Esqueça as barreiras e me beija, veja nosso toque virar centelha, apague essa luz e não deixa que esse raro sentimento vire poeira.
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Esqueça as barreiras e me beija, veja nosso toque virar centelha, apague essa luz e não deixa que esse raro sentimento vire poeira.
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Hoje eu me lembrei...
Hoje eu me lembrei...
Que não sou branco, negro, amarelo ou vermelho.
Eu Sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como Ser humano na escola terrestre.
Hoje eu me lembrei...
Que não sou homem ou mulher, nem alto ou baixo.
Eu Sou uma consciência oriunda do plano extrafísico, uma centelha vital do Todo** que está em tudo!
Hoje eu me lembrei...
Que tenho a cor da Luz, pois vim das estrelas.
E eu sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.
Hoje eu me lembrei...
Que não há nenhuma religião acima da verdade.
E que o Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.
Hoje eu me lembrei...
Que só se escuta a música das esferas com o coração.
E que nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.
Hoje eu me lembrei...
Que espiritualidade não é um lugar, ou grupo ou doutrina.
Na verdade, é um estado de Consciência do Ser.
Hoje eu me lembrei...
Que ninguém compra Discernimento ou Amor.
E que não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.
Hoje eu me lembrei...
Que o dia em que nasci não foi feriado na Terra.
E no dia em que eu partir, também não será!
Hoje eu me lembrei...
Que tudo aquilo que eu penso e sinto se reflete na minha aura***.
E que minhas energias me revelam por inteiro (logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim).
Hoje eu me lembrei...
Que não vim de férias para o mundo.
Na verdade, vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo nas lides da vida).
Hoje eu me lembrei...
Que não sou o centro do universo e que, sem a Luz, eu não sou nada!
Sem Amor, o meu coração fica seco... e sem a espiritualidade, o meu viver perde o sentido.
Hoje eu me lembrei...
Que os guias espirituais**** não são minhas babás extrafísicas.
Eles são meus amigos de fé e trabalho...
Hoje eu me lembrei...
Que ninguém sabe tudo e que conhecimento não é sabedoria.
Todos nós somos professores e alunos uns dos outros.
Hoje eu me lembrei...
Que não nasço nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução.
Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito (ah, eu sou sim!).
Hoje eu me lembrei...
Que viver não é só para comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum.
Viver é muito mais: é também pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.
Hoje eu me lembrei...
Que de nada vale a uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma.
E que o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas, sim, o mal que eu acalento em meu coração.
Hoje eu me lembrei...
Que eu sou mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
E que eu, o apresentador desse programa, e vocês, os ouvintes dessa viagem espiritual, somos todos um!
Hoje eu me lembrei...
Que, sem Amor, ninguém segue.
E que o meu mantra se resume numa só palavra: Gratidão!
Wagner Borges
Benjamin Existe - Spark (Centelha) Letra de minha autoria "O que será daqueles que continuam a ignorar a luz? Pois a escuridão é menos assustadora que a claridade E o medo pode se tornar o motivo perfeito para ficar parado E abraçar o conforto de não ter que se mover O custo disso é a própria imobilidade É a cegueira para a vida e para a luz após a dor É perder os cinco sentidos enquanto se perde o amanhã Não se sentir vivo, não sentir nada Não respirar o ar, e viver tão pequeno Todos nós começamos na escuridão É ver que é difícil Todos nós podemos encontrar claridade Mesmo que apenas uma centelha Como seria dar um passo no escuro? Se esse é o lugar onde todos estamos Então todos os nossos primeiros passos Serão dados na incerteza da escuridão Nos levando para o que significa viver O custo disso é a própria visão É enfrentar os obstáculos que ainda não podemos ver É procurar uma porta, que é tudo o que resta Confiando que ela existe, sabendo que podemos encontrar Vivendo para além da escuridão em se aprendendo a viver Todos nós começamos na escuridão É ver que é difícil Todos nós podemos encontrar claridade Mesmo que apenas uma centelha" E anos depois de ter lançado essa música, descobrir por acidente esta frase, escrita centenas de anos a.C.: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a verdadeira tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”.
-Platão
Quem estudou no ensino médio da escola pública, nas décadas de 80 e 90, mesmo sendo um bom ensino, pouco aprendeu com as aulas de química. Talvez, nas escolas particulares, as experiências eram feitas em aula, mas na minha escola, decorar a tabela periódica já era muita coisa.
Hoje eu fico fascinado com os videos e fala a verdade, parece mágico tudo isso! É ciência. Os créditos vão para quem? Senhor dos reinos mineral, vegetal, animal e hominal! Quando a centelha se torna homem, é o responsavel pela sua tragetória.
Emanado foi a matéria! Em todos os aspéctos possíveis, ela é o instrumento disponivel e necessario para a ação da centelha no Todo. Na fase onde o homem se torna responsável por suas ações, quanto mais elevado for, melhor será a matéria disponivel, vindo do mais denso para o mais sublime.
Dizer mais que isso, é possível errar. Então aproveite o video e sinta a beleza possível dos materiais.
Centelha – Es Best Dancers https://cenaindie.com/album/centelha-es-best-dancers/
No episódio de hoje, eu Condessa Vanôra continuo nossa jornada da série de 04 partes, sobre os principais instrumentos musicais árabes. Conh
[som de isqueiro sendo aceso]
[Vinheta de abertura com música do oriente médio e narração] Pensador Louco: Centelha, o denomidador comum... Cristiane Navarro: ... que une todos os artistas... Júlia Navarro: ... das mais diversas áreas... Lica Moon: ... dos mais diversos lugares.
[som de uma porta sendo aberta fazendo soar um pequeno carrilhão]
[Trilha sonora de jazz suave]
Condessa Vanôra: Seja bem vindo ao meu ateliê! Sou a Condessa Vanôra e começa mais um Centelha. Como prometido lá no episódio 04, hoje vamos abordar mais alguns instrumentos árabes! Tá mais por fora do que umbigo de vedete e não sabe do que estou falando? Tem link nas notas do episódio para a parte um. Vamos pros recadinhos de hoje que serão rápidos.
[trecho do solo pomposo de trombone da música Bridge Over Troubled Water do Daniel Salinas]
Condessa Vanôra: Muito obrigada a você, é você mesmo, querido ouvinte que sempre está por aqui me ouvindo falar das agonias e êxtases da vida dos artistas. Esse podcast é um projeto independente feito somente por mim, esta Condessa que vos fala. Quer me ajudar a manter as cortinas abertas e o show em cartaz? Faça como meus patronos em picpay.me/centelha A partir de R$2,50, o preço de um cafezinho por mês você já me ajuda e muito a levar esse projeto adiante lidando com os eventuais obstáculos de ser uma artista com doença crônica. Também é possível fazer uma contribuição única se estiver num momento mais complicado. Você me ajuda também levando longe a palavra, compartilhando os episódios com os amiguinhos, seguindo nossas redes sociais e dando likes ou estrelinhas nos agregadores de podcasts!
[trecho do desenho animado Alice no País das Maravilhas: ”Ah sim, sim, isso, chá, tome uma xícara de chá.“]
Condessa Vanôra: Agradecimentos especiais ao patrono que têm convite para o chá das cinco: 0humanu que tem um perfil no Instagram de lista de indicações de podcasts, o @ zero de algarismo arábico humanu com u no final. Emprestei minha voz para narrar a abertura do Debacast Personalidades que conta a história da Almirante Grace Hopper, que é uma mulher que tem um papel importantíssimo pra o que temos hoje em tecnologia, e que não conhecia até ouvir este episódio. O link para ouvir o programa estará lá nas notas do episódio. Vêm comigo para mais um mergulho no universo musical árabe!
[som de uma xícara de chá sendo colocada em cima de um pires]
Condessa Vanôra: Recapitulando, os instrumentos árabes se dividem em duas categorias: naqr que são os sons dedilhados ou martelados e o sahb que são os instrumentos puxados e esticados. Me conta lá nos comentários em quais famílias vocês acham que os instrumentos de hoje estão inseridos. Vamos começar pelo Arghul:
[som de arghul sendo tocado]
Condessa Vanôra: O arghul é uma flauta dupla, utilizada desde o Egito antigo, sendo muito tradicional tanto na Palestina quanto no Egito. Ela possui dois tubos, como o mijwiz, só que um deles é mais longo que o outro. Tem entre cinco a sete furos no tubo menor. O tubo maior permite encaixar e desencaixar segmentos para alterar a altura do tom do zumbido grave do mesmo. Mizmar
[som de mizmar sendo tocado]
Condessa Vanôra: O mizmar parece uma cornetinha. Me perdoem músicos renascentistas, mas não encontrei o nome desse instrumento em português. Em inglês ele se chama shawm. Imagina que é uma flauta, só que a ponta é cônica, como a parte aberta do chapéuzinho de aniversário. Esse exemplo que toquei pra vocês é o mizmar egípcio. A versão armênia se chama zurna, e é bem mais aguda que o mizmar. Ela é muito tocada no Egito em casamentos ou como acompanhamento para as dançarinas, mas também pode aparecer no dabke. O som dela é muito alto, por isso costuma ser usada em ambientes externos, e assim como a nay, tem tamanhos diferentes para cada tonalidade e variação de embocadura pra variação tonal. Inclusive, ouvi uma história muito gracinha do dançarino Anthar Lacerda quando trabalhei na entrada de um casamento árabe com ele. O Anthar dizia que quando ele era criança a mãe dele fazia o som do mizmar com um pente e um tecido para ensinar a cultura e brincar com eles. A propósito, vou derramar um pouco de chá pra vocês.
[som de ululação típico do oriente médio]
Condessa Vanôra: Pra mim, ele é o melhor dançarino de folclore que já tive o prazer de ver aqui no Brasil, além de ser uma pessoa extremamente agradável e humilde. Porém, e isso daqui é na minha visão de ver, observando o que acontece no mercado, beleza?
[voz masculina dizendo "I got you, fam!"]
Condessa Vanôra: Nos eventos de dança do ventre vejo com muito mais frequência o destaque dado à outros dançarinos que tem tecnicamente menos bagagem e carisma, porém socialmente são lidos mais como brancos ou europeus. O Anthar é descendente de egípcio e tem a pele e características fenotípicas de mouros. Socialmente no Brasil, ele é lido como pardo. Meu parênteses termina aqui, mas estamos de olho nessa malandragem produção… Kamanja
[som de violino sendo tocado]
Condessa Vanôra: Kamanja. Essa é pra você que se perguntou porque isso é um som de violino. Os árabes também tem uma versão pra eles. E aqui entra uma dúvida minha que encontrei enqaunto pesquisava, se tiver algum músico ou musicista que possa me informar sou toda ouvidos. Nas fontes que encontrei, disseram que o violino europeu possui trastes, que são aquelas barrinhas de metal que subdividem no braço do instrumento os espaços das notas. Daí não sei se os modelos iniciais do violino, como foi baseado em outros instrumentos, chegou em algum momento inicial ter a presença dos trastes, mas hoje em dia nenhum violino, ocidental ou oriental tem trastes, até onde pude checar. Ele vai ser tocado de uma forma diferente da do ocidente, porque na música árabe, é usado um tipo de modo melódico diferente da música ocidental. A execução dele é muito mais ornamentada que o estilo europeu de tocar. Passou a fazer parte da música árabe no século XIX. Rebab ou Rababa
[som de violino sendo tocado]
Condessa Vanôra: É um instrumento bastante comum no Oriente Médio e na Ásia, o design dele vai mudando conforme o país. Mas aqui vou falar da versão egípcia, que surgiu por volta do século VIII e conquistou o mundo através das rotas de comércio islâmicas. Ele tem um corpo pequeno, muitas vezes arredondado e um braço bem longo, é coberto na frente por membranas feitas da pele do intestino ou bexiga de búfalo, pergaminho ou pele de carneiro. Costuma ter uma, duas ou três cordas de cobre duplas, sem trastes e é tocado apoiado em pé, no colo ou no chão, e é utilizado um arco mais curvo que o do violino para obtermos algum som dele. Ele é muito presente nos folclores egípcios, e foi substituído na orquestra árabe pelo kamanja, por ter poucas variações de oitavas. Produz um som muito alto, indicado para ambientes externos. Acompanha festas e rituais. Ele é parecido com o erhu, lembrando que meu mandarim não é muito bom, o que a gente chama de violino chinês. Perceba que algumas coisas na arte dão a volta só pra chegarem no mesmo lugar de novo, como nesse exemplo do violino. Chegamos na metade da nossa série, que voltará no episódio doze com mais informações técnicas e curiosidades a respeito dos instrumentos que compõem o que conhecemos como música árabe tradicional. Pintou alguma dúvida? Lembrou de algo que esqueci, ou tem algo que gostaria que falasse? Deixe nos comentários que trago aqui no futuro!
[som de uma xícara de chá sendo colocada em cima de um pires]
Condessa Vanôra: Estaremos de volta com um novo episódio mês que vem. Você encontra mais episódios do Centelha de graça no Apple Podcasts, Google Podcasts, Spotify, Deezer, e nos demais agregadores de podcasts. Sua avaliação nessas plataformas é muito importante e compartilhar os episódios nas redes sociais possibilita que mais ouvintes conheçam meu trabalho. Nos siga no Instagram @centelhacast e no Twitter @centelha_cast. Sou @marastoniarts no Twitter e Instagram mais próximos de você. Participe do nosso grupo no Telegram no t.me/mejulguempodcast. Centelha é uma criação de Condessa Vanôra e faz parte da rede de Podcasts do Me Julguem Podcast. Você pode colaborar com a existência e continuidade desse projeto em reais no PicPay @centelha ou me pagar um café em dólares no ko-fi.com/marastoniarts. Eu fico por aqui, sou Condessa Vanôra obrigada por sua audiência, até a próxima.
[trilha sonora jazz suave aumenta de volume]
[vírgula sonora de encerramento]
No episódio de hoje, eu Condessa Vanôra, falo sobre as diferenças entre os termos bailarina e dançarina além de abordar algumas questões da
[som de isqueiro sendo aceso]
[Vinheta de abertura com música do oriente médio e narração] Pensador Louco: Centelha, o denomidador comum… Cristiane Navarro: … que une todos os artistas… Júlia Navarro: … das mais diversas áreas… Lica Moon: … dos mais diversos lugares.
[som de uma porta sendo aberta fazendo soar um pequeno carrilhão]
[Trilha sonora de jazz suave]
Condessa Vanôra: Seja bem vindo ao meu ateliê! Sou a Condessa Vanôra e começa mais um Centelha. Já estudei vários estilos de dança, e lembro de um pito muito curioso que recebi quando comecei a estudar dança do ventre. De que nós não éramos "dançarinas" e sim "bailarinas"
[voz masculina falando "Uau!"]
Condessa Vanôra: e que era muito feio trocar um pelo outro! Depois dos recadinhos a gente descobre de onde se originou essa diferença.
[trecho do solo pomposo de trombone da música Bridge Over Troubled Water do Daniel Salinas]
Condessa Vanôra: Aviso: Nesse programa eu falarei a respeito de alguns aspectos envolvendo prostituição. Então se for menor de 18 dá uma puladinha nesse programa ou se for um tópico sensível. Vamos começar os recadinhos de hoje mandando um beijo muito especial pras minhas ouvintes de Iporá, Goiás! Fiquei muito feliz de saber que estão gostando dos programas.
[cantor Tarkan fazendo som de beijo]
Condessa Vanôra: Quer ajudar a manter as cortinas abertas e o show em cartaz? Faça como meus patronos em picpay.me/centelha. Agradecimentos especiais ao patrono que têm convite para o chá das 5:
[trecho do desenho animado Alice no País das Maravilhas: ”Ah sim, sim, isso, chá, tome uma xícara de chá."]
Condessa Vanôra: Renato Garcia Eu participei do podcast Necrofilmecon número 18: Sodomia Paranormal, onde falamos sobre o filme nacional "Espelho de Carne". Gente, eu sei que fiquei um tempo sumida, mas foi por uma boa causa, como falei no último episódio, que eu ia procurar mais especialistas pra descobrir o que tinha de errado com a minha visão. Eis que me consultei com um oftalmo especialista em córnea, e acabei descobrindo que na verdade tenho uma complicação pós cirúrgica resultante da cirurgia de correção de grau à laser chamada ectasia pós LASIK. É parecido com ceratocone, mas a causa dessa deformação é pela dermatite atópica que eu tenho somado ao desgaste da córnea pelo laser. Daí me submeti no mesmo mês a duas cirurgias de crosslink, uma em cada olho, em que basicamente o médico, ele vai raspar um pouquinho a camadinha da córnea do seu olho e pingar uma vitamina chamada riboflavina e dar um banho de luz ultravioleta em seguida nesse olho.
[trecho do desenho animado O Incrível Mundo de Gumball "Isso! Vêm bronzeado, vêm! É! Uhuuu!"]
Condessa Vanôra: A recuperação total desse procedimento leva uns seis meses, mas a melhora mais intensa ocorre no primeiro mês. Eu fiz às pressas porque já estava no limite da minha córnea poder passar pela cirurgia. Passei novembro e boa parte de dezembro me recuperando. Ainda estou enxergando mal, pra ser sincera. A visão vai melhorar mesmo lá pra fevereiro / março, quando farei os testes de lentes desenvolvidas especialmente pra cada olho. Elas são um pouco diferentes das lentes de grau comuns, porque duram cerca de um ano e eu preciso fazer alguns testes de acomodação ao meu olho. Aí sim vou voltar a ver normalmente. Agradeço muito por estarem torcendo por mim e me acompanhando nesta jornada. Com tudo dito e posto, vamos para o episódio de hoje! Lembrando que todos os links estarão nas notas do episódio para eventuais consultas.
[som de uma xícara de chá sendo colocada em cima de um pires]
Condessa Vanôra: Olhando com distanciamento essa questão, vejo que essa "briga" é carregada de preconceitos que raramente são semânticos, e sim culturais. Além de ser uma questão de separação de nós para os outros. Aqui, vou me ater às variantes femininas, por que é onde temos a maior polêmica. Vamos começar com o que o dicionário fala a respeito desses termos!
[som de agulha de vinil sendo colocada em cima do disco]
Condessa Vanôra: De acordo com o Dicionário Online de Português: Bailarina - substantivo feminino. Dançarina clássica e, especialmente, solista exímia. Por extensão, qualquer dançarina. Dançarina - substantivo feminino. Mulher que dança por profissão.
[som de agulha de vinil sendo tirada de cima do disco]
Condessa Vanôra: Portanto, de acordo com o dicionário poderíamos utilizar ambas as formas, sendo a bailarina mais indicada para quem faz ballet clássico. Mas outros tipos de dança também tem nomenclaturas específicas para referir-se a quem pratica o estilo. Por exemplo, no flamenco, a dançarina chama-se bailaora. Na dança do ventre, chama-se rakkasah, apesar de que raramente fora do oriente médio é chamada dessa forma. E profissionalmente, qual é a visão a respeito da nomenclatura? Existe uma diferenciação muito clara dentro do site do SINDDANÇA que é o Sindicato de Dança dos Profissionais do Estado de São Paulo entre bailarinas e dançarinas. Tecnicamente, só pode ser considerada bailarina se você é formada em ballet clássico ou ballet contemporâneo. Todas as outras modalidades ficam contidas dentro da categoria de dançarinos.
[som de trombone triste]
Condessa Vanôra: Podemos até argumentar a respeito dessa classificação, inclusive no tocante à remuneração, onde essas duas modalidades, ballet clássico e contemporâneo são colocadas acima de todas as outras, como sendo "mais difíceis e mais complexas", por isso merecem ganhar mais que as outras.
[Betina falando "Foi porque eu mereci!"]
Condessa Vanôra: Fato que cai por terra rápido, se a gente comparar, por exemplo, as danças clássicas do Japão e Okinawa.
[som de vocalização de teatro kabuki, acompanhada de sons de tsuzumi]
Condessa Vanôra: Uma parcela ínfima das pessoas que começam a estudar esse estilo vão se tornar profissionais, e dessas, uma parcela menor ainda vai estar capacitado para ensinar a dança. Porém, a sindicalização desses profissionais ao menos aqui no Brasil foi organizada por bailarinos clássicos e contemporâneos, e se quisermos alguma mudança nesse sentido, a gente que é minoria que lute.
[trecho do reality show Ru Paul's Drag Race "Clearly the struggle is real."]
Condessa Vanôra: Mas voltando ao assunto. Nesse momento, entra o ego e as expectativas de como queremos que os outros nos vejam.
[trilha sonora de bossa nova de elevador]
Condessa Vanôra: "Eu não quero estar no mesmo patamar das strippers, das funkeiras, das dançarinas de cabaré, porque afinal, eu sou uma moça séria, de família, de respeito que estuda bastante. Quero estar ali, sentada na mesma mesa maneira que a elite da categoria, as bailarinas."
[retorna para trilha sonora de jazz suave]
Condessa Vanôra: Temos essa visão distorcida de como são as coisas no mercado de dança. Mas será mesmo que o ballet sempre teve esse glamour?
[som de disco riscado]
Condessa Vanôra: O refinadíssimo ballet, nasceu na Itália no início do século XV. Começou como uma dança executada nas festas da corte. Até cair no gosto dos nobres e virar aquelas grandes produções onde só quem era de classe alta poderia apreciar, teve um longo caminho. Tem um pedaço dessa história, desagradável, que ficou registrado nas pinturas do Edgar Degas.
[trecho da música clássica Dances des Cygnes Allegro Moderato de Tchaikovsky]
Condessa Vanôra: É, aquele francês que pintava as bailarinas tudo. Quando olhamos essas imagens com cerca de 200 anos
[trilha sonora retorna para o jazz suave]
Condessa Vanôra: distantes de nós, a real história por trás dessas ilustrações costuma passar despercebida. Entre os séculos XVIII e XIX o status do ballet como arte refinada se perdeu, sendo reduzido a meras apresentações nos intervalos das óperas onde o publico podia ver pernocas de meninas bonitas!
[sons do lobo assoviando e uivando do desenho animado Red Hot Hiding Hood]
Condessa Vanôra: Lembrando que na época as mulheres usavam vestidos longos, nesse intervalo entre a moda da Era Vitoriana e Eduardiana, se você visse uma canela de fora, já era seu dia de sorte! Fazer arte sempre custou caro,
[trecho do ínico da musíca Money do Pink Floyd, som de máquina registradora e moedas caindo]
Condessa Vanôra: e o dinheiro de boa parte das movimentações financeiras da Ópera de Paris vinham de pessoas chamadas de "abbonês" que eram os homens ricos que tinham dinheiro e poder o suficiente pra comprar ingressos por temporada das óperas.
[trilha sonora volta para o jazz suave]
Condessa Vanôra: Pra vocês terem ideia, hoje em dia, se formos comprar um passe de temporada, no Theatro Municipal de São Paulo, pra assistir à 4 óperas durante o ano, num camarote de 4 lugares, desembolsaremos R$ 1958,40, que é o valor da entrada inteira. Imagina naquela época onde a ópera era praticamente o entretenimento principal o quanto custava! Por ser um local de trânsito desses homens poderosos e influentes, se organizou uma série de estruturas para seu conforto, obviamente. Os assinantes tinham uma entrada especial dentro do teatro, e acesso a uma sala criada especialmente pra eles: o "foyer de la danse" que era uma sala luxuosa atrás do palco, onde eles podiam ver as bailarinas descansando, ensaiando, e de quebra aproveitavam pra fazer acordos, parcerias de negócios e, principalmente substituindo o papel dos cabarés, abordar as bailarinas, jovens
[som de voz masculina gritando enquanto esmurra uma porta "FBI open up!"]
Condessa Vanôra: ou mulheres adultas em busca de pagar por favores sexuais.
[som de suspense]
Condessa Vanôra: Impressionante, não é? E tem mais: eles podiam decidir quem ia ocupar os papéis principais, e quem seria demitida da Ópera. Como a maior parte das meninas eram de famílias pobres ou da classe trabalhadora, esse tipo de prostituição era a única forma de ter uma vida mais confortável pra si mesmas, e pra família, tanto que muitas vezes as próprias mães das meninas eram alcoviteiras.
[som de surpresa]
Condessa Vanôra: Isso poderia garantir acomodações mais confortáveis, aulas particulares que aumentariam seu cachê e prestígio dentro da companhia de dança. Para a sociedade francesa, elas eram chamadas de "pequenos ratinhos", como se a feiura causada por subnutrição, longas horas de trabalho e ensaio, uma vida de violência e abandono fosse a marca da lascívia e depravação estampada no sorriso de uma criança. Essa foi uma das várias reações negativas causada pela estátua "La Petite Danseuse de Quatorze Ans" feita por um Degas de 40 anos mais cegueta do que eu antes da cirurgia, tendo uma versão vestida com roupas de verdade, sapatilhas, até uma peruca loira, e a outra nua, ambas em tamanho natural. Inclusive, é dito que seu irmão René destruiu cerca de 70 esboços pornográficos que encontrou, após a morte do pintor. Mas não vai pensando que Degas, por ter retratado centenas de bailarinas ligava para o ballet ou pra arte da dança.
[som de desaprovação de língua batendo entre os dentes]
Condessa Vanôra: Não, ele estava mais interessado em retratar essa dinâmica de poder e de acordos sexuais. Como boa parte dos artistas vivos, ele não tinha muito dinheiro, então dependia dos amigos ricaços pra colocá-lo escondido dentro do teatro pra ter acesso a esse mundo e poder desenhar seu objeto de interesse. Degas era tão cruel e insensível com as bailarinas que as fazia posar sustentando posturas contorcidas e doloridas por longas horas. Dizia muitas vezes que queria capturar "suas macaquinhas rachando suas juntas na barra", chegando ao extremo de certa vez, confessar ao pintor Pierre Georges Jeanniot que frequentemente considerava as mulheres como animais. Resumindo, fazia umas artes bonitas, mas era um boy lixo muito do misógino né? Inclusive as únicas mulheres que ele levava um pouquinho mais a sério eram as pintoras. Esses homens poderosos sempre aparecem nas pinturas como figuras sombrias vestidas de preto, observando e interagindo com as bailarinas nas coxias, no foyer e nas aulas. O corpo da bailarina era público, e a imagem de prostituta sempre ia te acompanhar, mesmo que você tivesse conseguido tudo por mérito próprio.
[trecho da música clássica épica com inspirações orientalistas "Lawrence of Arabia Overture" de Maurice Jarre]
Condessa Vanôra: Na dança oriental algo similar aconteceu e ainda acontece.
[retorna a trilha sonora de jazz suave]
Condessa Vanôra: As atrizes de cinema que eram dançarinas tinham muito prestígio na era de ouro do cinema egípcio. Mas, com o declínio dos filmes com música e dança, e a ascenção do islamismo no Egito, a imagem geral que se tem é que "toda dançarina é uma prostituta". E essa mácula é persistente até os dias de hoje. A dançarina Soraia Zaied, brasileira radicada no Egito, disse em um bate papo voltado pra profissionais da área, que quando chegou no Egito começou a dançar em "lugares duvidosos" onde tinha que ser a "namorada" do dono da casa. E que o lance lá foi se resignar a comer o pão que o diabo amassou até ter poder o suficiente pra ela começar a dar as cartas, ficando por cima na relação. Hoje ela tem orquestra própria e só dança em hotel pra turistas, mas não sei se na época desse bate papo, boa parte das profissionais ali queria entender o que ela quis dizer nas entrelinhas. Tem uma outra dançarina que vive no Egito, a Luna of Cairo que já teve que achar diversas vezes outro lugar pra morar às pressas porque seus vizinhos descobriram que ela é dançarina, e isso é tão ruim quanto ser prostituta. Nas notas do episódio vou deixar um link de uma matéria ilustrada em que ela conta um pouco como é sua vida no Egito. Existe também as fofocas paralelas, por exemplo, que a
[som de carrilhão]
Condessa Vanôra: foi dançar um tempo em Dubai e misteriosamente voltou pro Brasil com dinheiro o suficiente para comprar uma apartamento de cobertura na Avenida Paulista e colocar silicone.
[trecho de música de kabuki "Kanjincho" do Ensemble Nipponia]
Condessa Vanôra: Na Ásia a história já é um pouco diferente por aspectos culturais, religiosos, morais e pela forma que a sociedade foi construída.
[retorna trilha de jazz suave]
Condessa Vanôra: No teatro kabuki, que inicialmente era uma forma de entretenimento religioso para as pessoas comuns, com trupes compostas por ambos os sexos. Conforme foi ganhando popularidade, trabalhadores sexuais, tanto mulheres quanto homens jovens viram nessa forma de arte um jeito novo de divulgar seu corpo e suas habilidades para potenciais clientes, então começaram a fazer apresentações onde o conteúdo era mais chamativo e erótico. Até aí tudo bem. O problema começava no final desses eventos, onde o público acabava brigando pelas atrizes e atores com os quais queriam sair depois do show.
[cantor Ricky Martin falando "Uêpa!"]
Condessa Vanôra: Pra tentar trazer um pouco para nossa realidade, seria como se tivesse uma apresentação de teatro com os meninos do BTS, as meninas do SISTAR, os Menudos, a Madonna e as Marcianas. E depois da apresentação você pudesse ter um momento com mais privacidade com qualquer um deles. Como estava dando muita confusão, porque a galera saía na mão pra ver quem ia ficar com determinado ator ou atriz,
[voz feminina gritando "Queima quengaral!"]
Condessa Vanôra: o governo decidiu proibir a participação de mulheres no kabuki. Proibição que não deu muito certo, então tiveram que proibir os meninos jovens também.
[trecho da música animada com tuba e bandolins do encerramento da série Curb Your Enthusiasm]
Condessa Vanôra: Veto que foi mantido de 1629 até hoje somente pra ala feminina. Apenas alguns teatros bem pequenos permitem a atuação de mulheres hoje em dia. Fato muito irônico, já que a criação e popularização dessa arte foi feita por mulheres.
[trecho da música de orquestra com bateria e trompetes "The Stripper" do David Rose & His Orchestra]
Condessa Vanôra: Já a origem do tal do strip-tease ou dançarinas exóticas se mistura com a do burlesco, assunto que merece um episódio à parte. Mas cabe aqui um detalhe importante: a dançarina que trabalha como stripper não obrigatoriamente trabalha também com prostituição. Nesse mesmo campo de moralidade, muitas dançarinas e bailarinas fazem o que a gente chama na área de eventos de ficha rosa. Pra você que não faz ideia do que seja ficha rosa, é uma modalidade de acordo entre cavalheiros por assim dizer. Na qual você vai estar no ambiente exercendo sua profissão, seja recepcionar eventos, modelar, dançar, atuar, trabalhar em feiras e exposições, e por uma quantia extra, além de fazer o trabalho pelo qual você foi contratada, você também se prostitui.
[som de sirene do jogo Among Us]
Condessa Vanôra: Não estou aqui para fazer juízo de valor, ou atacar o modo de vida das trabalhadoras sexuais. Cada pessoa tem o direito de fazer o que bem entender com o próprio corpo, desde que seja adulta e tenha habilidade de dar consentimento. Mas pintar uma categoria inteira como negativa é ser muito extremista.
[trilha sonora de bossa nova de elevador]
Condessa Vanôra: Outro exemplo do catálogo "secreto" de ficha rosa é no
[som de carrilhão]
Condessa Vanôra: em São Paulo. Quem oferece isso é o dono do estabelecimento de dança pra cavalheiros escolhidos a dedo, e mesmo assim, nem todas as dançarinas do ventre da casa estão nesse cardápio.
[trilha sonora retorna para o jazz suave]
Condessa Vanôra: Como um conhecido meu diz, "Até pra ser palhaço tem curso". Não é porque você nutre uma antipatia por algum estilo de dança específico, que a pessoa que pratica essa modalidade não tenha dedicado muito tempo, dinheiro e esforço para dominar suas técnicas. Existem dançarinos e bailarinos medíocres, e também talentosos. Assim como médicos, engenheiros, padeiros, motoristas… Não é o nome que vai garantir a idoneidade do profissional. Eu, particularmente, gosto de ser chamada de dançarina, e é o que está registrado em minha carteira de trabalho. Não tenho vergonha desse rótulo. Posso até questionar em relação às bases de cachê entre dançarinos e bailarinos, porque há disciplinas mais complicadas do que as outras dentro da categoria de dançarino, com um processo de validação e certificação muito mais dispendioso que alguma dança popular que não possui uma metodologia de ensino criteriosamente estabelecida. Acredito que o ballet ditou e ainda dita as normas, não por ser o único estilo sério mas porque se estruturou mais rápido e se popularizou em todo o mundo, e por consequência se sindicalizou e se organizou de forma eficiente, além de ter muito investimento, por ainda ser uma carreira com status elitizado. No resumo da ópera, sendo você bailarina ou dançarina, em algum momento de sua carreira você será julgada pelo seu corpo, ou mesmo pelo estigma de que se dança na noite, você é uma mulher de vida fácil. Existem vários caminhos que você pode tomar, dependo do que você quer da dança. Ao longo do tempo, sua postura perante o seu ofício e a forma como você se conduz pelos ambientes é que vai construir a sua reputação, independente do rótulo de dançarina ou bailarina. Quero deixar aqui a reflexão do quanto até hoje as mulheres são realmente livres para fazerem o que quiserem, e porque nossos corpos são sempre escrutinados e tratados como público pela sociedade. Não seja tão hostil com sua coleguinha, tá meninas, nós estamos todas no mesmo barco, gostando ou não.
[som de uma xícara de chá sendo colocada em cima de um pires]
Condessa Vanôra: Estaremos de volta com um novo episódio mês que vem. Você encontra mais episódios do Centelha de graça no Apple Podcasts, Google Podcasts, Spotify, Deezer, e nos demais agregadores de podcasts. Sua avaliação nessas plataformas é muito importante e compartilhar os episódios nas redes sociais possibilita que mais ouvintes conheçam o Centelha. Nos siga no Instagram @centelhacast e no Twitter @centelha_cast. Sou @marastoniarts no Twitter e Instagram mais próximos de você. Participe do nosso grupo no Telegram no t.me/mejulguempodcast. Centelha é uma criação de Condessa Vanôra e faz parte da rede de Podcasts do Me Julguem Podcast. Você pode colaborar com a existência e continuidade desse projeto no PicPay @centelha ou me pagar um café no ko-fi.com/marastoniarts. Eu fico por aqui, sou Condessa Vanôra obrigada por sua audiência, até a próxima.
[trilha sonora jazz suave aumenta de volume]
[vírgula sonora de encerramento]