isso ai é mesmo, encontrei o @chamaohugo perto da praia, depois de perder o flanelinha de vista
A tarde de sol havia sido boa demais. Podia sentir a pele meio pálida quente depois de tantas horas de exposição. Percebia as bochechas levemente avermelhadas e a marca de queimado do biquíni azul marinho era fácil de visualizar no colo e no pescoço. O verão estava chegando, certo? Ela precisava estar preparada com a marquinha mais bem feita, mais sensual. Estava levemente descabelada, mas nada que um pouco de um yamasterol não resolvesse! Tinha um frasco do produto no carro, tinha quase certeza. Não que ela tivesse um carro, não, o carro era de seu namorado. Também não tinha carta, mas ela sabia dirigir o suficiente para conseguir ir de casa até a praia, curtir a praia e voltar sem ter que andar ou pegar ônibus. Ela merecia a vida do bem bom, qual é! E estava voltando para onde havia deixado o carro, procurando pela versão pobre de seu manobrista - um flanelinha que dissera que cuidaria do carro (Carla até pagara uns trocados!!). Mas quando chegou no lugar, não achou ninguém. Mas não era como se ela estivesse preocupada com a falta de supervisão de seu carro. Ela estava preocupada pois dois carros haviam parado ali na rua: um na frente e um atrás de seu carro. E se muita gente já reclama no DETRAN que a vaga de baliza da prova para tirar habilitação era pequena, quem dirá aquela ali, para alguém que mal sabia dirigir! Estava ferrada. Entrou e saiu do carro umas duas vezes, tentando pensar no que fazer. E naquele momento estava indo para a calçada, com uma das mãos no quadril, quando seus olhos pousaram em Hugo. Ou pelo menos, uma pessoa muito parecida com Hugo, pois essa pessoa que encontrara e conversara das últimas vezes que se esbarraram? Não, aquele não era Hugo, era uma versão fajuta e piorada dele, diretamente de um camelô de produtos que vendem bem estar sem qualquer comprovação científica. E apesar de querer fazer cara feia pro rapaz, sua reação foi simples: abrir um sorriso, inclinar a cabeça para o lado e usar as mãos para tocar seus ombros. “Hugo! Você é perfeito, sabia? Chegou bem na hora, gato. Preciso muito da sua ajuda” ugh, queria vomitar de desgosto, de raiva. Não admitiria que ainda havia um carinho pelo ex namorado, jamais. Mas tudo que Carla mais queria era fazer com que ele percebesse o mulherão da porra que ele havia perdido quando a largara. Por isso, praticamente abraçou seu pescoço, olhando-o de perto “Será que você me ajuda a tirar meu carro daqui?”













