“Será que eu já posso enlouquecer, ou devo apenas sorrir?”(Me adora- Pitty)
Talvez por um olhar minha vida tenha mudado. Ou talvez por a BOCA da minha minha ‘amiga’ Carol!!Era quarta-feira, dia que eu tenho francês de manhã e a carol tem ginástica artística com uma amiga nossa, a Daniela. A Dani era uma amiga muito querida nossa. Tinha 15 anos, cabelos pretos, olhos muito escuros, era mais alta que eu e seu nome era Daniela Lopes. Ela era muito calma, uma ótima amiga nos momentos difíceis.Estávamos eu, Carol e Dani no corredor, e eu, quando passei pela 101, meio que enfiei a cara lá dentro para ver se o Pedro tinha vindo.Já fazia uma semana que eu havia tentado ser amiga dele no Facebook, e naquele tempo eu havia confirmado que ele estudava na 101, então, todo dia olhava para ver se ele tinha vindo.
A Daniela ficou curiosa, já que sua irmã Isadora, estudava lá, e perguntou:
-Que foi Lice?A Carol, como sempre MUITO boca grande, falou:- É que o príncipe dela, o Pedro, estuda aí Dani.A Daniela me olhou chocada, e gritou:- O PEDRO, LICE?!?Eu, que já estava toda vermelha, só lancei meu olhar você-me-paga, para a Carol, que só deu os ombros. Eu fiz que sim com a cabeça, e a Dani falou para nós irmos para sala, pois ela ia falar com a Isadora.- Carol, eu te MATO!- Que foi gente? –A Vivian apareceu na porta da sala perguntando.- Que foi Vivian, é que essa boca grande da Carol falou para Dani que eu GOSTO do Pedro! E a irmã dela estuda ali!- Eu falei, me virando para trás, já que a mesa da Vivian era bem atrás da minha. Minha mesa era a primeira que se via olhando da porta, bem na frente do quadro, e eu adorava aquele lugar. Ainda mais porque a Carol era do meu lado e a Analú do outro.- Ai meu Deus! Carol, porque...A Vivian interrompeu no meio da frase, e começou a ficar pálida. A Carol, estava olhando em direção a porta e arregalou os olhos. A Vivian só falou:- Ooo, agora ferrou tudo...- Que foi Vivian?- Ann, Alice, não olha agora, mas o Pedro meio que está parado ali na porta te olhando...- O QUE?!?!Nessa hora eu MEIO que surtei e corri para a janela da sala, e comecei a chorar. Não me entenda mal, mas eu estava uma pilha, e sim, eu choro muito. Mas eu não consegui me segurar, eu estava muito nervosa!E não ajudava NADA os comentários da Andressa, minha colega: ‘Alice arrasando corações hein? Vem cá, teu gatinho quer falar com você!’A Carol chegou do meu lado e falou:- Alice, para de chorar! O garoto está ali fora te esperando! Eu fui falar com ele, ele é todo simpático, falou que quer falar com a Alice, vai lá falar com ele!A Carol tinha o que na cabeça, se achava que eu sairia tão cedo dali? Por isso minha resposta foi:- Não Carol, ta louca? Olha, tu já me ‘ajudou’ bastante por hoje, me deixa quieta, POR FAVOR!Ela foi, mas voltou cinco minutos depois...- Alice, ele falou que vai ter que entrar para aula, porque o professor chegou, mas quer falar com você depois! Ai, ele é tão simpático! Até EU estou achando ele bonitinho!- Por que ele é TÃO simpático, Carol?- Porque eu disse: ‘boa aula!’ e ele respondeu: ‘para você também! E fala isso pra Alice! Beijo!’ e entrou! Que FOFO!Naquele momento eu saí da janela, já que o nosso professor também havia chegado. Todo mundo ficou me enchendo o saco. Eu não acreditava que aquilo estava realmente acontecendo comigo. Só podia ser um pesadelo. TINHA que ser. Mas não era...Na hora recreio foi um sacrifício sair da sala, eu não queria de jeito nenhum! Mas a Carol e a Vivian me obrigaram, já que a coordenadora estava vindo trancar a sala.Eu arrumei o material bem devagar para ganhar o máximo de tempo possível, engoli em seco e saí. Mas ele já não estava mais na sala dele, por onde eu sou obrigada a passar para sair do corredor.Eu consegui lanchar em paz, a não ser é claro por as gracinhas da Carol. A Vivian tinha chorado e ninguém tinha entendido o porque, e eu não vi o Pedro naquele recreio. Eu pensava que o pior havia passado. Mal sabia eu, que o que me esperava DEPOIS do recreio era bem pior...Eu estava, literalmente ferrada.Eu meio que corri para dentro da sala, assim que o sinal bateu. Não tive coragem de andar devagar, muito menos de esperar a Vivian ou a Carol.Se isso adiantou? Digamos que não...Assim que eu entrei na sala, começou a barulheira: “Cadê o gato?” “Altos gato hein?”Até minha amiga Jade falou!“Alice pegadora hein?”Enquanto eu deixava minha bolsa na cadeira, meu colega Diego falava:- Alice, vou ali buscar uma pessoa e já volto.O Diego era um garoto muito irritante da minha sala, e ninguém sabia a idade dele. Não vou falar a aparência física dele, porque é bem desnecessário. Só o que você precisa saber sobre isso, é que ele é bem feio. Ele adorava me encarar. E eu odiava ele. Diego Ramos, o garoto mais irritante da sala. Mas eu não entendi o motivo daquele comentário... dois minutos depois, ele voltou acompanhado com a pessoa que eu menos queria ver, o Pedro. E ele estava rindo...Eu, é claro tive a atitude mais obvia que uma garota de 15 anos, que tem o garoto que esta afim, DUAS vezes na porta da sala dela, procurando por ela, faz. Eu voltei para a janela.- Alice, o Pedro está ali de novo! Vai lá falar com ele, pelo amor de Deus!- Não! Manda ele ir embora! Eu não saio daqui enquanto ele não sair dali!- Alice, deixa de ser boba! Eu...- Cala a boca Carol!Eu me virei para a porta, e gritei uma coisa, que com certeza eu não queria...- Vai embora Pedro! Me deixa em paz!Porque aquele garoto estava fazendo aquilo, se ele nem me conhecia?! Qual era o problema dele?! Caramba, eu realmente tinha MUITA sorte... só comigo mesmo isso acontecia... E o Diego fez o ‘favor’ de responder para mim no lugar no Pedro...- Aliceee, eu trouxe teu amor!Eu ia desmaiar ali mesmo, só podia. Mas graças a Deus a professora de português chegou.- Gente, vamos entrando e... Pedro, o que você está fazendo aqui?!Eu nem queria ver o que estava acontecendo lá fora, só estava ouvindo.- A, desculpa professora, é que eu queria falar com...- Tá DEPOIS tu fala com a tua namorada porque agora é AULA!Só foi o coro da sala: ‘Hmm, namorado é Alice?’Era hoje que eu morria. Só quando eu me sentei, toda vermelha, foi que vi, que no quadro negro estava escrito bem grande:ALICE + PEDRO= <3 data-blogger-escaped-o:p="">Quando o dia acabava mesmo?- Alice, o Pedro é teu namorado é?- Claro que não professora! Eu nem conheço ele!- Não é o que escreveram no quadro... Chamada: Adriana...Na saída,ele (graças a Deus) não estava lá, e acabei indo pra casa pensando no circo que minha vida havia se tornado em apenas um dia. Era realmente muita coisa para minha cabeça.Aquilo, havia sido uma mistura de alegria com choque. Eu nunca pensei que uma coisa dessas pudesse acontecer comigo. Eu estava me sentindo... diferente.Por isso, assim que cheguei em casa, entrei no Facebook, e tomei uma decisão que iria mudar minha vida: mandei pela segunda vez, uma solicitação de amizade...
Aquela garota não saiu do meu pensamento desde aquele dia. Por que tanta possessividade com relação ao irmão? Por que ela é daquele jeito? Eu precisava descobrir à qualquer custo, senão enlouqueceria. Havia algo certamente enigmático envolvendo aqueles dois e eu precisava descobrir o que era exatamente. Mas é claro que havia os seus poréns. Um homem de trinta anos fascinado por uma garota de dezoito, dezessete nunca seria bem visto pela sociedade.
Nem eu mesmo via isso com bons olhos.
Eu deveria estar ficando louco.
Me arrumei e bati na porta da casa dos irmãos problema. Obviamente esperei o pior considerando que a garota poderia ter sido acordada e estar agora brava já que eram nove da manhã. Cedo. para. caralho.
- Oi, eu... - Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela berrou.
- Maddox! É para você!
E então ele desceu, sem camisa, vestindo somente uma cueca boxer, me deixando o mais constrangido impossível. Eu realmente não me arrumei de manhã para ver um cara semi-nu na minha frente. Eu realmente não estou sendo pago para isso.
- E-Eu.... Você poderia colocar alguma roupa? - Cobri meus olhos, na esperança de alguma roupa se materializar no corpo dele.
- Poder eu posso... Entre. - E então eu entrei na casa deles, pequena, porém aconchegante. - Agnes, faz alguma coisa para ele comer.
Agnes.
Precisava puxar assunto com ela antes que Maddox voltasse, então procurei olhar ao redor, buscando qualquer coisa que me desse uma deixa. E foi aí que eu achei, uma Nikon D90 em cima da mesa, perto de algumas caixas ainda empacotadas.
- Você é fotógrafa? - A encarei, esperando não ficar no vácuo.
Ela só assentiu com a cabeça e voltou a fazer o que estava fazendo na cozinha. Ótimo, eu estava sendo ignorado por uma guria adolescente.
- E então... O que eu perdi? - Maddox desceu as escadas, vestindo uma camisa preta.
- Seu amigo estava dando em cima de mim.
- O que?! Eu não...
- Relaxe, ela faz isso com todos que tentam se aproximar. - Ele passou a mão pelos cabelos de Agnes, com um sorriso no rosto. - Hm, o cheiro está bom.
- Eu fiz do jeito que você gosta. - Pela primeira vez eu vi um sorriso estampado no rosto daquela garota.
E era tão bonito. Imaginem uma garota bonita. Era Agnes. Seus dentes eram todos brancos, alinhados, e fizeram eu notar pela primeira vez como seus lábios eram lindos também. Nunca tive muita sorte com as mulheres, e se ela fosse mais velha, provavelmente seria o tipo que me ignoraria completamente e nunca me daria uma chance para levá-la para sair. Mas voltando ao assunto, sim, ela era muito bonita mesmo. Ela estava radiante e eu fiquei ali, feito um bobo, encarando-a.
- E você? O que quer, afinal? - Ela me tirou do meu transe.
- Eu... Sei lá, queria saber se vocês dois não queriam sair comigo.
- Nós dois? Eu e Agnes? - Maddox disse todo animado, vocês tinham que ver o brilho no rosto dele.
- É... Se vocês quiserem é claro.
- Não queremos. - Agnes me cortou.
- Queremos sim. - Maddox rebateu. Eu estava no meio de uma guerra. - Para onde vamos?
- Eu estava pensando em um parque de diversões.
- Você está pensando que somos crianças? - Pior que Agnes tinha razão.
- Eu só achei que seria algo... diferente.
- Eu gostei. - Maddox respondeu. - Eu topo. Vou vestir alguma coisa, vem Agnes.
- Eu não quero ir.
- Você vai.
Agnes bufou e subiu as escadas. Eu e Maddox rimos da situação, já ela parecia uma criança mimada depois de não ganhar o brinquedo que queria. Mas ainda sim, eu achava fofo aquilo de certa forma, por mais que ao mesmo tempo fosse um tanto irritante. Ela, com a sua idade, já deveria saber que o mundo não girava ao seu redor.
- Ai... - Fiz com que ele me encarasse. - Quantos anos a tua irmã tem?
- Você não está pensando em...? - Ele fez um gesto com as mãos, enfiando o dedo indicador em um "O" formado com os dedos.
- Não! - Ok, talvez isso tenha saído um pouco mais alto do que eu gostaria.
- Ah, bem... Ela tem dezessete.
- Ela é nova. - Olhei para outro canto, evitando o máximo ter qualquer contato visual com Maddox.
- Você 'tá meio preocupado, não é? Andando por aí com a gente. É uma diferença de idade considerável.
- Hoje em dia não tenho mais nada a perder. E vocês parecem ser legais de qualquer forma.
Ele sorriu e bateu no meu ombro logo depois, indo para o segundo andar assim que a Agnes desceu. Ela ficou me encarando com uma cara de tédio até que resolveu falar algo.
- O que você pretende?
- Hãn? O que você quer dizer? - Eu me virei, me deparando com ela de pernas abertas sentada no sofá. A minha sorte era que ela estava usando shorts.
- O que você pretende levando a gente pra passear? Não somos cachorrinhos que você leva por aí e simplesmente passam a gostar de você.
- Essa não é a minha intenção. - Me levantei e me sentei perto a ela. - Vocês parecem legais, só isso.
- Certo. Espero que esse fascínio do meu irmão com você passe logo.
- Hm... Certo. - Sorri sem graça e então Maddox desceu, vestindo calças jeans e uma camisa sem manga.
- Vamos! - Ele berrou, puxando Agnes alegremente pelo braço.
Não fazia a menor ideia do que fazer com eles no parque. Eu estava basicamente usando a mesma tática que usava com o meu sobrinho que me detestava. Levava-o para o parque quando precisava cuidar dele, e ele ficava tão enjoado que mal tinha tempo para reclamar ou fazer bagunça, ele simplesmente ficava ocupado demais vomitando os cachorros-quentes que havia comido no lugar após ir em alguns brinquedos.
Minha adolescência não foi exatamente a mais animadora de todas, então não sabia o que fazer para agradá-los. E não sabia o que eles faziam hoje em dia. Com essas redes sociais fazendo boa parte do dia-a-dia deles, a internet, e tudo isso... Bem, as coisas no meu tempo eram um pouco diferentes. Não que eu seja tão velho também, mas... Não era como hoje em dia é. Então a uma solução que me veio à cabeça era levá-los a um lugar que me remetia diversão, como seu próprio nome dizia: O parque de diversões.
A primeira coisa que James fez quando saiu do avião foi dar um gemido frustrado, porque depois de ficar oito horas em um avião ele estava dolorido e extremamente cansado e ainda assim respondeu sim quando a comissária perguntou se ele havia tido uma boa viagem.
O tempo em Londres parecia estar úmido e ele correu seus olhos pelas malas procurando por seu violão, quando apareceu no saguão do aeroporto com a mochila pesando em seu ombro esquerdo e um violão no outro ele percebeu que não tinha um carro e nem tinha o endereço da casa do seu padrinho. James estava pensando no que faria para chegar à casa de Simon quando sentiu alguém empurrar o seu ombro, ele virou pronto para descarregar todo tipo de xingamento em cima da pessoa quando deu de cara com Theodore Laund a sua frente.
Demorou alguns segundos para reconhecer o garoto de pele negra, fazia anos que os dois não se viam, na verdade fazia anos que o americano não via nenhum dos Laund’s, por isso ele se surpreendeu quando seu padrinho invadiu sua casa para chutar seu traseiro e chama-lo para morar com ele.
- Nós vamos embora ou vai ficar me olhando com essa cara de idiota de sempre? – a voz de Theo soou alta, fazendo o americano rir do jeito como ele falava, sempre o mesmo jeito atravessado desde que eram crianças.
- E você continua o mesmo chato de sempre né. – comentou James, enquanto batia com a mão no ombro do rapaz.
- Mudanças não são meu forte – disse Theo sorrindo. – Não acredito que você trouxe um violão para cá, há violões para vender aqui na Inglaterra também sabe.
James revirou os olhos enquanto os dois caminhavam para fora do aeroporto. O rapaz de cabelo castanho levava seu inseparável violão enquanto que o outro carregava a mochila escura dele.
- Eu não sabia que você viria me buscar.
- Pensei que ele tivesse te contado, mas é bem a cara dele mesmo fazer as coisas sem contar a ninguém.
- Pelo visto vocês ainda não se dão bem né – disse James, vendo Theo dar de ombros enquanto destrancava sua Ranger Rover escura.
A risada do garoto Laund encheu o estacionamento quando ele percebeu James andando para o lado errado do carro e logo percebendo o que estava fazendo o americano começou xingar o amigo enquanto refazia seu caminho para o lado certo fazendo Theo rir ainda mais da confusão do amigo.
- Como vai a Cassie? – perguntou James, quando os dois já estavam saindo do estacionamento.
- Estamos todos bem – respondeu o garoto sem jeito, ele não gostava de ficar respondendo muitas perguntas. – Por que você se mudou?
- As coisas estavam complicadas para mim lá depois do ano passado ai o seu pai apareceu e me chamou para morar com vocês. – respondeu James. – Eu não tinha mesmo por que ficar lá com todos os problemas que eu estava.
- Bem, você se mudou para recomeçar, certo? – falou Theo, tirando os olhos da estrada por um momento vendo James dar de ombros.
- É, acho que sim.
- Então se as coisas estavam tão fodidas quanto você disse, aqui não tem como ficar pior né.
- Talvez. – respondeu James, se acomodando melhor no assento enquanto olhava para o amigo e no fundo esperava que isso fosse verdade. – Talvez você esteja certo.
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Fazia pouco tempo que Cassie havia deixado James finalmente sozinho depois de ter lhe mostrado toda a casa, ela parecia tão contente com a companhia do rapaz que somente depois de dizer varias vezes o quão exausto estava por conta da viagem é que ele havia ficado sozinho em seu quarto novo, mas agora deitado em um sua cama ele estava se sentindo entediado e não aguentava mais ficar preso entre aquelas quatro paredes totalmente brancas.
Levantou da cama sem pensar duas vezes e pegou o casaco que estava jogado no chão desde que havia adentrado o quarto pela primeira vez, desceu as escadas correndo e foi até a cozinha esperando encontrar a empregada lá.
- Senhor Summers – cumprimentou Sonya, quando viu o rapaz parado na porta da cozinha. – Precisa de alguma coisa?
- O Theo esta em casa? – perguntou o rapaz, vestindo seu casaco.
- Não, ele saiu logo depois de ter deixado o senhor em casa – disse Sonya, vendo o rapaz se arrumar e continuou perguntando. - O senhor vai sair? Agora?
- Vou, mas não se preocupe eu tenho dinheiro e o endereço daqui se precisar. – James falou sorrindo, tentando fazer com que ninguém se preocupasse com ele.
- O senhor não prefere que a Cassie vá com junto? Ela conhece a cidade.
- Não precisa, mas você pode me fazer um favor? – falou James. – Não me chame mais de senhor, é muito estranho.
- Claro.
- Obrigado, se o Simon chegar diz pra ele me ligar. – falou James, antes de apressar o passo e finalmente sair da casa.
James não sabia o porquê, mas desde que havia saído de Kansas estava se sentindo mais leve e pronto para dar mais um passo nessa sua vida do outro lado do país, agora só faltava ele saber como fazer isso.
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Os fios ondulados de Krystal estavam a todo o momento caindo sobre seu rosto, a garota estava caminhando pelas ruas da cidade atrás de emprego. O irmão de Luke, John trabalhava em uma boate e havia tentado conseguir algo para ela, mas havai lhe dado apenas uma resposta negativa a qual Krys não desejava ouvir.
Enquanto isso James caminhava sem rumo pelas ruas daquela cidade desconhecida para ele que naquele momento só queria esquecer tudo pelo qual havia passado no ultimo ano. O rapaz não sabia para onde ir ou onde estava, mas não se preocupou nem um pouco com aquilo, pois estava gostando de andar por ai e conhecer aquela cidade que ele não visitava há anos.
Foi então que ele a viu do outro lado da rua caminhando apressadamente com um cigarro entre os dedos. Vestida toda de preto aquela garota só conseguia fazer com que James não tirasse os olhos dela e sem se dar conta seus pés começaram a seguir a garota desconhecida que mais parecia uma miragem diante dos olhos castanhos.
Ela jogou o cigarro na calçada apagando-o com o pé direito e logo em seguida virou sua cabeça para trás como se soubesse que alguém a olhava, naquele segundo em que seu olhar cruzou com o dele, James encarou as íris azuis mais belas que já havia visto em toda a sua vida e sem pensar direito ele atravessou a rua quase sem olhar para ver se havia algum carro vindo em sua direção.
A garota já havia sumido antes mesmo de James prestar atenção ao dobrar a esquina, mas ele continuou a andar tentando encontra-la mesmo sem saber o porquê de ele querer tanto continuar a ver alguém que mal conhecia alguém que ele mal havia visto direito. Não havia nada demais nela pensou o garoto, mas ao notar ela entrando em uma lanchonete qualquer ele percebeu que estava errado. Havia algo naquela garota e ele necessitava saber o que era que estava intrigando tanto e foi com isso em mente que ele entrou na lanchonete que ela havia sumido.
O local não era muito grande, mas estava um pouco vazio o que fez James olhar ao redor procurando por aqueles cabelos ondulados e não demorou muito para vê-la. Krystal havia acabado de comprar um café e estava indo atrás de algum canto para desfrutar dele em paz, ela se sentou de costas para onde James estava sem notar que o rapaz não tirava os olhos dela.
James andou rapidamente até o balcão e pediu um café simples ele não tinha a menor ideia de quanto aquilo custava então só deu algumas notas para o barista e saiu do balcão. Por um momento ele parou pensando se deveria ir falar com ela ou não, talvez ele devesse ir para casa, não a que ficava na América, mas a casa do seu padrinho. Ele não conseguia pensar direito, talvez seja o fuso horário ou qualquer merda assim, pensou James. Então, ele levou o café até os lábios e começou a caminhar em direção a mesa onde a garota estava sentada mexendo no celular.
O rapaz parou na frente dela, mas a moça nem notou até que ele se sentou na poltrona vermelha a sua frente fazendo a erguer seus olhos, fazendo James ficar ainda mais encantado ao encara aquelas íris azuis.
- Quem é você? – perguntou Krystal, olhando ao redor franzindo a testa tentando descobrir quem era o rapaz que havia acabado de sentar a sua frente sem ser convidado.
- Eu sou o James. Tudo bem? – disse o rapaz sorrindo ao estender a mão na direção da garota que simplesmente ignorou aquele gesto.
- Isso é algum tipo de brincadeira? – perguntou, fazendo James sacudir a cabeça negativamente.
James riu.
- Não é nada disso.
- O que você está fazendo aqui? Eu não te conheço.
- Bem, eu te vi sozinha aqui então pensei – começou James, mas foi logo interrompido pela moça.
- Em nada. – disse Krystal interrompendo o rapaz. – Dá o fora.
- Ei, calma aí me deixa falar. – falou James, ele já estava percebendo que havia sido uma péssima ideia falar com aquela garota, ela era temperamental demais.
- Você sentou na minha mesa sem permissão e acha que tem algum direito por aqui.
- Que eu saiba isso é um local público.
- Vá se ferrar.
- Eu só te vi sozinha aqui e parecia que você precisava falar com alguém, eu só estava tentando ser legal. – disse o rapaz, ignorando o que ela havia dito a ele e tentando amenizar as coisas.
- Se eu precisasse falar com alguém não seria com um desconhecido. – falou Krys, tentando entender o que passava na cabeça daquele garoto a sua frente.
- Eu só quis ser simpático.
- Claro – rebateu Krystal ironicamente. – Americanos sempre se achando melhores que os outros.
- Você é maluca, garota. – respondeu James, passando as mãos no rosto já cansado de toda aquela historia.
Ele definitivamente não deveria ter ido falar com aquela garota.
- Você é o perseguidor aqui e eu sou a maluca? – perguntou Krsytal, rindo do rapaz.
- Eu não estava te perseguindo só estava tentando ser legal, mas vocês ingleses são um bando de idiotas. – falou James.
Talvez ele não devesse falar aquilo quando se encontrava cercado de ingleses idiotas, mas ele não dava a mínima naquele momento.
- Então não tente ser “legal” com ninguém se alguém não pedir. – disse Krystal, já se levantando da mesa. – E se eu te ver novamente atrás de mim você vai se arrepender.
A garota foi embora largando um café quase intocado em cima da mesa e um garoto que não tinha a menor ideia de como aquilo se tornaram tão confuso. Na cabeça de James as coisas seriam bem mais fáceis, mas aquela garota tornou tudo mais complicado fazendo o repensar se as coisas realmente dariam certo para ele naquele lugar.
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O caminho até a casa dos Laund foi longo, depois de toda a confusão que havia acontecido com aquela garota desconhecida na lanchonete James necessitava andar um pouco para se distrair e quando notou estava perdido e já estava escurecendo, assim ele teve que pegar um taxi, porque ainda não sabia andar naquela cidade. James não tinha a chave da casa então teve que tocar a campainha e esperar alguém aparecer para atender a porta.
- James? Você está bem? – disse Sonya ao atender a porta. – Estavam todos preocupados com você.
- Por quê? – o garoto disse ao adentrar a porta da casa. – Eu disse que ia sair. Você não os avisou, Sonya?
- Claro! – disse a empregada, enquanto levava James até onde estavam Simon e Cassie sentados na sala de estar. – Senhor Laund, ele está aqui.
- James? Onde você está? - perguntou Cassie, antes mesmo de o seu pai conseguir falar algo.
- Eu só saí um pouco não era pra vocês se preocuparem. – respondeu o rapaz, nenhum um pouco acostumado com aquele tipo de comportamento.
- Eu disse que ele estava bem. – falou Theo, saindo da cozinha com um sanduíche nas mãos e subindo as escadas.
- Theo! – brigou Cass, sendo ignorada pelo irmão mais velho.
- Você é novo na cidade, eu só estava preocupado de você se perder. – falou Simon, depois que viu o filho subir as escadas sem nem olhar para trás.
- Eu sei me virar, tio. – disse o rapaz, tirando o casaco e jogando no sofá.
- Eu sei, eu sei. Estou feliz por você estar aqui.
- Obrigado por me receber.
- Soube que Cassie já instalou você. – disse o homem de cabelos crespos olhando para a filha e sorrindo. – Mas se você precisar de algo é só falar comigo.
- Claro – disse James. – Sabe as coisas ocorreram meio rápidas e eu só queria sabe como vão ficar os negócios lá no Kansas.
- Essa é minha deixa. – falou Cassie se levantando e indo se despedir do pai logo subindo as escadas.
- Não se preocupe, eu estou cuidando de tudo. – disse Simon.
- Eu sei e agradeço por isso, mas eu só não queria me distanciar de tudo aquilo, ela não gostaria.
- Eu entendo, só não quero que você se preocupe com isso agora. – disse Simon. – Saia com os meninos, se divirtam um pouco só não esqueça as nossas condições.
- Eu não vou. – disse o rapaz já se levantando e indo em direção as escadas.
- James! – chamou Simon. – Se você sair de novo sozinho pelo menos leve o celular, eu sei que você não é mais uma criança só que eu me preocupo com você assim como me preocupo com os meus filhos.
- Tá bom e obrigado por me deixar ficar aqui Simon, de verdade.
- Não precisa agradecer, somos família. – disse o homem, enquanto ia para o seu escritório.
James subiu as escadas rapidamente, ele estava cansado então andava rápido louco para se jogar na cama fofa que o esperava no quarto de hospedes quando deu de cara com Theo saindo de um dos quartos, ele havia trocado de roupa e estava segurando um chapéu.
- Ei, vai sair? – perguntou James, vendo Theo fechar a porta do quarto.
Theo assentiu.
- Tá tudo bem? – perguntou o rapaz parado no meio do corredor.
Theo não costumava ser um cara muito silencioso e por isso James estava achando estranho o jeito como estava sendo tratado pelo amigo.
- Você é família, cara – disse Theo dando de ombros e fazendo o americano franzir a testa sem entender a frase do moreno.
- Do que você está falando?
- Foi mal, James. – falou Theo antes de sumir pelo corredor deixando um confuso James parado no meio dele.
- Esse dia tá um confusão só. – falou o rapaz para o nada em particular.
- Não liga para ele – a voz aguda de Cassie soou pelo corredor fazendo James se assustar. – Ele só tá com ciúme do papai.
- Eles nem se gostam. – disse James, encarando a garota.
- Isso não o impede de sentir ciúmes do jeito que o papai te trata. – disse Cass, mandando um sorriso simpático para James.
- Ele não me trata melhor que ele.
- Na cabeça dele sim.
- Tanto faz. – falou o rapaz cansado de tantos problemas.
- Boa noite James. – se despediu Cass.
- Boa noite.
James entrou no quarto de hospedes que seria seu a partir daquele dia e jogou o casaco no chão, se jogando na cama logo em seguida. Ele estava cansado de todo tempo que havia passado viajando para chegar naquele lugar, cansado de todas as confusões que pareciam sempre perseguir ele não importa onde estivesse. O rapaz sempre se meteu em problemas e não costumava ligar para isso só que agora ele tinha condições para estar na Inglaterra e por incrível que parece ele não estava a fim de quebra-las, pelo menos não naquele momento.
O sol estava quente e um garotinho estava escondido debaixo da mesa. O menino de cabelos loiros chorava, deixando as lágrimas escorrerem de seus olhos azuis. Entre soluços, o pequeno garoto implorava a Merlin ou a qualquer outro que pudesse lhe ajudar. Ele pedia, inutilmente, os pais de volta. Queria revê-los, ficar com eles. Não suportava mais aquele homem, não queria mais se machucar. Klaus havia saído por algumas horas, e Lucca já havia tentado de tudo para fugir. Preferiria voltar para o orfanato, e ficar lá até envelhecer. O garoto de seis anos estava apavorado. Aquele homem iria lhe bater de novo, quando voltasse. Recomeçou a chorar...
As pernas do Lucca atual fraquejaram fazendo-o cair de joelhos no chão. Sua cabeça doía.
– Basta aprender a controlar a mente. A fechá-la, assim não seria tão fácil rever suas lembranças. Você era um pirralho chorão...
– Cale a boca. - Disse Lucca irritado, encarando os olhos cinzentos de Klaus.
Klaus voltou a fechar os olhos... Desta vez, as imagens não eram claras. Eram apenas vultos distorcidos, mas Lucca sentiu todo o seu corpo doer, em protesto.
Ouviam-se gritos desesperados e o choro abafado de uma criança. A vizinha havia entrado na casa e viu John e Alice mortos. Viu também o garotinho loiro ajoelhado ao lado dos corpos dos pais, desesperado. A mulher pegou o garoto no colo e o levou para longe dali, longe daquele lugar horrível um garoto tão pequeno. Lucca apenas murmurava inquieto. ‘‘Acorda pai... Mãe... Por que eles não abrem os olhos, Jhudy?’’ Depois disso, Lucca nunca mais viu os pais.
– Ah, mas que merda... – reclamou Lucca sentando no chão frio e sentindo-se cansado. - Pare de mostrar o meu passado, velho idiota.
Klaus apenas sorriu.
Uma música lenta e irritante tocava pela sala branca. Lucca tinha cerca de onze anos e estava mais uma vez na sala da diretora. Ele balançava os pés, inquieto. Estava preocupado, Klaus não ia gostar de ter que ir a escola, pela terceira vez este mês...
Agora Lucca apertava com força a própria cabeça que doía insuportavelmente. Sentia que se apertá-la com força, talvez as lembranças parassem. Obviamente, isso não aconteceu.
Lucca estava sentado na cama bagunçada. Tinha cerca, de 12 anos e estava com o olho esquerdo roxo. Havia alguns cortes em seu rosto e ele apertava com força o estômago. O garoto havia brigado com uns garotos da escola trouxa, de novo. Nessa época Lucca era extremamente fraco e magricela. Mas ainda se metia em encrencas, terminando quase sempre machucado. Ele continuava a apertar o estômago onde havia recebido vários socos. Com muito custo levantou e correu até a prateleira de poções. Pegou um vidrinho pequeno para passar em seus machucados... Klaus não podia saber que havia brigado...
Lucca agora fitava o chão pensativo, com os olhos entreabertos. Reviver suas lembranças doía, e o fato do feitiço causar dor física só piorava.
– Ah... Não está gostando das lembranças Lucca?
– Cale a boca. – Murmurou Lucca. – Termine de uma vez.
– Está sendo divertido. Não tem orgulho do seu passado Lucca? Você com certeza era um garoto delinquente, só fazia merda... E bastante solitário, sem ninguém que o ama, e sem amar ninguém... –Klaus então sorriu, e completou. - Oh, por Merlin, mas você ainda é assim! Não é mesmo?
Lucca permaneceu calado, olhando para as próprias mãos e sentado desleixadamente no chão frio. Seus cabelos loiros estavam molhados de suor e tudo que ele queria naquele momento era matar aquele homem.
– Você é um fraco. – Disse Klaus, se abaixando da altura do Lucca e o olhando diretamente. Lucca retribuiu o olhar. - Fraco e vulnerável. Qualquer um pode afetá-lo. Lucca, você sabe que eu estou falando a verdade.
O loiro permaneceu em silencio encarando-o.
–Eu sei que você está coberto de ódio. – continuou Klaus. - O que você fez para aguentar tudo isso, sendo fraco como é? Aprendeu a substituir a dor pelo ódio? Ou simplesmente começou a suportá-la? Enquanto você não fechar sua mente, não vai conseguir nada. Vai continuar a sofrer, vai continuar a sentir dor. Você tem que me obedecer Lucca, senão vai ser pior para você. Ou me obedece, ou aguente as consequências. Aguente a dor. Não está sentindo nada garoto?
Lucca abriu um pequeno sorriso e disse:
– Já acabou?
Klaus suspirou profundamente.
– Amanhã, oclumência de novo. Ah... Isso. – Deu uma tapa no rosto do Lucca, fazendo o som do estalo espalhar pela pequena sala. – É por sua imensa fraqueza. E isso. – Deu outra tapa, do outro lado do rosto. – É pra você aprender a ser mais educado. Está dispensado.
Klaus se levantou e foi até a prateleira procurar algum livro. Lucca se levantou com dificuldade e foi para o quarto sem encarar Klaus. Entrou no quarto e bateu a porta. Sentou na cama, e fechou os olhos. Logo depois socou a sua mesa de cabeceira e murmurou com ódio.
– Como odeio essa cara.
Deitou-se na cama, ainda sentindo o rosto arder. Já havia se acostumado com as dores de cabeça e no corpo, e Klaus adorava dar-lhe tapas como fez agora a pouco. Mas rever lembranças... Aquilo realmente doía. ‘O que você fez para aguentar tudo isso, sendo fraco como é? Aprendeu a substituir a dor pelo ódio? Ou simplesmente começou a suportá-la?’ As palavras de Klaus ecoavam em sua cabeça, que parecia estar prestes a explodir. Lucca fechou os olhos lentamente e decidiu que precisava aprender logo oclumência, senão Klaus iria enlouquecê-lo.
- Melhor amigo? - ele perguntou de orelha a orelha.
- Sim, eu e a Melanie somos grandes amigos. - Arthur me abraçou de lado e beijou o topo da minha cabeça. Lindo.
- É deixa eu apresentar a minha irmã... Lua! Lua?! - ele foi andando procurando a Lua.
- Quem é Lua? - Arthur perguntou.
- Irmã dele.
O Chay apresentou Lua e Arthur que se deram muito bem, o churrasco todo eu e Chay trocávamos olhares... Sim, olhares. Estava apertada para ir ao banheiro, fui correndo. Só que tinha alguém lá dentro. Esperei.
- Obrigada e licença. - Era o Chay que estava no banheiro. Nem olhei para a cara dele, só entrei no banheiro e fiz. Quando eu saio, alguém me puxa.
- Ei! - eu falava para o mesmo que se encontrava no banheiro.
- Estava louco para fazer isso... - ele falou chegando mais perto. Que perfume é esse?
-Isso? - Ele apenas me puxou para um beijo, ele apertava minha cintura e eu enroscava meu dedos em seu cabelo. Nossas linguás tinham a sintonia perfeita, ficamos um 5 minutos nos beijando. Simplesmente Perfeito.
Perfeito.
Chay POV:
Ta, por que eu fiz isto? E que beijo é esse?
- Você não acha que é rápido demais? - ela falou partindo o beijo.
- Você quer uma coisa séria? - falei confuso.
- Não... - ela falou dando um sorriso torto.
No momento eu não queria nenhum caso serio, nenhum mesmo.
- Vamos esquecer, isso? - eu apenas assenti, mas eu não iria esquecer, não mesmo.
Sai dali e fui onde estava o Micael e o Artur, eles são bacanas, bicho. Acho que já são meus amigos.
- Ai Arthur, eu sei que eu sou lindo mas não aperte meu bumbum, só a Sophia pode. - Micael disse fazendo voz de gay e fazendo todos rirem. Até Fani.
- Ei Mica, para o Arthur é só meu. - eu disse.
- Poxa, eu sou macho! - ele disse estufando o peito e fazendo a Fani rir.
Liguei pro Macedo e nossa balada foi água abaixo, ele disse que queria que fossemos amanhã pra treinar oito horas da manhã, e ir pra balada, chegar de madrugada e acordar cedo pra treinar não dava, então o que restava pra essa noite era "ajudar" o Miguel a ficar loiro. Ajudar a olhar né, porque eu não sei mexer com essas merdas de cabelo, é muita coisa de mulherzinha...
- Vem ca me ajudar mano- chamou o Miguel de lá de cima
- Cara eu não sei mexer nessas merdas
- Nem eu
- Então fudeu- disse enquanto subia as escadas- acho melhor você ler o negocio ai de trás, deve estar explicando
- Boa, vou ler, mais vem logo me ajudar
Enquanto ele lia eu fiquei sentado na privada, olhando pra ele... Já colocaram esse apelido super zuado nele, agora que ele vai se tingir, vai pegar mais ainda. Vai ser mesmo um Paraguaio, hahahahah...
- Pronto, ta tudo pronto, tem como você passar pra mim?
- Mano não rola, vou pintar toda tua cara
- Mais tu é uma bosta mesmo eim
Ele ficou reclamando que era ruim dele passar a tinta atrás, mais no fim ele passou, demorou anos pra tingir, mais no final até que ficou legal. E ficar legal não quer dizer que ficou bonito ok? Mais já que ele é Paraguaio, nada mais justo do que ficar loiro...
- Agora que já vi tu loiro posso dormir né?
- Hm.... pode mano, antes que você fica me enchendo mais a paciência
Eu estou enchendo a paciência dele né? Aham, eu, sempre eu!! Desci pra buscar um copo de água e quando fui subir as escadas a campainha tocou... Não ia atender, mais vai que é algo importante né? Já são onze da noite, ninguém bate na sua casa a essa hora pra pedir emprestado um quilo de açúcar ou então a senha do seu ifi. Fui até a porta e abri, era uma mina loira, bem estruturada e com aquela mesma roupa preta que eu vi quando estavam me seguindo.
- oi?- tentei ver se eu conhecia, mais não, nunca tinha visto na vida
- desculpa bater na tua porta a essa hora, é que o caminho foi longo então cheguei tarde
- alguém daqui está te esperando?
- não, não... só queria mesmo falar com você, Kauê né?
- sim e você
- Raíssa- sorriu delicadamente
-posso ajudar? –disse saindo e fechando a porta
- só você pode.. primeiro de tudo queria pedir desculpa por te seguir, mas eu precisava muito falar contigo
- véi, se ta me deixando preocupado, fala ai gata, qual a treta
- eu acompanho todos os jogos do time que você joga, e eu desde a primeira vez que vi me apaixonei pelo Miguel, o Paraguai
- isso é serio ou tu ta zuando com a minha cara?
- sério, eu queria muito falar com ele mas morro de vergonha
- relaxa véi, Paraguai é todo doido, vou chamar ele aqui
- não, por favor! – ela me segurou pelo braço
Nem precisei chamar ninguém, Paraguai tava ouvindo tudo, eu apresentei os dois ali e fui dormir que eu ganhava mais do que ficar segurando vela pros pombinhos.. Cai na cama e empacotei.
Era melhor eu pegar o rumo e ir embora, Alicia naquelas horas já estava toda descabelada e imaginando o pior.. Ela é assim, se preocupa demais comigo, ás vezes até é bom, mas tem horas que cansa.. Fui caminhando pra casa, não era muito longe dali, apesar de a cidade estar sem movimento, porque tava tendo uma festa grande fora da região, eu sentia a presença de alguém, parecia estar me seguindo. Acelerei o passo até chegar em um ponto de táxi, aquela pessoa usava uma jaqueta com um capuz bem grande, capaz de cobrir o rosto todo. Chamei o taxista e fui de carro embora, mais seguro.
Cheguei lá e adivinha? 7 chamadas perdidas.. Alicia queria minha pele.. Me deitei no sofá e liguei pra ela.
- Kaue você quer me matar do coração? Eu quase tive um treco aqui, não sabi- interrompida
- Calma Alicia.. calma, respira – ri
- para bobo,é sério.. porque tu não me avisa aonde ta?
- eu dormi a tarde toda e fui comer alguma coisa no centro e esqueci aqui o celular
- mas fiquei preocupada
- eu fui seguido, seilá.. alguém muito sinistro tava vindo atrás de mim, acelerei o passo e vim de táxi embora
- tu tem que se cuidar ai mocinho, não posso cuidar de você
- ta certa mocinha, vou tomar um banho, depois te ligo ta?
- ta bom, beijo amor
- beijo te amo
- também te amo
Continuei ali deitado, tava com mó preguiça.. Mas o meu sossego acabou logo
- véi fica esperto no que vou fazer – disse o Miguel invadindo a sala
- tenho até medo
- olha o que comprei
Ele me mostrou uma tinta de cabelo, nunca ri tanto na minha vida, o muleque queria ficar loiro mesmo.
- axo que assim as gata vão me querer mais fácil – passou a mão no cabelo todo se gabando
- para véi, por favor – disse rindo e colocando a mão na barriga – tu é uma comédia Paraguai, não esperava isso de ti
- cara vtnc, tu nem pra me apresentar umas mina, não seria necessário isso
- então deixa essa tinta de lado e vamo pra balada hoje, tu vai ver quem é o pai aqui tigrão
- fechou maluco, fala com o Macedo ver se ele libera a gente
- sou eu tigrão, é claro que ele libera
Falei aquilo na maior tranquilidade, mas seria um perrengue, o Macedo é aqueles técnico e treinador que fazem de tudo pra proteger, e perto de jogo então.. Vishhh, seria complicado, mas eu precisava salvar a imagem do Miguel, no que esse muleque tava virando? Rsrs