E ele me conhece o suficiente para saber que eu poderia até receber um estranho, mas nunca abriria a porta para alguém que de fato quisesse entrar.
Chico Buarque, Estorvo

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E ele me conhece o suficiente para saber que eu poderia até receber um estranho, mas nunca abriria a porta para alguém que de fato quisesse entrar.
Chico Buarque, Estorvo
The other day I had a dream I was at @persepaien 's ; everything was real and absolutely mundane, except for the fact that her place looked different and she had TONS of artbooks and cereal boxes hoarded in her room?????????? SO, telling her about it, we came to the conclusion she was DEFINITELY a dragon sdfhdgjsdffkjsdas so I drew her as dragonfolk! 🐉❤️ (go check her art too, she's not only A Class A BabeTM, but also kicks artistic ass!) COMMISSION INFO!
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Se cuan poco valgo la pena cuando a mis papas ya no les importa lo que haga con mi vida, es más, solo soy un estorbo que esperan desaparezca
Foste se não um príncipe Nunca sofrera enxovalhos Nunca sofrera maldizeres O princípio da maldição Feitio narrativo três por quatro O eu envolto em sobretudos Coando a vingança em seus dedos Coroado como enviado Aquilo que me vê, me mastiga também Aquilo eu vejo, eu tenho Aquilo que me mostram, eu desejo Aquilo que não tenho, eu conquisto Exagero-pomar Estado-centopeia Floreio-funesto Buquês celebrados como armas brancas A perversão superada O demônio superávit Advindo em pílulas Tão somente a superação feito deus Estorvo, a caça de um desprazer Os braços já são cortes da guilhotina A célebre aparição na hora do almoço Os fins de tarde também são seus Eu antevenho o rosto Logo quem, também pudera O azar coisificado como besta A besta inflada por cada anjo do apocalipse Na terra da adaga Qualquer afago é áspero Na terra da ultra exposição Qualquer segredo é ouro
Wishlist, Pierrot Ruivo
Há um ano, em meio a todos os meus choros compulsivos, minhas unhas que arranhavam minha pele e meus enjôos matinais, eu te confessei o quanto era doloroso viver num lugar onde, na verdade, se é um estorvo. Você às vezes fazia eu me sentir assim também, mas eu te amava, e sua disponibilidade compensava isso. Eu te contei sobre como era ser rejeitada. Sobre como era ser mais mercadoria do que pessoa. Sobre como era não ser amada pelas pessoas que mais deveriam e que eram de quem mais se esperava. Eu te contei sobre se sentir sem lar, sem rumo, sem âncora. Sobre se sentir um desperdício de espaço. Sobre sentir que deveria estar morta para dar a vida a outra pessoa, muito mais importante e mais merecedora do que eu. E você ouviu. Ouviu, se espantou e se sensibilizou. E eu poderia jurar que se você não fosse tão frio, teria chorado junto comigo. Você, naquele dia, me disse que eu não precisava deles, porque você estava ao meu lado. Disse que não me abandonaria. Eu ouvi essas suas palavras como uma promessa que apesar de todos os outros, você seria diferente e estaria ali.
Mas bem, veja só. Um ano depois, onde está você? Você me rejeitou, como todos os outros. Me sentir um estorvo para você se tornou algo tão constante ao longo do tempo, que simplesmente ficou difícil demais para se tentar lidar. Seus olhos não choraram junto com os meus e a promessa que ouvi, foi apenas uma alucinação dos meus ouvidos esquizofrênicos. Afinal, porque logo você - que conheceu todo o meu lado escuro -, de todas as pessoas, resolveria ficar e honrar um compromisso de se estar ao lado? As pessoas querem ver a luz e você também é assim. Mas eu nunca consegui ser luz. Sinto muito.
Aos poucos, os pensamentos amontoados na cabeça vão se acomodando, bem ou mal se encaixam uns nos outros, e é um consolo quando cessa o atrito dos pensamentos, e vai se fechando a cabeça, apertando-se nela mesma, a cabeça restando como que oca por fora. O sono chega como um barco pelas costas, e para partir é necessário estar desatento, pois se você olhar o barco perde a viagem, cai em seco, tomba onde você já está.
Estorvo - Chico Buarque
Amigo mesmo só me lembro de um. Era alguns anos mais velho e dizia que eu tinha um futuro. Vivia lendo os jornais, as revistas especializadas, depois me contava que era tudo mentira. Recebia correspondência do estrangeiro, ouvia os clássicos, ia publicar em breve um tratado polêmico sobre não sei mais que matéria. Inventou e queria me ensinar uma língua chamada desesperanto, tendo organizado uma gramática e farto vocabulário. Dedicou-se numa fase à escultura comestível; ergueu no apartamento uma cidade inteira de marzipã, mas nunca chegou a expor. Também era dado a premonições; fazia certas previsões que ele mesmo se assustava e emudecia uma semana. E parece que tinha em seu passado uma história conhecida e admirada por gente da sua geração. Dessas histórias ele nunca me falou, e por isso eu o admirava mais. No bar, quando bebia além da conta, ou quando já chegava cheio de estimulantes no pensamento, dizia poemas. Havia noites, geralmente noites de sábado quando lotava o bar, que ele deixava cair na testa a franja negra e cismava de declamar em francês. Eu ficava sem jeito porque ele declamava alto demais e olhando para mim, e as outras pessoas na mesa não entendiam os versos. Eu, ele achava que eu pegava o sentido. O resultado é que sobrávamos só nós dois na mesa, porque as poucas pessoas que suportam poesia, não suportam francês.
Chico Buarque, Estorvo
A luz é de seis da manhã, e comigo no ponto só há um sujeito magro, de camisa quadriculada, quando o ônibus assoma na lombada. Mas tão logo ele estaciona, brotam de todos os cantos as crianças com os embornais de limão. […] Vem a seqüência de curvas, e as crianças jogam-se de um lado para o outro no bagageiro, fazendo “ôôôôôôôô”. Os demais passageiros parecem habituados, e eu mesmo acho natural ver à minha direita, do lado de fora da janela, um moleque de cinco anos de cabeça para baixo. A careta invertida olha para mim, sangüínea, e seus braços gesticulam como quem quer dizer alguma coisa urgente.
Chico Buarque, Estorvo