O café estava vazio. Algumas pessoas andavam na rua em frente, e eu me vi aproximando-me de uma mesa. Como sempre, chovia em Londres. Errou aquele que disse que São Paulo era a cidade da garoa. Londres remete a frio, inverno, chuva. Londres dá vontade de querer andar na rua mesmo que vente. Londres dá vontade de dançar na chuva. Mas eu estava sentada em mais um café em Knighstbridge, olhando para fora e vendo as inúmeras vidas passarem. Pedi um chá a moça que veio, alguns biscoitos e continuei a observar. Talvez tenha sido aqui que um casal tenha se apaixonado, que uma criança se perdeu da mãe, que amigos curaram a dor de cotovelo. Londres me deixava nostálgica. A cidade me lembrava momentos inesquecíveis, e eu tinha certeza que ainda me traria grandes lembranças. Eu me apaixonei pelas vidas londrinas. Pelo sorriso do moço do metrô, da mulher da padaria. Eu caminhava pelas ruas movimentadas e me sentia em casa mesmo não estando, mesmo sendo uma cultura totalmente diferente, mesmo que a língua materna deles não fosse a mesma que a minha. Eu me apaixonei por Londres porque a feirinha de Porto Belo Road é uma feira hippie dos sonhos, porque os brechós são apaixonantes, porque passo por trem, metrô e sempre há alguém tocando alguma coisa. Sempre há um aspirante a músico, ou simplesmente, um estudante precisando de dinheiro, e as pessoas param para escutar, param para dar atenção àquele estranho. Eu me apaixonei por Londres porque os musicais também estão aqui. Desde Wicked até Dirty Dancing. Essa é a terra dos Beatles, da Amy Winehouse, da Joss Stone, do Coldplay. Londres é inspiração, é ser feliz mesmo com o tempo feio, é deixar-se mergulhar nas palavras de Jane Austen, William Shakespeare, J.k. Rowling… Vá ao Covent Garden, à Oxford Street, ao Picadilly Circus, ou então até visite o British Museum, o Tate Modern. Faça um passeio pelo River Cruise, visite o Parlamento, o Big Ben, ande no Double deck Bus, no táxi preto. Vá ao restaurante do Jamie Oliver, coma em alguma feirinha qualquer e não passe mal com o tempero depois. Viva Londres. Pegue um trem, um ônibus, qualquer coisa, e vá para Oxford, Cambridge, Canterbury, Hasting… ou até Edinburgh. Viaje pelo Reino Unido, mas comece por Londres. Seja um turista ou um mochileiro. Essa foi a conclusão a que cheguei. Londres roubou meu coração como nenhuma outra cidade fez e eu fico aqui pois faz frio mas a alegria me pertence mesmo assim. Hoje, eu tomo um chá em homenagem à essa cidade, fico imaginando o dia em que essa cidade tomará um chá em homenagem a mim.
Apaixone-se por Londres, Carolina Michels








