou se aproximar de mim ?" "Eu tentei . . . Mas eu estava muito tonto com a situação. Uns dias atrás eu tinha um relacionamento de 2 anos com você, de repente . . . Você nem lembrava de mim. Eu não sabia o que fazer. Então concluí que seria melhor tentar mudar tudo. Comecei a tomar conta de você de longe. Pensei que se eu fizesse diferente você viveria . . . Se eu não te contasse nada, se não me aproximasse de você." ele estava com um olhar muito deprimido pra mim. Eu me senti péssima por ter pensado coisas ruins sobre ele . . . Ele não parecia estar mentindo sobre nada, e todos os fatos levam pra tudo que o Nathaniel me falou. E tem sentido agora porque toda vez que o Castiel ou qualquer outra pessoa estava prestes a fazer algo comigo ele aparecia em seguida. Ele estava cuidando de mim. Na praia, na floresta, na sala de aula com o Armin . . . "Nathaniel . . . Porque não tenta voltar no tempo de novo e me impedir de fazer pacto com sua irmã ? Se você me mostrasse tudo que possui, à essa altura, eu acreditaria em você . . ." eu perguntei, seria fácil . . . Afinal, foi lógico o que pensei. Mas infelizmente ele não poderia mais voltar no tempo . . . "Eu pensei nisso . . . Mas . . . Não consigo mais usar a máquina. Quando eu vi que você havia esquecido de mim, eu pensei em usar a máquina de novo, mas . . . Por algum motivo ela está quebrada. Nem liga mais. Por isso fui tão cauteloso com sua segurança. Eu não vou ter outra chance de te salvar. " "Você tem alguma ideia do porquê de eu não lembrar de você ?" Eu realmente estava curiosa a respeito de nós dois. "Eu tenho alguma ideia . . . Mas não sei se é a verdade absoluta. Eu acredito que você seja a Celeste de uma linha temporal diferente da minha. Nós nunca fomos namorados . . . Mas é só uma ideia, não tenho certeza. Até porque se essa for a verdade, eu não sei como vim parar nessa linha temporal . . . De qualquer forma você não tem nada de diferente da sua eu da minha linha temporal. . ." Eu sentia uma imensa vontade de ligar pro Armin e contar tudo. Ele com certeza teria uma ideia melhor do que estaria acontecendo. "A Debrah me falou pra acreditar sempre em você . . . Ela era a Debrah da sua linha temporal ?" eu perguntei curiosa . . . Lembro que os dois ficavam de segredinhos. "Não, ela é a Debrah dessa linha temporal. Mas eu tomei conta dela aqui também, no caso, meu EU daqui . . . Então ela sabe que sou viajante temporal. E bem, eu contei tudo pra ela. Ela foi uma das pessoas que deu a dica de que eu não devia contar nada pra você. Ela disse que se eu fizesse uma alteração grande no passado, talvez eu deixasse de existir no futuro, e que eu devia tomar cuidado com as informações que eu te passasse . . . Tipo te manter viva. Ela chegou a cogitar que talvez fosse seu destino morrer pra que eu nascesse no futuro . . . Essa coisa toda de viagem temporal é muito complicada . . ." Ele parecia perdido. "A Debrah deixou algumas previsões no meu diário, e dicas . . . Que você era de confiança. Que o Castiel faria de tudo pra mim. Que o Armin iria me ajudar bastante . . . Ela acertou tudo . . . Mas . . . Ela falou no fim pra eu perdoar meu filho . . . Eu ainda não entendi isso. Não estou grávida nem nada." eu falei confusa. "A Debrah sabe mais do nosso futuro que nós mesmos . . . Ela é de uma espécie muito superior. Ela pode ler mentes, lembra ? Ela consegue coletar informações como ninguém . . . Ela realmente se apegou muito a você e teve receio de ficar perto de você e acabar te defendendo demais . . .Ou falando demais. Sabe, toda a crueldade que ela cometeu com os terráqueos não foi culpa dela. Ela é uma ótima pessoa, mas sofreu muito . . . " Infelizmente eu sabia bem do que ele falava . . . E sempre me senti péssima pela Debrah . . . "Algo que você e o Castiel falaram mais cedo . . . Me deixou intrigado . . . Sobre terem abusado de você . . . " ele tocou no assunto que eu não queria. "S-Sim . . . Por quê ?" Respondi a contra-gosto e triste . . . "Quem foi ? Quando isso ocorreu . . . ?" Sabe, à essa altura eu não queria esconder mais nada do Nathaniel. Ele estava sendo transparente comigo, eu acho justo ser transparente com ele. Até porque ele é menos impulsivo que o Castiel, convenhamos. "Jade . . . Mas eu não lembro de nada . . . " "J-Jade ???! AQUELE JARDINEIRO ??! POR QUÊ ?!?" ele parecia MUITO irritado . . . Agora que tenho conhecido o outro lado do Nathaniel tenho medo . . . "Calma . . . Não faça nada, por favor. Armin está investigando tudo . . . Nós vimos filmagens do momento em que ele abusou de mim . . . Ele sabia que estava sendo filmado, e ele virou pra câmera e com um olhar muito triste se desculpou . . . " no que falei isso o Nathaniel explodiu mais. "VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ?!? DEFENDENDO UM ESTUPRADOR !" ele apertava meu ombro, aquilo me agoniava. "Não, Nathaniel. Eu só quero saber a verdade. E eu sei o que vi . . . Aquilo não parecia ser mentira . . . Ele parecia estar sendo sincero com suas desculpas." Eu falei tranquilamente. . . Nathaniel se escorou num canto da cama e eu no outro. Nathaniel tremia. Parecia segurar o choro, a cabeça dele deve estar uma zona. Se a minha está, imagina ele que passou por tempos diferentes ? Rituais, mortes, tantas coisas . . . Nesse momento, eu estava me sentindo fraca, em muitos sentidos. Fraca fisicamente e mentalmente. Eu só queria paz. Não só pra mim, mas eu não conseguia simplesmente ver o Nathaniel naquele estado. "Nathaniel . . . Me beija ?" eu falei. Eu não estava nervosa, nunca pensei que um dia falaria algo desse gênero pra alguém sem ficar no mínimo com vergonha. Meus sentimentos pelo Nathaniel não mudaram. Não comecei a gostar dele de uma hora pra outra só por ele ter me contado nossa história de outra linha temporal ou porque eu agora sei que ele lutou pra me manter viva . . . Eu só . . . Queria um momento nosso. Não como namorados ou casal, mas . . . Sei que eu estaria acalmando ele e dando algo que ele quer muito, e sei que consequentemente isso me acalmaria também. Eu só queria me sentir bem, sabe . . . Vi o meu pedido de beijo como um abraço. Realmente não vi como algo de mais. Nathaniel entrelaçou levemente os dedos sobre meus cabelos enquanto apoiava o outro braço na cabeceira da cama e olhou fixamente pra mim. Eu nunca reparei, mas os olhos dele são cor de mel. É uma cor bonita. "Você tem certeza desse pedido que acabou de fazer . . . ?" Nathaniel perguntou sem desviar o olhar de mim um minuto sequer. Ele parecia incrédulo. Eu balancei a cabeça positivamente enquanto ele se aproximava de mim. Seu beijo foi intenso, e bem, posso dizer que pela primeira vez depois de tantos beijos eu estou fazendo porque quero. Não porque estou sendo controlada por um coelho demoníaco ou porque me puxaram a força, e sim porque eu escolhi que queria isso agora. Eu podia sentir claramente todo sentimento do Nathaniel por mim, era incrível. Era um simples beijo que respondia muitas coisas. Sinceramente, por uns segundos eu cheguei a acreditar que poderia vir alguma lembrança relacionada a ele em minha mente. Não sei, eu realmente acreditei . . . Mas não . . . Eu estava exausta de tudo que eu estava passando. Eu me senti bem relaxada depois de tanto tempo, e retribui cada carícia do Nathaniel. Não deixei meus valores pra trás nem nada do tipo . . . Eu ainda tenho muitos pudores e valores que sigo e não pretendo parar de seguir. . . Mas aquele momento, sinceramente ? Eu só queria me sentir bem e deixar o Nathaniel bem. Eu via aquele beijo como um . . . Prêmio ? Sim, posso definir dessa forma. Depois de tudo que nós dois passamos, depois de tudo que o Nathaniel passou, acho que era um prêmio justo. Nathaniel olhou fixamente para meu olho, eu podia ver os olhos dele cheios de lágrimas. "Obrigado . . ." foi tudo que ele falou . . . Eu sorri pra ele, e . . . tentei mover meu braço até seu rosto. Mas, eu me sentia fraca, muito fraca. Não sei se era por que eu havia relaxado demais, não sei se foi efeito das coisas da Ambre, eu sei que eu me sentia muito fraca, e cada vez mais sonolenta. Nathaniel ficou desesperado. "V-Você tá bem não é ? Nâo se sente pior não , né ???" ele falava desesperado. Eu queria poder responder pra ele que não, que me sentia melhor, ou a mesma coisa. Mas eu estaria mentindo e evitando de viver mais quem sabe, então só balancei a cabeça de tal forma de demonstrasse que eu não estava bem. "N-Não. Eu vou fazer algo, você não pode piorar . . . O Castiel disse que comia bastante antes de fazer os tais sacrifícios né ?? Eu vou trazer comida ! Isso !" Ele saiu correndo de lá do quarto. Eu podia sentir meu corpo mais e mais fraco. Eu acho que o fato de eu ter comido pouco me fez adoecer muito mais rápido que o Castiel quando ficou no meu estado . . . No fim, eu quem causei isso tudo. Nathaniel voltou em um piscar de olhos. Ele trouxe inúmeras guloseimas, comidas e muita coisa amontoada. Ele tentava me dar, mas eu estava muito fraca, mal conseguia me sentar sem apoio. Nathaniel rapidamente começou a procurar suas coisas no quarto, ele parecia não saber onde tinha colocado as próprias coisas de tão desesperado que ele estava. Ele fez uma zona no quarto e na suíte e logo retornou com sacolas. Ele colocou a sacola pendurada em sua cama e injetou algo em mim, eu estava fraca demais pra identificar ou me mover, mas podia ver claramente que aquilo era soro. Minha vida é uma bagunça . . . Eu só conseguia pensar no quanto eu era amaldiçoada pra conseguir acumular tanta coisa ruim na minha vida . . . Eu tentava me manter acordada, sabe, eu tive muito medo de adormecer e não acordar mais . . . Nathaniel me examinava compulsivamente. Eu estava apagando, não conseguia me manter acordada mais . . . Eu precisava dormir. A voz do Nathaniel ecoou enquanto eu adormecia: "Por favor, não me deixe novamente . . . Eu imploro. Eu faço o que for preciso . . ."
[<< CAPITULO ANTERIOR] ✖ [PROXIMO CAPITULO>>]












