Quando eu era mais nova eu levava a expressão "chutar o balde" a sério. Imaginava uma pessoa chutando um balde cheio e a água escorrendo para todo lado. E não entendia sentido em qual seria o motivo a levar alguém a chutar o balde. Hoje eu entendo que, primeiro, podemos literalmente chutar o balde e segundo, podemos chutar literalmente o balde para não chutar a cabeça de alguém.
É assim que eu costumo entender essa expressão. Chutar o balde ao invés da cabeça de alguém, porque lesão corporal ainda é crime.
E o crime? Será que se chutássemos a cabeça de alguém, ao invés do tal balde, será que seria uma justiça feita ou uma justiça comprada?
E se o balde, a cabeça, no caso, for a causa de todos os seus problemas de saúde mental? Eu disse "a" cabeça? Perdão, me esqueci do plural. AS CABEÇAS.
"Mas você pode estar exagerando, a vida é simples, gratidão". Ah, o povo da gratidão... Eu sou grata por tudo que acontece em minha vida. E será que não posso ser um tantinho revoltada e ter um pouquinho de ódio de gente que só pensa em prejudicar o coleguinha? Ou eu preciso ser a tiazona da gratidão good vibes 24 horas por dia durante todos os dias do ano?
A terapia me ajuda, minha vida em si me ajuda. Mas ando vendo tantas injustiças que tenho vontade de chutar o(s) "balde(s)". No sentido literal do negócio.
Depois de duzentos anos e uma pandemia resolvi escrever por aqui.