" EL PASADO SANGRIENTO DE LADY NAGANT" - BOKU NO HERO ACADEMIA 6° - CAPI...
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" EL PASADO SANGRIENTO DE LADY NAGANT" - BOKU NO HERO ACADEMIA 6° - CAPI...
#juliocortazar #endlessly #forevermissing #literature #capitulo21
Capítulo vinte e um
Uma semana depois, Dominic recebeu alta e nós fomos pra casa. Nossa nova casinha estava devidamente arrumada, completamente reformada com o nosso jeitinho pronta pra receber os mandas chuvas – Désirée, Dominic e Afrodite. Um mês havia se passado, as coisas estavam indo super bem. Eu tinha mandado fazer um Home Office grande, pratico e bem confortável para que não precisasse ficar saindo de casa pra trabalhar, o que facilitou muito minha vida, Dom e Dê começaram a frequentar uma escolinha de meio período. Já estava na hora deles interagirem com outras crianças e começar a desenvolver mais ainda suas habilidades e inteligência, por isso eles iam as 07h30min pra escola e voltava as 12h. Otávio, para quem estiver curiosa, está hospedado aqui em casa. Acabei descobrindo que ele não só veio pra NY me apoiar com tudo que aconteceu com Dom, mas também pra ampliar seus investimentos, sendo assim, Tavinho virou dono de uma casa noturna, dois restaurantes e um mini shopping.
Capítulo 21
-E agora, o que a gente faz? – Pepe perguntou, recuperando o fôlego enquanto o trem se afastava. -Ué, a gente vai pra casa da Ade. – Sick Boy apontou pra uma direção, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu não sabia o que tinha acontecido, e eu acho que nem queria saber. Brigamos um pouco até decidirmos que íamos mesmo pra casa da tal da Ade, mas acabamos indo. Fomos até a beira da estrada e começamos a andar até chegarmos em um lugar onde tinha um taxi. -Tu sabe que a gente não precisa ir pra casa dela, né? A gente pode ficar numa pousada, cara. – Marco falou antes de fechar a porta do taxi atrás dele. -Qué isso, Marquito! Eu que fiz a merda e você que ta se doendo? Para com isso, a gente não precisa gastar dinheiro à toa. – Sick Boy, que tava sentado no banco da frente, virou pra tras do com os olhos arregalados. – A gente vai pra Ade. – Virou pra frente de novo e falou em italiano com o cara que tava dirigindo. Bom, pelo que eu tinha entendido ficaríamos no carro por pelo menos uma hora, já que a tal da Ade morava no meio do mato, e tínhamos que pegar uma avenida, A26, que daria quase no fim de Genova, e era lá mesmo que estávamos indo. -É, a gente tá mesmo indo pro fim do mundo. – Pepe reclamou, se encolhendo do meu lado. Cinco pessoas eram pessoas pra caralho, e o menino tava todo quebrado. Coitado. -Po, Pepe, dorme aí que daqui a pouco a gente chega, meu. – Sick Boy falou, inclinando o banco pra trás e se ajeitando pra fazer a mesma coisa. -É, né, não é tu que ta com o braço e a costela quebrada, né, cara... – Falou, mas fechou os olhos, tentando seguir o conselho. Logo os dois estavam dormindo, e Marco ainda olhava pra fora da janela, do meu outro lado, e eu olhando pra frente, já que estava no meio. Acho que ninguém vai ficar normal com ninguém depois dessa porra toda. -Ahn... O que aconteceu com essa tal de Ade? – Perguntei em inglês, pro motorista não ouvir, se fosse uma coisa muito pesada, como o resto da vida do Sick Boy inteira. -Oi? – Marco saiu do transe, e olhou pra mim. -Essa Ade... O que aconteceu entre ela e o Sick? -Acho que a mesma coisa que sempre acontece: ele falou que gostava dela, e depois saiu fora... Sei lá, cara... É o Sick Boy, não da pra ter certeza... Só sei que menina odeia ele. Ela expulsou ele da casa dela à tiros. Eu lembro que ele entrou em choque... Mas ele nunca me disse exatamente o que aconteceu. -Pode crer. – Foi só o que eu consegui dizer. O Sick Boy tinha mesmo algum problema em se abrir com as pessoas. É como se o cara fosse um fantasma do presente, que vive entre nós só nesse momento, o que ele era antes é só um borrão esquisito, tudo que se sabe é lenda, só ele viveu aquilo. Dava pra entender porque o cara conhecia tanta gente e era tão respeitado, apesar de ser um puta babaca, às vezes. Depois de muito tempo naquele carro, o motorista parou e acordou Sick Boy, que tava roncando, já. Quando saímos do carro, eu não conseguia sentir minha perna. Todo o meu corpo doía, e eu achava que stress não era nada, pff. Bem que eu queria voltar praquela época que eu não fazia nada, e só me preocupava com qualquer merda que tava acontecendo... Agora eu preciso me preocupar se eu vou conseguir ficar vivo. Que bizarro. -Tu que vai bater na porta. – Marco disse pra Sick Boy. – Se ela tirar uma arma do bolso, tu que morre primeiro. – Disse rindo, e Sick Boy fez uma cara de bosta pra ele, mas foi até a porta assim mesmo. Pepe estava comigo, eu o apoiava nos meus ombros, e Marco estava com a maleta. Dois toques e a menina abriu a porta. Uma menina branquinha, de cabelos meio castanhos, meio loiros, os olhos escuros e a bochecha rosada, de vestido azul com flores, e um pano no ombro direito, apareceu na porta, e não demorou muito pra dizer alguma coisa. -Ma che cazzo stai facendo qui? – Disse, fechando a cara para Sick Boy. -Oi Ade... Precisamos de um lugar pra ficar por alguns dias... – Ela olhou para Sick Boy, desconfiada. -Por que eu te deixaria ficar aqui, em primeiro lugar? – Ela perguntou, cruzando os braços na frente dele. -Porra, Ade, a gente não pode conversar sobre isso depois? O menino ta com o corpo todo quebrado, e eu sei que tu pode ajudar ele. – Ele falou, jogando o corpo pro lado, apontando pro Pepe. Ela ficou quieta sem dizer nada, por bastante tempo, até falar, com Pepe. -O que aconteceu? -Erh... – Pepe começou a gemer do meu lado. -A gente se meteu nuns problemas, e os caras acabaram descontando nele... – Sick Boy falou, antes que Pepe pudesse se quer pensar em responder. -Tá. – Ela falou dando passagem pra Sick boy, mas segurando o braço dele, quando ele passou por perto. – Mas isso não é pra você. É pra ele. – Ela apontou com a cabeça pro Pepe. Sick Boy assentiu com a cabeça e entrou dentro da casa dela. Marco entrou, e logo depois entrei com Pepe. A casa dela era decorada num tom rosa/salmão, sei lá, cheio de mini flores por todo canto. Art nouveau. Todo arrumadinho. A sala era na frente, e depois tinha um corredor que levava pros outros quartos, era uma casa terra, e bem grande. -Se tu quiser tomar um banho, pode ir ali, viu? – Ela falou pra Pepe quando passamos por ela. Ela pareceu bem amável, nada daquela maluca que tava falando com o Sick Boy, até a voz dela tinha mudado. Pepe disse que ia tomar um banho e eu fui direto pra sala, sentar no sofá... Acho que a primeira coisa macia de verdade que eu já tinha sentado, desde que saí da França... Fechei os olhos e acho que consegui dormir por pelo menos quinze minutos até Marco falar um pouco mais alto. -E agora, o que a gente vai fazer, seu imbecil? – Perguntou pro Sick Boy que tava perto da janela fumando um cigarro. -Pra ser sincero, eu não sei o que fazer... Só sei que não podemos ficar aqui, nem na França, a gente tem que ir prum lugar mais afastado. -Caralho, como que a gente vai fazer isso? -Eu tava pensando em pegar um barco pra Islândia e ficar lá até pensarmos em algo melhor... – Ele falou tragando o cigarro. -Nossa, Sick Boy. Tu percebeu o que tu fez? – Marco disse, levantando do sofá. – Tu acabou com a nossa vida. – Ele apontou pra mim e pro próprio peito. – Tu vai fazer a gente viver correndo daqueles playboyzinhos, nossa vida vai virar o inferno. Tu sabe que eles conhecem um pessoal muito pesado, Sick. – Ele baixou o tom de voz, mas eu já tinha sentado no sofá pra ouvir o que eles tinham pra dizer. -Claro que não. Eu fiz a merda, eles tão putos comigo, eles não acham que vocês tavam esperando que eu fizesse aquilo. Vocês me xingaram pra caralho. -Lógico que não, Sick Boy, tu é trouxa? Eles vão pegar todo mundo que tava junto no complô, tu acha que eles já não sabem que a gente ta aqui, depois daquela confusão no trem? Sick Boy olhou pra baixo, sem saber muito o que pensar. -Cês podiam me explicar o que ta acontecendo, já que vocês tão na minha casa. – Ade apareceu, colocando um prato com pão, manteiga e geleia de uva na mezinha de centro. O dia estava amanhecendo, então a janela era invadida por uns raios laranjas de sol, e iluminava a sala toda, as luzes da casa estavam apagadas. Tava bonito pra caralho. -Basicamente o Sick Boy não cumpriu um trato que ele tinha que cumprir com um pessoal perigoso demais, até pra ele. – Marco explicou e Ade sentou no sofá, do meu lado. -Eu sei que ele trafica, Marco. Eu vendo cogumelo, esqueceu?! Eu não preciso que você fale em código comigo. Até parece que você nunca falou comigo... – Ela falou, com aquela voz fininha dela, mas em tom ríspido, o que a fazia ficar muito bonita. -Ahn... Nesse caso... é... – Marco gaguejou e Sick Boy falou por ele. -Naspolini. – Sick Boy falou em voz alta. A menina levou a mão a boca, como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. -Meu deus. Eu sempre te disse que você ia se meter num problema, e ia ser a gota d’agua. -Tu não precisa mais cuidar da minha vida, tu sabe? – Ele falou, olhando pra ela sem piscar, e ela olhou pra baixo. -Naspolini é demais pra vocês, e mais ainda pra mim. Eu não quero nenhum tipo de problema com eles. Vou levar vocês pra Suíça de madrugada e vocês se virem, de lá, e nunca mais apareçam aqui. Entendeu? – Ela agora olhava pra todos nós. Sick Boy assentiu com a cabeça, e saiu da casa, assim que ela terminou de falar. Decidi ir pra fora, também, tomar um ar é sempre bom. Peguei meu cigarro e coloquei na boca, enquanto saia da casa pra me dar de cara com um jardim cheio de flores, e umas mais altas, onde tinham umas estátuas de leão, e um pequeno jardim de pedras, onde cresciam os cogumelos, perto de uma das arvores. A terra era bem escura, parecia que a gente tava dentro da floresta da Branca de Neve, eu sei lá. Ou que a qualquer momento o lobo mal ia aparecer naquele lugar e ia acontecer alguma coisa muito terrível. -Tu ta bem, Sick? – Perguntei pra ele, em voz baixa, acendendo meu cigarro. -Tô. – Ele jogou uma pedra que segurava, longe, pro meio do mato. -Quer me contar o que aconteceu? – Perguntei tragando. – Eu to meio perdido aqui... -Naspolini é uma parte da “máfia”... É uma família poderosa que controla as drogas na parte norte da Itália. Nosso mercado era pacífico até eles aparecerem. Eles acabaram com todo o mercado que se recusou a fazer negócio com eles. E no caso, quem tentava fazer o negócio era esse grupinho de meninos que a gente fugiu. – Ele falou, olhando pro sol, que tava bem no horizonte. -E vocês se recusaram a fazer parte do mercado deles? – Perguntei, só pra ter certeza de onde eu tava. -Não exatamente... Esse era o teste pra ver se a gente era “leal” o bastante... – Ele olhou pra mim, fechando um dos olhos, por causa do sol. – É mó complicado esse negócio, tu não precisa te preocupar. -Lógico que preciso, Sick Boy. Agora eu já faço parte disso. – Olhei pra ele, também. -Tudo bem, mas tu vai aprendendo com o tempo, eu acho que ta tudo bem, por enquanto, eles não são tão inteligentes quanto parecem. -Mas uma hora ou outra vão aparecer de novo. – Ele sorriu, sem graça. -Ou então eu paro eles. – Ele jogou, olhando pra frente, outra vez. -Tipo o que, Sick Boy...? – Falei, preocupado, já pensando em alguma coisa pra impedir ele de fazer qualquer merda que ele tinha em mente. -Nada, só uma ideia estúpida. – Ele andou mais pra frente, tirando um beck do bolso e acendendo, em quanto encostava em uma das estátuas do quintal. -Ainda bem que tu sabe. – Falei de onde eu estava. -Mas todos os nossos problemas iam acabar. – Ele olhou pra mim e ofereceu o beck. -Não seja burro. Eu sei que tu não é. – Peguei o beck e traguei. Ele pensou um pouco, e assentiu. Ficamos um tempo em silêncio. A casa toda tava em silêncio. Aposto que os dois já estão dormindo lá dentro, pra variar. Não os culpo. Se não tivesse tão ocupado tentando entender o que tinha acontecido, não conseguiria descansar o bastante. Já estávamos sentados no chão, quando Sick Boy trouxe à tona o assunto que eu já tinha esquecido. -To começando a achar que foi mesmo uma péssima ideia vir pra cá... – Ele falou, abraçando os joelhos. -Por quê? –Eu tava de pernas cruzadas e deitado na grama. -Porque sim, porque essa menina já é louca o suficiente sem motivo, com motivo então é que ele me mata mesmo. -Sem motivo? Hahahaahha tenho certeza que ela tem algum bom motivo pra ela te odiar tanto. -Pior que não tem, velho, to te falando! HAHAHAHA. – Ele riu a risada maníaca e chutou minha coxa com um dos pés. – Quer saber o que aconteceu? – Ele ainda estava rindo. -Lógico! – Virei minha cabeça em direção à ele, e esperei a explicação, tentando conter meu riso. -Acontece que eu namorava com ela, e a gente era o casal junkie do grupo, ta ligado? Ela plantava cogumelo, eu era novo, queria saber, experimentar qualquer coisa, e ela foi quem quis fazer tudo isso comigo. Eu gostava dela pra caralho. – Ele sorriu, enquanto contava. – Mas ela era louca de mais, ciumenta compulsiva, se não tinha droga, ela não ficava bem. Chorava por tudo que é canto, serio. Um dia eu tava na cozinha, tomando água, eu acho, sei lá, e ela tinha acabado de tomar um chá. Não sei o que aconteceu, eu deixei o copo cair no chão, e quebrou tudo! – Ele começou a rir. – Na hora que o copo quebrou, o cachorro dela veio correndo ver o que tinha acontecido, e eu, peguei ele no colo pra não deixar ele se machucar. Aí eu comecei a pegar os vidros do chão. – Ele respirou fundo. – Aí ela apareceu, quando eu tava pegando o primeiro caco, e começou a gritar... Pfff HAHAHAHAHAHAHAA – Ele não conseguia parar de rir, mas respirou fundo e fez uma voz de mulherzinha – “VOCÊ TA LOUCO? VAI MATAR MEU CACHORRO NA MINHA FRENTE? QUAL O SEU PROBLEMA?!” Falou um monte – E ria. –... Mas um monte de merda pra mim. – Ele limpou os olhos que escorriam de tanto chorar de rir. – E não me deixou explicar porra nenhuma. Aí ela pegou uma arma e me atirou pra fora de casa. Eu fui pra casa de um amigo, não sou louco de ficar aqui... – Ele jogou a mão pra traz. – Só que no dia seguinte ela não lembrava disso... Hahahaha Ela achou que eu não queria mais ficar com ela, e tinha abandonado ela do nada, sei lá porque motivo, e acabou brigando comigo do mesmo jeito, porque ela “não achou justo”. – Ele deitou no chão, do meu lado, se contorcendo de tanto rir. -Que horror! – Foi a primeira coisa que veio na minha mente. E todo aquele papo do Marco? Será que ele não sabia que isso tinha acontecido?! – E tu não falou com ela, pra explicar, cara? – Eu também ria, mas achei estranho. -Eu não, tu acha? A menina já tava sequelada e eu não queria continuar aquela vida pra sempre. Eu queria ver o mundo. Uma coisa pra mim é pouco, preciso de mais bagagem no coração, francês. Olhei pra ele, fazia sentido. Ele era do mundo, era livre; ele nunca ia parar porque ele gostava do movimento, do incerto. Assenti com a cabeça. Sabia que ele tinha entendido que eu não o julgava, fazia sentido. As vezes penso em fazer a mesma coisa, mas talvez eu não seja tão corajoso quanto ele, ainda.
Durante o dia não fizemos nada demais, estávamos só de passagem, a Ade não falava com a gente, e a gente não falava com ela. Não era o clima mais confortável, se é que me entendem. Uma vez ou outra alguém ia na cozinha e pegava alguma coisa pra comer, mas só isso. Durante a tarde a Ade foi trabalhar, acho que ela era farmacêutica. Ela disse que quando voltasse ia trazer algumas coisas pra ajudar Pepe a se recuperar. Estávamos assistindo TV quando a notícia passou no jornal, vimos a noticia de que um homem havia sido encontrado na beira do trem, durante a noite, morto à tiros. Nos entreolhamos, sem dizer nada. A reportagem ainda dizia que os documentos da vítima não foram encontrados, nem nenhuma pista do que haverá acontecido lá, mas que a polícia iria continuar as investigações. Claramente não sabem sobre a Máfia. -Viu? Menos a polícia pra gente se preocupar. – Sick Boy sorriu pra gente enquanto batia com o controle da TV na perna. -A polícia era o menor dos problemas, Sick. – Marco falou. – Ainda bem que eles não querem ir pra cadeia o tanto quanto nós, mas quando eles nos encontrarem, não vão se preocupar se a gente morrer. -Isso é verdade. – Comentou Pepe, em voz baixa. -Mas até eles encontrarem a gente, já vamos estar longe. -Tomara, né. Um pouco depois, Ade chegou em casa, e trouxe com ela vários kits de gase, e um monte de coisa, esparadrapo e fitas de engessar, lá. Ela pediu pra ele tirar a camisa e aí sim vimos o quanto ele estava machucado. Os braços estavam cortados e roxos, como se tivessem o batido com algum cinto, ou coisa parecida. O peito, costelas e a barriga roxos e vermelhos, principalmente a costela que estava quebrada. Ela começou pelos cortes no rosto, que se resolviam facilmente com esparadrapos e foi descendo. Já não aguentava ficar naquele lugar. Logo iriamos entrar no carro e nos mandar desse lugar, eu queria fazer pelo menos alguma coisa legal pra esquecer que esse clima chato ta acontecendo. Beber alguma coisa, talvez. Mas a gente não podia fazer isso enquanto não chegássemos na Suíça, eu acho. Fui lá pra fora e acendi um cigarro, esperando a hora de irmos embora. Eu gosto pra caralho de fumar. É como se fosse uma companhia pra quando a gente ta sozinho. O cigarro não fala, não reclama, só fica lá e ajuda a gente a passar pelo momento sem pensar em muita coisa. Ele só... fica lá, junto com a gente. Eu já tava brisando numas coisas muito profundas; meu quarto cigarro, provavelmente, tentando afastar a ideia de perigo que a gente tava enfrentando, quando o Sick chegou do meu lado, junto com Marcos. -E aí, francês, tu ta preparado pra passar 4h30 dentro de um carro? – Ele me deu uma cotovela. -Qualquer melhor vai ser melhor do que aqui, se tu quer saber. Marco riu e concordou com a cabeça. -Pelo menos lá nós vamos poder relaxar um pouco, até pensar em alguma coisa mais consistente. – Sick Boy falou, concordando, também. -Pelo menos tomar algum porre já vai tar de bom tamanho. – Disse Marco, suspirando. -Não esquece que foi com um porre que a gente acabou aqui, hein. – Sick Boy riu, nos fazendo rir, também. -Babaca. – Marco falou, antes de Ade vir até nós. -Vamos, entrem no carro, já ta na hora. Deviam ser 01h20 da manhã quando ela falou isso e nós nos apressamos em entrar no carro, na mesma posição que no taxi: Pepe, eu e Marco, e Sick Boy na frente, com Ade.
O começo da viagem foi a coisa mais tensa que eu já enfrentei. Todo mundo acordado, sem falar nada. Nem o radio estava ligado. Eu queria pegar meu walkman, mas estava tão apertado que eu nunca ia conseguir fazer isso. -Tu sabe que eu me preocupo contigo, Sick. – Ade começou a falar baixo, provavelmente pra nenhum de nós ouvir, mas tava tudo tão quieto que dava pra ouvir, claramente. – Tu tem que parar de fazer merda, Sick. A gente acabou mal, mas eu ainda sinto muito. – Ela disse sem tirar os olhos da estrada, e num tom sem emoção alguma. Sick Boy olhou pra ela, sem entender direito e depois olhou pra mim, provavelmente me perguntando se eu tinha entendido alguma coisa, eu respondi que não com o olhar, e a gente teve problemas em segurar o riso. Depois disso a viagem foi ainda mais estranha, e pareceu uma eternidade até a hora de chegarmos na fronteira da Suíça. -Agora cês vão descer aqui, e eu não quero mais ouvir falar de vocês, ok? – Ade disse enquanto se despedia da gente, saindo do carro. Saímos do carro e ela nos cumprimentou e esperou até que sumíssemos de vista, até arrancar com o carro. -Foi mais fácil do que eu pensei que seria. – Marco comentou em voz alta. Agora Pepe já conseguia andar mais de boa, com tudo devidamente enfaixado no lugar certo. -Vamos nos hospedar numa pousada, ou qualquer coisa assim, pelo menos até amanhecer o dia. Todos concordamos e seguindo a estrada principal caímos numa casa de madeira, onde um cara com barba rala estava sentado na mesa de recepção, arrumando alguns papeis, só a luz da sala dele estava acesa. Era uma casa de dois andares, provavelmente uma pensão. Entramos. -God natt. – Mas é logico que Sick Boy falava sueco, também. O cara do balcão respondeu com um aceno de cabeça – Precisamos de um lugar pra ficar durante a noite, o senhor teria algum lugar aqui? O cara pegou um livro e assentiu, colocando um óculos no rosto. -Temos dois quartos disponíveis no último andar. – Ele olhou por cima dos óculos, nos analisando. – Um com duas camas de solteiro, e um com duas de casal. Podemos ajeitar 20 francos por noite. – Ele colocou de novo o óculos e olhou para Sick. Sick Boy colocou a maleta no chão e enfiou a mão no bolso. Olhou o dinheiro que tinha e voltou a falar com o cara. -Só temos euro, o senhor aceita? Amanha posso tentar trocar em algum lugar. O cara pensou um pouco, e logo respondeu. -Okay... A gente pode fazer 40 euros essa noite e o resto vocês me pagam em francos. Sick Boy concordou e o cara pediu o documento do responsável pelo aluguel do quarto. Decidimos pegar o quarto com duas camas de casal e dormirmos juntos, não tínhamos tanto dinheiro assim, e precisávamos salvar, até conseguirmos mais. -Francês, tu pode assinar pra gente? – Ele me olhou, falando baixo enquanto Marco pegava as chaves do quarto. – Tu sabe, os caras não te conhecem... - Meio sem graça eu assenti com a cabeça e fui lá assinar meu nome. Luc Delcourt e minha assinatura do lado, junto com minha data de nascimento e etc. Pegamos as chaves e fomos pro quarto. -Aí, cês tão afim de sair? – Sick Boy perguntou, quando fechamos a porta do quarto. Marco tinha acabado de entrar no banheiro, mas respondeu de lá mesmo. -Pelo amor de Deus! – Sick sorriu e eu concordei com a cabeça. Precisava pelo menos tomar alguma coisa que comprar outro maço de cigarros. Olhamos para Pepe. -Acho que eu vou ficar aqui, prefiro dormir... Sem contar que alguém precisa ficar aqui pra proteger essa maleta. – Ele falou já puxando as cobertas da cama e abrindo as calças. -Tudo bem. – Sick balançou a cabeça. – Voltamos antes do sol nascer, eu prometo. – E riu. Marco saiu do banheiro e descemos as escadas, parando na recepção, outra vez. -Com licença... O senhor sabe onde tem algum bar aberto, agora? – Sick Boy perguntou como se fosse a coisa mais normal do mundo. O cara coçou a barba. -Um pouco mais pra frente, perto da cidade, pode ser que eles ainda estejam abertos, o Ost Och Vin, mais provavelmente. -Tack. – Sick Boy agradeceu quando saíamos pela mesma porta que entramos. -Onde estamos, afinal? – Perguntei enquanto seguíamos pela estrada, toda escura, mas com o frescor das florestas e algum cheiro de água salgada. Perto do mar, provavelmente. -Tissen, tenho quase certeza. – Respondeu Sick Boy, olhando em volta. Ele provavelmente já viera pra cá. -Pena que não vamos poder aproveitar... – Falei em voz baixa, chutando uma pedrinha, eles concordaram em silêncio. Era horrível saber que estávamos passando por lugares tão bonitos, principalmente pra mim, que nunca saí da França na vida, e tínhamos que correr, não podíamos parar e analisar tudo. Ainda mais aqui que era tão perto da natureza. Nos meus melhores sonhos eu acamparia aqui por um tempo e estudaria a área, veria se posso aprender mais alguma coisa por aqui... Mas claro que esses planos vão ter de ser adiados. Puta que pariu. Depois de uma meia hora andando chegamos à um lugarzinho, algumas mesas do lado de fora estavam ocupadas por gente fumando e comendo um queijo enquanto tomavam vinho, ou qualquer coisa do tipo. Entramos lá dentro. Era tudo dourado e em tons escuros, parecia um lugar mais rustico do que chique, apesar das pessoas que estavam lá dentro dizerem outra coisa. Tava todo mundo bem arrumado e parecia ter dinheiro. Estavam bem mais arrumados do que nós, pelo menos, e do que eu jamais me arrumei em toda minha vida, eu acho. Fiquei com vergonha de entrar lá, já queria desistir, mas... Quem se importa de tomar uma ou duas doses de conhaque suíço, não é? Que se foda. Chegamos no balcão e a mocinha loira que estava limpando alguns copos sorriu pra gente. -Conhaque. – Sussurrei para Sick que pediu três, sem gelo. Brindamos e começamos a tomar algumas, que se tornaram 5 de repente. Estávamos rindo de qualquer história idiota do Sick, quando olhei pro lado e meu corpo travou. A risada nem saiu mais da minha boca. -O que foi, Francês, tu ta bem? – Sick Boy perguntou, acompanhando meu olhar até a menina sentada numa das mesas de fora, fumando um cigarro, sozinha num canto. – Eita, não é aquela sua guriazinha? Marco acompanhou o olhar e balançou a cabeça positivamente. -Chama ela aí. – Comentou. -E-e-eu não... Ela sumiu da última vez que eu fui procurar ela. Não deve tar afim de ser encontrada. -Qualé, a menina te deu uma cesta de recém-casados, Luc, tu precisa pelo menos dar um beijo nela. – Sick Boy me empurrou pra fora da cadeira alta que eu estava sentado. – Vai lá falar com ela. – Ele tava todo bêbado e quase caiu da cadeira, junto comigo. -Como que é essa história, aí? – Marco perguntou e eu não queria ter de explicar. Me virei no balcão e vi se a mocinha tinha algum cigarro pra me arranjar. -Tu vende cigarro? – A moça me olhou, quando eu falei em francês e me respondeu no mais perfeito que tinha ouvido até agora nessa cidade. -Claro. – Ela deu um sorrisinho bonitinho e me entregou um maço qualquer. Menos 12 euros na nossa conta. Puta merda. Fui até lá fora e acendi um cigarro, de pé do outro lado de onde Lua estava. Ela estava com um vestido preto com babados, o cabelo preso enrolado, curtinho, meio caindo para fora. Os olhos bem acesos na luz que refletia de dentro do bar. Parecia uma das modelos que Tissot provavelmente escolheria para pintar – claro que sem todas aquelas roupas quentes e todo aquele requinte, mas o físico e a delicadeza dela por inteiro. Enfiei minha mão no bolso enquanto segurava meu cigarro com a boca e peguei um lápis, abri meu caderno que estava no outro bolso e comecei a rabiscar. Os olhos claros da moça era a parte mais difícil do desenho, já que eu não sabia, de verdade, no que ela estava pensando... Guardei o caderno e voltei a olhá-la, bebericando do meu conhaque. -Noitche boníta, né? – Eu disse em português, pra chamar atenção da menina. Ela olhou pra mim na hora e abriu um sorriso. O mais sincero que eu tinha visto há tempos. -Luc. – Ela fechou os olhos e me chamou para sentar perto dela. – O que faz aqui? – Ela apagou o cigarro, bebendo da taça comprida alguma coisa transparece, com uma azeitona dentro. Algo bem fresco, mesmo. -Sabe como a vida dá voltas e do nada tu aparece num lugar que tu nunca imaginava que viria? – Ela concordou com a cabeça. -Parece que somos dois, então. -Tu ainda ta fazendo as fotos? – Ela olhou para baixo, o olhar mudou, provavelmente um olhar triste. -Sim... Estamos indo pra algum lugar no norte. A poética do meu fotografo tem haver com captar regiões geladas. – Ela sorriu, mexendo a bebida com o dedo. -Olha só... – sorri. Não sabia o que dizer. Parecia que o desconforto de toda a viagem tinha se instalado de novo. – Tu recebeu minha mensagem? – Perguntei mexendo nos meus dedos. -Recebi. – Ela sorriu, olhando para baixo. – Mas eu não tive tempo de responder, meu produtor quis sair correndo... Tu sabe como é. Balancei a cabeça. Se ela quisesse iria vir falar comigo, então. -Não aguento mais essa vida. To pensando em largar tudo e ir pro chile, fazer uma viagem, sozinha. – Ela riu. Provavelmente já estava meio alterada. – Tu deve achar que eu sou louca, mas eu não curto muito essa coisa de ficar viajando pra lugar caro, ficar em hotel caro, com mil pessoas na minha cola... É... sufocante, sabe? – Ela comentou. -Oh se sei... – Pensei no meu próprio drama. Não sei se tava a fim de falar sobre isso. -Então... Nunca quis isso pra minha vida. – Ela girou o copo nas mãos. -E aíiiiiiii gatinha! – Sick Boy chegou falando meio alto e deu um beijo na bochecha da moça que riu e ficou vermelha. -Meu Deus, Sick Boy! – Ela falou, puxando a cadeira pra ele sentar. – Tu já ta bem louco, né? -Ih, criança, eu preciso de muita coisa pra ficar louco. – Ele sorriu pra ela. – Sem contar que nem faz tanto tempo que a gente ta aqui, acabamos de chegar. -Serio? Eu não vi vocês entrando! – Ela acendeu outro cigarro. -Ah, uma hora você ia ver, somos os menos arrumados daqui. – Ele olhou pras nossas roupas, e ela riu, batendo a mão devagar na mesa. -Que se foda! – Ela ainda ria. Ficamos conversando sobre qualquer merda, até Marco entrou na conversa depois de um tempo. -Lola. Let’s go back to the Hotel. We’re supposed to wake up early. – Um cara loiro barbudo com muito gel no cabelo se aproximou e só se dirigiu à ela. Malditos ingleses que acham que são educados, mas são uns babacas engomadinhos. -Okay, Pete. I’ll be there in a minute. – Ela respondeu, curta e grossa, sem nem sequer olhar pro cara. -I’ll get the car. You have 5 minutes. – O cara falou e entrou, outra vez. -Ta vendo o que eu tava te falando, Luc? – Ela rolou os olhos. – Não aguento mais essa coisa de cumprir horários... – Ela suspirou e se levantou. Se despediu da gente e entrou, para pegar o casaco. Fiquei a observando enquanto ela ia até o balcão falar com o cara, que a segurou pela cintura e deu um beijo no rosto dela, enquanto ela dava um sorriso meio amarelo. -Parece que tua garota é compromissada, Francês. – Sick Boy riu, totalmente sem noção. Olhei pra baixo, tentando não pensar mais sobre o assunto. Acendi outro cigarro e ela voltou à nossa mesa, deu um beijo no rosto de cada um dos caras e eu me levantei para cumprimenta-la. Ela abraçou o meu pescoço e me deu um beijo na bochecha, mais longo do que eu esperava. -Se tu quiser, meu hotel é esse... Dessa vez a gente vai poder conversar melhor. – Ela sorriu pra mim, falando em voz baixa e me entregou um papel escrito numa letra cursiva impecável Sunstar Zermatt. Sorri de volta e nos despedimos. O cara veio junto dela e a conduziu pela cintura até o carro, quando ela entrou, ainda acenando para nós. Fiquei olhando-a até o carro sumir no breu.
Capítulo 21.
Depois de almoçarmos eu e Luan fomos dar uma volta pela chácara, sentamos debaixo de uma árvore que nos proporcionava uma sombra com uma brisa maravilhosa. Ali ficamos trocando carícias e falando bobeiras, já que era nosso forte. Sentei no meio de suas pernas, apoiando meu tronco em seu peito. Depois de ficar um bom tempo escutando as batidas do seu coração. Resolvi criar coragem e quebrar o silêncio. Então virei-me pra ele, e olhei bem no fundo de seus olhos. — Sabe... Você se tornou a pessoa mais importante e especial da minha vida. Você é aquele que sempre está lá do meu lado em todos os momentos, seja bons ou ruins. Você sempre está junto a mim, sempre me fazendo sorrir, sempre me fazendo feliz. Você é aquele que me traz paz, alegria, proteção, e acima de tudo, amor. E sei que posso contar contigo pra tudo. Talvez pra você seja clichê demais, cedo demais pra me ouvir dizer essas coisas. Mas eu preciso dizer e preciso que me escute. Eu não aguento mais guardar tudo isso só pra mim, pra mim não é cedo, pra mim já passou da hora de te deixar ciente de tudo que tá guardadinho aqui. – pousei a mão no coração - Hoje eu vejo que eu sempre amei você, só não soube entender meus sentimentos, pois eu tinha alguém na minha vida que me fazia bem, não tão bem quanto você, mas fazia. E você também tinha outra pessoa em sua vida. E só agora que enxerguei que além de você ser o meu grande amigo você também é o grande amor da minha vida. Hoje posso dizer com toda a certeza do mundo que eu já não sei mais viver sem ter você, que bastam uns dias sem te ver pra eu já não saber o que fazer com os próximos. Que simplesmente nada faz sentido na minha vida sem você. Hoje sei que eu preciso de você pra sempre na minha vida, mas não só como meu melhor amigo. Eu sei que em menos de um mês eu estou indo embora pra onde eu não vou poder correr pros seus braços quando tudo começar a dar errado ou simplesmente quando a saudade apertar, mas eu precisava dizer o quanto te amo. E até acho que demorei demais pra falar, mas se isso só esta acontecendo agora é porque talvez era pra ser assim. Eu não sei o que vai ser da gente agora, talvez esteja me iludindo achando que podemos ter alguma coisa, sei lá. Mas se você sentir pelo menos um terço do que eu estou sentindo, queria te pedir pra que me espere. Sei que não vou ficar pouco tempo e que o tempo não vai passar correndo, principalmente pra mim, porque longe de você as horas rastejam e sei perfeitamente que a distância vai machucar demais. Eu sei que a gente tem muito pra viver juntos, eu acredito na gente. Você deve estar entendendo o porque de estar falando tudo isso agora... – fiz uma pausa e soltei tudo de uma vez – eu decidi ir. – me permiti derramar algumas lágrimas que insistiram em cair. Mais uma vez senti um peso sair das minhas costas e me orgulhei por ser tão corajosa em expor tudo que eu sentia, já que odiava expor meus sentimentos. Ele ficou alguns segundos calado, segundos que pra mim pareciam anos. — Por você eu espero. E espero até de pé. E se for pra ficar, do seu lado eu ficarei. Por um minuto, um dia, um ano. Não me importo, de verdade. Porque você sempre está comigo quando eu preciso, quando não pessoalmente, está nos meus pensamentos. Aproveitando tudo isso, EU TE AMO. E você sabe, no fundo sabe, assim como eu sei que você também. E isso me importa, você me importa. Cada detalhe, cada pequeno detalhe seu me importa. Você é exatamente a pessoa que eu não me importaria em dividir minha vida. Não me importaria em acordar todos os dias com você toda descabelada do meu lado perguntando se eu ainda te amo. Não me importaria em ser chutado toda noite na cama por você, e nem ser acordado no meio da madrugada pra matar uma barata no banheiro. Não me importaria se estivesse com sono e você ligasse o secador de cabelo bem alto perto de mim, ficaria bem puto, mas relevaria. Não me importaria se você desbotasse todas as minhas camisetas com cloro, mentira, eu me importaria sim, mas iria de mãos dadas com você pra comprar outras. Não me importaria com suas crises, dramas e neuras. Não me importaria com muita coisa, porque estaria ocupado levantando com um sorriso todos os dias por saber que eu tenho quem amo ao meu lado. – Então ele me abraçou. E quando ele me abraçou foi como se alguma parte do meu coração se preenchesse. Naquele momento, eu me senti inteira. Eu precisava de um abraço, um abraço apertado, um abraço que me livrasse das angústias que eu estava passando. E o abraço dele foi exatamente isso. — Eu te amo! – sorri. — Eu também te amo muito. – contornou meus traços e selou nossos lábios. Sentei-me do seu lado, abraçando-o de lado e pousando minha cabeça em seu ombro. Um de seus braços passou por cima de meu ombro parando sua mão na minha cabeça brincando com meus cabelos longos. “A minha vida toda eu esperei ansioso por ela, mas nunca estive desesperado pois sabia que ia encontra-la. Já sofri na solidão, mas nunca duvidei que Deus fosse preparar o melhor pra mim. Dizem que o sol mais lindo nasce depois da pior tempestade, e assim foi seu amor, um sol que veio pra acalmar a tempestade no meu coração. Valeu a pena esperar, hoje eu tenho certeza que foi Deus quem mandou ela pra mim, um anjo como ela só pode ter vindo lá do céu. É engraçado como a felicidade está em pequenos detalhes, quando eu acordo e vejo uma mensagem de bom dia percebo que esse novo dia tem tudo pra ser lindo porque tenho ela. Quando ela chega e finalmente posso vê-la, sinto o quanto é importante pra mim ter ela do meu lado. Desses detalhes o mais importante é o seu sorriso, aquele que sai de dentro pra fora, mal posso descrevê-lo... Tão natural, tão lindo, tem a doçura de uma criança, muda até seu olhar, que começa a brilhar. Quando ela sorri sei que estou no caminho certo, pois pelo menos por um instante sei que estou trazendo alegria pra ela. Quero dedicar minha vida ao seu lindo sorriso, pois ela me fez encontrar a razão do meu. Ela despertou uma coisa tão forte que eu não consigo tirar seu nome da minha cabeça, escrevia seu nome em qualquer lugar. Me lembro que tudo começou sem querer, por um simples acaso, e veja aonde paramos, ela me amando e eu a amando, realmente eu me apaixonei por completo. Ela sempre será importante para mim, sempre me fara bem, sou fã do seu jeito, da sua beleza. Sei lá, eu não sei explicar ao certo, alias amor não ha explicação racional, por isso eu só sei sentir. Eu a amo e sei que por mais que eu diga isso nunca será o bastante, mas vou tentar mostrar isso a ela todos os dias da minha vida.”
Capítulo 21 - Call
A carne doía menos do que minha alma. Todas as vezes que conseguia sentar e sentir pedaços de ferro afundando em uma das minhas coxas parecia ser apenas uma nova parte do meu corpo.
Era ridículo pensar em esquecer alguém que ama de um dia para o outro, e ainda mais ridículo é pensar que isso é uma doença. Todos eles dizem que estou doente, que preciso me curar de todos os meus desejos carnais. Eles falam como se conseguissem ler meus pensamentos, como se fizessem parte de mim igualmente ao cilício.
Deus estava comigo em alguns momentos, me segurei em suas palavras e tomei um pensamento: "é apenas uma aprovação" que eu vou passar por ela por mais difícil que seja.
Seguir uma missa depois de tudo o que aconteceu, subir ao altar e me lembrar do que tinha feito com Mellany dias atrás, lembrar que pequei... Tão errado e também tão insano. É difícil dar a palavra e lembrar o quanto pedi para que minha Mellany não parasse de usar seus lábios.
Engoli a seco, estalei meus dedos e respirei fundo. Faltavam apenas dois minutos para a última missa do dia, a qual eu não pude dar pelas festividades para arrecadação de dinheiro para igreja. Encostei um pouco na parede do outro lado da porta lateral, minhas costas estavam em carne viva, o tecido da blusa grudava fazendo uma tortura ter que tira-la depois. O cilício estava me fazendo bambear a cada momento que alternava o peso do meu corpo em minhas pernas.
Fui banido de espelhos e de todas as coisas que me fizessem pecar. Vaidade era uma delas. Logo após de receber a penitência o Arce bispo pediu para que eu cortasse meus cabelos.
O sino tocou e o padre deu a sua bênção, alguns levantaram com presa como se estivessem lá obrigados e outros esperavam a pequena multidão sair da igreja pela porta principal. Emma me olhou de longe soltando um pequeno aceno, abaixei minha cabeça encarando meus sapatos por alguns segundos. Eles eram bem mais humanos do que aquela mulher. Ao menos me serviam para alguma coisa.
Senti mãos frias tocando meu rosto por trás, virei e encontrei os olhos azuis piedosos de minha mãe. Fazia alguns dias que eu não a vai, e muito menos queria vê-la.
- Meu - ela mesmo se interrompeu. - Filho! Deus sabe o que faz. Fico muito feliz em ver você aqui na casa dele, glorificando seu nome. - Não conseguia sentir nada em suas palavras, nenhum conforto.
Pedro estava passando para recolher os papeis que deixavam nos bancos de madeira, me afastei dela para ajudá-lo.
- Justin! Não me ignore, eu só quero o seu bem. - Sua voz era carregada de culpa e escondia o choro silencioso. E eu não sentia remorso algum pelas suas lagrimas, estava livre de culpa.
- Não sou seu filho, sou um padre. E por favor, não dirija nenhuma palavra para mim se não for relacionado à minha paróquia - fui rude. Passei o outro lado pegando mais alguns papeis. A sua grande amiga Emma estava indo consolar suas lágrimas.
Odiar é uma palavra forte, porém meu peito queimava só em estar no mesmo lugar que Emma. Meus pulsos endureciam junto dos meus ombros, sentia meus olhos saltando para fora e minha garganta secava. Sua voz chegava a ser insuportável para meus ouvidos. Talvez odiar não fosse uma palavra tão forte para relacionar com Emma.
- O que esses perdidos fazem aqui dentro? - Um comentário de uma senhora me fez virar para a porta e dar de cara com Chaz, Ryan e Xavier. Coloquei os papeis em cima da fileira de banco onde estava e fui ao encontro dos mesmos.
- Um grande avanço aprendendo a usar calças - Xavier soltou uma das suas piadinhas. Ele era o único que mantinha a mesma expressão, os outros dois me olhavam com raiva.
- Estavam na missa? – perguntei. Ryan olhou para trás e viu a igreja quase vazia.
- Você tem equivalente dois segundos para me dizer onde a Mellany está - disse entre dentes. Passei minha língua entre os lábios e dei um passo para trás.
- E-está no Arizona - minha voz falhou. Eles estavam como nunca vi antes. Como aqueles homens que me bateram em um bar. Chaz cuspiu no chão da igreja e riu ironicamente.
- Você acha que seu deus vai te proteger?
- D-do que esta falando?
- Eu quero a Mellany de volta, e você vai buscá-la - respondeu rápido, enchendo seu peito de ar. Fechou seu punho com força e novamente eu dei um passo para trás, onde ele me acompanhou. Senti que não tinha escapatória a partir do momento em que bati forte em um dos bancos.
As poucas pessoas que estavam lá me olharam. Ryan foi pelo lado esquerdo colocando as mãos em meus ombros, empurrando meu corpo forçando-me a sentar.
- Fala o porquê ela foi embora. A filha da puta não pode sumir assim.
- Mellany se foi e não me disse o porquê. E-eu fiz de tudo para ela não ir. Chaz, eu a amo e faria qualquer coisa para ter ela comigo, mas... - engoli a seco. Xavier estava na frente do outro banco e começou a rir.
- Francamente! Vamos parar de assustar o padrezinho. Diz logo que estamos aqui para zoar, porque ele deu uma metidinha. - Não fez cerimônia alguma para falar baixo. Meus movimentos falharam no momento em que Chaz sentou rindo ao meu lado e deu um tapa em minha coxa. O arame entrou um pouco mais na carne, ferindo, o sangue estancado agora estava correndo lentamente. Trinquei meus dentes para não soltar nenhum ruído de dor.
- Então antes de ir a safada sentou em você? Fala sua experiência de estar dentro do inferno.
- D-dentro de quê? - Apertei meus punhos reprimindo um pequeno gemido ao movimentar minhas pernas.
- Dentro de uma buceta! – Ryan enfatizou.
- Aprende padre: o inferno é como uma buceta – ele disse e riu. - Quente e úmida. Quando se entra lá uma vez, é impossível não querer voltar. - Sua comparação com o inferno poderia ser verdade, Chaz tinha sua visão distorcida do que fosse o verdadeiro inferno.
- Ainda mais a Mellany, a buceta daquela mulher é viciante. Já chupou ela?
- O-o que?
- áa deu uma lambida na buceta dela?
- Xavier! Deixou o padre vermelho. - Todos eles riram. O barulho de uma das portas sendo fechada me fez levantar. A dor foi mais intensa, dessa vez ãao consegui segurar um ruído em minha garganta. Tinha respingo de sangue no chão, e nos meus sapatos. Eles ãao poderiam ver isso.
-E-eu não posso falar sobre esse tipo de coisa. - Tentei sair e Chaz segurou no meu braço.
- Que isso cara, vamos dar uma volta. Aproveitar que já está metendo no vento e vamos pegar algumas vadias.
- P-por favor! - murmurei.
- Qual é! Vamos lá, você já usa calças, já virou um homenzinho, só falta dar uma surra em alguém e uma boa chapada pra relaxar - insistiu Xavier reforçando o convite. Me afastei um pouco e os pingos estavam caindo, não conseguia andar direito, foi como se meus ossos estivessem partidos.
Dei as costas e tentei ser rápido, mas só conseguia arrastar-me um pouco segurando na perna que sangrava. O que mais queria agora era tirar esse cilício.
- Bieber! - Ryan falou alto, ecoando pela igreja. Parei onde estava, mas não me virei na direção deles. - Esta tudo bem? – perguntou. Não conseguia me virar rápido, muito menos fazer algum outro movimento brusco.
- Que merda é essa cara? Você esta sangrando? – questionou. Apenas engoli a seco e olhei para o altar pedindo forças para Deus me tirar dali.
- Não! - tentei ser firme na voz.
- Puta merda, Justin. Isso é sangue e esta vindo de você. Que merda andou fazendo? - Foi tarde demais para sair correndo, Ryan estava ao meu lado segurando em meu braço esquerdo. Ninguém poderia ver o cilício. Isso é a demonstração da sua vergonha, um fardo que será só meu e de mais ninguém.
- P-por favor, me deixem em paz.
- Justin, não vou deixar você em paz até me falar o que significa isso.
- Nao é nada – tentei ser rude com ele. Meus lábios ressecavam, sentia meu corpo fraquejar e gelar. Ryan colocou a mão na minha testa e tirou rápido transferindo para meu pescoço. Minha vista embasou, uma corrente fria passou pela minha espinha. Mas era impossível, as portas laterais estavam fechadas.
- Está queimando em febre. Justin, o que esta acontecendo? – A voz do Ryan já estava distante e não conseguia dizer nada até apagar.
POV Chaz Somers
Eu nunca tinha visto aquilo em toda a minha vida fodida. Eu já vi tantas coisas ,mas essa não. Eu não conseguiria ao menos olhar direito para aquilo e nem pensar em como ele conseguiu ficar daquele jeito.
Justin apagou na igreja como uma mulherzinha. Ele estava gelado, parecia que tinha partido dessa para pior, mais pálido que o normal, abaixo dos seus olhos pareciam duas fendas roxas. Nunca o vi assim!
Xavier pegou Justin e o tirou da igreja as pressas em meio ao desespero de Ryan com sua moto passando pelo lado do carro. Até quando chegamos aqui, na minha casa onde eu quase vomitei todas as porcarias que tinha comido na rua.
Ele tinha cortes em suas costas, que iam dos ombros até sua abaixo da sua cintura. A carne ainda estava avermelhada. Os cortes eram recentes. Ryan puxou a calça dele para ver o que estava sangrando e acabou encontrando uma porcaria enrolada com ferros e arames preso entrando na sua carne. Fedia. além do cheiro de sangue aquela coisa cheirava a ferrugem? Na verdade era só sangue.
- Que merda é essa? - Indignado Ryan afastou um pouco pra trás com uma das mãos na boca.
- Alguém tem que tirar isso, vai ficar inflamado e depois ele pode perder a perna. Já é fodido sendo padre, imagina ele sendo aleijado?
- Eu não coloco minhas mãos naquilo – falei. Xavier virou as costas em resposta para Ryan.
- Espera a Camila chegar, ela coloca as mãos nisso. Agora, joga água na cara dele, acorda o justin.
- Piranhas acabam com o cara. Mellany acabou com o padreco, coitado ta fodido, se eu visse aquela puta ia dar uma corsa nela.
- Ryan! Sem boiolice, ta na cara que não foi a Mellany. - É obvio que não. Mellany não é capaz desse tipo de coisa. Aliás, é só olhar nos olhos dela e perceber que gostava mais dele do que de si mesma.
Essa era a parte de que eu não gostava: saber que a minha garota durante anos, aquela em que eu ligava todas as noites para saber como estava, que poderia contar com suas carícias quando mais precisava, era apaixonada pelo meu amigo.
Por mais que ela negasse com todas as letras que não queria nada com Justin a não ser sexo, basta apenas olhar no fundo dos seus olhos e dizer "Justin". Isso faz suas bochechas ficarem rosadas, os seus olhos ficarem mais claros e indecifráveis. Só que não encaro Justin como um rival, ele chegou primeiro do que eu. A verdade é que estava apenas tomando o lugar que é dele por direito.
Sentia raiva em vê-lo daquele jeito, eu queria bater naquele moleque até fazer ele acordar. Quero pegar quem cortou as costas dele. Ah, se foi Richard ele iria se ver comigo, pensei. E dessa vez enterraria aquele filho da puta vivo.
Encaixei meus dedos um nos outros estalando eles. Poderia sentir cada parte do meu corpo ficando rígida. O barulho da porta sendo fechada com força anunciava que Cams tinha chegado. Ryan estava sentado perto do Justin segurando sua mão. Era gay! Mas eu sabia que aquilo tudo era preocupação e não interesse sexual.
Ouvir o barulho do coturno dela no piso dava uma aflição maior. Queria gritar e mandar aquela piranha se apressar. Por mim já teria tirado aquela merda da perna dele, só que tinha medo de machucar meu amigo.
- Convenção de bichas? - Foi um alivio escutar a voz dela.
- Bicha? Quantas vezes preciso comer seu cu apra te provar que não tem nenhuma bicha aqui? – disse Xavier.
- Diga isso pelo Chaz, porque eu sei que você ja comeu o Ryan. - Piscou para o Xavier e parou no instante em que viu Justin em cima da cama. Seus punhos se fecharam e o sorriso de lado mostrava o quanto ela adorava ver ele naquela situação. Porém seus olhos mentiam, e distorciam os pensamentos que poderia ironizar Justin. Camila engoliu a seco e piscou algumas vezes.
- O que esta acontecendo aqui? Um ritual satânico com uma moça virgem?
- Antes de falar qualquer merda, ajude-o - Ryan foi curto.
- Por que eu o ajudaria?
-Porque você é amiga dele.
- Não! Eu não sou! - insistiu, respirei fundo e virei para ela.
- Você vai tirar essa merda da perna dele, e vai lavar as feridas sem dizer nada. Se não fizer isso eu faço toda a questão de furar os pneus da sua moto.
- Pegue seu canivete, Somers.
- O seu problema é porque a Mellany está afim dele. - Xavier não é de ser serio, agora ele aprecia a ponto de socar Camila com suas palavras. - Você sabe que machucando ele, vai estar machucando a sua Mellany. - Foram as palavras mágicas para a vadia fazer alguma coisa. Ela não é de dar o braço a torcer, mas quando se tratava de Mellany e seus gostos, Camila fazia de tudo. Assim como eu!
Ainda com os braços cruzados ela suspirou subindo em cima da cama, sentou em cima da cintura dele, esticou seus braços para puxar o elástico e amarrar seus cabelos.
-Pega álcool e algodão - murmurou dando tapinhas no rosto dele.
- Tira esse negocio da perna do Justin.
- EU VOU TIRAR. DA PARA ME DEIXAR EM PAZ OU QUER FAZER ISSO NO MEU LUGAR?
- A vadia experiente em ajudar com machucados é você e não eu - Xavier respondeu. Aproximei-me dos dois e vi a respiração dele voltando ao normal. Camila segurou o álcool e derramou um pouco no algodão.
- Segura próximo o nariz dele até acordar. - Moveu-se rápido trocando de posição. O foco agora era tirar aquela merda da perna dele.
Os dedos finos tocaram nas feridas com receio. Por um momento ela tinha aquela expressão com pena do que via. Tomava cuidado para não feri-lo ainda mais. Levantou a perna dele devagar e puxou umas amarras junto de um pequeno arame preso. Justin acordou assustado, impedido de se levantar por Camila. Não conseguia nem ao menos se mover com a força que ela colocou em suas pernas prendendo-as em sua cintura.
- Mellany - foram as primeiras palavras que saíram da boca dele.
- Ih! Já acordou querendo buceta. Esse é meu garoto.
- Aconselho os dois filhos da puta segurar os braços dele e Ryan enfiar um pano na boca.
- Por que? – perguntou.
- O-o que está acontecendo? - Aos poucos retomava sua consciência. Demos nem espaço para responder. Segurei no braço esquerdo e Xavier no direito. Ryan não colocou nada na boca do Justin, apenas deixou a mão por cima.
- Vou contar de um até três e puxar isso – falou Cams. - Merda! Está preso na carne dele. Que porra é essa?
- Cala a boca e puxa logo isso. - Justin tentou relutar balançando suas pernas.
- Um... - Segurou forte as laterais. - Dois... - Puxou com força tudo de uma vez. Justin soltou um grito forte e acabou prendendo seus caninos na mão do Ryan que logo saiu de cima. Os gritos não paravam, as lágrimas dele estavam mais multiplicadas do que antes.
- VOCÊ IA PUXAR NO TRÊS VAGABUNDA -Ryan berrou.
- Alguém me trás um pano molhado. - Xavier soltou o braço de Justin e foi atender o pedido de Cams.
- Eu vou te soltar, cara. - Larguei as mãos do seu braço e os músculos dele estavam tensos.
- Serve isso? – perguntou Xavier.
- Filho da puta, isso é minha única camisa social. - Era! Camila rasgou em pedaços e começou a passar em cima das feridas dele.
- O-onde estou? – indagou Justin gaguejando um pouco.
- No abatedouro.
- E-eu preciso voltar para igreja. - Tentou tirar Camila de cima dele, ela fez questão de apertar um dos buracos na sua coxa.
- Você vai ficar até contar que merda é essa e o que está acontecendo com você. -Ele se conformou e não disse nada. Passou as mãos no rosto tentando esconder suas lágrimas. Fechou os olhos e murmurava algo movendo seus lábios depressa. Justin rezava, isso torturava todos o que viam. O cara estava acabado, provavelmente não conseguia manter os olhos abertos por muito tempo e mesmo assim continuava rezando.
- Camila, liga para Mellany! - Ryan ordenou. Os olhos dela sobre saltaram como se isso fosse algum tipo de loucura.
- Eu não...
- Você sabe o número da casa dos avós dela decorado, você já passou o verão com ela lá e você vai pegar a merda do seu celular e ligar pra Mellany - insistiu. Justin abriu seus olhos espantado.
- Mellany? Não, não liguem para ela. Por favor! - Cams saiu de cima e deixou se afastou pegando seu celular.
- É para ligar ou não?
- Liga! Eu quero que você ligue. Ou melhor tira foto do amor da vida dela e mostra a situação que ele esta.
- Ryan, por favor! Não! - Ele parecia implorar. Levantou da cama e ajoelhou no chão aos pés de Ryan. - Ela não pode ver isso.
- Então conte o que está acontecendo com você.
- Eu estou pagando pelo o que fiz! - Segurou na mão de Ryan que o ajudou a levantar. - Eu pequei. Isso acontece com quem peca e viola as leis de Deus. Só estou tentando me redimir com Deus. - Eu não poderia enxergar o que estava acontecendo, meu estomago embrulhou. Meu amigo está se matando para pedir perdão pelos seus pecados?
É inadmissível uma coisa dessas acontecer, principalmente com ele. Se fosse um de nós, eu entenderia o porquê Deus estava castigando. Mas, Justin? O que ele tinha feito? Transado com a Mellany e depois no outro dia ela ir embora?
Não são motivos para tentar se matar desse jeito, mesmo amando aquela mulher. Eu conheço Justin, me conheço e o sentimento que sentíamos era igual. Na verdade, éramos três no mesmo barco. Camila, Justin e eu.
- Liga para Mellany - pedi calmo.
-Chaz, por favor!
-Liga para Mellany agora - pedi mais uma vez.
-Não deixa ela saber disso.
- Não? Qual é o seu medo em relação?
- Ela não pode voltar. - Ele chegava a soluçar de tanto choro. - Se ela voltar eu não posso mais tê-la.
- Pode sim, você pode. Nada impede você de ficar com ela, nem a Camila vai impedir e nem ninguém. Todos aqui sabem que essa garota passou a vida contando os dias para quem sabe ver você novamente e quando isso acontece as coisas chegam nessa situação. Eu nunca desejei mal a sua religião, mas agora eu quero que tudo se foda, que todos os malditos padres se fodam.
- Eu vou pedir uma pizza - Xavier quebrou a tensão. A vontade é de bater agora em Justin. Tão influenciado pela puta da mãe dele, aquela mulher é maluca e ia acabar com a vida do filho. Claramente isso é influencia dela, não existe outra pessoa sem coração como Pattie Mallette.
Camila estava no canto da sala com seu celular no ouvido, tentando ligar pra Mellany.
- Coloca no viva-voz – falei.
- Não confia em mim, Chaz?
- Você é trapaceira, vai fazer alguma coisa para que ele não fale com a Mellany, pois sabe que ela vai voltar e vai voltar para ele, e não pra voce.
Camila aproximou-se de todos e discou o numero, era claro que o que ela estava fazendo antes era fingimento para não ligar. O primeiro toque, segundo, e poderia sentir a tensão vinda do Justin. Ele tinha medo em meio a sua felicidade interna.
- Alô?
- Mellany?
- Não, quem é? - A decepção estava nos olhos dele.
- É uma amiga dela, poderia chamá-la?
- Posso, mas se você me dizer quem é.
- Fala logo sua filha da puta que é você para Mellany atender o telefone - disse Ryan. Cams colocou a mão na frente do celular.
- Mellany ainda não quer falar comigo. - Não pensei duas vezes em puxar o celular das mãos dela. Quem resolveria isso seria eu.
- Aqui é Chaz Somers, e quero falar com a Mellany – falei rápido. Pelo grito que a mulher deu do outro lado da linha, chamando pela Mellany, ela não estaria tão longe assim. Escutei a sua voz do lado da mulher perguntando quem era. Atá ela me anunciar.
- Chaz e seu sotaque sulista, deveria se envergonhar por não ter me ligado antes.
- Podemos discutir nossa relação depois, meu doce.
- Me tira daqui, por favor. Faz dias que eu não coloco uma gota de álcool na boca.
- Mellany, tem uma pessoa aqui que precisa falar com você.
- Eu não vou falar com a vadia da Camila. Aquela piranha foi até o Justin...
- É o Justin - a interrompi. O silêncio pairou naquele instante e ela não falava absolutamente nada. Foi como se tivessem desligado o telefone.
- Jus-tin? - A voz dela estava tremula. - Eu não posso falar com ele.
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Capitulo 21
Na noite anterior, após tudo ter se resolvido, subimos para nosso quarto, onde acabamos dormindo logo em seguida. Nesta amanhã, acordei com um desconforto na região da bacia, mas acabei ignorando as leves pontadas quando senti o braço de Luan cobrir toda a minha barriga.
-- Bom dia. - falei sorrindo. Estava acordada á um pouco de tempo e por isso estava, consequentemente, mais desperta.
-- Bom dia amor. - ele encostou a cabeça em meu pescoço e sentiu meu cheiro, assim como de costume.
Me virei para poder olhar em seus olhos que sempre amanheciam pequenos e inchados ao acordar. O olhei e passei a mão por seu rosto e cabelo, em sinal de carinho. Acabamos ficando com a preguiça boa instalada entre nós na grande cama, enquanto trocávamos carinhos e alguns beijos.
-- Vamos tomar banho? - eu perguntei.
Ele, primeiramente, ergueu uma sobrancelha e logo depois sorriu, concordando com um aceno de cabeça. Tirei o cobertor de cima de nossos corpos e olhei no relógio do criado-mudo. Marcava onze horas, o que para Luan, ainda era bem cedo por conta da sua rotina variada de shows. As crianças já haviam acordado, pois ouvira suas risadas e falas vindas do corredor ou até mesmo da sala. Elas estavam com Cida, que decidiu vir hoje, mesmo sendo dispensada, pois iríamos almoçar na casa dos pais de Luan, para aproveitar sua folga.
Luan e eu seguimos abraçados para o banheiro, onde chegamos e nos despimos, entrando no box e ajustando a água no quente, já que era a nossa temperatura preferida. Ele se molhou primeiro, passando a mão pelos cabelos e me puxando pela mão, aproximando nossos corpos. Molhei meus cabelos e percebi que Luan me olhava, sorrindo.
-- Que foi? - eu o perguntei, sorrindo também.
Ele balançou a cabeça em negação e após alguns instantes colou nossos corpos, e me deixando quase imóvel, me levou até a parede, me prensando na mesma. Ele começou um beijo quente, além do vapor que inundava o banheiro como uma sauna. Eu o correspondia na medida em que ele me permitia mover meu corpo. Trabalhávamos com as mãos ágeis, percorrendo o corpo de ambos, em perfeita sintonia. O ar já estava ficando escasso e Luan alternava o beijo incessante com leves mordidas e beijos em meu pescoço. Quando ele se apoderou de minha boca novamente, senti uma pontada aguda ao pé da minha barriga e um gemido de dor fora incontrolável. Ele não se importou, até eu o empurrar levemente com as mãos em seu peito e contorcer o meu corpo para baixo. Ele me soltou, ainda relutante e me olhou, sem entender o que havia acontecido:
-- Que foi? - ele me fez a mesma pergunta, assim como lhe fiz alguns minutos antes.
Eu levei minha mão ao local da dor e respirei fundo, o olhando nos olhos. Neguei sua pergunta com a cabeça, quando ele se aproximou, a fim de continuar de onde paramos.
-- Amor... - ele me olhou nos olhos. - Agora não. - eu respondi em um sussurro.
Ele me olhou, ainda sem entender muito bem a situação, mas alisou minha cintura e concordou com um aceno de cabeça. Voltamos a tomar o banho tranquilamente, entre risadas e sorrisos de ambas as partes, porém, de minha parte, eu ainda sentia leves pontadas no mesmo local.
Luan saiu primeiro do banho, o que era uma das pouquíssimas vezes em que ele fizera isso. Eu demorei mais alguns minutos, tentando espalhar as perguntas que rondavam minha mente, questionando-me o por quê de sentir tantas dores em poucas horas. Por fim, sai do box enrolada na toalha. Fui em direção ao grande espelho, olhando a mulher refletida, a mulher que sou eu e que estava bem - aparentemente bem.
Sequei meu corpo levemente com a toalha, porém não me vesti, apenas me deixei ser enrolada pelo pano novamente, mas agora, penteava meus cabelos. Sempre mantive os cabelos longos, até mesmo por preferência de Luan, que adorava mexer nas leves ondas formadas no final dos fios.
Enquanto passava um creme pelo rosto, senti uma forte pontada que me atormentara praticamente desde as últimas horas. Respirei fundo e fechei os olhos, colocando a mão no local e sentindo que esta fora a dor mais intensa que já senti desde os sintomas, mas a dor insistia em não passar e foi quando eu senti algo molhada escorrendo pelas minhas pernas.
Eu tirei a toalha enrolada em meu corpo e ao olhar para minha perna, notei uma grande quantidade de sangue escorrendo pelas mesmas e encharcando o chão branco. Me desesperei e chamei por Luan, que dentro de poucos instantes abriu a porta do banheiro e correu para me alcançar.
-- Meu Deus do céu! - ele me sustentou em seus braços. - O que aconteceu amor? - ele não sabia se fixava os olhos em mim ou em meu corpo escorrendo sangue, ou até mesmo no chão que já obtinha uma cor avermelhada.
-- Eu... Eu não sei. - eu não conseguia pensar e nem ao menos responde-lo direito. - Luan me ajuda! - senti mais uma forte pontada e me contorci de dor. - Ai tá doendo! - gritei.
Luan então pegou a toalha e enrolou em meu corpo.
-- Vamos pro hospital. - ele estava desesperado e isso era notável em sua atitudes, já que não sabia o que fazer.
Como eu estava apenas de toalha, ele tirou a primeira roupa que encontrou no closet de nosso quarto e se preocupou em me ajudar a colocar as peças íntimas e vestir um short de malha na cor cinza escuro. Quando terminamos, enquanto eu ainda me contorcia de dor, notei que Luan chegou a perceber a quantidade de sangue na toalha. Ele pegou outra limpa, enrolou em minha cintura e desesperado, começou a olhar ao redor:
-- Cadê sua bolsa? - ele perguntou, ainda procurando.
-- Lá embaixo. - ele apareceu, apoiando meu corpo no seu, me sustentando, pois nem ao menos conseguia andar.
Descemos as escadas lentamente, porém a agonia e nervosismo faziam com que nossos passos se tornassem tropeços. Luan já foi abrindo a porta da sala quando Cida apareceu, preocupada com a situação.
-- O que está acontecendo?
Luan não esperou para ouvi-la e já abria a porta do carro, me ajudando a entrar no mesmo.
-- Cida pega a bolsa dela. - ele pedia, desta vez, me ajudando a colocar o cinto de segurança.
Cida apareceu em poucos instantes, sendo mais rápida do que de costume. Luan contornou o carro e jogou a bolsa no banco de trás, dando partida no motor e saindo em alta velocidade do condomínio. Eu podia notar que o desespero estampava seu rosto, assim como me causava dificuldades em respirar.
-- Amor? Amor, você tá bem? - Luan me chamou, preocupado demais e desviando a atenção da estrada em sua frente.
Eu não consegui olha-lo e apenas concordei com a cabeça. Luan dirigia alucinado e não seria difícil de conseguir uma multa. Quando eu coloquei minha mão ao pé da barriga, meus olhos também encontraram o sangue que estampava o meu short. Parecia que dentro de apenas alguns minutos, recebi um jato de tinta em minhas pernas, que não parava de escorrer líquido. Percebi a gravidade da situação e minha respiração ficou ainda mais entrecortada, sabia que poderia ter uma das minhas crises de asma á qualquer momento. Meus olhos somente desviaram a atenção quando senti a mão de Luan apertando a minha coxa, sem se importar se iria suja-lo. Eu procurei pelos seus dedos e os enlacei nos meus, apertando-os fortemente, conforme precisava de força, de ajuda, conforme sentia pontadas e mais pontadas de dor.
Quando Luan parou o carro em um sinal de trânsito, me permiti olha-lo, ainda apertando fortemente sua mão livre do volante.
-- Luan? - eu o chamei com a voz embargada. Ele olhava pelo para-brisa, ansioso para que o sinal vermelho desse lugar á cor verde, para que assim pudesse partir com o carro, tentando diminuir minha agonia. - O que será que eu tenho? - deixei algumas lágrimas escaparem dos meus olhos e escorrerem por minha face.
Eu não sabia dizer muito bem o motivo, mas a angústia, o medo e o desespero tomaram conta de mim, fazendo com que eu não aguentasse. Luan me olhou. Seus olhos ficaram um pouco mais avermelhados e percebi um brilho latejante de desespero em cada um deles. Quando terminei de fazer minha pergunta, senti que desta vez era ele quem apertava firmemente a minha mão. Quando a soltou, massageou a minha perna, querendo desesperadamente que eu parasse de chorar. Vi o farol abrir, mas a escuridão dominou meus olhos.
Bem Vindo á Londres
Melanie Sarfati
Fazia tempo que eu não tinha uma noite tão boa quanto essa, há tempos não dormia tão bem. E tudo isso graças a Zayn.
Olhei para o lado e ele ainda dormia feito um bebê, estava lindo e eu não queria sair daquela cama hoje, fechei os olhos na intenção de dormir novamente. Meu celular começa a tocar e plano de ficar mais tempo na cama vai por água á baixo.
Sem a mínima vontade forcei meu corpo a sair da cama e ir pegar o celular que eu havia esquecido na sala, tenho que me lembrar de mantê-lo perto, isso me pouparia longas caminhadas matinais. O toque do celular foi ficando cada vez mais auto como se tivesse desesperado para que eu o atendesse.
- Alô. – disse sem ver quem era.
- Melanie!
- Richard! – reconheci sua voz de imediato, na hora me animei... adorava falar com ele.
- Você não se esqueceu de nada não Melanie? – ele pareceu impaciente.
Parei um tempo para pensar, será que tinha esquecido algo de valor no Canadá?
- Não que eu lembre, deixei alguma coisa por ai?
- Esqueceu de mim Melanie, de mim!
- Ai meu deus, era hoje que eu ia te buscar no aeroporto! – eu havia completamente esquecido de Richard.
- Se acalma, chego ai rapidinho.
- Espero mesmo Melanie porque eu não vou es... – desliguei o celular antes que ele começasse a dar chilique novamente.
Larguei o celular no sofá e corri para o quarto, Zayn ainda dormia, depois de todos os meus gritos ele não havia acordado, esse dormia como uma pedra mesmo.
Me troquei mais rápido do que nunca [ http://www.polyvore.com/cgi/set?id=119674944&.locale=pt-br ], deixei um bilhete para Zayn, depositei um beijo na sua testa e ele permaneceu imóvel e lindo.
Podia ficar horas admirando-o dormir mais precisava correr ou iria agüentar uma bicha reclamando no meu ouvido.
Peguei o carro e sair, para variar o trânsito de Londres estava “uma beleza”.
Zayn Malik
Acordei sem saber onde estava, lentamente as memórias do noite passada ficaram nítidas e quando o perfume daquele quarto invadiu meu nariz eu percebi que estava no quarto de Melanie, comecei a sorrir instantaneamente, havia dormido muito bem.
Olhei no relógio e já era quase meio dia, havia dormido muito, Melanie já devia estar me xingando.
- Melanie! – chamei por ela mais não obtive resposta.
Decidi levantar da cama e procurá-la.
Procurei por toda casa e não á encontrei em lugar nenhum, devia ter ido a algum lugar. Será que ela iria demorar? Será que eu deveria ir embora? Várias perguntas começaram a rondar minha cabeça então achei melhor ligar parar ela.
Voltei para o quarto para pegar o meu celular que havia deixado ao lado da cama quando percebi um pequeno bilhete.
“Zayn, tive que dar um saída, volto logo.
Não vá embora, vamos almoçar juntos hoje.
Obs: quero lhe apresentar uma pessoa.
Xoxo Melanie”
Então já que iria esperar por Melanie decidi tomar um banho, acho que ela não se importaria.
Em baixo do chuveiro eu não conseguia parar de pensar: quem será que Melanie iria me apresentar?
Becky Stuart
Uma das piores coisas da vida é acordar com barulho, e foi o que aconteceu.
Estava dormindo, tudo estava em silêncio, o único barulho que eu ouvia era o ronco do Louis (já estava acostumada com esse tipo de barulho), então um som tomou conta do ambiente, acordei assustada sem saber o que era aquilo. Até meu cérebro associar que era meu celular tocando demorou um pouco.
Sai aos tropeços pelo quarto tateando as coisas no escuro na intenção de achar meu celular.
- Desliga isso! – Louis resmungou e enfiou sua cabeça em baixo do travesseiro.
- Tô tentando. – o humor de Lou de manhã era uma beleza.
O celular precisou tocar várias vezes até que eu o achasse.
- Alô! – disse ainda ofegante por causa do desespero.
- Oi Becky.
- Só podia ser você, sua vaca!
- Desculpa, desculpa. – ela implorou – Eu sei que é proibido ligar antes dás dez, mas é uma emergência.
- Tudo bem. – respirei fundo – O que foi?
- Você tem algum compromisso hoje?
- Eu e Louis pensamos em passar a tarde olhando para o teto, por quê?
- Desculpa, mas o seu super programa á dois terá que ficar para outro dia.
- Por quê? – perguntei curiosa.
- Se troca e vá para minha casa, Zayn está lá. Me espere que eu passo lá e pego vocês, vamos almoçar.
Adorei a ideia, mil vezes melhor que ficar vegetando com Louis.
- Louis também?
- Não, só você! Tenho uma surpresinha. – ela deu uma pausa – Agora tenho que ir, beijos.
- Beijos Mel. – ela desligou.
Agora estava mais do que curiosa, que surpresa era essa que só eu e Zayn ficaríamos sabendo?!
- Louis acorda! – comecei a gritar.
- Mais uma hora mãe.
- Vai moleque, acorda.
- Bom dia pra você também meu amor. – ele levantou resmungando.
- Bom dia amor. – dei um selinho nele – Agora vai embora.
- Nossa, passa a noite comigo e dispensa.
- Vou me encontrar com Melanie.
- Se é assim, já estou indo miladie.
Depois que Lou foi embora, me troquei [http://www.polyvore.com/cgi/set?id=119678045&.locale=pt-br] e fui para a casa da Melanie.
Eu não me aguentava de tanta curiosidade.
Richard
Ainda não estava acreditando que Melanie havia me esquecido, eu á avisará durante uma semana e mesmo assim ela conseguiu me esquecer.
Me sentei em uma das salas de espera enquanto a que diz ser “minha melhor amiga” não chegava.
Uma coisa que eu perceberá era que as garotas daqui eram muito mais assanhadas que as do Canadá. Elas ficavam me encarando, as vezes sorriam ou piscava, e teve uma mais ousada que deixou “cair” um papelzinho no meu bolso com o celular dela.
Eu ria dessas situações afinal, eu gostava do outro time e jamais chegaria tão perto delas se não fosse para maquiá-las. Mais devo admitir, as londrinas são lindas.
Espero que os londrinos também...
[...]
Já havia se passado duas horas desde que eu havia ligado para Melanie vir me buscar, já estava mais do que impaciente, iria entrar em colapso.
Decidi ligar para aquela megera.
- Melanie Sarfati, cadê você seu ridícula?
- Desculpa, eu sei que estou atrasada e desculpa por ter te esquecido.
- Conversaremos sobre isso depois. Agora querida, CADÊ VOCÊ!
Todos em volta me olharam, decidi ignorar, afinal uma diva nunca liga pra olhares.
- Primeiro para de gritar, você está pagando vergonha com todo mundo te olhando.
- Como você sabe...
- Segundo. – ela disse me interrompendo – Olha para trás.
Assim que virei ela estava lá, linda como sempre e sorrindo para mim. Eu estava morrendo de saudades dela.
Sem pensar no que os outros iam achar, sai correndo e a peguei em meus braços, o que não era tão difícil levando em conta o tamanho dela.
- Melanie que saudades. – a apertei ainda mais em meus braços.
- Eu também Richard, você me faz muita falta.
Ela olhou em meus olhos sorrindo, mas eu percebi seu olhar triste.
- Porque você está tristinha hein? – segurei seu queixo entre o polegar e o indicador.
- Eu não estou triste. – ela virou o rosto – Estou é feliz por você estar aqui.
- Mel, eu passei um ano com você. Eu te conheço, sei que tem algo errado.
- Tudo bem. – ela respirou fundo – Pega suas malas, te conto no carro.
- Querida, a diva aqui sou eu. Você pega as malas.
Sai andando na frente sem ligar para os doces xingamentos de Melanie Sarfati.
Zayn Malik
A campainha tocou assim que sai do banho, sem me importar, apenas enrolei uma toalha na cintura e fui ver quem era.
- Becky?! – disse surpreso ao vê-la.
- Não, Shakira. – ela sorriu sinicamente.
- O que faz aqui?
Becky entrou, deu uma olhada na casa e sentou no sofá.
- Melanie mandou esperar, disse que tem uma surpresa e que vamos almoçar juntas.
- Ela disse o mesmo, eu dormi aqui e Mel pediu para que eu não fosse embora.
- Isso explica porque você está tão á vontade. – ela me avaliou dos pés a cabeça.
Tinha me esquecido que estava de toalha.
- Bem, só nos resta esperar. – cruzei os braços e encarei Becky ainda sentada no sofá.
- É, vamos esperar. – ela ficou me encarando.
- O que foi? – perguntei incomodado.
- Antes vá colocar uma roupa, não consigo me concentrar em nada com você exibindo esse tanquinho.
Comecei a rir, adorava o jeito que Becky falava as coisas na cara sem pensar duas vezes.
Becky era igualzinha o Lou só que mais irritante.
Sim, existe alguém mais irritante que Louis.
Melanie Sarfati
Estava tão feliz em ter Richard perto de mim novamente, ele faz muita falta e agora vai ficar 24 horas por dia comigo já que eu vou levá-lo como meu “assistente”, preciso dizer isso á ele ainda.
Durante o caminho até em casa eu havia contado tudo o que acontecera entre eu e Harry, o trânsito estava horrível então deu para contar todos os detalhes.
- Olha, você sabe que eu sou super fã, boy directioner assumido mais se eu ver o Harry...
- Vai beijar ele? – comecei a rir.
- Vou quebrar o nariz dele.
- Nossa! – disse surpresa – Não esperava isso de você.
- Mel, você é a minha melhor amiga, eu faria tudo por você!
Aquelas palavras me pegaram desprevenida mais eu adorei ouvi-las, me animou saber que existe pessoas com quem eu posso realmente contar, pessoas como Zayn, Becky e Richard que com certeza mostrou ser a pessoa que faltava na minha vida.
Estava quase chegando em casa quando lembrei que precisava dar uma noticia que Richard vai amar.
- Richard, eu já ia me esquecendo, tenho uma noticia para você.
- Ai Mel, não me deixe curioso, conta logo.
- Bem, eu consegui um emprego.
- Que bom Mel! – ele abriu um sorriso enorme – Aonde?
- Simon me chamou para ser a maquiadora oficial da One Direction.
- Nossa Mel, fico muito feliz por você. Será famosa, passará os dias com seus amigos. – seu olho brilhava – Pena que vai ter que ver aquele idiota todos os dias.
- Até ai tudo bem, eu serei uma profissional e ele apenas o meu cliente. – mas não estava tudo bem, não conseguiria olhar para Harry sem lembrar de tudo o que ele me fez – Aliás, as novidades não param por ai.
- Então me conta tudo. – ele se animou.
- A partir de agora você será meu assistente.
- Ai...meu...deus! – ele arregalou os olhos – Isso é sério?
- Nunca falei tão sério em toda a minha vida. – sorri para ele, já estávamos na esquina da minha casa.
- AAAAAAAHHHHHHH.
Richard deu um grito tão forte, um grito que nem Becky foi capaz de dar, que me fez brecar o carro bruscamente, meu coração ainda batia acelerado por causa do recente susto.
- Primeiro, nunca mais grite como uma garotinha, isso me assustou.
- Sorry! – ele abaixou a cabeça como um cachorrinho arrependido.
- E segundo, olhe para o lado... Chegamos!
Richard
A casa de Melanie era linda, ele sempre tem bom gosto para as coisas. Ajudei a tirar as malas do carro e levar até a entrada da casa, Mel fechou o carro e juntou-se a mim.
- Assim que entrar, terá uma surpresa para você na sala.
- Adoro surpresas.
Assim que abri a porta, dei de cara com uma linda sala, a TV estava ligada e eu percebi que havia duas pessoas sentadas no sofá, rindo de uma coisa qualquer que passava na TV.
Melanie, que estava atrás de mim, tossiu alto, chamando a atenção das duas pessoas. Uma garota loira de olhos azuis, olhou na minha direção, seu rosto se iluminou e ela abriu um enorme sorriso, só podia ser Becky.
- Richard?! – Becky perguntou desconfiada.
- O próprio. – disse sorrindo.
Ela começou a gritar, seu grito era mais irritante pessoalmente do que pelo Skype, correu na minha direção e me abraçou.
- Ai meu deus, não acredito que vou poder fofocar sem ser por uma web cam. – ela não parava de sorrir.
- Nem me fale, estava louco para te conhecer. – sorri de volta.
- Veio a passeio?
- Vim a trabalho, sem data para voltar.
- Haaaa! – ela berrou no meu ouvido e me abraçou novamente – Vou te ter para sempre.
- Menos Becky, eu vi primeiro. – Melanie batia o pé encarando Melanie.
- Ah Mel, até que fim você chegou. – o garoto, que até então permanecera sentado, se levantou – Quem é esse?
Eu simplesmente paralisei, ninguém mais, ninguém menos que Zayn Malik estava na minha frente sorrindo para mim. Era uma visão do paraíso, ele era muito mais bonito pessoalmente do que com todo aquele efeito especial que eu chamo de “tela do computador”.
- Esse é... – as palavras simplesmente não saiam da minha boca.
- Sim Richard, Zayn Malik.
Corri e o abracei, ele era tão forte e cheirava tão bem, queria ficar naquele abraço até morrer.
- Zayn esse é o Richard que eu te falei.
- Ah Richard, prazer em conhecê-lo. – ele me deu tapinha nas costas.
- O prazer com certeza é todo meu.
- Mel, ele é sempre assim tão...carinhoso?
Melanie começou a rir, provavelmente Zayn estava assustado, resolvi me afastar.
- Ele é fã da banda. – Melanie falou.
- Ah então volta aqui. – Zayn me puxou novamente para um abraço, adorei isso – Adoro conhecer nossos fãs.
- E ele é gay. – Mel acrescentou.
- Tá, acho que já está bom de abraços. – Zayn se afastou.
Melanie e Becky ser matavam de rir enquanto Zayn ficava envergonhado e tenta ao máximo não manter contato visual comigo.
- Bem, já que se conheceram é melhor irmos. – Melanie pegou a bolsa – Eu não sei vocês mais eu estou morrendo de fome.
Melanie Sarfati
Esse almoço que eu havia planejado não era apenas para que eles se conhecessem, mas também para colocar um dos meus planos em prática.
[...]
- Tá gostando da comida londrina? – Becky perguntou.
- Levando em conta que estamos em um restaurante italiano, estou amando.
Começamos a rir e Becky mostrou a língua, ela era muito distraída ás vezes... Tá bom, todas ás vezes.
- Bem, eu não trouxe vocês aqui apenas para comerem. – fiz uma pausa esperando que todos olhassem para mim – Vim tratar de negócios.
- Estava tudo perfeito pra ser verdade. – Zayn falou ainda de boca cheia – Lá vem suas chantagens.
- Dessa vez não é chantagem, eu preciso da ajuda de vocês.
- Ai meu deus, Melanie Sarfati está pedindo ajuda. – Becky arregalou os olhos.
- Muito engraçada você!
- Bem, quero que me ajudem a fazer Harry sofrer.
- Nossa eu ajudo com certeza. – Becky se animou.
- Mais o que você está pensando em fazer? – Zayn me encarou.
- Faz uns dois dias que eu venho pensando nisso e basicamente meu plano é... – parei para ver se todos estavam prestando atenção – Harry nunca soube de Richard, a única coisa que ele sabia era que eu dividia o apartamento com um amigo, então eu pensei em usar isso ao meu favor.
- Seja mais clara Mel. – Richard parecia confuso, assim como Becky e Zayn.
- Bem, amanhã irei apresentar Richard ao restante da banda, incluindo Harry, como meu namorado.
Richard se engasgou com a água que tomava e começou a tossir freneticamente.
- Peraí, deixa eu ver se entendi. – Becky falava enquanto Zayn dava tapinhas de leve nas costas de Richard – Você vai usar a frutinha aqui para fazer ciúmes no Harry?
- Exatamente.
- E você acha que vai dar certo? – Zayn perguntou.
- Se Richard não der nenhum chilique perto dos meninos e fingir que gosta de mulher, não vejo o porque de dar errado.
- Se é isso que você quer... Pode contar comigo Mel. – Richard segurou minha mão e sorriu calorosamente.
- E quanto á vocês dois? – encarei Zayn e Becky – Conto com vocês para ser os meus cúmplices?
- É claro! – Zayn sorriu.
- Se for para ferrar com Harry estou dentro!
Agora sim, Harry iria se arrepender de tudo o que me fez passar, ele vai se rastejar aos meus pés pedindo o meu perdão e eu... Bem, vou pisar nele assim como fez quando eu voltei do Canadá.
No meio de toda essa confusão, eu havia me esquecido de uma pessoa muito importante, Niall! Desde que eu chegara não havia conversado muito com ele, me sinto culpada por isso, afinal Niall foi o único que sentiu algo verdadeiro por mim, isso o machucará, e se tem uma coisa que eu nunca quero fazer é machucar Niall, ele não merece sofrer pelo que está acontecendo comigo.
Niall sempre foi perfeito para mim, pena que eu demorei muito pra perceber isso.