Capitulo 16 - I temporada (Fame)
Fiquei um pouco receoso de deixar minha tia sozinha em casa, Luna realmente chamou alguém para ficar com ela, mas mesmo assim eu não queria deixá-la sozinha. A enfermeira chegou bem na hora, e após me despedir peguei a caminhonete e fui para a cidade, marquei com Luna em frente ao Instituto.
– Pontual. – falou enquanto eu saía do carro. Sorri e fechei a porta, trancando-a em seguida.
– Onde é esse famoso bar? – perguntei e ela apontou com a cabeça pro outro lado da rua e se aproximou de mim me olhando nos olhos e eu neguei com a cabeça puxando para um beijo apressado e quente.
– Vamos, você vai gostar. – falou ao nos separarmos e pegou em minha mão, me puxando para atravessar a rua. – O pessoal é bem tranqüilo e todos vêm aqui, e fim de semana enche bastante, rola algumas apresentações ao vivo e se quiser pode se inscrever e cantar...
– Não, não. – falei rapidamente – Já faz tempo que não me apresento que acho que já perdi a manha.
– Você que sabe. – disse – Mas quando sentir vontade de mostrar o seu talento, é só se inscrever.
Entramos no bar e a iluminação era bem baixa, o cheiro era de álcool puro e olhei em volta, era bem confortável, realmente. Havia um palco na frente onde uma mulher cantava, sua voz era realmente muito bonita. Pessoas a observavam enquanto bebiam com os amigos, com a namorada... O clima era até que razoável.
– Dois copos, Alejandro. – pediu Luna sorrindo e logo dois corpos enormes de cerveja foram colocados no balcão e eu peguei um, dando um grande gole. Escutei Luna rindo e eu arqueei uma sobrancelha, olhando-a.
– O que foi? – perguntei. – Você não me chamou aqui para beber? É o que estou fazendo.
Ela levantou as mãos e os ombros.
– Falei nada. – disse e deu um gole em seu copo.
– A próxima atração da noite é Niall Horan. – escutei uma mulher dizendo no palco e eu arregalei os olhos. Olhei para Luna e ela sorria animada.
– Surpresa! – riu e me puxou – Vai lá, Niall. Se solte. Imagine que é um show e que todos aqui são seus fãs loucos por você e deixa rolar.
Um pouco hesitante subi no palco e todos os olhares se voltaram para mim, estava me sentindo no colegial onde me apresentava pela primeira vez no show de talentos da escola... Qual é, já me apresentei para milhões de pessoas e se ali tinha umas cinqüenta era muito. Pensei rapidamente numa música e sorri ao lembrar de uma, mexi nas cordas do violão que a mulher entregara em minha mão e me sentei no banco ajeitando o microfone e meus dedos deslizaram pelas cordas do violão começando a tocar uma das minhas músicas favoritas, todos pareciam reconhecer o ritmo, pois se animaram.
Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
(Que eles vão jogar tudo de volta em você)
By now you should've somehow
(Por enquanto você já deveria, de algum modo,)
Realized what you gotta do
(Ter percebido o que deve fazer)
I don't believe that anybody
(Não acredito que ninguém)
Feels the way I do about you now
(Sinta o mesmo que eu sinto por você agora)
Backbeat, the word was on the street
That the fire in your heart is out
(Que o fogo no seu coração apagou)
I'm sure you've heard it all before
(Tenho certeza que você já ouviu tudo isso antes)
But you never really had a doubt
(Mas você nunca tinha uma dúvida)
I don't believe that anybody
(Não acredito que ninguém)
Feels the way I do about you now
(Sinta o mesmo que eu sinto por você agora)
And all the roads we have to walk are winding
(E todas as estradas que temos que percorrer são tortuosas)
And all the lights that lead us there are blinding
(E todas as luzes que nos levam até lá nos cegam)
There are many things that I would like to say to you
(Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer)
You're gonna be the one that saves me
(Você vai ser aquela que me salva)
Today was gonna be the day
But they'll never throw it back to you
Mas eles nunca vão jogar aquilo em você
By now you should've somehow
(Por enquanto você já deveria, de algum modo)
Realized what you're not to do
(Ter percebido o que você não deve fazer)
I don't believe that anybody
(Não acredito que ninguém)
Feels the way I do about you now
(Sinta o mesmo que eu sinto por você agora)
And all the roads that lead you there were winding
Todas as estradas que levam a você até lá são tortuosas
And all the lights that light the way are blinding
Todas as luzes que iluminam o caminho nos cegam
There are many things that I would like to say to you
Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer
You're gonna be the one that saves me
(você vai ser aquela que me salvará)
You're gonna be the one that saves me
(Você vai ser aquela que me salvará)
Todos aplaudiram e eu sorri, agradecendo e devolvendo o violão. Levantei e desci do palco.
– Você me paga. – falei para Luna e ela sorria.
– Foi ótimo! Eu amo aquela música. – falou – Sua voz é linda.
– Valeu. – sorri e bebi sua cerveja.
Eu até que gostara de me apresentar novamente e isso só aumentava minha vontade de querer voltar para a fama logo, mas como uma pessoa diferente. Não aquele Niall que saía, bebia todas, pegava todas e usava drogas ilícitas. Eu era agora responsável por uma criança de cinco anos, uma criança que, dependia de mim e eu teria que ser responsável, não iria perdê-la.
– Pode deixar que pagarei o que quiser mais tarde. – disse numa voz sensual em meu ouvido seguido de uma mordida no meu lóbulo. Mordi os lábios e sorri maliciosamente.
A noite estava sendo agradável, eu e Luna conversamos bastante. Pressentia que algo nada legal ia acontecer, mas já que eu estava ali iria aproveitar, fazia tempo que não me divertia das antigas... Faz um tempo que não saio e encho a cara sem me importar com nada, era claro que não iria fazer isso, mas iria me embebedar um pouco. Luna estava bem animadinha já e começou a beijar meu pescoço e passar sua mão por baixo da minha blusa arranhando minha barriga e minhas costas com suas unhas.
Seus lábios subiram e encontraram os meus e um beijo caloroso e apressado começou, entrelacei meus dedos entre seus cabelos e os puxei devagar, pude sentir que Luna soltou um gemido e eu sorri, mordendo seu lábio inferior e o puxei, soltando-o em seguida.
– Ora, ora se não é o pirralho. – uma voz bem conhecida disse ao meu lado, abri os olhos e virei a cabeça. Um sorriso cínico estava estampado em seu rosto. – Estão deixando crianças entrar no bar agora? Está virando bagunça essa merda.
– Se manda, Charlie. – falei e puxei Luna para o outro lado, passando a mão por sua cintura. Ela olhava sem entender nada e me abraçou de lado.
– Se não o quê? – se aproximou e me encarou – O que irá fazer?
– A última surra que te dei não foi o suficiente? – arqueei uma sobrancelha – Por que pelo o que me lembro te deixei inconsciente e você saiu correndo com o rabinho entre as pernas.
Ele riu debochadamente e olhou para Luna ao meu lado, que o encarava.
– Foi largado? – riu – A piranha cansou de ter um pirralho ao seu lado e foi procurar um homem de verdade?
– Sou tão pirralho que ela te trocou para ficar comigo. – respondi. Uns amigos dele se aproximaram e ficaram observando enquanto bebiam.
– Mas ela te largou, não foi? – se aproximou e falou bem perto: - Não foi o suficiente.
Riu e voltou sua posição anterior, respirei fundo tentando me acalmar e não dar um soco no meio das fuças dele. Minhas feições estavam sérias e continuavam as mesmas a cada palavra.
– Eu sabia que esse namorozinho não ia durar. – continuou – Você foi apenas uma diversão e ela deixou bem claro enquanto gemia meu nome.
– Está blefando. – disse Luna num sussurro em meu ouvido. – Não acredite.
Não respondi, apenas virei a cara e dei outro gole em minha cerveja, terminando o que restava no copo.
– Mais uma. – falei ao cara e ele assentiu, pegando meu copo e enchendo-o novamente.
– Mas vejo que já arrumou outra vagabunda...
Se tem uma coisa que odeio é ver um homem desvalorizando uma mulher assim, chamando de piranha, vagabunda, puta ou qualquer coisa parecida.
– Qual o seu problema, cara? – perguntei me aproximando dele, já me preparando para lhe dar outra surra, mas fui impedido por Luna, que segurou forte meu braço.
– Meu problema? – riu – Meu problema é você, Niall Horan. E eu costumo eliminar meus problemas.
– O que é? Vai me matar agora? Vamos lá então, faça. – falei e me soltei dos braços de Luna, que me agarrava fortemente. – Mas fique sabendo que se isso acontecer, irão te caçar até o fim do mundo! Você não é ninguém, Charlie. E nem faz questão de ser, fica ai arrumando briga para te acharem um fodão, bebendo nos bares, tratando as mulheres como lixo. Mas na verdade, quando você morrer nem lembrarão mais quem foi Charlie McArthur, que não fez nada de bom para ninguém em sua vida miserável. Essa é a verdade.
– Seu pirralho de merda. – ele me acertou com um soco e eu sem pensar parti para cima dele e lhe soquei também.
Uma briga começou no meio do bar e uma roda foi aberta, nem pude bater do jeito que queria, assim que lhe dei um soco no nariz, fui puxado bruscamente de cima dele e ele do chão.
– Me solta! – falei me debatendo e o homem que me segurava me soltou. Charlie se debatia nos braços do homem, o olhei e passei a mão debaixo de meu nariz, limpando o sangue que escorria.
– Vamos embora daqui, Niall. – Luna pegou em meu braço e eu passei um braço por trás de seu pescoço e ela em minha cintura.
Saímos do bar e ela pegou as chaves da caminhonete em meu bolso e eu sentei no banco carona, batendo a porta com força. Eu estava com raiva, Charlie conseguira me tirar do sério e estragar completamente minha noite. Mas eu jogara muitas verdades em sua cara, e disso com certeza ele não esqueceria.
– Vamos para minha casa, sua tia não pode te ver nesse estado. – falou
Ela foi dirigindo até um lugar desconhecido por mim naquela cidade, parecia um condomínio. Haviam várias casas e Luna parou em frente uma bastante bonita, bom, por fora era.
Saímos do carro e eu fiquei encarando-a.
– Vai ficar parado ai? – perguntou rindo – Vem, entra. Vou fazer um curativo nesses machucados.
Machucados? Aquele filho da puta ferrou meu rosto. O que minha tia vai pensar? Ela não gostará nem um pouco em saber que o sobrinho dela anda brigando por ai em um bar, ainda por cima quando esse cara é o Charlie. E se ela perguntar o motivo? Para falar a verdade, nem eu sei o verdadeiro motivo. Afinal, ele quem me bateu primeiro, não foi? Talvez não tenha agüentado escutar a verdade... Bem, como as pessoas dizem: A verdade dói.
– Vou pegar o kit de primeiros socorros. – sorriu – Fique a vontade.
Sorri e assenti. Ela saiu e olhei em volta, a casa era bem bonita, organizada e bem o estilo de Luna mesmo. Como ela disse para que eu ficasse a vontade, me sentei no sofá e senti algo escorrer pelo meu rosto levei a mão até o local e a olhei.
Luna voltou com uma caixinha branca na mão e se ajoelhou a minha frente, pegando um algodão e derramando algo no mesmo, levou até meu rosto e colocou em cima do machucado. Soltei um gemido pela ardência, mas nada demais.
– Sem querer se intrometida, mas... Quem era aquele homem?
Suspirei e a olhei enquanto ela passava o algodão pelo meu nariz, limpando o sangue.
– A garota que me deixou era namorada dele. – falei – E o traiu comigo, largando-o depois para ficarmos juntos, bom, eu pelo menos achei que era para isso.
– Ela passou para um curso de veterinária em Londres e discutimos, ela então disse que minha opinião não valia de nada e que iria para lá de qualquer jeito. – a voz de Demi dizendo aquelas coisas naquela noite ecoava em minha mente, tentei afastar e continuei: - Então, eu terminei com ela e ela foi embora... Sem nem se despedir.
Luna ficou em silêncio e terminou de fazer o curativo.
– Em que está pensando? – perguntei olhando-a.
Ela levantou os ombros e colocou o curativo em meu rosto e guardou tudo, deixando a caixinha em cima da mesa de centro e sentou ao meu lado.
– Se tiver um remédio para isso, por favor, preciso urgente. – soltei uma risada sem humor algum e ela me encarou, triste. – Ei, o que houve?
– Eu não deveria estar assim, porque afinal, combinamos que tudo não passaria de uma diversão, certo? – eu assenti ainda confuso – Antes parecia legal transarmos sem compromisso, eu estava triste com o término do meu namoro, mas...
– O quê? – perguntei lhe incentivando a continuar.
– Esses dias que passamos juntos foram maravilhosos, você é maravilhoso... Atencioso, carinhoso, cavalheiro, me trata como nunca fui tratada por um homem de minha idade. Você vale muito mais que pensa, você é único.
Onde ela estava querendo chegar com aquilo tudo? Permaneci quieto esperando-a continuar.
– Eu disse a mim mesma que seria só diversão, havíamos sido chutados e queríamos curtir... Mas hoje, ao ver você brigando com aquele tal de Charlie por causa dessa garota me deu uma pontada de ciúmes. – falou e ela enxugou uma lágrima que escorreu em seu rosto. – E ao ver você falando dela, seus olhos... Eu por um momento quis ser aquela garota para ser amada por você do jeito que você a ama, e não importa o que ela tenha feito, está em sua cara, você continuará amando-a.
Mordi os lábios e respirei fundo, ainda olhando-a.
– Eu acho que estou me apaixonando por você, é isso. – falou de uma vez e eu arregalei um pouco os olhos.
– Luna, eu... – passei a mão no cabelo nervoso. O que eu falaria diante dessa declaração dela? – Eu deixei claro que não queria algo sério no momento e VOCÊ sugeriu que ficássemos sem compromisso, apenas por ficar. E eu achei que como você sugeriu, não seria problema... Eu... Simplesmente não sei o que dizer. Me desculpe, não era minha intenção. Eu nem deveria ter concordado com isso se soubesse que você ficaria assim.
O que eu tinha na porra da minha cabeça? Era claro que transar assim “sem compromisso” ia acabar dando nisso, alguém iria criar sentimentos... Eu sinceramente gostaria de sentir o mesmo por ela, gostaria de dizer o mesmo e de amá-la, com certeza seria menos doloroso. Mas o que eu poderia fazer? Não somos nós que escolhemos quem amar, infelizmente. Se fosse assim, eu teria escolhido Luna e quem sabe não estaria sentindo esse enorme vazio dentro de mim, sentindo meu coração despedaçado e sem vida. Por que era assim que eu me sentia sem Demi comigo, sem tê-la ao meu lado dizendo que tudo vai ficar bem.
“Eu estarei aqui sempre contigo.” Ela dissera para mim, mas cadê ela aqui comigo me abraçando e me beijando do jeito que só ela sabe? Ela fora embora e eu teria que me conformar com isso, teria que superar, seguir em frente.
– Eu que peço desculpas, Niall. – abaixou a cabeça e fungou – Eu nem sei por que falei isso para você.
Eu estava sem saber o que falar. Cocei a nuca e me senti culpado por vê-la daquele jeito.
– Eu acho que devemos parar por aqui, Luna. – falei baixo e ela levantou a cabeça. – Não quero lhe fazer sofrer, não quero que você sinta o que eu senti.
– Você é uma mulher incrível e vai encontrar alguém que a mereça de verdade e que possa correspondê-la. – disse – Não posso dar o que quer.
– Eu não quero nada, não quero que corresponda nada. – falou – Me desculpe, eu só... Não deveria ter dito nada. Me desculpe.
Ela levantou e foi até a porta, abrindo-a. Ela queria que eu fosse embora, era óbvio. Levantei e caminhei até ela.
– Obrigado por ter cuidado de mim. – falei num sussurro e lhe dei um beijo na testa. – Desculpe. Se cuida, tudo bem?
Ela não respondeu e eu suspirei pesado, saindo em seguida. A porta atrás de mim bateu de uma maneira forte e eu fui até a caminhonete, entrei e me olhei pelo retrovisor, só havia um corte perto da sobrancelha e meu nariz estava um pouco inchado e doía. Minha bochecha estava vermelha, mas não sentia nada.
Liguei o carro e dei a volta, pegando o caminho de casa com minha mente a mil por hora.