6° CAPÍTULO - PARTE 1 - O ENCONTRO PARA O DIAGNÓSTICO
Não dormi a noite toda, só olhando para o meu pai. Minha tia me mandava menagem hora sim, hora não, para saber como ele estava. Eu contava as horas pra poder amanhecer, queria ouvir do médico tudo o que estava realmente acontecendo. Eu cochilei. Acordei com alguém abrindo a porta, o meu olhar era fixo. Então o médico entrou, e eu perdi a reação. Quem era aquele homem? Alto, cabelos escuros feito o céu da noite, pele branca feito a nuvem do dia, olhos marcantes feito o um vampiro, e o sorriso… ah era delicado mas firme.
- Bom dia, senhora…
- Malu. (Não sei como consegui responder, estava paralisada).
- Bom Malu, eu sou o doutor Villar, Otávio Villar, e estou aqui para conversar sobre seu…?
- Pai. (Não conseguia expressar mais de uma palavra).
- Certo. Bom, eu pedi outros exames depois que ele chegou aqui. Nós descobrimos algumas coisas não muito boas, mas que está ao nosso alcance para resolver. Seu pai está muito debilitado por conta dos remédios, mas se encontra estável.
- Descobriram o que? (Interrompi sem pensar).
- Se me deixar continuar, irei chegar lá.
- Bom Doutor, o dia que o senhor estiver na mesma situação que eu, espero que quem esteja a sua disposição tenha essa mesma gentileza. (Fui irônica sim, foi necessário).
- Desculpe-me pela indelicadeza, posso continuar?
Percebi que ele havia ficado sem graça, mas não pude me conter. Era meu pai, eu queria saber logo, já estava cansada de tanta demora e enrolação. Concordei com a cabeça e ele continou:
- O remédio que ele tomou quando veio pra cá, foi apenas uma reação alérgica, não é grave mas poderia tê-lo matado. O outros exames mostraram pouco funcionamento do rim, mas já estamos controlando com medicamentos. Ele tem sorte do fígado estar intacto pelo tanto de teor de álcool que havia no sangue, e pelo histórico médico dizer que ele é alcoólatra. Enfim, por último, e mais importante, descobrimos um tumor no fêmur. Ainda está no começo, e vamos dar início ao tratamento.
Eu perdi meu chão. Fiquei muda, acho que tive um ataque nervoso. O médico falava comigo e eu não conseguia responder. Fui ficando pálida, minhas vistas escureceram e então, não me lembro de mais nada.








