– Tem certeza disso? – perguntou Prim novamente enquanto eu esticava a mão ansiosamente em sua direção.
– Qual é Primrose? Você disse que me ajudaria, somente hoje, juro que vou deixar tudo em ordem – falei bufando.
– Você sabe o que acontece se pegarem – argumentou e eu rolei os olhos.
– Sério?! Nós somos caixas de cinema quando não temos o azar de ficar com aquela pipocas fedidas – falei apontando para Marvel que estava fechando o caixa – Ninguém vai saber, só quero ficar um dia sozinha no shopping, amanhã ou daqui alguns dias vou estar me mudando para Los Angeles de qualquer forma para minha carreira musical.
– Você é maluca! – afirmou a garota loira que dizia ser minha melhor amiga, mas no fim me entregou as chaves do segurança.
Fazia dois anos que nos conhecíamos, Prim era simpática, dócil e sempre sorrindo, a pessoa mais meiga que poderia se encontrar na face da terra, gostar dela é fácil demais.
Estava com essa ideia de ficar presa no shopping há semanas, ela era amiga do segurança geral, consegui convencê-la a fazer uma cópia geral das chaves dele. Hoje uma bela terça-feira não teria seguranças por aqui, então seria o dia perfeito.
Isso era o que ninguém sabia, que dois dias da semana, aqui ficava sem segurança alguma, todos sempre tem isso em mente, que shopping sempre tem seguranças, rondando, cuidando, até o dia seguinte, mas nem tudo é perfeito.
Assim como minha vida, filha única, cresci no meio de brigas em que ninguém prestava atenção em mim. Meu sonho era a música e mesmo assim minha mãe dizia ser bobagem, que pessoas como nós do subúrbio do Texas nunca conseguiríamos algo a sério além de lojas de confeitaria.
Meu pai vivia trabalhando, nunca mais estava disponível para mim, mas quando era pequena ele sempre contava histórias na beirada da minha cama e dizia que eu deveria seguir meus sonhos.
Sonhos, às vezes sonhar faz mal as pessoas, sonhar alto demais machuca, mas eu não consigo impedir, eu quero mostrar a todos que eu sou capaz.
Um dos meus sonhos é ficar uma noite toda trancafiada no shopping, cometendo as maiores loucuras que se pode fazer.
– Pronto! – gritou Marvel me tirando da linha de raciocínio – ultima sessão acabou de iniciar, Rue está vindo aqui com o que resta dos óculos 3D, temos uma hora e meia de solidão e sairemos daqui.
Prim suspirou feliz e começou a fechar seu caixa. Olhei ao redor para nossos amigos de lojas brincando, fechando as portas e saindo acenando.
Alguns nós cumprimentávamos, outros apenas acenando, mas o shopping foi se esvaziando um a um, de pessoas a funcionários.
Quando desligamos as luzes das cabines, tratei de puxar minha mochila e trocar aquela roupa vermelha e azul feia, para um jeans e uma regata com jaqueta no lugar.
– Estou indo galera – falei tranquilamente saindo do banheiro.
Rue e Prim atacavam um saquinho de jujubas furiosamente enquanto Marvel comia algumas pipocas distraidamente.
– Credo vocês parecem ter cinco anos – zombei e eles me mostraram a língua.
Eu era a mais velha com quase vinte anos, Rue e Prim mal tinham dezessete e Marvel tinha dezoito, éramos os bebês do shopping, nos piores turnos e com outros colegas de trabalho insuportáveis.
– Já vai? – perguntou Rue jogando jujubas pro alto e eu corria para pegar com a boca.
– Sim, tenho algumas coisas para resolver – menti e vi Prim corar, ela sempre ficavam assim quando estava com vergonha ou culpa.
Apenas ela sabia da loucura e prometeu que não contaria nada.
– Que merda! – reclamou Marvel – E eu tenho que ficar e aturar mais uma hora e meia de sessão filha da puta?
– Algo assim – zombei e lancei beijos para eles.
Joguei a mochila sobre meus ombros e no maior estilo “sou foda” sai rindo do cinema ouvindo Marvel praguejar ao mesmo tempo que Rue e Prim ralhavam com ele sobre isso.
Evitei todas as câmeras possíveis e sabia que tinha uma escada de emergência onde não havia câmeras ao redor. Até o final da sessão ainda teria seguranças olhando as câmeras, mas sairiam junto com todos. Eu tinha apenas que esperar mais algumas horas e eu teria minha madrugada totalmente aproveitável.
Abri os olhos em estado de alerta quando senti algo vibrar dentro do meu bolso da jaqueta.
Percebi que havia cochilado na escada de emergência e não havia visto o tempo passar. Cocei meus olhos enquanto abria a tela do celular e lia a pequena mensagem.
“Aproveite sua madrugada, mas não tire muito as coisas do lugar, as câmeras já foram desativadas. P”
Sorri feito idiota e soltei um gritinho infantil, quando alguma criança sempre quer algo e no fim consegue.
Na verdade isso é um sonho infantil, ficar preso dentro do shopping ou supermercado, para comer ou beber qualquer coisa, isso sim era vida!
Puxei a mochila enquanto saia feliz dali, eu ia aproveitar tudo o que tinha direito.
Como estava feliz saltitei pelo corredor, eu estava no andar de baixo do cinema, eu poderia começar de cima para baixo, de baixo para cima, do meio para os lados, assim que decidi escolher na hora o que fazer, até ver uma loja de roupas.
– Yeah, uma roupa não vai matar – falei para mim mesma e sorri puxando as chaves.
Aquele molho tinha tanta chave que eu demorei um bocado para achar a que abria a parte de ferro, com esforço subi e travei do lado, abrindo a porta de vidro.
Estava tudo escuro, apenas as luzes de emergência, mas aquilo era melhor do que nada, eu não podia arriscar ligar luzes, estava divertido apenas com a luz da lua e as luzes de emergência.
Caminhei pelas roupas olhando-as, tocando-as como uma boba, eu realmente estava sozinha por ali, nada impedia minha diversão.
Mesmo querendo causar o terror por tudo, deixar rastros intermináveis da minha diversão, eu não podia, eu devia isso a Prim e se eu pudesse repetir a dose? Discrição, tinha que ser meu lema.
Passei por toda ala infantil invejando algumas coisas, como era fácil comprar roupa para crianças e cheguei à ala feminina.
Eu caminhei para a sessão de pijamas e comecei a mexer olhando um por um.
– Eu não sou uma velha – resmunguei olhando camisolas, uma mais feia do que a outra.
Então eu virei e olhei para os adolescentes, aquilo sim era divertido. Tinha de desenhos, de animais, de tudo quanto era coisa engraçada.
Acabei pegando uma camisa do Pink e o Cérebro e uma calça do Toy Story, vesti ali mesmo sem medo de alguém me encontrar e fiquei feliz por servir. Serviu perfeitamente e eu comecei a pular feliz, mas eu tinha que me livrar daquelas coisas malucas que eles prendiam nas roupas.
Olhei para algumas meias que deslizavam e feliz peguei de abacaxis, amarelas que chegavam a chamar atenção naquele escuro. Deslizei pela loja, testando meu equilíbrio e rindo feito boba, até chegar aos caixas.
Puxei a camisa e fiz aquelas coisas que cansei de ver atendente de caixa fazer libertando as coisas dos metais. Depois puxei a calça e fiz a mesma coisa, dobrei minhas roupas e enfiei na mochila.
Eu não estava ali realmente para fazer uma limpa nas lojas, eu sei que até o fim da noite me daria algum surto e eu devolveria, ou até mesmo pagaria pelas coisas, só deixar algum dinheiro ali.
Estava tão perdida na minha bolha de felicidade que demorei a perceber um barulho ritmado. Parei de me mover sentindo meu coração acelerar devido à adrenalina do momento e tentei aguçar meus sentidos.
Um barulho ocorria no andar de cima, como se algo estivesse se chocando e eu não entendia o que era aquilo.
Um gelo na espinha começou a crescer dentro de mim e tendo um momento estúpido, puxei minha mochila e comecei a andar.
Sabia que eu deveria correr, fugir, passar longe, até mesmo ir embora do shopping. Mas, eu era a garota da coragem, sabia até mesmo alguns golpes de luta corporal, essa pessoa, animal, o que quer que fosse, se daria mal comigo.
– Chute o saco dele – falei para mim mesma enquanto subia a escada rolante que estava parada.
O piso estava gelado e escorregadio graças a cera que passavam toda manhã, deveria ser proibido, já vi tanta gente tombar nesses chãos. No começo era algo engraçado, até que um dia eu cai e machuquei meu braço seriamente, Marvel me zoou pelo resto do mês em que fiquei com a tala no braço.
O barulho ali era infinitamente maior, com tudo silencioso, dava ainda mais vazão. Se o shopping estivesse cheio duvido que eu estivesse ouvido algo.
Com o coração na boca percebi que estava no cinema esse barulho, o que diabos tinha ali?
Então um grito e eu dei um pulo. Caralho! Tinha alguém ali.
Corri por lá escorregando e pulando as três escadinhas que tinha por ali. Olhei para o lado das pipocas e a faixa onde impedia os malucos por filmes de passarem para ver as salas.
O chão com carpete quase me fez cair, só assim notei que andava deslizando como se fosse num patins e então caminhei para perto dos banheiros. Ali estava bem mais escuro, não se tinha muitas luzes de emergência e eu seguia ouvindo o barulho.
– Chega... Sério gente, me tira daqui! – gritou alguém do banheiro masculino.
Podia contar facilmente as batidas do meu coração depois que eu gritei, o silencio chegava a ser palpável.
– Tem alguém ai? – gritou de volta e eu rolei os olhos.
– Gasparzinho! – gritei sarcástica.
– Sério Gale, Clove, Tresh, a brincadeira já acabou, podem me tirar daqui – senti duas batidas violentas na porta e me encolhi.
– Olha, não tem ninguém com esse nome aqui – falei grudando perto da porta – e para de bater caramba, vou te tirar dai.
Olhei para o pedaço de madeira que prendia contra a parede a porta e sorri, quem quer que tenha feito isso, fez sabendo que iria prender a pessoa por dentro. Foi uma jogada de mestre admito, achei até divertido, mas isso acabava com a minha diversão.
Com um pouco de força puxei a madeira, mas ela não saia do lugar. Franzindo o cenho voltei a puxar dessa vez com mais força e puxando para cima e para baixo. A madeira cedeu e meu corpo não encontrou equilíbrio para se sustentar.
– Ai – choraminguei quando cai de bunda no chão.
Resmunguei mais alguma coisa e depois ergui meu olhar quando ouvi a porta bater.
Um garoto loiro, forte, alto saia de lá arrumando seus óculos sobre os olhos que pareciam duas lagoas azuis. Ele era muito bonito.
– Uma ajuda? – perguntei olhando ironicamente para ele – Afinal eu te tirei daqui.
Só agora ele pareceu notar quem o salvara, seu olhar correu pelo meu corpo e eu quis me chutar por estar de pijamas.
Minha deusa interior saiu dançando feito uma porra louca, num vestido vermelho sangue colado, batom vermelho prostituta e fazendo biquinho.
Ergueu a mão e eu ergui a minha, segurando-a quando senti borboletas no estomago, mas ainda assim me ergui.
– Você dorme aqui? Mora aqui? – sua voz estava alterada como se fosse um absurdo isso ocorrer.
Notei ele passar a mão pelos cabelos nervosamente e depois ajeitar os óculos sobre o nariz, aquilo era fodidamente sexy para alguém tão nerd.
– E qual seu problema com isso? – rebati fechando as mãos sobre os peitos.
– Nenhum, apenas quero matar meus amigos e dar o fora – falou calmamente ajeitando o moletom que usava.
– Te prenderam, mas como? Eu estou aqui e só te ouvi faz poucos minutos – falei rindo.
– Por que eu acordei só agora, esses espertos colocaram algo na minha bebida e me arrastaram pra cá – falou arrumando os óculos novamente.
– Espertos – falei e ele fechou a cara – que foi?
– Idiota – rebateu e eu fechei a cara.
– Ei... Isso não foi legal garoto – falei saindo de perto dele e puxando minha mochila.
– Também não é legal você rir de mim – disse me seguindo.
– Por que está atrás de mim? – falei parando ao lado da máquina de pipocas, puxei minha própria chave e abri o compartimento de doces, puxando algumas besteiras.
– Sempre pega coisas assim? Fácil? – perguntou incrédulo – Sem nem ao menos pagar?!
– Garoto você é irritante – comentei enchendo a boca de Hershey’s.
– Peeta, Peeta Mellark – falou puxando os óculos para perto.
– Katniss, Everdeen ou apenas Kat, que seja – dei de ombros e ofereci um pouco do chocolate para ele.
Peeta ficou me olhando como se tivesse mil cabeças, mas no fim puxou o chocolate da minha mão e deu uma generosa dentada.
Fechou os olhos como se apreciasse o gosto e depois abriu os olhos, eles brilhavam.
– Isso é bom – comentou como se fosse uma novidade.
– Você por acaso tem diabetes para não comer doces? – perguntei sarcasticamente e ele corou – Merda! Você tem diabetes!
– Não! – disse rapidamente e eu olhei confusa em sua direção, ele se encolheu levemente – É que minha mãe sempre foi saudável demais, nunca deixou a mim ou meus irmãos mais velhos comerem besteiras, sempre tinha que estar focado nos estudos e em ser saudável.
– Quer dizer que nunca comeu chocolate? – perguntei embasbacada.
– Umas três vezes no máximo e somente agora que estou no alojamento de calouros da faculdade – falou sem jeito.
– E seus amigos, calouros ou veteranos, te pregaram uma peça – afirmei e ele assentiu.
– Eles costumam dizer que estudo demais – comentou dando de ombros.
– Parece, você é um nerd – falei rindo e ele rolou os olhos – E mal tem dezoito anos.
– Completei faz um mês – falou me olhando torto.
– E eu faço vinte amanhã – falei dando de ombros e algo estalou na minha cabeça – Opa! Já passou da meia noite, eu já tenho vinte anos.
– Bom... Parabéns – falou sem jeito e eu sorri agradecida.
Pulei da bancada e fui até onde ficavam alguns bolinhos, Rue adorava guardá-los por ali, sempre que enjoava de roubar docinhos.
Achei um de chocolate e sorri, era melhor do que nada, não queria ir atrás de algum bolo de três andares.
– Parabéns para mim, nessa data de merda, que eu consiga ir para LA, muitos anos de fama – cantei pulando e fingi assoprar uma velinha invisível.
Comi um pedaço do bolinho e joguei em direção ao bonitão loiro que se atrapalhou, mas conseguiu pegar o bolinho voltando a ajeitar os óculos sob o nariz. Certo, aquilo era uma marca dele e o deixava malditamente sexy.
– Então, vou abrir a porta para você, tente sair e achar algum táxi, mas não fale que estava no shopping, eu estou aqui clandestinamente – falei enquanto saiamos do cinema.
Ele pedira um saco de jujubas e comia algumas distraidamente enquanto eu caminhava para perto da porta de saída que tinha por ali.
Senti alguém puxar meu braço e acabei tropeçando, mas Peeta me segurou.
– Qual é?! – indaguei depois de me soltar.
– Eu... Bom... Não quero ser intrometido, mas posso ficar? Eu quero fazer uma loucura também – falou convicto.
Encarei aqueles dois orbes azuis que estavam mexendo com meu estômago e acabei concordando.
– Então Mellark, vamos ter um pouco de loucura nessa madrugada, mas – falei apontando para suas roupas – precisamos que esteja vestido adequadamente para isso.
– Isso é ridículo – comentou rindo quando me entregou as roupas para que eu tirasse as coisas de metal.
– Você está bem de Superman e Ursinhos Carinhosos – afirmei segurando a risada.
Ele me empurrou fracamente contra o balcão e voltou a por a camiseta de Superman no corpo. Caminhamos pela loja e eu olhei para ver se tudo estava em perfeita ordem antes de fechar e ele me ajudar a descer a parte de metal.
Suas meias eram verdes de carros e ele começou a deslizar comigo. Parecíamos duas crianças disputando para ver quem deslizava mais, nossas risadas ecoavam pelo shopping.
Corremos e brincamos esquecendo da realidade, deixei minha mochila na escada e nós esquecemos do mundo lá fora por algum tempo, até eu escorregar e cair novamente no chão, quase de cara.
– Opa – murmurou se atirando ao meu lado.
Minha respiração estava tão irregular quanto a dele, mas isso não nos impedia de rir sem parar enquanto estávamos atirados ao chão tentando recuperar o fôlego.
– Vou sentir falta daqui – murmurei comigo mesma.
– Está indo embora? – perguntou casualmente virando de lado para poder me encarar.
– Estou, passei um ano juntando o dinheiro do trabalho para poder ir a Los Angeles, quero ser cantora ou até mesmo atriz – falei com fervor.
– Assim, sem garantias? – perguntou apreensivo e eu olhei em sua direção.
– A vida não tem garantias – falei naturalmente – precisa arriscar.
– Não fui criado para pensar assim – disse e notei um tom de rancor em sua voz – eu faço Economia, algo que vai gerar um bom emprego, mas na verdade eu gosto de pintar.
– E faz Economia por quê? – perguntei rolando para ficar sentada em posição de índio e ele imitou meus movimentos.
– Minha mãe – respondeu suspirando.
Notei como ele era de verdade, um garoto que tinha ambições na vida, mas que tivera uma vida completamente regida a regras, sempre controlado por tudo, ele tinha medo de tentar algo que não estava nos parâmetros já regidos da sua vida.
Num ato totalmente involuntário segurei suas mãos entre as minhas e novamente meu estômago revirou com aquilo, até pude sentir meu coração bater mais forte com esse gesto.
Seu olhar encontrou com o meu e tudo pareceu ficar no lugar certo. Eu queria que ele tivesse coragem para lutar.
– Peeta – sussurrei e seu olhar brilhou – você precisa ser forte, você precisa lutar pelo que você quer! A vida é feita de escolhas boas e ruins, mas cada um tem a sua, é preciso se libertar!
Apertei suas mãos contra as minhas querendo reforçar minhas palavras. Ele estava tenso, olhando para mim ao mesmo tempo em que sua mente parecia estar muito longe.
– Eu... E-eu não sei – murmurou por fim soltando minha mão e meu peito afundou.
– Não seja um perdedor! – ralhei levantando – Tem que ter a cabeça erguida, como se fosse um fodido cara gostoso de Hollywood, imagine seus quadros por ai, seus desenhos sendo conhecidos, sua vida realizada, isso é auto satisfação!
Caminhei deixando-o para trás e sabia que ele não estava me seguindo, mas eu realmente não queria saber, eu não gostava de me sentir inútil, mas eu me sentiria assim se visse Peeta virar mais uma pessoa robô por ai, sem vida, fazendo o que a sociedade exige que você vire.
Desci a escada rolante pulando um degrau ou outro, chegando ao térreo, olhei ao redor, as opções e pensei o que queria fazer. Poderia ir a praça de alimentação e procurar por algo, mas seria muito pouco provável ter alguma comida.
Não tinha nem energia para ligar as coisas, eu tinha que me entupir de bobagens mesmo. Deslizei um pouco pensativa, escorregando e quase caindo, mas isso não me impedia de continuar.
Cheguei a praça de alimentação e comecei a medir minhas opções, era tudo muito básico. Além das maiores redes de fast food, onde as crianças amavam estar, tinham os restaurantes locais, burritos e essas coisas mexicanas fazia sucesso por aqui.
– Frio e não precisa esquentar – falei sorrindo ao ver o pequeno point japonês.
Comecei a dar cambalhotas tentando me distrair e ver quantas dava até chegar por lá, mas meu pescoço começou a doer no meio do caminho, então optei por ir rolando o resto do trajeto.
Com força abri tudo e notei como era limpo, tudo estava vazio, ao menos nos vidros, mas eu sabia que na cozinha deveria ter algo. Antes parei no refrigerador e peguei uma Coca-cola básica.
Cantarolando alguma música peguei uma bandeja e notei aqueles barcos onde eles faziam ou colocavam várias coisas de comida ali. Peguei um e fui até o fim perto da cozinha.
– Eles são limpinhos – aprovei quando vi que quase nada estava fora de ordem.
Em grandes caixas de isopor achei salmão, pacotes de arroz fechados e até verduras, então comecei a preparar comida crua.
Concentrada pude ouvir um barulho e sabia que era Peeta, mas ainda não queria falar com ele. Na verdade, eu não tinha nada o que falar, assim que ele mesmo que procurasse um assunto.
– Hum, adoro japonês – comentou sorrindo sem graça e eu nem ao menos ergui meu olhar.
Ainda concentrada em enrolar salmão e arroz naquela coisinha preta que eu nem ao menos sabia o nome não o respondi. Mas ouvi ele rir baixinho da minha tentativa e foi para meu lado.
Suas mãos era rápidas e ele começou a montar nosso pequeno lanche da madrugada, puxando e grudando tudo, com a maior facilidade.
– Parece dar-se bem com a cozinha – comentei desistindo de fazer algo.
– E você parece odiar – rebateu sorrindo e eu desisti de tentar ser malvada.
– Odeio mesmo – confirmei arrancando risos dele.
Quando ele terminou sentamos em uma das mesas que tinha ali dentro mesmo e começamos a comer, era engraçado por que eu peguei tudo na mão dispensando qualquer outra coisa e ele foi me imitar.
Fizemos uma sujeira e das grandes na mesa, espirrando molho e comida por ai, resultou que tivemos que limpar antes de sair dali.
Lavei toda a sujeira de pratinhos e as mesas enquanto Peeta guardava tudo o que retiramos do lugar. Olhei em volta pegando minha latinha e não pensaria que alguém tivesse estado por ali.
– Vamos cair fora – falei e ele me seguiu.
Fechamos tudo e eu acabei soltando um arroto sem querer.
– Ops – murmurei rindo e ele revirou os olhos.
Fez uma expressão engraçada por alguns segundos e depois soltou um super arroto.
– Ew! Garoto você tem potência – murmurei divertida e ele riu de mim.
Jogou sua latinha no lixo e começou a me seguir pelo corredor, eu olhava distraidamente para as lojas.
– Tenho medo de mudanças, não acho que seja tão livre quanto você – sussurrou um tempo depois enquanto a gente virava em outro corredor.
Segui bebericando o liquido em minha latinha pensando no que dizer para ele.
– Eu nem sempre fui assim – confessei – sou filha única Peeta, meus pais não tem tempo para mim, minha mãe passou a vida pisando nos meus sonhos, dizendo que eu tinha que ter os pés nos chão, mas não... Eu não nasci para ser comum, eu tenho que lutar e me libertar, ser quem eu quero ser.
Nessa hora virei para encará-lo e ele me olhava de um jeito estranho, parecia ter adoração em seu olhar, admiração, orgulho, eu não poderia dizer.
– Você é uma garota notável Katniss, vai dar-se bem, eu sei disso – afirmou e eu corei desviando o olhar.
– Cala a boca – murmurei jogando minha latinha fora e virei em sua direção – agora me diga, além de pintar, o que você realmente gostaria de mudar na sua vida se pudesse.
– Não sei – falou em duvida e logo em seguida ajeitou os óculos – acho que esses óculos, eu gostaria de tirar um pouco esse ar de nerd que eu tenho.
– Esses óculos são seu charme, acredite – murmurei piscando para ele divertidamente e peguei em sua mão – mas, se não gosta iremos dar um jeito.
Rapidamente cheguei à óptica onde eu sempre admirava vários óculos, mas nunca usaria, minha visão era boa demais, eu até fui a vários médicos, mas não tinha que usar nem para descanso, já que ler não era algo que eu tinha tempo para fazer.
Lutei com o molho de chaves, mas por fim achei a da bendita e Peeta me ajudou a erguer e entrar.
Caminhei preguiçosamente ao redor, olhando armações e fui para o fundo da loja, várias caixinhas de lentes de contato e uma escada. As pessoas deveriam provar ali as lentes.
– Longe ou perto? Quantos graus? – perguntei e ele caminhou em minha direção com um óculos colorido no rosto.
Acabei rindo da sua idiotice e revirei os olhos para que ele visse. Do nada ele me puxou e começou a fazer caretas tirando o óculos revelando um pequeno, redondinho e escuro, franziu o nariz e jogou a língua para fora.
Gargalhei em seus braços e devolvi a careta puxando o óculos para mim, fiz uma cara de zen e fingi ser alguma hippie maluca. Isso o fez rir enquanto sentava e me respondia.
– Aqui – disse ainda recuperando o fôlego.
Estendi uma caixinha de lentes de contato e ele olhou para ela curioso, sorrindo.
Lemos as instruções e subimos as escadas para que ele pudesse prová-las.
Sentou na cadeira de frente para a pia e o espelho, puxou-as devagar e abriu as embalagens. Molhou uma tirando os óculos e se encarou no espelho, ergueu o olhar encontrando o meu e eu sorri animada.
Tive que morder o lábio e não rir enquanto ele lutava com as lentes, seus olhos piscavam, ele fechava os olhos e não colocava a lente.
– Vem fazer bonita – murmurou com raiva e eu mordi os lábios novamente.
Depois de um tempo ele estava com as duas e piscava repetidamente.
– E ai? – perguntei ansiosa.
– Legal, é como óculos, mas sem nada no rosto, vejo tudo bem – disse sorrindo e eu olhei para seu rosto sem os óculos.
Ele era bonito, muito bonito, tinha um corpo definido, podia imaginar como era seu peitoral, seus abdome e até mesmo suas costas largas. Por um insano momento imaginei minhas unhas marcando aquela pele branca, sentindo seu corpo contra o meu.
Sacudi a cabeça sentindo meu corpo esquentar e praguejei internamente. Minha deusa interior sentou no sofá emburrada gritando para agarrar o garoto a minha frente, mas eu não tinha coragem.
Então ela bateu os saltos altos com fúria e fechou uma porta na minha cara, como que dizendo que estaria de greve até eu tascar um beijo nele.
– Perfeito – murmurei quando percebi que ele ainda esperava uma resposta minha.
Voltou a se sentar e tirou as lentes com cuidado, dizendo que na capinha dizia que não se deveria dormir com elas, então ele não as usaria agora.
Pegamos uma bolsinha dali e ajeitamos seus novos brinquedinhos, depois arrumamos as coisas e novamente saímos.
Fiquei perdida em pensamentos enquanto caminhávamos, eu tinha que tirar algumas ideias imprudentes da minha cabeça.
– Katniss, quando você vai embora? – perguntou trocando a bolsinha de mão.
– Amanhã ou depois, não sei ainda, preciso falar pros meus pais – comentei dando de ombros.
– Você é maior de idade, você mesma disse que pode o que quiser – falou e eu dei de ombros novamente.
– Eu sei, mas não posso simplesmente sumir sem avisar.
– E... E se... Se não der certo? – gaguejou e eu fechei os olhos suspirando.
– Peeta, eu já pensei nisso mil vezes, mas eu não quero pensar negativo – afirmei e abri os olhos – o máximo que pode acontecer é eu ter que arrumar um emprego e fazer alguma faculdade.
Peeta segurou meu braço nos fazendo parar e ergueu meu queixo.
– Não desista – falou firmemente – nunca conheci alguém como você, agora não posso imaginar você sem vida por ai, nunca desista.
Assenti ainda incapaz de dizer algo, eu estava uma completa bagunça em apenas algumas horas. Notei que me aproximava dele e ele fazia o mesmo comigo.
Minha deusa interior apareceu dessa vez apenas em lingeries dançando pela minha mente comemorando, imaginando várias coisas que poderíamos fazer com Peeta e estalando os lábios em aprovação.
– O que estamos fazendo? – sussurrei a centímetros da sua boca.
– Uma loucura – respondeu e pude notar o riso em sua voz – nos libertando.
Oh sim! Gritou minha deusa interior quando nossos lábios se encontraram. Ela rodopiou, fez várias danças malucas e caiu fascinada no sofá.
Como ele tinha um gosto bom! Suspirei abrindo meus lábios para sua língua ansiosa tocar a minha, enroscando-se como se beijá-lo fosse algo que eu fazia todo dia.
Minhas mãos na mesma hora encontraram os cabelos da sua nuca e o puxaram ainda mais para perto de mim. Eu estava na ponta dos pés, mas não parecia ser o suficiente, então senti Peeta passar os braços ao redor da minha cintura e me erguer do chão.
Puxei seus cabelos bagunçando-os e arranhei seu pescoço, senti uma de suas mãos escorregar por minha coluna e apertar minha bunda puxando meu corpo para si.
Gemi contra seus lábios e ele nos encostou em uma parede.
Maldição! Eu estou fodidamente quente por ele. Pensei com minha deusa interior, ela deu de ombros ainda deitada no sofá hiperventilando e pensando em coisas obcenas para fazer com ele.
– Peeta – gemi quando ele encostou-se em mim novamente, me tocando em vários lugares.
Separamo-nos ofegantes e eu olhei para o lado querendo escapar daquelas orbes lindas que me encaravam com luxuria e desejo.
Ironicamente a loja da frente era uma loja de colchões e minha deusa interior voltou a dar piruetas dizendo que a noite prometia.
Peeta virou-se na direção do meu olhar e paralisou no lugar, minha mente girou e eu me amaldiçoei por pensar em coisas obscenas com alguém que eu mal conhecia, eu só podia estar maluca de vez.
Quando seu olhar voltou a encontrar o meu quase desfaleci em seus braços, não eram azuis cristalinos que eu passei a madrugada encarando e sim azuis quase negros de desejo, queimavam minha pele lançando arrepios gostosos por minha coluna.
Sim! Sim! Sim! Yeah! Minha deusa interior comemorou, atirando-se no colchão imaginários e rolando, chamando por Peeta e eu estapeei minha mente querendo tomar o controle.
Não falamos nada, apenas nos encaramos como que confirmando os desejos um do outro, então ele nos guiou para lá, abrindo as coisas e passando comigo logo atrás.
Estava escuro, mas ali era uma das saídas do shopping, então a luz da lua refletia por ali nas paredes de vidro. Lá fora estava tudo tão calmo e sereno, um perfeito deserto.
Senti seus braços por minha cintura e beijos em meu pescoço. Fechei os olhos apreciando o gesto e deixei Peeta nos guiar para um caminho maluco e de libertação.
O que faria de mal? Eu nem o veria mais depois, ele seguiria seu caminho e eu o meu, era apenas uma noite maluca, com um garoto nerd maluco.
Suas mãos se espalmaram em minha barriga e eu fechei os olhos quando ele empurrou meu corpo para trás, meu corpo parecia encaixar contra o seu e uma onda de fogo lambeu minha pele quando ele subiu para meus seios cobertos pelo soutien.
Suspirei alto remexendo para ficar de frente para ele, sem deixar que ele fizesse algo agarrei seus cabelos e o beijei com fúria, invadindo sua boca enquanto puxava sua camiseta para cima.
Ele facilitou o trabalho afastando-se apenas para jogar longe a camiseta e voltou a puxar minha cintura para si enquanto minhas mãos corriam por sua pele desnuda.
Gostoso! Tesudo! Acabei rolando os olhos para minha mente pervertida enquanto assistia minha deusa com um leque abanando-se freneticamente.
Peeta era realmente gostoso, um corpo definido e de dar inveja, minhas mãos passearam sem pudores por seu corpo e eu sentia ele se contrair em alguns locais, soltar alguns suspiros e apertar minha carne, meus olhos reviravam e eu descolei nossos lábios.
Beijei sua pele nua, sentindo ele se arrepiar e puxar minha blusa. Um frio na espinha e eu senti um colchão em minhas costas, sem saber realmente como havia chegado a um, mas seu corpo estava quente contra o meu, o resto não importava.
Puxei minhas pernas para sua cintura e empurrei para cima, joguei a cabeça para trás gemendo baixo e seus lábios chuparam meu pescoço.
– Vou te matar – sussurrei num torpor de prazer e senti seu halito ricochetear em meu pescoço.
Para me provocar ainda mais ele mordeu meu pescoço mais uma vez e eu grudei nossos corpos fazendo ele suspirar apertando meu quadril novamente. Suas mãos foram para meus soutien e ele lutou um tempo com ele até soltar.
Separou-se de mim enquanto retirava aquela peça do meu corpo e me olhava, eu estava tão ofegante e fora de orbita que não tive tempo de ficar envergonhada com seu olhar, apenas desejava que ele me tocasse logo.
Peeta voltou a colar nossos lábios e sugou meu lábio inferior sem pressa enquanto senti suas mãos subirem por meu corpo até meus seios. Minha pele queimava, meu sangue parecia ferver e eu revirava os olhos praguejando baixinho.
Suas mãos apertaram meus seios, eram mãos grandes e cobriam meu seio inteiro. Ele começou devagar, como se apenas vendo a textura e depois apertou e eu joguei a cabeça para trás. Empurrando meu corpo contra o seu, querendo alguma fricção e ele apertou mais forte dessa vez.
– Peeta – gemi e ele largou meu pescoço.
Beijou meu colo e senti sua respiração em meio seio esquerdo.
Merda! Estou no inferno! Deus não pode ser tão bom comigo! Falei para minha deusa interior quando ele lambeu meu seio e eu fui jogada para o céu.
Sua língua brincava incertamente contra meu corpo, começando devagar como que testando a mim e quando eu respondia ele ganhava segurança no que fazia. Que mãos e que boca ele tinha, queria me deixar maluca.
Meu corpo parecia já escorregar pela fina camada de suor e o de Peeta também.
Impacientemente puxei sua calça do pijama e notei sua cueca cinza, ele estava excitado e eu fiquei feliz em saber que eu era a causa disso.
Puxei seus cabelos obrigando-o a me encarar.
– Merda Mellark, como pode?! Eu vou gozar antes mesmo que você esteja dentro de mim – praguejei e vi-o sorrir torto corando.
– Katniss, eu... Está bom? – perguntou colando a testa na minha enquanto minhas unhas arranhavam suas costas.
Ele tremeu sob mim e apertou-se contra mim fazendo com que eu fizesse um arco com meu corpo.
– Pe-e-eeta! O que você acha? – ofeguei quando ele voltou a me tocar.
– Não sei, eu apenas estou seguindo meus instintos – falou desviando o olhar do meu.
– Oh... – sussurrei arregalando os olhos – Peeta. Eu... E-eu não quero forçar você... Só pensei, que... Pensei que você, não... Droga!
– Ei, eu quero isso, mas não sei se irá gostar, eu nunca fiz algo antes – confessou tocando minha bochecha.
– Não pense muito, apenas siga seus instintos, você está saindo perfeitamente bem – afirmei e puxei sua nuca para mim.
Beijei seus lábios com doçura e me obriguei a esquecer desse pequeno detalhe, eu me lembro da minha primeira vez com meu namorado de infância, foi algo bom, mas não durou.
Eu não era sua namorada, mas não acho que para garoto seria a mesma coisa, eles não costumavam ligar para isso. Eu era apenas a primeira de várias que ele teria, Peeta era alguém notável.
Ele puxou minha calça do pijama e se ajoelhou, agora entendia por que gostava de me olhar.
Caralho! Eu seria a primeira a abusar daquele corpinho fodidamente sexy!
Dessa vez deixei minha deusa interior fazer sua dança louca, se não estivesse tão ocupada em responder o beijo de Peeta provavelmente faria eu mesma a dancinha maluca.
Agarrei a barra da sua cueca puxando para baixo enquanto ele puxava minha calcinha, passando as mãos espalmadas por minha perna. Aquela tortura iria acabar comigo, eu iria para um lugar desconhecido.
Nenhum dos caras que fiquei antes ficaram tão preocupados com meu prazer, era apenas um sexo casual para aliviar a tensão e apenas isso, eles se satisfaziam, me davam uma oral para que eu tivesse um orgasmo e tudo acabava.
Eu realmente nunca tive um orgasmo na penetração, eu gostava de transar, mas nunca chegava a ficar satisfeita completamente neles.
– Eu sei que não vou gozar, mas isso vai ser ótimo – murmurei quando senti sua ereção contra minha barriga e ele mordia meu ombro.
– Como assim? – perguntou traçando beijos molhados até minha orelha e mordiscando.
– Nunca tive orgasmo numa penetração, apenas com oral ou quando me masturbavam – dei de ombros – mas, sério eu não quero falar disso agora Mellark, chega de preliminares.
– Nós não temos camisinha – destacou e eu abri os olhos encarando seu olhar.
– Merda! Sua sorte é que tomo pílulas por cólica menstrual e depois compro pílula do dia seguinte para qualquer coisa, eu nunca fiz sem camisinha, estou limpa pode acreditar – falei reunindo a maior força de dentro de mim.
– Eu confio em você – jurou e eu sorri.
Nossos lábios se encontraram enquanto sentia ele abaixar seu corpo contra o meu prensando meu corpo contra o colchão da loja. Mordeu meu lábio inferior enquanto sentia que ele estava forçando contra mim.
Cravei minhas unhas contra a pele das suas costas e lancei a cabeça para trás.
Deus! Ele era grande e estava me matando. Pensei comigo mesma e minha deusa interior estava jogada ao chão de olhos revirados.
Eu estava tão excitada, tão quente, que ele foi deslizando, me dilatando, forçando contra mim enquanto eu sentia uma explosão dentro de mim. Era algo tão bom e tão inexplicável.
Deveria ser o fator de sermos praticamente desconhecidos, estarmos num shopping deserto e cobertos pela luz da lua.
– Katniss – gemeu quando estava inteiramente dentro de mim – Isso... Eu... Tão quente.
– Oh, eu sei – sussurrei forçando meu corpo contra o seu e ele vibrou contra mim.
Puxou minha cintura indo para trás e voltando devagar, deliciando-se com as sensações enquanto eu me contorcia embaixo dele querendo acabar com aquela tortura deliciosa.
Então mudou um pouco o lado, jogando o peso para a direita forçando um pouco mais e eu revirei os olhos jogando os braços para o colchão apertando-o.
– Olhe para mim – ordenou num estalo e eu abri os olhos lutando com o prazer.
Eu via o esforço que ele fazia para se manter estável contra mim, ainda mais comigo que estava jogando o quadril contra o seu.
Novamente mudou a posição forçando-se contra mim e eu praguejei baixinho sentindo arrepios por minha pele, então ele forçou novamente mais para cima.
– Porra! – gritei quando meu corpo inteiro vibrou e eu quis fechar minhas pernas devido à intensidade do prazer que rodou minha pele.
Peeta novamente repetiu aquele movimento com um pouco de mais força e eu novamente gemi alto puxando seu corpo para cima do meu.
– Achei – disse contra minha orelha e eu não tive capacidade para processar e perguntar que merda ele havia achado.
Minha mente ficou turva e eu fechei os olhos quando ele aumentou o ritmo, seu corpo chocando-se contra o meu e lançando ondas de prazer por todo meu corpo, ricocheteando e voltando para meu baixo ventre.
Estalando por minha pele arrepiada, seus beijos por meu corpo e suas mãos também, enquanto nossos corpos se uniam cada vez mais e eu subia alto demais, rápido demais, como nunca antes.
– Merda, eu vou... Eu juro... Eu – gemia coisas desconexas quando sua mão desceu para minha parte pequena e sensível, esfregou seu dedão ali e eu mandei a cautelas as favas, arqueando meu corpo com força enquanto meu sexo pulsava e esmagava o seu.
Pela primeira vez eu toquei o céu rapidamente num orgasmo de tirar meu fôlego e pude ouvir Peeta praguejar alto quando eu cheguei lá, eu o senti enrijecer sob mim e gozar também enquanto eu ainda subia rápido e do nada começava a descer.
Não podia descrever a sensação que tomou meu corpo, mas percebi que ele estava ofegante contra mim e minha pele estava arrepiada e suada.
– Você me fez gozar numa transa – comentei ofegante e senti meu corpo vibrar com sua risada.
– Eu fiz – murmurou convencido e eu rolei os olhos.
Como aconteceu eu não sei, numa hora eu estava dando atenção a minha deusa interior que estava satisfeita jogada no chão e na outra Peeta estava me puxando para si num beijo arrebatador.
Apenas consigo me lembrar que aquela madrugada ficou marcada em minha mente para sempre. Uma hora eu pude ficar por cima e ele segurava meu quadril com força empurrando fundo e para cima, me levando ao delírio, sentindo meu corpo todo responder ao seu, enquanto eu subia novamente para o céu sem algum tipo de segurança e logo depois eu pude mostrar a ele como receber e dar prazer a uma garota com as mãos e a boca.
Peeta pedira e eu quase enlouquecia com sua língua em meu sexo que estava dolorido de tanto prazer, enquanto ele estava ali me levando ao terceiro orgasmo da noite.
Depois disso meu corpo parecia pior do que gelatina, eu mal podia me mover do lugar, mas eu podia ver como a lua descia para dar lugar ao sol que logo apareceria.
– Preciso dormir um pouco – murmurei sonolenta quando senti seu corpo contra o meu.
– Se dormimos, vão nos pegar aqui – falou e eu sabia que era verdade.
Não vi Peeta, mas senti ele se mover e começar a se vestir, sumiu do meu campo de visão e eu aproveitei para fechar um pouco os olhos.
Mal tive tempo de chegar a minha querida inconsciência quando senti seus beijos por minhas costas nua e eu apertei os lábios numa linha dura e fina.
– Você já acabou comigo garoto, eu não sei se aguento um quarto round – falei brincalhona e ele riu contra minhas costas.
– Eu sei, você mal se move, mas eu te trouxe algo – disse despreocupado.
Notei algumas latinhas de energético e até mesmo um café. Sorri agradecida e juntando força sentei no colchão.
Peguei o energético e beberiquei enquanto via-o tomar café.
– Eu tomo vários, acordo cedo para a faculdade, um jeito de te manter acordado – justificou e eu assenti.
Depois tomei um pouco de café e pude sentir meu corpo começar a ficar ligado.
Juntei minhas roupas e as vesti mesmo assim, não tinha chuveiros por ali, eu teria que tomar banho em casa mesmo.
Agora já estava amanhecendo e minha noite maluca já estava no seu final, a noite da libertação.
E que libertação Katniss Everdeen!
Estapeei minha deusa interior e ela dignamente foi para o colchão totalmente mole e feliz, nem lutou comigo.
– Então hoje você tem aula – comentei quando saímos dali.
Aquela maldita loja sempre me recordaria o Peeta, podia apostar isso.
– E eu trabalho – gemi de desgosto sorvendo mais um pouco de café.
Ele riu balançando a cabeça descrente comigo e segurou minha mão enquanto andávamos.
Subi as escadas rolantes preguiçosamente, pensando que caminhando alguns minutos eu estaria em casa, mas com o ônibus eu chegaria mais rápido. E essa hora eles já estavam andando, por isso tinha que ser cuidadosa para sair dali.
Encontrei minha mochila jogada por ali e a recolhi enquanto Peeta dizia que iria trocar de roupa.
Fiquei encostada contra a parede e esperei. Ele não demorou muito e logo voltou com seu jeans, moletom, óculos e sorrindo.
– Não vai trocar de roupa? – perguntou divertido e eu dei de ombros.
– Eu não ligo pro que pensam e eu mal consigo me mover sem esforço – afirmei bocejando.
Caminhamos para fora do shopping e eu olhei ao redor, não tinha movimento pela rua ainda. Ele saiu e eu fui logo atrás fechando a porta e voltando a checar o local.
Coloquei os tênis somente, só com as meias eu machucaria meus pés. Cocei meus cabelos e joguei a latinha de energético no lixo atravessando a rua com ele.
– Cuide-se Mellark e lembre-se aproveite sua vida, liberte-se – murmurei quando nos olhamos sem saber ao certo o que fazer.
– Obrigado – sussurrou tocando minha bochecha – foi a melhor noite que já tive.
– Obrigado você também – falei sorrindo.
– Espero ouvir muito sobre você na televisão ainda – disse divertido e eu rolei os olhos.
– Espero poder ver quadros teus por ai ainda – rebati e ele sorriu amarelo.
Devagar ele chegou perto de mim e abaixou-se. Meu coração bateu forte contra o peito e eu fechei os olhos beijando-o de volta.
Tinha um gosto de despedida que me deu vontade de chorar, mas eu era forte e eu sabia que isso aconteceria, assim que quando nos separamos eu apenas sorri feito uma moleca para ele e corri para pegar o ônibus que havia parado no ponto.
Olhando pela janela o vi com as mãos entre os bolsos sorrindo de um jeito sexy para mim e assim eu sorri de volta sentando no banco, sabendo que meu destino era libertar-me.
– Você tem entrevista daqui uma hora – avisou Glimmer minha assistente e eu me joguei na cama do hotel.
– Merda! Estou podre – resmunguei cobrindo a cabeça com um travesseiro.
Podia ouvir alguns gritos lá de baixo no saguão do hotel, meus fãs.
Eu realmente cumpri meu sonho, eu realmente consegui vencer na vida, pude mostrar para todos que eu era capaz. Demorou, foi quase dois anos de pura luta, onde eu dei o máximo de mim e ninguém me notava, mas eu não desisti.
Encontrei pessoas incríveis na minha vida que me ajudaram muito e por fim alguém acreditou no meu potencial, e eu estava onde deveria estar.
Sentia falta da minha cidade, dos meus antigos amigos, por mais que eu ainda mantivesse contato com eles, o tempo era muito escasso e isso debilitava muito as coisas.
Prim e Rue chegaram a vir me visitar, fazendo parte da correria que minha vida era, dizendo que amavam o dia de fama, mas voltaram para casa, elas faziam faculdade e gostavam daquela vida calma.
Outra surpresa para mim foi que nesses quatro anos que passaram, eu pude ver Peeta crescer também. No começo eu não tinha ideia e depois pude ouvir sobre ele em lugares de pessoas chiques, um pintor jovem e promissor, com uma musa secreta.
Então pedi para Glimmer averiguar isso para mim, ver para mim o sucesso de Peeta Mellark e seus quadros.
Disse que ele tinha completado a faculdade ao mesmo tempo em que pintava quando alguém o encontrou e começou a fazer pequenos tours com ele pelas cidades e estados próximos ao Texas.
Pude ver uma de suas entrevistas e ele dizia que tinha alguém que o inspirava, que sempre seria sua inspiração. Aquilo me dava inveja, mas eu me sentia imensamente feliz por ele.
Também dei risada quando perguntaram seus gostos musicais e ele me citou, dizendo que gostava do modo como eu me expressava em minhas canções.
– Katniss – chamou Glimmer novamente e eu precisei fugir dos meus belos pensamentos.
– Droga! Estou indo vaca loira – resmunguei e ela rolou os olhos para mim ignorando minha grosseria.
Olhei para cima enquanto alguns maquiadores e outras pessoas entravam no meu quarto. Corri para o banheiro para tomar um banho rápido antes de ter que me sentar e ficar praticamente paralisada enquanto trabalhavam em mim.
Ao menos pude escolher a roupa que usaria hoje, o que eu gostava bastante, quase nunca Glimmer gostava do que escolhia, assim que eu a deixava tomar conta, mais por saber que ela tinha um gosto melhor do que o meu.
– Lembre-se fale sobre a carreira, elogie-a e ria das piadas sem graça – disse Glimmer e eu assenti.
– Minha vida seria um lixo sem você – confessei e ela riu ajeitando o cabelo loiro perfeito.
– Eu sei disso Kat, mas agora foco que comece os flashs – falou divertida pulando para fora do carro.
Pude ver vários armários que Glimmer insistia em chamar de seguranças e uma gritaria absurda. Fui coberta por um enquanto outros três ou quatro me rodearam, apertei minha pequena bolsa contra mim e comecei a ser empurrada por eles.
Senti que meus fãs tentavam chegar até mim, mas aqueles armários eram realmente eficientes, eu não gostava quando tinha que passar correndo por meus fãs assim, gostava de dar atenção e fotos.
Assim que estaquei um minuto puxando alguma caneta e assinando o máximo de papeis que apareciam na minha frente e fui para o outro lado fazendo a mesma coisa.
Acenei algumas vezes e vi flashs infinitos em meu rosto, até olhar para Glimmer acenando furiosamente em minha direção e sabia que precisava correr.
Quando entrei no estúdio suspirei aliviada e notei que tinha poucos fios fora do lugar.
Ajeitei eles e subi pelo elevador junto da minha assistente tagarela. Maquiadores, cabeleireiros e mais outras pessoas corriam pra lá e pra cá. Câmeras, gravadores, várias telinhas, tudo atrás de uma grande placa sustentada por madeira, sabia que eu iria para lá a qualquer minuto.
– Tome ponha isso – falou Glimmer me dando um fone – aqui em Nova York as coisas voam, assim que vou estar falando com você toda hora.
Assenti e pude ouvir gritos eufóricos na plateia.
– Parece que nossa convidada especial acaba de chegar – falou a apresentadora Johanna.
Eu já havia vindo a Nova York para outras entrevistas, podia dizer que ela tinha uma língua afiada e adorava arrancar especulações dos artistas, mas também era uma das melhores que havia na área televisiva.
– E com quase dois anos de carreira, com seu terceiro disco para ser lançado, vamos bater um papo com Katniss Everdeen! – anunciou e eu sabia ser minha deixa.
Caminhei lentamente para lá ouvindo os aplausos e corando com isso, minha pequena atenção na fama.
Pessoas estavam em pé e aplaudiam ruidosamente e eu sorria acenando até chegar a poltrona bege ao lado da vermelha de Johanna.
Eu trajava um vestido cor azul petróleo que grudava em meu corpo e ia até o meio das coxas, com um salto prateado fechado um pouco alto e uma trança embutida em meu cabelo. Johanna vestia preto rendado no pescoço e ia um pouco menos na coxa, com botas de salto, os cabelos curtos extremamente lisos.
Ela levantou-se para cumprimentar-me e depois nos sentamos rindo amigavelmente.
– Nossa celebridade teve tempo para rever os amigos – brincou fazendo a plateia rir e eu revirei os olhos.
– Tenho que voltar ao ninho – caçoei e eles riram ainda mais.
Rimos de algumas coisas, Johanna logo mudou o assunto.
Falamos um pouco da minha família, falamos da minha vida em Los Angeles e como eu estava animada para o terceiro CD.
– Sim, realmente estou animada com ele, o ultimo CD me rendeu um World Tour e foi lindo, estou confiante – confirmei e ela sorriu trocando um pouco de posição.
– E ele se chamará Breakaway? – perguntou e eu sorri assentindo.
– Sim, nele tem músicas de minha autoria como nos outros, mas além de tudo é um trabalho muito pessoal, mostrando que eu lutei e consegui chegar onde eu queria – falei sorrindo.
– Fico feliz, parece que os fãs estão em contagem regressiva – comentou e eu sorri novamente mudando de posição.
– Eles estão mesmo, nas redes sociais eu sempre vejo comentários fofos deles.
– Vamos para algumas perguntas – falou divertida e eu assenti virando-me para a plateia.
Corri rapidamente o olhar pela plateia e via cartazes bonitos direcionados a mim, ao mesmo tempo que acenavam querendo minha atenção.
– Oi sou Maggie e gostaria de saber a coisa mais louca que já fez – falou sorrindo docemente para mim.
– Bom... Dificil, além de ir para LA tentar virar cantora, eu... Bem, já fiquei presa num shopping – comentei rindo.
– Não acredito! – exclamou Johanna fazendo uma cara surpresa e eu corei.
Imagens da minha madrugada maluca com Peeta invadiram minha mente e eu podia fechar os olhos e ainda sentir sua pele quente contra a minha.
– Acredite, foi uma noite maluca – confirmei e ela riu balançando a cabeça.
– Deve ter sido o máximo – falou rindo.
– Foi inesquecível, uma das melhores noites que já tive – concordei e voltei para a plateia.
– O que tem a dizer sobre Breakaway? – perguntou um garoto.
– Que é um CD diferente dos outros dois, eu quis mostrar que amadureci e que mereço o que tenho, que todos os que não acreditaram no meu potencial agora veem o quão longe pude ir – respondi sorrindo.
– Sente alguma falta da sua família? – perguntou uma garotinha banguela e eu sorri.
– Sinto, ficar longe de casa é ruim, mas eles entendem – falei sorrindo.
Lembro-me dos meus pais, de como eles se sentiram mal por eu estar longe e como resolveram me ajudar, eu não os culpava, aquilo tudo serviu de energia para minha vitoria.
Respondi mais algumas perguntas e depois Johanna deu por encerrado nossa entrevista, acabando com o ao vivo que era o programa.
– Obrigado por ter vindo – agradeceu quando as câmeras foram desligadas.
– Por nada – devolvi sorrindo.
Voltei para o camarim e Glimmer me esperava sorrindo.
– Foi ótima! – disse e eu sorri.
– Estou cansada até os ossos – murmurei chutando os saltos para longe.
– Katniss, você tem visita – comentou e eu abri os olhos ainda encostada contra a parede.
Olhei para ela que apontava para alguém sentado confortavelmente no meu mini sofá.
Meus olhos se arregalaram ao ver que era Peeta ali, era ele mesmo!
Estava vestindo um terno, os cabelos penteados e estava sem os óculos, podia estar mesmo com as lentes e um sorriso torto no rosto.
Ele havia mudado, claro, os anos só fizeram bem a ele e eu sorri de volta.
– Peeta – murmurei feliz.
– Katniss – sussurrou, foi como uma caricia pronunciar meu nome e eu fechei os olhos em deleite.
– Estarei lá fora – avisou Glimmer e eu nem vi ela sair, mas sabia que ninguém entraria.
Ele levantou do mini sofá e caminhou em minha direção, eu sentia minha pele formigar sentindo sua presença.
– Quatro anos huh? – indaguei quando ele ficou bem perto.
– Sim e eu fiquei feliz em te ver pela televisão e admito que adorei ouvir sua maior loucura – comentou divertido tocando minha bochecha e deixei minha cabeça tombar na direção da sua mão.
– Porque foi mesmo – respondi dando de ombros – mas, por que apareceu?
– Katniss, eu não pude esquecer aquele dia, você me deu forças para me libertar, eu devo tudo o que tenho agora a você – falou com sinceridade.
– Não, foi mérito seu, eu apenas lhe dei um sermão – brinquei.
Minha deusa interior pulou para fora da casca, com luvas de boxe querendo me bater por ainda não ter agarrado Peeta e muito menos beijado-o.
– Sim, mas depois quando foi embora, minha vida mudou e eu corri atrás daquilo que eu queria, hoje eu dei uma entrevista para três jornais e uma televisiva que vai ao ar amanhã, todos saberão finalmente o nome da minha musa, Katniss Everdeen – sussurrou aproximando-se de mim – só faltava uma coisa que eu queria de volta, você.
Arregalei os olhos olhando para aquelas orbes azuis e não pude dizer nada, pois Peeta puxou minha nuca beijando-me como nunca beijara antes.
Agarrei seus cabelos e fechei os olhos em deleite pelo momento, meu coração batendo forte e com tudo o que eu mais desejava se concretizando.
– Você é maluco – falei ofegante e ele juntou nossas testas.
– Espero que esteja preparada para novos tipos de perguntas – comentou – e preparada para me ver quase sempre.
Sorri sentindo minha pele aquecer com aquela promessa.
– Espero que esteja preparado para acompanhar minha fama – falei rindo.
– Eu te amo garota maluca – murmurou aproximando-se novamente.
– Eu te amo garoto nerd – sussurrei sorrindo antes de acabar com a distancia.
Amanhã seria algo novo, algo diferente, eu sabia disso, agora com Peeta de volta como se nada tivesse passado. Nossas vidas seguiram caminhos distintos, mas por que no final nós nos encontraríamos como agora.
Não posso dizer sobre o futuro, mas Peeta e eu não estávamos muito dispostos a nos separar agora e por um bom tempo.
Assim que puxei sua camiseta querendo-o mais perto de mim e ele riu me empurrando para o mini sofá. Aquele era nossa pequena bolha de novo, assim como no shopping, certas coisas precisam ser libertadas para darem certo.