Capitulo 17 - I temporada (Fame)
– Luna, precisamos conversar.
– Não dá, Niall. Tenho que ir agora, estou atrasada para um compromisso. – disse afobada e eu a segurei.
– Por favor. – pedi e seu corpo amoleceu. A conduzi até o sofá, sentando-a e sentei ao seu lado. – Eu não quero que fique esse clima estranho entre a gente. Poxa, você vem aqui faz três dias e nem fala comigo, não olha na minha cara...
– Eu só... Não consigo. – falou e seus olhos se encheram de lágrimas.
– Não podemos ser amigos agora? Vai me evitar para sempre, é isso? – perguntei olhando-a.
– Não quero sua amizade, Niall. – falou – É muito doloroso. Se não posso te tê-lo como homem, não quero tê-lo para outra coisa, eu irei sofrer... Não percebe? É difícil, Niall. Difícil te ver todos os dias e não poder te abraçar, te tocar mais, não sentir o gosto do seu beijo. É melhor mantermos distância um do outro, pro nosso bem.
Abaixei a cabeça e passei a língua entre os lábios assentindo.
– Se você quer assim... – disse num sussurro – Eu gosto de você, Luna. Gostaria de dizer que do mesmo jeito, mas estaria mentindo para mim mesmo e te iludindo. E eu não posso fazer isso. Só não... Me deixa nesse momento. Preciso de uma amiga.
– Me desculpe, Niall. – se levantou e limpou as lágrimas. – Eu... Não posso.
E então a porta da frente bateu e eu estava sozinho na sala. Suspirei e fui até o quarto, sentando no chão com o violão.
– Por favor, me chame de Demi. – sorriu gentilmente. – É um prazer, Niall.
– Niall Horan, tipo de famoso que deixa o ego na frente de tudo e se acha melhor que todo mundo e quer sempre ser o centro das atenções. – começou – E só quer saber de festas, bebidas e drogas.
– Ninguém vai desistir de você, e muito menos você irá fazer isso.
– Papai do céu às vezes é injusto de levar pessoas tão boas e deixar as más aqui. – falei e ela negou com a cabeça.
– Papai do céu não é injusto com ninguém. – respondeu suavemente numa voz fraca – Ele sabe o que faz, e dizem que onde ele mora é um lugar lindo!
Senti sua língua entrando em contato com a minha e meu corpo entrou em êxtase e se arrepiou por completo.
– Eu estou realmente e perdidamente apaixonado por aquela garota
– Eu gosto de você, Niall. – falou – Como nunca gostei de ninguém antes.
– Eu estarei aqui sempre contigo.
– E eu não preciso lhe informar de nada, a vida é minha e eu vou para Londres fazer esse curso, sua opinião pouco me importa. Apenas lhe avisei que eu já estava decidida.
Parei de tocar o violão e encarei o nada, com o coração apertado, eu queria gritar e soltar tudo que estava preso. Por que tudo acontece comigo? Por que quando eu finalmente estava feliz, amando alguém de verdade, ela tem que ir embora e me deixar desamparado? Eu precisara dela. Demi se tornou parte de minha vida e eu faria tudo por ela, conquistaria o mundo por ela, derrubaria tudo e todos que tentassem acabar com nossa felicidade... Mas ELA quis, foi decisão dela ir embora, escolha dela me deixar. O que eu poderia fazer? De maneira alguma iria forçá-la a ficar ao meu lado, muito menos forçá-la a não viajar, de realizar seu... Sonho. Em Londres.
Sem contar que minha tia estava no quarto ao lado morrendo a cada hora que passava e mais uma vez eu não podia fazer nada, porque fora um inútil, sou um inútil. Estava me sentindo um lixo, um inútil total! As coisas fugiam de mim e como sempre não podia fazer nada. Só poderia ser um carma em minha vida... TUDO ACONTECE COMIGO. TUDO DE RUIM.
Acho que a única coisa que acontecera de bom foi a melhora de Lisa e o fato de eu ter conseguido adotá-la e poder cuidar da pequena, minha pequena. Mas ainda sim me sentia um inútil... Eu estava perdido, sem Demi e em algum ainda, que eu não fazia idéia de qual, eu ficaria sem minha tia. Eu não sabia o que fazer, não sabia mesmo.
Eu estava sozinho, completamente sozinho.
Estava fraco. Aquele Niall que se fazia de forte e dizia para si mesmo que tudo ficaria bem fora embora, e eu me via no quarto tocando violão chorando lembrando todos os momentos bons e conseqüentemente os ruins faziam parte e eu não podia voltar ao tempo para refazê-los, dizer a Demi o quanto a amo e o quanto eu preciso dela... Convencer minha tia a não desistir. Eu simplesmente gostaria de não ter usado drogas e não ter vindo para a casa de minha tia no interior e com certeza nada disso aconteceria, eu não sofreria como estava sofrendo. Apenas viveria minha vida de pegador, eu era feliz daquele jeito, acreditem.
Mas tudo já estava perdido, até eu.
Levantei minha cabeça e olhei para o relógio... Era hora da minha tia dormir e como virara rotina, eu cantaria para ela. Passei as mãos pelo meu rosto e suspirei, levantei da cama com o violão e caminhei lentamente saindo do meu quarto e virei, entrando no quarto de minha tia. Ela havia terminado de jantar e sorriu ao me ver... Estava simplesmente acabada, doía, e muito, vê-la naquele estado.
– Que música quer hoje, tia? – perguntei sentando na cadeira ao lado de sua cama e sorri fracamente.
– P-pode escolher.- disse numa voz bem falha e baixa e com dificuldade ela esboçou um sorriso fraco. – U-uma c-calma p...por favor.
Assenti e abaixei a cabeça deixando uma lágrima escapar, sua mão trêmula tocou meu rosto e o levantou.
– Eu estou orgulhosa de você, querido. – disse com dificuldade – Você se tornou um homem de verdade, e merece tudo que a vida pode lhe oferecer de bom. O que é seu voltará.
Dei um beijo em sua mão e lhe dei um breve abraço e recebi um beijo na testa e um sorriso fraco.
– Agora toque. – disse querendo soltar uma risada.
Assenti e comecei a tocar uma música de um amigo meu e que se encaixava perfeitamente...
I don't know how I got here
(Eu não sei como cheguei aqui,)
I knew it wouldn't be easy
(Eu sabia que não seria fácil)
But your faith in me was so clear
(Mas sua fé em mim era tão nítido)
It didn't matter how many times I got knocked on the floor
(Não importava quantas vezes eu fui derrubado no chão)
But you knew one day I would be standing tall
(Mas você sabia que um dia eu estaria de pé)
(Basta olhar para mim agora)
Cause everything starts from something
(Porque tudo começa a partir de algo)
Something would be nothing
Nothing if your heart didn't dream with me
(Nada se seu coração não tivesse sonhado junto comigo)
(Se você não tivesse acreditado)
There were days when I was just broken, you know
(Havia dias em que eu estava acabado, você sabe)
There were nights when I was doubting myself
(Havia noites em que eu duvidava de mim mesmo)
But you kept my heart from falling
(Mas você não me deixou desistir)
Meu mundo foi desabando a cada estrofe, enquanto cantava a observava e seus olhos se fechavam devagar e pude perceber um pouco de relutância de sua parte. Um sorriso formou-se em seus lábios e logo se fechou, junto com seus olhos. Fiquei observando-a deitada na cama, morta. Ela se fora... Para sempre. Não tinha mais volta.
Na minha frente, enquanto eu cantava, ela sempre gostou de me ouvir cantar. Ela dissera aquelas lindas palavras para mim antes de começar porque sabia que seu momento havia chegado... Eu estava sem chão, nem lágrima saía de mim. Toquei sua mão em cima da cama e deixei meu violão de lado, me ajoelhando ao seu lado e encostei minha cabeça em sua mão e deixei um beijo ali.
– Vá com Deus, tia. – falei numa voz fraca
Eu não conseguia me mover, aliás, eu não tinha reação nenhuma, nem chorar eu conseguia. Ela morrera em minha frente, me ouvindo cantar. Eu estava derrotado, acabado.
Levantei e fui até o telefone na sua cabeceira e disquei o número de Luna.