E bareamos.
No cair da noite, sempiterno e fluvial, corrente de certezas, correnteza. Castiguei um sorriso severo, mas lá no canto uma loura de batom carmim. Você diz que ama-me, mas ama-me, assim? "As batatas daqui não são nada de tão mau", sou vegetariana, distorcida, uma película na capa do seu olhar. Anti-álcool, quando estou acompanhada da tua alma, sem ela, alcoólatra. Minhas medidas de atualização estão comprimidas, sou sem swing, sem swag, sem ginga. Vim no bar contar poesia, contar história, porque eu mesma sou insossa demais para estar aqui. Sem lourisse, sem batom carmim, sem a captura de atenção alheia. Vestidinho atado estilo sereia. E eu aqui, perdida em um jeans roto, um jeito nada maroto de contar meus porquês. Ganhas e perdas, apostas e fichas e no final, a vossa mercê. Vim barear, contar meu pessimismo, meus grilos, devassicalidades, neologismos recém-criados, e um pesar bem mal citado. Tenho culpa de tentar beijar as estrelas nas pontas dos pés e cair na beira do abismo azul? Vamos meu amor, um passaporte para dois, direto para Istambul. Quero fugir da rotina, desse bar de esquina, daquele velho tabu. Hoje sou mais que menina, sou criança crescida, e a minha língua é suave e fina, e por que tu? Porque bareamos, meu bem, e você e mais ninguém, têm o papo que eu procuro, come with me, eu seguro-te. Eu asseguro-te. Tentaremos. Estou só, lidando com meus pensamentos turvos, no meu calcanhar de Aquiles têm um spot só seu. Tem a medida certa dos teus lábios, e o convidativo para um só beijo. Sê é que você contenta-se com um. Não compliquemos, nem vamos jogar muita conversa fora. Quero jogar conversa dentro, infesta meu coração de verdades. Acelero exatamente pois não confio, se confiasse iríamos bem devagar. Quero ver onde este gostar pode ir dar. Atinge meus pulmões, quero ouvir a tua respiração romper a minha. Atinge minhas batidas, quero ouvir fazê-las mais fortes. Atinge meu ofegar, quero ouvir roubá-lo de mim. Não levemos ao casual anymore. Quero alguém para estar by my side. Os beatles gostariam de ainda tocar todos os dias no rádio: "Oh darling, please believe me, i'll never do you no harm. Believe me when i tell you, i'll never do you no harm." E eu gostaria disto também. Algum lance de sorte? Meu coração gentilmente lateja e chora. Eu gostaria que fosse tu, e não outra afora. Minha alma tão jovem agora arredonda para os trinta, sinto necessidade de acomodar meus sentimentos, não dê-me distúrbio, dê-me alento. Quero assentar-me contigo. Não vê? Uma carta, uma pizza, uma tevê. Bareamos e bailamos, meu amor, temos uma vida para explicar-nos. E está declaração é simples e tola, e este futuro nem próximo está. Estou aqui sentada ainda naquele bar. A loura carmim piscou para você, mas você veio para mim. Porque te almejei, minha energia te doei, e esta declaração escrevi, roguei a mim mesma por ti. Pode dar tudo errado, mas questionar-me para quê? Quero uma chance, um arrisco, com você. Ama-me agora, lança-me assim, naquele abismo azul. Os seus braços envolvem-me para largar esta caneta. Não morri, apenas algumas histórias precisam ser vividas para ter continua__ (...) (Di Carnieri.)











