Capítulo 1O - We Are Always Be Together
- AW, SÉRIO QUE ELE ME CHAMOU TAMBÉM? NÃO ACREDITO! – Vivian deu um berro no meu ouvido, quase ganhou um soco
- É sério, mas se continuar nessa viadice toda eu não te levo. – sentei na cama
- Está vendo? Até o seu ficante gato me inclui nas coisas e você não. Aprenda mais com ele. – sentou na cama do lado, pegando o controle remoto
- Eu te incluo em tudo, Vivian. Deixa de ser escrota. E ele não é meu ficante.
- Ok, seu amigo. – me olhou desconfiada
- Vou começar a arrumar minhas coisas para mais tarde. Você podia dar um jeitinho nesse quarto, ta um lixo.
- Preguiça não deixa.
Peguei meu corpete que estava em cima da cômoda e comecei a arrumar minhas coisas para trabalhar logo mais. Ficou um silêncio, só estava ouvindo o barulho do ventilador meio devagar e Vivian cantarolando algo enquanto olhava pro teto.
- Sente falta da sua mãe? – perguntou
Parei o que estava fazendo, fiquei encarando a roupa dobrada em minha mão.
- Sinto. Por quê?
- Faz muito tempo que não a vê, certo? – sentou
- Faz.
- Um dia você deveria ir visitá-la.
- Eu sei. Um dia a visito... Um dia.
- Me leva junto? Adoraria conhecer a sua mãe, ela deve ser uma ótima pessoa pelo que você já me falou sobre ela. – sorriu
- Claro, ela vai adorar te conhecer também. – parei para encará-la – E seus pais?
- O que tem eles? – pareceu surpresa
- Não fala com eles? Você sempre muda de assunto quando perguntam deles e por isso sempre tive curiosidade.
- Eu não sei... Eu não os conheço. – deu de ombros, meio decepcionada
- Jura? – fiquei surpresa, confesso
- A única coisa que sei é que nasci na Irlanda, morei lá durante um tempo e depois vim parar aqui. Eu não conheço meus pais, nem sei se tenho irmãos...
- E você morava com quem? – a encarei, achando aquilo bem suspeito
- Com a Maria. Eu a chamava de mãe até uns treze anos, quando descobri que ela não era minha mãe de verdade e tal.
- Você fugiu de casa? – sentei na cama, em sua frente
- Mais ou menos... A Maria foi ao mercado comprar umas coisas, passávamos por uma situação meio precária, ela ia perder a casa por falta de pagamento e eu não estava aguentando mais aquilo. Quando voltou, chorava muito e me obrigou a ir atrás de um emprego para ajudar em casa, sendo que ela mesma nunca se movimentou para fazer isso, eu que fazia mais por onde. Acabamos em uma briga feia e eu saí de casa, mas voltei a noite. Assim que cheguei, vi pela janela ela conversando com um cara sobre mim e que não era minha mãe. Só em ter ouvido isso não quis saber de mais nada, simplesmente fui embora sem nada, apenas com alguns trocados no bolso. Vim para Londres e conheci a Tina, quando estava “trabalhando” na janela de um carro. Ela ficou com pena de mim e me chamou para cá, me deu comida e roupas limpas. Daqui eu nunca mais saí.
- Então quer dizer... Que a Tina já era daqui? – perguntei, curiosa
- A Tina é filha do antigo dono daqui, ela é uma Calder. O pai dela conseguiu vender umas ações aí e vendeu inclusive esse lugar para o atual dono, Sr. Mencari. Ele hoje é milionário, dono de uma empresa de música muito famosa.
- Como assim “uma Calder”?
- Nunca ouviu falar? A família Calder é uma família rica, na época que o Sr. Calder era dono dessa boate, eles estavam em falência até ele conseguir vender a boate e algumas de suas ações, voltando ao topo dos negócios.
- E porque ela trabalha aqui, sendo que o pai dela é rico? Isso não faz sentido.
- Eles nunca se deram bem, nunca mesmo. A Tina tem uma irmã gêmea, a Eleanor. Ela é a filha certinha, perfeita e a família sempre preferiu ela do que a Tina. Eleanor passou para uma faculdade de primeira, Tina não e isso causou maior revolta com o pai, eles brigaram e ela decidiu levar a vida que leva hoje.
- Acho que entendo um pouco o lado dela.
- Você não tem irmãos. Tem?
- Não desse lado, mas a parte da faculdade e da revolta com o pai dela. Eu passei por isso, uma merda.
- Eu admiro a Tina, ela me ajudou bastante.
- Não sabia dessa história dela... Nem da sua. Confesso estou bem surpresa.
- Normal, todo mundo fica. Evito contar, porque não há necessidade das pessoas saberem e sentirem pena de mim.
- Olha, você não tem vontade de saber quem são seus pais? Sabe, se você tem irmãos, sua família... Eu fiquei com vontade por você.
- Eu tenho, muita vontade mesmo. Mas não tem como eu saber... Na minha certidão de nascimento eu estou registrada como filha da Maria e sem pai.
- Você pode descobrir sim, eu vou te ajudar. Acho que todas nós merecemos uma chance. – peguei em sua mão, sorrindo
- Merecemos. – sorriu
- Agora vou me arrumar, temos que ir para o trampo. – levantei
- Rose, Obrigada! Você é a pessoa mais importante pra mim. – levantou, me abraçando
A abracei, forte. Eu entendia o que ela passava, nos entendíamos, na verdade.
- Você também. – sorri
Após esse momento amor fraternal, estava me maquiando na frente do espelho, só faltava isso para ficar pronta. Fui para o centro da boate, começar minha noite. Precisava tirar Harry da cabeça, se quisesse trabalhar direito. Resolvi antes de subir para o pole dance, beber alguma coisa bem forte. Virei um copinho de Whisky, para entrar no clima. Assim que estava indo para o pole dance, sou parada por um garoto, aparentemente de uns vinte anos, lindo, olhos azuis e cabelos lisos meio jogado pra cima. Me lembrava um pouco o Harry, não sei porque. O garoto me pegou pela cintura, me dando um beijo no pescoço, grande ponto fraco meu.
- Qual seu nome? – perguntou
- Alice. – sorri
- Que gata você, Alice. – me beijou lentamente no rosto
- Digo o mesmo. – segurei em seu ombro
- Podemos conversar ali no banco mais reservado? – beijou o canto da minha boca
- Claro, vamos. – o puxei
Fomos para um puff que ficava em um dos cantos mais reservados. Ele se sentou e eu me sentei eu seu colo, de lado. Começamos a nos beijar, na minha cabeça estranhamente era o Harry que estava ali comigo e isso me dava mais vontade ainda do garoto. Sentia seus beijos fortes no pescoço e acabava sorrindo, passando minha mão por dentro de sua blusa, sentindo seu físico pouco definido. A textura do cabelo dele era similar a do Harry, então eu estava completamente cega durante aquele momento, sem necessidade admito. Pegou em minhas costas, me pressionando forte sobre ele. O abracei, beijando seu pescoço e sentindo através de seus apertos, alguns arrepios.
- Você é muito gostosa, vou fazer uma coisa. – sorriu, abrindo meu corpete
- Faça o que quiser, Harry. – sorri, o abraçando, já estava um pouco bêbada
- Harry? Quem é esse? – perguntou, parando
- Ãn? Não, me desculpa eu estava... O que? – olhei em volta
- Não importa, pode me chamar de quem quiser, eu não ligo! – riu, voltando a me abraçar e me beijar
- Não, espera... Não quero fazer isso, me desculpa. – levantei, fechando a roupa
- Não se vá, eu estou pagando por você sabia? – segurou no meu braço
- Ótimo, pague por outra garota. – me soltei
- Vadia! – gritou
Fechei a cortina do lugar que estávamos, saindo dali totalmente puta com aquele imbecíl.
- Rose? – Lauren apareceu
- Obrigada. – peguei um copo de bebida que estava em sua mão, bebendo
- Mas- Onde você vai?
- Me deixa, Lauren.
Coloquei o copo em sua mão e saí andando em direção ao meu quarto. Entrei e bati a porta, como eu estava com raiva daquele cara e do jeito que ele me tratou, aliás de como todos os caras ali dentro me tratavam, como qualquer uma. Eu não podia pedir diferente, estava lidando com lixo e eu estar trabalhando ali fazia parte disso. Não tem motivo para o Harry gostar de mim ou ser meu amigo, eu sou uma Stripper e ganho dinheiro para exibir meu corpo e seduzir homens. Joguei tudo que estava na cama no chão, deixando o quarto uma bagunça. Me joguei na cama e comecei a chorar, estava em prantos e me odiando naquele momento. Tudo que eu queria era me matar.
Acordei com o vento na minha cara, já era umas duas da tarde. Sentei e vi a janela aberta, a fechei. Olhei para o lado e vi Vivian no terceiro sono. Peguei meu celular para ver a hora e tinha milhares de mensagens do Harry querendo que eu confirmasse minha presença hoje, que eu tinha que ir, essas coisas. Não respondi nenhuma, minha cabeça estava explodindo e a minha vontade de ir não era das maiores, porém Vivian estava muito animada para sair e ver gente nova então, não deu outra.
- Vivian, acorde. - a cutuquei
- Por favor, agora não. Preciso de cinco minutos. - sussurrou
- São duas da tarde, logo mais temos que sair.
- AI! - levantou - Verdade, ainda bem que me acordou, pensei que ia sem mim.
- Não iria fazer isso com você.
- Cara, o que aconteceu com você ontem? Tipo... A Lauren falou que você estava estranha e veio para cá, eu não entendi direito.
- Eu estava muito enjoada e vim deitar, acho que bebi algo que não me fez bem.
- Está grávida? - perguntou, surpresa
- Da onde você tira isso? Eu não estou grávida. Quando estiver você vai ser a segunda pessoa a saber.
- Porque a segunda? Quem vai ser a primeira?
- Eu. - soltei um riso - Anda, vamos arrumar esse quarto para daqui a pouco podermos ir na festinha lá. - levantei
- Que horas que devemos estar lá?
- As cinco.
Mandei uma mensagem para o Harry perguntando onde é a casa do Niall, ele se ofereceu milhões de vezes para me buscar aqui mas eu insisti em dizer que não precisava. Me explicou onde é e eu anotei tudo direito, até que não é distante. Com a ajuda de Vivian, deixei o quarto no brilho. Escolhemos a roupa para sair e Vivian estava muito mais animada que eu, dava pra perceber isso. Passando as horas, nos arrumamos e fomos para a tal social. Tivemos que pegar dois ônibus e ainda andar um bom pedaço.
- Casa dezessete. - olhei a casa - Parece ser aqui. - falei
- Aham, tenho certeza que é essa. Porém, pergunte ao Harry para confirmar.
- Meu sinal caiu, não tem como mandar mensagens. Enfim, vai ser essa mesmo.
Fomos andando até a porta da casa, que era bem bonita, amarela bem clara e com duas janelas bem na frente, uma em cada lado, ambas de madeira assim como a porta. Tinha um jardim lindo na frente, ao lado do caminho de pedras que dava na porta. Toquei a campainha uma vez, logo percebi uma voz masculina vindo abrir a porta.
- Você deve ser a Rose! - disse um rapaz muito bonito, assim que abriu a porta, olhando para mim
- Sou eu. - concordei, estranhando
- Prazer, eu sou Liam. - esticou a mão, sorria de um jeito fofo
- Olá Liam, prazer. - sorri, apertando sua mão - Esta é minha amiga Vivian. - saí da frente de Vivian, dando visão dele para ela
- Ah, Olá Vivian. - sorriu, pegando em sua mão
- Oi... Prazer. - sorriu, bem tímida
- Venha, entrem. Harry já estava desesperado em vocês não chegarem. - deu passagem
Entramos na casa, que era puro amor. Toda arrumadinha, tinha até um cheiro meio floral que era muito bom. Olhei em volta e vi vários porta-retratos pendurados nas paredes, aparentemente do Niall com a família.
- Só para constar, essa casa não é do Niall e sim da mãe dele. - disse Liam, dando uma risada
- Eu suspeitei. - disse
- Rose! - Harry levantou do sofá, vindo em minha direção
- E aí. - sorri, o abraçando
- Venha, vou te apresentar aos meninos. - pegou em minha mão
- Harry, eu trouxe a Vivian. - falei, a mostrando
- Eu sei, a vi. Oi Vivian. - sorriu, a cumprimentando
- Oi. – sorriu, simpática
- Venham, vamos nos sentar com os outros. – pegou em minha mão
Fomos para o centro, onde mais uma menina estava sentada ao lado do Louis, muito bonita, tomava chá. Deveria ser sua namorada, algo assim. Os demais eu já conhecia.
- Zayn, Niall e Louis você já conhece. – disse
- Os outros dois também. Oi meninos. – sorri, esticando a mão
- Então Rose, se eu te conhecesse nesse exato momento, não diria que você trabalha naquele lugar. – disse Zayn, que engraçadinho. Só que não.
- Então Zayn, se eu te conhecesse nesse exato momento, não diria que você-
- Opa – Harry tampou minha boca – Então, essa é Vivian, amiga dela. Vivian estes são Zayn, Niall e Louis. Ah, aquela é Samanta, namorada do Louis.
- Oi gente! – Vivian acenou, sorrindo e meio tímida
- Então, pode se sentar aqui. – disse Liam, se referindo a ela
- Ah, obrigada. – sorriu, ela estava muito engraçada com vergonha
- Rose, como está? – sorriu Louis, enquanto também bebia chá
- Bem e o senhor? – me sentei ao lado de Harry
- Ofensivo esse senhor. – deu de ombros, colocando a xícara na mesa
- Me desculpa, não quis parecer chata. – disse, sarcástica
- Essa é das minhas Harry. – soltou um risinho, não entendi
- Loirinha, você também trabalha junto com a Rose? – perguntou Louis
- Ahm... Sim. – deu de ombros
- Ela tem mais cara de santa. – Zayn sussurrou para Niall, em uma altura que eu consegui escutar
- Tudo bem, olhem. Não quero causar a impressão daquele dia, aqui não estamos trabalhando. – encarei Zayn
- Indireta recebida com sucesso. – piscou
- É um prazer estarmos aqui Niall, obrigada. – falei
- Eu que agradeço a presença de vocês, caso não viessem Harry iria ter um surto. – riu
- Eu imagino. – o encarei, ficou sem graça
- Ok, não vamos mais falar nisso. – Harry levantou – Niall, vamos pegar as coisas que você preparou para comer?
- Claro, vamos. – levantou
Ficamos conversando durante um tempinho. A namorada do Louis é bem simpática, também conversou bastante com a gente. Não tocaram mais no assunto sobre o que eu e Vivian fazíamos e isso me deixou mais aliviada. Minutos depois Zayn colocou uma música no rádio e Harry e Niall chegaram com algumas coisas para comer e beber. O clima entre Vivian e Liam estava aumentando a cada vez que eles se olhavam, tanto é que até me ofereci para mudar de lugar com ele e eles sentarem um ao lado do outro. Enquanto todos conversavam e riam, eu observava o quanto eles dois ficavam lindos juntos e torcia por alguma coisa acontecer.
- Rose, você canta? – Niall pegou um violão
- Eu? – me assustei, saindo do mundo shipper de Viam (Vivian + Liam) – Não, eu não canto...
- Ela canta sim. – Vivian brotou no assunto – Canta muito bem e sabe tocar violão! – bocuda, como sempre
- Sério? – Harry ficou surpreso – Eu não sabia disso! – se animou
- Vivian está enganada – sorri, tentando fugir do assunto – Eu não faço nada disso.
- Prove. – Niall me ofereceu o violão
Peguei o violão. Todos ficaram me encarando, morri de vergonha. Não é que eu não toque violão, eu toco bem pouco e para me distrair às vezes. Respirei fundo, olhei o violão e o preparei no meu colo. É, tocar um pouquinho não iria fazer mal a ninguém.










