Pessoal, queria pedir desculpa pela demora dos capítulos. Tivemos alguns problemas, mas essa semana vou tentar normalizar as coisas!
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Pessoal, queria pedir desculpa pela demora dos capítulos. Tivemos alguns problemas, mas essa semana vou tentar normalizar as coisas!
10° CAPÍTULO - O RETORNO
Assim que cumpri meu horário de serviço, decidi ir passar a noite com meu pai. Fui pra casa pra pegar alguns pertences, tomei um banho, e fui logo. Minha tia não estava em casa, devia estar trabalhando ainda. Deixei um recado avisando que passaria a noite no hospital. Logo, peguei as coisas e fui. Estava no ponto, esperando o ônibus, quando parou um carro e abriu o vidro do passageiro.
- É Malu, certo?
- Sim… (fiquei olhando)
- Sou eu, o médico do seu pai, não está lembrada?
- Ah claro, me perdoe, está um pouco escuro, não havia reconhecido. (risos)
- Está esperando o ônibus a essa hora por quê?
- Vou passar a noite com meu pai!
- Entre aqui, hoje é meu plantão, eu levo você.
- Não vou incomodar?
- Que isso, estamos indo para o mesmo lugar.
Entrei no carro e fomos. No caminho pegamos um pequeno trânsito, o que nos fez conversar bastante. Ele me contou os motivos de se tornar médico, tinha 26 anos e já estava formado. Ele disse que queria se especializar em neurocirurgia, mas que ainda não tinha certeza. Fiquei encantada com tanto conhecimento. Ele era gentil, educado e não deixava o assunto morrer. Um minuto de silêncio…
- Então, me fale de você. (disse curioso)
- Não tenho nada a dizer. Apenas trabalho como secretária administrativa em uma empresa. Quero muito fazer uma faculdade. Mas ainda não tive oportunidade.
- Já te falei que vejo o futuro?
- Acho que deixou essa informação passar. (risos)
- Então, e eu vejo, que você se formará na faculdade.
- Assim espero! Conversa vai, conversa vem, sem que eu percebesse chegamos.
- Chegamos Malu. Vou deixar você aqui na porta e vou estacionar.
- Tudo bem! Muito obrigada, mesmo!
- Ah, só mais uma coisa… Você vai se formar.
Eu sorri, e ele saiu com o carro. Fui subindo devagar, pensando em tudo que havíamos conversado. Quando fui me aproximando do quarto, percebi que havia alguém do lado da cama. Era uma mulher. A princípio achei que era uma enfermeira, mas não estava vestida como uma. Fui entrando devagar.
- Com licença?
Quando a mulher me olhou, tomei um susto, minha pressão deve ter chegado no subsolo, fui perdendo a cor, perdendo a visão. Quando ouvi ela dizendo:
- Filha?! Você está bem?
E então, não lembro de mais nada.
Ansiosa demaaaais para o próximo capitulo. To amando! ❤
Vou postar amanhã! Que bom que está gostando! Hahaha ❤ / Ana
9° CAPÍTULO - A DESCOBERTA
No dia seguinte eu estava bem animada para ir trabalhar. Acordei junto com minha tia, que estava se arrumando para ir ao trabalho também. Estava um pouco ansiosa para ver o Matheus, afinal, como seria? Ele me beijou! Compreendo que pode ter sido atoa, mas ele não me parece o tipo de cara que brinca com as coisas. Fui indo até cozinha quando ouvi:
- Bom dia flor do dia!
- Bom dia, tia! (risos) Está animada com o primeiro dia de trabalho?
- Muito, me levantei até mais cedo para não me atrasar. E você? Está toda sorridente, por quê?
- Eu? Claro que não. Que isso! Tia, vou comer na rua, tchau!
- Pera, fique aqu…
Bati a porta e logo saí, não queria prolongar a conversa. No caminho tinha uma padaria, peguei um café e fui para o ponto de ônibus. Fiquei lá apenas pensando no que havia acontecido. Acho que eu tinha gostado. Assim que cheguei ao trabalho, vi uma mulher na sala do Matheus. Os dois estavam sorridentes. A primeiro momento achei que ele estava fechando um novo negócio. Resolvi não entrar lá. Sentei em minha mesa e comecei meu afazeres. Recebi um telefonema, onde os sócios do Matheus estavam marcando uma reunião de última hora e eu precisava avisá-lo, teria que interrompê-lo. Dei 3 batidas na porta.
- Pode entrar Maria Luísa!
Maria Luísa? Ontem era Malu. O que aconteceu de ontem pra hoje? (pensei)
- Com licença, só vim avisar sobre uma reunião marcada de última hora com seus sócios.
- Tudo bem. Muito obrigado! Já pode ir.
Quando estava quase fechando a porta ouvi uma voz
- Amor, não vai me apresentar? Eu ainda estou nessa sala!
- Ah, claro.. Maria Luísa, essa é minha esposa, Rebeca.
- Muito prazer senhora, com licença.
Ela sorriu e eu saí. Esposa? Como assim? O que foi isso? Como ele pôde me beijar sendo casado? Ele é um canalha. Nunca mais chegará perto de mim. Voltei a minha mesa, fechei a minha cara e terminei o dia assim. Logo que ela foi embora, ele me telefonou e pediu que eu fosse a sala dele.
- O que o senhor deseja?
- Malu, que isso? Sem formalidades. Eu preciso esclarecer uma coisa com você, sobre ontem.
- Por favor, nem continue. Sejamos profissionais. O senhor é meu chefe, e eu sua subordinada, e o nosso tratamento é com total profissionalismo. Eu já entendi tudo muito bem!
- Malu, eu…
- É só isso que deseja?
- Sim, só isso.
Dei as costas e voltei para a minha mesa. Sei que fui um pouco rude, mas ele me enganou. E o que eu menos preciso do meu lado agora, é de gente do tipo dele.
Pessoal, queria pedir desculpa pela demora dos capítulos. Tivemos alguns problemas, mas essa semana vou tentar normalizar as coisas!
+ff amor!! to amando ai 😍💗
Obrigada anjo! Seja bem vinda! Fico feliz que esteja gostando! ❤❤ / Ana
8° CAPÍTULO - A VISITA
Antes de ir ao banco, fiquei em casa descansando. Queria alguém me beliscando agora, quero poder acordar desse pesadelo. Deitei um pouco em minha cama e cochilei. Acordei de repente com meu celular tocando, era do hospital:
- Alô?
- Malu? É a tia…
- Oi tia, pode falar.
- Consegui um emprego, liguei pra dizer que vou chegar mais tarde, pois eu já comecei a trabalhar!
- Que bom tia, fiquei muito feliz em saber. Conversamos melhor quando a senhora chegar.
- Tudo bem então, até logo!
- Até, tia.
Logo que desliguei o telefone, tocou a campanhia. Quando abri, tive uma surpresa.
- Matheus? O que está fazendo aqui? (Matheus é o meu chefe).
- Vim saber como você está. Não deu mais notícias, fiquei preocupado…
- Entre, por favor! Desculpe-me por isso, eu cheguei e fui me deitar um pouco, perdi a noção da hora. (Ele estava tão bonito, e com essa preocupação toda comigo).
- Tudo bem, só queria ter certeza de que estava bem!
- Eu estou sim, obrigada por vir até aqui!
Ele entrou e nossa conversa continuou. Fiz um chá para nós dois, ficamos horas conversando. Ele me dizia vez ou outra que eu poderia pedir qualquer coisa, que ele estava ali para me ajudar. Caramba, como eu não tinha notado ele antes? Nunca ninguém se importou tanto assim comigo. As horas foram passado, até que:
- Bom Malu, o papo está muito bom, mas eu preciso ir.
- Está cedo, não se incomode.
- Sei que está cansada, quero te deixar descansando. As coisas não estão muito fáceis…
- Obrigada mais uma vez por se preocupar. Amanhã cedo eu vou trabalhar, preciso me manter distraída.
- Não se sinta obrigada, vá apenas se estiver bem. Enfim, tenha uma boa noite!
- Tudo bem! Boa noite!
Fui abraça-lo, foi quando ele me agarrou e me beijou. Fiquei assustada, porém, foi a melhor coisa que aconteceu em tempos. Retribuí o beijo, até que ele se afastou…
- Me desculpe, eu…
- Não, não se desculpe. Eu gostei.
- Bom, então acho que não fiz nada de errado.
- Com certeza não!
- Nos vemos amanhã, Malu?
- Claro, nos vemos amanhã.
Ele sorriu e saiu andando. Fiquei olhando até que seu carro saísse da frente de casa. Eu não parava de pensar naquilo, foi incrível. Foi inesperado. Foi maravilhoso.
7° CAPÍTULO - PRESENTE
Era manhã do meu aniversário e o que eu ganhei? Ganhei a notícia de que meu pai tem câncer. Ganhei uma paixão inesperada por um médico. Ganhei algumas dívidas a mais. Sim, eu estou desesperada, mas eu preciso ser firme, preciso ter coragem. Ainda tenho dois dias de folga, preciso me organizar. Minha tia havia me ligado para desejar os parabéns, mas pra mim não fazia diferença. O emprego eu já tinha conseguindo, e no momento que eu estava pronta pra sair de casa, o meu pai precisa de mim. Talvez eu fosse um pouco egoísta, mas quem não seria com as dificuldades que eu venho passando nos últimos anos? Decidi ir pra casa fazer as contas das despesas, pois eu sabia que nada disso ficaria barato. Cheguei na recepção e dei de cara com a Rosa, e disse:
- Rosa, eu vou pra casa, mas a tarde eu estarei aqui de novo. Por favor, cuida dele!
- Malu, estou aqui pra isso. Vá com calma. Descanse. Ele e eu estaremos aqui quando voltar.
Ela me abraçou, me virei e sai.
Chegando em casa minha tia tinha deixado um a bilhete dizendo que se eu aparecesse por lá, ela estaria procurando emprego. Fiquei surpresa, mas feliz. Peguei os documentos e comecei a fazer as contas de quanto gastaria no hospital, e o resultado eu já sabia. Era muito mais do que eu poderia pagar. Sabia que não conseguiria empréstimo pois meu emprego era recente, então, o medo e o desespero sentaram ao meu lado. Teria de ir ao banco e hipotecar a casa, não me importaria de dormir na rua, contanto que meu pai estivesse vivo e curado.
As horas parecem séculos que esqueceram de passar.
Pensamentos de Malu
6° CAPÍTULO - PARTE 2 - PENSAMENTO DE OTÁVIO
Quando abri a porta do quarto 219, foi assustador. Quem era aquela garota que tirou toda a atenção que eu precisava para explicar o quadro do pai. Cabelos castanhos, um metro e setenta no máximo, corpo esculpido, olhos azuis que lembravam o céu no dia de verão. Ela era intrigante, séria, sua feição não era de sofrimento ou susto, mas seus denunciavam tudo o que eu precisava saber. Sabia tão pouco sobre ela, mas sabia que ela era apaixonante. Me arrependi de ter sido estúpido com ela, era apenas uma garota preocupada. Mas eu estava assustado, perdi a concentração e não sabia o que dizer. Aquela foi uma “descontração” que eu precisei para poder me situar. Queria vê-la de novo, na verdade, eu acho que precisava disso. Aliás, acho que foi apenas um impulso. Eu sou médico do pai dela, eu sou um profissional, se envolver com uma familiar do paciente está totalmente fora do meu padrão de ética. Foi apenas um equívoco. Eu vou saber controlar, eu previso saber me controlar. Enquanto isso, torço pro nosso destino se cruzar em outros caminhos que não seja no corredor de um hospital.
6° CAPÍTULO - PARTE 1 - O ENCONTRO PARA O DIAGNÓSTICO
Não dormi a noite toda, só olhando para o meu pai. Minha tia me mandava menagem hora sim, hora não, para saber como ele estava. Eu contava as horas pra poder amanhecer, queria ouvir do médico tudo o que estava realmente acontecendo. Eu cochilei. Acordei com alguém abrindo a porta, o meu olhar era fixo. Então o médico entrou, e eu perdi a reação. Quem era aquele homem? Alto, cabelos escuros feito o céu da noite, pele branca feito a nuvem do dia, olhos marcantes feito o um vampiro, e o sorriso… ah era delicado mas firme.
- Bom dia, senhora…
- Malu. (Não sei como consegui responder, estava paralisada).
- Bom Malu, eu sou o doutor Villar, Otávio Villar, e estou aqui para conversar sobre seu…?
- Pai. (Não conseguia expressar mais de uma palavra).
- Certo. Bom, eu pedi outros exames depois que ele chegou aqui. Nós descobrimos algumas coisas não muito boas, mas que está ao nosso alcance para resolver. Seu pai está muito debilitado por conta dos remédios, mas se encontra estável.
- Descobriram o que? (Interrompi sem pensar).
- Se me deixar continuar, irei chegar lá.
- Bom Doutor, o dia que o senhor estiver na mesma situação que eu, espero que quem esteja a sua disposição tenha essa mesma gentileza. (Fui irônica sim, foi necessário).
- Desculpe-me pela indelicadeza, posso continuar?
Percebi que ele havia ficado sem graça, mas não pude me conter. Era meu pai, eu queria saber logo, já estava cansada de tanta demora e enrolação. Concordei com a cabeça e ele continou:
- O remédio que ele tomou quando veio pra cá, foi apenas uma reação alérgica, não é grave mas poderia tê-lo matado. O outros exames mostraram pouco funcionamento do rim, mas já estamos controlando com medicamentos. Ele tem sorte do fígado estar intacto pelo tanto de teor de álcool que havia no sangue, e pelo histórico médico dizer que ele é alcoólatra. Enfim, por último, e mais importante, descobrimos um tumor no fêmur. Ainda está no começo, e vamos dar início ao tratamento.
Eu perdi meu chão. Fiquei muda, acho que tive um ataque nervoso. O médico falava comigo e eu não conseguia responder. Fui ficando pálida, minhas vistas escureceram e então, não me lembro de mais nada.
Meu orgulho sempre tomou conta de mim, até nas horas mais impróprias.
Pensamentos de Malu
5° CAPÍTULO - A HORA DA VERDADE
Fui entrando devagar no quarto, meu pai não estava acordado e isso me fazia me sentir pior. Fiquei alguns minutos lá, parada, apenas olhando. Eu não entendia muito bem todos aqueles aparelhos ligados nele, mas conseguia entender que seus batimentos estavam um pouco baixos. Decidi sair e conversar com a minha tia, não tinha entendido o pedido de desculpa no corredor, afinal, foi ela quem estava com ele na hora do ocorrido, de certa forma, ela teria salvado a vida dele. Quando sai no corredor, ela estava cabisbaixa, sentei-me ao lado dela e perguntei:
- O que houve tia Márcia?
-Querida, me desculpe, eu jamais pude imaginar que…
- Tia, o que houve? (Interrompi, repetindo a pergunta).
- Seu pai estava com dores pelos corpo, eu dei um remédio pra ele no qual eu o fiz ingerir com gim, dizendo que seria melhor. Algum tempo depois, ele de queixou de novo e quando menos esperei, ele caiu e não se levantou mais.
Eu pensei em várias coisas pra dizer naquele momento, como por exemplo o quão ela era irresponsável ou que ele podia morrer e a culpa seria toda dela, mas ela é humana, tinha todo direito de errar. Então, de tudo o que havia passado pela minha cabeça, eu resolvi dizer uma coisa bem simples, mas com um tom de frieza e quem sabe, um pouco de desprezo:
- A senhora não é médica Tia Márcia, erros são cabíveis até certo ponto. Sua irresponsabilidade foi tamanha, pois ele poderia estar morto, mas a senhora soube assumir o erro. E eu, sei perdoar.
Ela apenas me abraçou e chorou durante alguns minutos, minutos que pareciam séculos.
Ficamos horas paradas ali, sem saber o que dizer, talvez tivesses assunto, mas nenhum servia para aquele momento. Eu estava preocupada, nenhum médico tinha vindo até o quarto desde a hora que cheguei, já se passavam 3 horas de agonia. Minha tia disse que precisava ir descansar, e eu disse que tudo bem, afinal, meu pai só poderia ter um acompanhante, nada mais justo, que eu ficar ao lado dele. E essa questão não entraria em discussão, minha Tia sabia disso. Ela se despediu, virou-se e foi embora.
Senti que ela queria dizer alguma coisa, mas nada poderia concertar o que ela fez, então, preferiu o silêncio.
Logo que ela se foi, eu decidi ir ao quarto ficar ao lado dele, esperando que ele acordasse ou demonstrasse algum sinal que me fizesse acreditar que ele estaria bem, mas tudo foi em vão. Nesse tempo, havia ligado no meu trabalho e conversado com meu chefe, ele me liberou três dias e também disse que não descontaria meu salário. Eu sabia que ele faria algo do tipo, ele se importa com as pessoas.
Horas e horas se passavam e nada. Até que uma enfermeira entrou no quarto para aplicar um medicamento, mais que depressa eu perguntei:
- Com licença enfermeira, que horas vem um médico aqui para que eu possa falar com ele?
- Rosa, pode me chamar de Rosa. (Disse ela com um ar suave e doce). Olha querida, o médico do seu pai estava de plantão essa manhã, então só voltará amanhã de manhã. Mas o plantonista de hoje, poderá vir aqui para tirar algumas dúvidas suas, tudo bem? (complementou).
- Ah, claro. Obrigada Rosa!
- Estarei aqui a noite toda, caso precisa de alguma coisa, aperte esse botão (apontou ao lado da cama), uma luz irá ascender lá onde eu fico, virei o mais depressa que eu puder.
Consenti com a cabeça, e ela saiu.
Liguei para minha tia e pedi que arrumasse algumas trocas de roupas e contratasse um serviço se motoboy para levá-las pra mim. Em pouco tempo, minhas roupas estavam lá. Me troquei, e sentei ao lado dele, esperando alguma reação. Percebi que alguns números que estavam caindo, repetidamente, apertei o botão que ascendia a luz o mais depressa possível, a enfermeira chegou e ao ver aquilo, já chamou outros médicos e enfermeiros, meu pai estava tendo uma parada cardíaca.
Me tiraram do quarto, eu fiquei muito brava, mas entendia os procedimentos. Passou alguns minutos e a Rosa saiu e veio em minha direção. O olhos dela estavam tristes, eu já estava esperando o pior.
- Querida, o médico está vindo e vai falar com você, desculpa não poder dizer mais nada! (disse ela).
Logo veio o médico, que disse:
- Boa noite, senhora…?
- Me chame de Malu, só isso.
- Bom Malu, meu nome é Doutor Carlos Simão, vou ser bem direto! Qualquer dúvida me interrompa que eu explico.
Eu balancei a cabeça dizendo que sim e ele continuou:
- Seu pai teve uma parada respiratório, nós intubam pois o coração não estava tendo batimentos suficientes que o mantivesse vivo. Agora, temos que esperar, eu pedi mais alguns exames, e amanhã cedo, quando o médico dele voltar, irá ter os resultados e passará tudo pra você. Alguma dúvida?
- Não, Doutor!
Ele sorriu, e saiu.
Aquele riso pra mim, foi um sinal de que eu estava com sorte por meu pai estar vivo ainda. Apesar de tudo o que estava acontecendo e a situação que meu pai se encontrava, me deixaram ficar no quarto ainda, acho que eles pensaram que ele não teria muito tempo.
4° CAPÍTULO - O TELEFONEMA
Deixei o telefone tocar algumas vezes, e temia atendê-lo.
- Bom dia, com quem eu falo?
- Bom dia, aqui é do Hospital Central, gostaria de falar com Maria Luisa.
- É ela, pode dizer… (meu coração já não batia tão assustado a tempos).
- Sentimos em informar que seu pai foi trazido para cá, sua situação agora é estável, mas precisamos que um parente venha até aqui, para que possamos terminar de arrumar as papeladas de sua internação.
Parei de ouvir depois que a mulher disse “foi trazido para cá”, perdi as forças, o telefone caiu, eu fiquei sem reação, e só conseguia pensar que meu pai podia estar morrendo. Muitas pessoas me diriam que seria bom, que eu poderia seguir minha vida sem sofrimento, mas naquele momento eu só pudi ter uma certeza, se não sofrer mais é ver meu pai morrer, eu quero sofrer o resto da minha vida.
Meu chefe percebeu meu estado de choque, perguntou o que havia acontecido, disse sobre a ligação. Ele se ofereceu para me levar até lá, meu orgulho recusaria a ajuda, mas naquele momento, não estava em situação de deixar o orgulho à frente. Chegando lá, fui correndo até a recepção, perguntei sobre meu pai, e eles me barraram, disseram que antes que eu pudesse vê-lo deveria preenche os papéis, eram “ regras”. Eu até tentei argumentar que não era hora de papéis, meu pai estava em uma cama de hospital, mas em certas horas, eles conseguem ser bem frios e inconvenientes. Tentei preencher tudo o mais rápido possível, logo que terminei, me disseram o quarto que ele estava e eu fui até. Enquanto esperava o elevador, minha cabeça girava, e eu só conseguia pensar, que poderia estar indo para um último encontro com meu pai. Assim que o elevador chegou, apertei o número 5. Esses números, jamais serão esquecidos, quinto andar, quarto 219.
O elevador abriu a porta, e eu vi minha tia, sentada em um banco em frente ao elevador, ela levantou, me abraçou, e pediu desculpas, eu não entendi muito bem, mas retribui o abraço. Pedi licença e fui até a porta do quarto, quando me deparei com meu pai naquela situação, não pude me conter, lágrimas escorriam dos meus olhos feito chuva caindo do céu, e eu sentia ele distante como se já não estivesse mais entre os vivos.
Tinha medo de entregar meu coração a alguém, ele já era tão machucado, não queria mais nenhuma cicatriz.
Pensamentos de Malu
Eu sempre tive problemas, mas enfrentei todos sorrindo, não queria que ninguém percebesse minha fraqueza. Queria me mostrar forte, assim era mais fácil de seguir em frente.
Pensamentos de Malu
Me contento sempre com o que tenho, afinal, nunca sabemos quando tudo pode piorar.
Pensamentos de Malu