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autocuidado e terapias táteis da The Body Shop
for @notyourbambina
Desde o dia em que Catarina colocou os pés em Khadel, Aslihan soube que não ia com a cara dela. Era instinto, faro aguçado, ou pura paranoia — talvez um pouco dos três. Nova na cidade, envolta em mistérios, e ainda por cima se aproximando de Aaron como se o conhecesse há séculos? Mas foi como se um alerta interno disparasse, e isso foi bem antes de ela ficar desconfiada com tudo após a prisão. Algo ali incomodava. Não porque ela não suportasse ver o melhor amigo fazendo novas amizades — Aslihan podia ser muitas coisas, mas não era possessiva. Era protetora. Só que as certezas começaram a ruir quando, numa noite qualquer e sombria de fim de janeiro, Catarina a viu frágil. Viu o que poucos viam. Nada de ironia, sarcasmo ou cheia de opiniões — só uma mulher sem ar, vencida pela ansiedade. E ajudou. Discretamente, mas com firmeza. E aquilo deixou Aslihan ainda mais desconfiada, como se generosidade fosse uma moeda suspeita vindo dela. Depois, vieram as missões. Ela e Aaron de um lado — e quase o perdeu. Catarina, do outro, aparecendo sempre no hospital, silenciosa, presente. Aslihan não sabia mais o que pensar. Mas sabia sentir. E sentia que talvez estivesse errada sobre ela.
Então, semanas depois, quando o evento da Fiera dei Sensei começou, ela foi sozinha, como de costume. Aquela se tornou sua forma favorita de estar entre as pessoas: observando-as à distância. Mas bastou um passeio breve no primeiro andar, e a ideia surgiu. Pensou, releu a mensagem três vezes antes de enviar. "Já veio conhecer a feira? Se quiser vir amanhã… te faço companhia... se quiser." Quase apagou, mas não apagou. Enviou. E, para sua surpresa, Catarina aceitou. Aslihan estava encostada num dos arcos floridos da entrada principal quando viu a outra se aproximar. Ela ajeitou o óculos de sol — era mais uma desculpa pra esconder a inquietação do que qualquer necessidade real — e esperou até Catarina estar a poucos passos. — Oi. — disse, e foi quase um sussurro, quase um ensaio de naturalidade. Seus olhos buscaram os da outra, como quem testa terreno antes de pisar. — Fico feliz que tenha vindo. — Fez um gesto com a cabeça, indicando o interior da mansão, onde as pessoas já começavam a circular, aromas florais emanavam no ar e sons de risos pelo vento. — Eu só explorei o primeiro andar ontem, não deu tempo de ver tudo… Mas dizem que o segundo tem coisas legais também. — pausou, dando de ombros, como se não se importasse tanto, quando na verdade estava tensa com o desenrolar daquele momento. — Tem algum lugar específico que você queria ver? Não sei se chegou a ver o instagram da cidade, tinha toda a programação lá. — mostrou o celular, como quem indica que poderiam buscar ideias ali. — Ou podemos ir sem rumo. Às vezes os melhores passeios são os que a gente não planeja, né? — E pela primeira vez, desde que tudo entre elas começou — ou desandou — Aslihan sorriu. Não foi largo, nem confiante, mas era sincero. Um início. Ou, quem sabe, uma nova leitura da mesma história.
@khdpontos
















