Há um ano, em meio a todos os meus choros compulsivos, minhas unhas que arranhavam minha pele e meus enjôos matinais, eu te confessei o quanto era doloroso viver num lugar onde, na verdade, se é um estorvo. Você às vezes fazia eu me sentir assim também, mas eu te amava, e sua disponibilidade compensava isso. Eu te contei sobre como era ser rejeitada. Sobre como era ser mais mercadoria do que pessoa. Sobre como era não ser amada pelas pessoas que mais deveriam e que eram de quem mais se esperava. Eu te contei sobre se sentir sem lar, sem rumo, sem âncora. Sobre se sentir um desperdício de espaço. Sobre sentir que deveria estar morta para dar a vida a outra pessoa, muito mais importante e mais merecedora do que eu. E você ouviu. Ouviu, se espantou e se sensibilizou. E eu poderia jurar que se você não fosse tão frio, teria chorado junto comigo. Você, naquele dia, me disse que eu não precisava deles, porque você estava ao meu lado. Disse que não me abandonaria. Eu ouvi essas suas palavras como uma promessa que apesar de todos os outros, você seria diferente e estaria ali.
Mas bem, veja só. Um ano depois, onde está você? Você me rejeitou, como todos os outros. Me sentir um estorvo para você se tornou algo tão constante ao longo do tempo, que simplesmente ficou difícil demais para se tentar lidar. Seus olhos não choraram junto com os meus e a promessa que ouvi, foi apenas uma alucinação dos meus ouvidos esquizofrênicos. Afinal, porque logo você - que conheceu todo o meu lado escuro -, de todas as pessoas, resolveria ficar e honrar um compromisso de se estar ao lado? As pessoas querem ver a luz e você também é assim. Mas eu nunca consegui ser luz. Sinto muito.











