Capítulo 29
- Hanna – Ela falava triunfante – Cadê a sua sombra?
Eu não queria responder nada para ela, mas aquela era a hora de dar continuidade ao plano ridículo em que me colocaram.
- Se você estiver falando da Rafaela eu não sei e não faço questão de saber. – Falei o mais firme possível.
Olhei para a luz vermelha em cima da porta que parecia demorar pra subir.
- Estranhei quando vi ela em uma festa particular no quarto da Julia, quando ela podia estar com você
Meu coração se quebrou mais uma vez naquele dia, ela não estava blefando e era bem provável que a nova Rafaela se infiltraria em festas assim.
- Não sei o que aconteceu, mas ela é bem mais legal sem você. Quem sabe ela não entende que no fundo, de toda a historia a mal na verdade é você.
Fechei minhas mãos, forcei todo meu corpo a relaxar. Se ela não acreditasse todo esforço seria inútil.
- Como já disse, faça o que você quiser. Os assuntos que envolvem ela não me dizem respeito mais.
- Como uma amizade daquelas acaba assim?
Não respondi de imediato, eu precisava formular bem as palavras. Senti quando o elevador parou e eu finalmente iria poder sair.
- Você sabe que nada no mundo dura pra sempre não sabe? Principalmente as mentiras, elas sempre tem prazos de validade. – Pisquei para ela.
A porta abriu e eu a atravessei enquanto a Gabriella continuava muda. Escutei quando a porta se fechou, suspirei aliviada.
Passei por duas portas e cheguei a uma que tinha uma placa identificando a Diretoria. Bati uma vez e esperei. Não houve respostas. Bati de novo e me encostei no portal da porta para esperar.
- Ela não está ai. – A voz grossa do Pablo me assustou.
- Cara – virei para trás indignada – quer parar de fazer isso comigo? Ultimamente minha vida tem valido muito dinheiro e se você me matar vai com certeza ter um belo prejuízo.
Ele segurou um riso. Olhou-me de cima de embaixo antes de falar.
- Você fez o nosso combinado.
- Fiz. Como você sabe? – Perguntei desconfiada.
Ele sorriu de um jeito malicioso.
- Eu sei de tudo. A Paloma esta no quarto, dormindo. Coisa que você deveria estar fazendo.
- A Gabriella ta aqui. – Falei enfim.
Ele me observou surpreso.
- Ué, você não sabe de tudo? – Brinquei.
- Quando você a viu? – Ele começou a andar para o elevador.
- A gente acabou de subir alguns andares juntas. – Eu o segui.
Ele apertou o botão para chamar o elevador. Ficou impaciente em frente à porta.
- Olha, preciso de um lugar para dormir.
Ele me olhou surpreso, como se fosse à primeira vez que ele me via ali.
- Segue em frente, tem um quarto no fim do corredor. Pode ficar nele.
Ele me entregou um cartão e sem fazer mais nenhuma pergunta eu fui para o fim do corredor.
Passei o cartão na maquina, fez um barulho de porta se abrindo e eu a forcei, porem ela não se mexeu. Apenas quando eu ouvi uma risadinha as minhas costas percebi que a porta que se destrancou não era a minha.
Virei para trás cansada e dei de cara com o Diego, como sempre encostado no portal, com as mãos no bolso despreocupado.
- Dez a zero para a porta. – Ele sorriu divertido.
Suspirei.
- Você pode me ajudar? – Entreguei o cartão na mão dele.
Ele me olhou desconfiado por alguns segundos até que pegou finalmente o cartão.
- Foi expulsa do quarto? Parece que a Rafa não esta lidando muito bem com a situação.
- Eu odeio isso. A Rafaela foi a melhor coisa que já me aconteceu, quero que todas essas coisas passem logo e eu possa voltar a ter a vida de antes.
Ele destrancou a porta, e a abriu. Dessa vez ele encostou-se ao portal do meu quarto, não tão despreocupado como antes.
- Ela é importante pra você assim como eu um dia cheguei a ser não é? – Ele perguntou devagar.
Refleti por um momento sobre as suas palavras.
- Não. Ela é bem mais que qualquer coisa que já tenha me acontecido.
Sorri cansada e mandei um beijo ao vento para ele como forma de despedida. Entrei e fechei a porta.
Tomei um banho demorado e cai na cama. Embora eu estive muito cansada, não conseguia dormir. O barulho da banda que tocava ecoava cada centímetro do meu quarto, mas a verdade é que não era isso que estava me perturbando, era os meus próprios pensamentos.
Queria ter uma visão avançada, olhar pela janela e ver exatamente a onde a Rafa estava, o que ela estava fazendo, com quem ela estava e é claro tentar fazê-la ficar bem.
Quando a musica se aquietou meus pensamentos finalmente também. Seja lá o que ela estivesse fazendo, agora teria de voltar para o quarto, em vista disso, eu finalmente adormeci.
Acordei com a forte luz do sol, e embora minha vontade fosse ficar pra sempre na cama até aquele pesadelo todo acabar, eu tinha que levantar e encontrar com a Paloma. Precisava de algumas respostas.
Tomei mais um banho demorado e desci. Fiquei com receio de trombar com outra pessoa indesejada no elevador, mas eu tive a sorte de ficar sozinha.
Atravessei toda a parte das piscinas que por sinal já estavam lotadas de pessoas, que eu não sabia da onde tiravam tanto pique para fazer isso. Não vi nenhum dos meus amigos nesse percurso.
Já estava ficando impaciente quando eu avistei a Paloma saindo de um dos salões. Eu a gritei e ela logo já estava vindo em minha direção.
- O Pablo já me contou tudo que aconteceu. – Ela falou rápido e me abraçou – Eu te prometo que isso vai acabar o mais rápido possível.
- A Gabriella esta aqui. O que é que ela veio fazer aqui? – Perguntei assim que ela me soltou.
- Checar, observar. Eu não sei, mas eu não posso impedi-la de entrar aqui. Preciso que tenha paciência.
Ele acariciou gentilmente o meu rosto. Abri a boca para fazer a próxima pergunta quando alguém gritando o nome dela me interrompeu.
Olhei por entro o ombro da Paloma e vi um rapaz, não tão velho, nem tão jovem, também nem tão bonito. Ele parecia que vestia um terno, mas devido ao calor, ele tirou o paletó, o colete a gravata e usava ainda a camisa um pouco desabotoada em cima. Ele tinha as mãos no bolso e um olhar malicioso.
- Não olha – A voz da Paloma me trouxe de volta.
Observando-a notei o quanto ela estava impaciente, desesperada, preocupada. Levei apenas alguns segundos para entender que o moço atrás dela era o meu pai.
- Sorria pra mim, como se não estivéssemos escutado nada – Eu sorri, sem questionar – Agora a gente vai se abraçar, depois você vai me dar as costas, caminhar tranquilamente e procurar o Pablo. Vai contar que todos eles estão aqui.
Ainda sorrindo eu fiz que sim com a cabeça, e como havia me dito ela me abraçou. Forte. Senti todo meu corpo arrepiar. Eu achava que tudo aquilo era simples, fácil e tranquilo demais, porém a julgar pelo modo como estavam agindo as coisas eram mais estranhas do que eu achava.
Dei as costas para ela e comecei a andar. Não olhei para trás, nem ouvi mais nada que pudesse vir da voz dela. O barulho das vozes conjuntas inundava minha alma.
Virei uma das paredes e assim que eu vi que sai do campo de visão eu comecei a correr. Passei por algumas portas e algumas salas, mas nenhum sinal do Pablo. Virei mais umas duas e três portas até esbarrar com o Diego.
- O que aconteceu? – Ele segurou minha cintura para me impedir de cair com o choque.
Levantei a mão em sinal de espera e comecei a tentar contralar a minha respiração. Estava quase sem ar.
Quando ia começar a falar uma das portas atrás dele se abriram. Estávamos na área das saunas, e era essa uma das minhas dificuldades para respirar.
Pela porta passou a Julia, a Lahis a Gabriella e para meu azar a Rafa. Todas com exceção da Gabriella me olharam surpresas.
- Fico feliz que vocês tenham voltado. – A voz da Gabriella quebrou o silencio.
Olhei para o Diego sem entender nada, até que discretamente ele tirou as mãos da minha cintura. Eu queria gritar, chorar, correr. Estava explodindo de raiva.
A Rafa deu alguns passos e se posicionou a minha frente. Com um olhar completamente decepcionado ela engoliu em seco.
Quase recuei quando ela veio com as mãos no meu pescoço, mas fiquei intacta, só quando ela começou a mexer no fecho do meu colar que eu entendi. Antes que eu falasse qualquer coisa o colar caiu nas mãos dela, e sem falar nada, quase sem respirar ela começou sair do locar.
Eu virei para ir atrás dela, mas o Diego segurou a minha mão. A Julia e a Lahis a seguiram, só o meu pior pesadelo continuou posicionado a nossa frente.
- Pode deixar que eu vou cuidar bem dela – Ela sussurrou.
- Fica longe dela. – Falei entre dentes.
Ela sorriu debochada e saiu. Eu encostei-me à parede e deslizei até o chão. O Diego me seguiu e se sentou ao meu lado.
Nós ficamos um bom tempo ali, sentados, sem falar nada, apenas observando as pessoas ao redor.
- O que vamos fazer? – Perguntei por fim.
- Tenta se esconder. Se a Gabriella não tiver você como plateia a Rafaela de nada vale pra ela.
Levantei-me, sabia o que eu queria fazer, tinha uma pessoa que de repente eu queria ver. Peguei meu celular e liguei para a Mari para me certificar de que as meninas não estavam no quarto. Subi de elevador e fui até o fim do corredor, bati na porta me frente ao meu quarto.
A Mindy abriu a porta antes que eu terminasse de tirar a mão. Ela já estava pronta para o show daquele dia pelo jeito, mesmo sendo cedo demais.
- Estava esperando por você. – Ela sorriu.
Pensei que ela fosse me convidar para entrar, mas não ela começou andar pelo corredor enquanto eu continuei parada. Ela olhou para trás e fez um sinal com a cabeça para que eu a seguisse.
Nós descemos as escadas em silencio. Algumas pessoas com as quais encontrávamos nos olhava de um jeito curioso.
- Mindy – Alguém a gritou – Cuidado pra não se sujar com alguma bebida antes da hora.
- Ela não vai. – Respondi firme para o mesmo menino debochado do primeiro dia.
Ela não respondeu nada e continuou andando, eu continuei seguindo-a. Ela parou em frente a porta do auditório. Era um salão enorme onde geralmente era usado para algumas palestras durante o dia. Ela abriu a porta e deu espaço para que eu passasse.
- Desculpa. – Ela sussurrou assim que eu passei.
Eu olhei para trás curiosa, mas ela já tinha fechado a porta. Eu gelei, estava tudo escuro. Pensei em gritar, mas seria humilhante demais.
Continuei intacta, até que uma a uma as luzes foram se acendendo. Fiquei completamente surpresa pelas pessoas que estavam ali.
Alem da Gabriella, estavam o Renan, o Ramon, o Gustavo e o Diego. Eles me olhavam com a mesma curiosidade que eu os olhava.
- O que ta acontecendo aqui? – Perguntei e minha voz ecoou pelo salão.
- Ta na hora do show querida.
A voz da Gabriella ecoou de volta. Ela colocou os braços na cintura e me olhou com firmeza. Eu gelei. Não entendi o que estava acontecendo, mas coisa boa é que não podia ser.














