Uma reflexão sobre dissertações-argumentativas
Meu professor de redação no cursinho pré-vestibular, sugeriu uma proposta de redação sobre “Extinção de animais no Brasil”. Enquanto eu escrevia, eu descobri que não conseguiria falar sobre usando somente as 30, cimentadas, linhas estabelecidas pela fórmula de dissertação do ENEM.
Por isso, pensei que seria legal abordar esse tema aqui, no meu blog, no qual eu sou livre (mais ou menos) para publicar qualquer coisa, em quantas linhas eu quiser.
A ideia inicial era publicar nesse mesmo post, mas ao digitar toda essa história, pude fazer uma reflexão mais profunda sobre o que esse modelo estático de escrita, cobrado na maior prova de admissão das faculdades, significa para mim.
Vamos por partes...
Desde o começo desse ano, tenho me dedicado mais a escrita desse gênero textual, principalmente, porque o maior objetivo na minha vida, nesse momento, é conseguir tirar uma boa nota - na redação e na prova, em geral - , para escolher a faculdade que eu quiser - e que o dinheiro der. Antes disso, meu contato com a escrita era basicamente feito através de narrativas (fanfics, mas especificamente) e relatórios sobre aulas em laboratório ou sobre aulas em campo.
Os relatórios nem tanto, mas as narrativas dão a quem escreve uma liberdade imensa de criar e abusar de sua imaginação, por se tratar de um texto literário. Quando se trata da escrita objetiva - científica, denotativa - a liberdade criativa se limita. Basicamente, o escritor deve seguir uma série de normas, as quais delimitam muito a linguagem utilizada, a estrutura do texto, dentre outros elementos e recursos da escrita.
Eu, acostumada a escrever narrativas, me senti limitada e presa quando comecei a escrever os textos científicos. Portanto, minhas produções reduziram a qualidade, e me vi perdida nas minhas próprias palavras. Essa turbulência alinhada à minha significativa perda de hábito e prazer pela leitura, trouxe a minha mente a ideia de que eu não era capaz de produzir nada com de qualidade aceitável.
Não foi um bloquei criativo, mas sim, uma improdutividade ansiosa. O medo de falhar me deixou estática. Então, fiz o que faço de melhor: Ignorei o problema e segui a vida. Porém, fui surpreendida com a nota da minha redação no ENEM 2018 - que foi consideravelmente boa. Depois disso, passei a me questionar sobre minha escrita simplória, até então.
No começo de 2019, comecei o cursinho. Percebi que comecei a odiar, profundamente, as aulas de redação, essa que é uma das minhas matérias favoritas no Ensino Médio. Isso, porque o professor queria me ensinar a escrever dissertações através de uma fórmula “pré-pronta” de estruturação e até mesmo de palavras. Esse modo limitou ainda mais a minha liberdade de escrita, e eu passei a não escrever mais nada, já que se eu escrevia do “meu” jeito, recebia uma nota não tão agradável e tinha que reescrever tudo, corrigindo minhas próprias ideias sobre o assunto.
Até que um dia, resolvi escrever de um modo diferente do que ele queria, que era basicamente usando meus conceitos e a minha ideologia para produzir. E deu certo. Desde então, tenho feito desse jeito. Não acho que eu esteja 100% satisfeita com essa fórmula, mesmo assim, porém se tornou uma tarefa menos difícil a ser cumprida.
Com o decorrer do ano de 2019, percebi o porquê de eu odiar tanto escrever dissertações. Tudo se trata da minha liberdade de me expressar e dos temas sugeridos - não considero relevante a maioria deles. A maioria deles, eu faço apenas por obrigação. E esses são os meus piores textos.
@asarabelaww (twitter)












