Caso Ana - Cena 4
O presidente da Associação de Moradores do bairro, Ivan, vizinho de Ana e conselheiro municipal de saúde, toma conhecimento de seu caso. Indignado, resolve levar a discussão para a reunião do Conselho Municipal de Saúde. Iniciada a reunião do Conselho, Ivan solicita a entrada, como ponto de pauta, do caso de dona Ana, denunciando, assim, a qualidade da atenção à saúde no município. Ressaltando que o caso havia se agravado especialmente pela demora no combate à doença. Tendo como fator de piora a falta de equipamentos disponíveis e médicos suficientes para atender à demanda. Evidenciando também como Ana foi afetada emocionalmente pela retirada da mama.
Durante o conselho, foram discutidos a demora relacionada ao problema de Ana não conseguir realizar a mamografia no município porque ela só tinha o pedido do médico da Saúde da Família, sendo sugerido por Ivan modificar esta regra.
Ivan também acrescente que Ana só conseguiu a marcação para a consulta e os exames no município vizinho porque uma conhecida - dona Socorro- agiu como intermediária.
O Secretário de Saúde informou as dificuldades para o manejo da saúde no município. Ele cita o fato do município localizar-se numa região distante e de difícil acesso. Assim como apresenta enorme dificuldade em manter os profissionais de saúde lotados nas unidades e também de estabelecer relações com os municípios vizinhos. Como também a falta de recursos suficientes para garantir um leque mais abrangente de especialidades e a dificuldade em implementar. Assim como foi relatado a falta de sucesso em contatar a Secretaria de Estado de Saúde a fim de obter apoio.
No momento, o secretário afirma estar em negociação com outro município de pequeno porte da região para fazer um consórcio intermunicipal de saúde, na esperança de juntar recursos para resolver alguns desses problemas.
Ivan relembra que há outras dificuldades que podem ser solucionadas pelo Conselho de Saúde, como o fato de que a sra. Ana não teve qualquer ajuda de custo para mantê-la em tratamento fora do município. No entanto, os conselheiros e os secretários se mostram relutantes quanto às ideias de Ivan, afirmando que isso implicaria em problemas financeiros inadministráveis no futuro.
Por fim, todos concordam que eu existem algumas regras que necessitam ser revistas, pois não estão de acordo com aos problemas que a população enfrenta. Foi proposto uma oficina de trabalho para analisar os principais problemas que do município. O tópico de discussão do caso de dona Ana foi encerrado e a oficina proposta não foi marcada. Apesar da comoção gerada pelo caso de Ana, o problema suscitado não foi discutido em reuniões subsequentes.
Ao refletir sobre a situação ocorrida no Conselho de Saúde pode-se perceber que apenas discutir o caso não possibilita uma mudança se os projetos analisados e delineados na discussão não se tornarem concretos, que atuam e fazem mudança na realidade.
Além disso, o Conselho Municipal de Saúde tem acesso ao relatório de despesas em saúde e pode sugerir mudanças estruturais que atendam melhor os usuários de seu município após a homologação pelo poder executivo. Assim, nesse caso, como o município em questão apresenta deficiência de profissionais especializados, o que faz com que os pacientes necessitem ir aos municípios vizinhos a fim de conseguir atendimento, o Conselho Municipal de Saúde poderia sugerir destinar uma parte das despesas a manutenção dos pacientes que necessitarem recorrer ao atendimento em outros municípios.
Assim como, sugerir que, em casos de urgência, como o da Ana que estava com câncer de mama, os exames especializados poderiam ser realizados com a solicitação do médico de saúde, família e comunidade.
Os conselhos municipais são locais de extrema importância para a democratização do acesso à acesso e para que diferentes parcelas da população sejam ouvidas e tenham suas demandas atendidas. No entanto, há algumas dificuldades que podem ser identificadas nesse caso, como o município localizar-se numa região distante e de difícil acesso. Além da enorme dificuldade em manter os profissionais de saúde lotados nas unidades e também de estabelecer relações com os municípios vizinhos. Assim como a dificuldade de contatar a Secretaria de Estado de Saúde a fim de solicitar apoio.
Além do caso de Ana, pode-se identificar algumas dificuldades na realidade brasileira como o tímido conhecimento da população sobre o Sistema Único de Saúde e sobre a saúde como um direito constitucional. As dificuldades apresentadas pelo secretário são de fato empecilhos para que o atendimento de qualidade e na duração correta ocorra. No entanto, observa-se que após a discussão realizada, não houve discussões subsequentes ou ações concretas para que a situação fosse modificada.












