Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber.
Clarice Lispector
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Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber.
Clarice Lispector
“So, if you are brave, you won’t fight it. You enter it, go along with it, we the only ghosts on a night in Bern. You must enter. You mustn’t wait for the remaining darkness while faced with it, only it alone. It will be as if we were on a ship so uncommonly enormous that we didn’t realize we were on a ship. And it sailed so far and wide that we didn’t realize we were moving. A man cannot do more than that. Living on the shores of death and of the stars is a tenser vibration than the veins can take. There is not even the son of a star and a woman to act as a pious intermediary. The heart must appear before the nothing alone and alone beat high in the darkness. The only thing sounding in your ears is your own heart.”
-Clarice Lispector, from “Silence.” Translated by Katrina Dodson.
My life had been as continuous as death. Life is so continuous that we divide it into stages and call one of them death.
Clarice Lispector (The Passion According to G. H)
Dizem que a vida é para quem sabe viver, mas ninguém nasce pronto. A vida é para quem é corajoso o suficiente para se arriscar e humilde o bastante para aprender.
Clarice Lispecto
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. […] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou maduro bastante ainda. Ou nunca serei.
Clarice Lispecto
Saudades...Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando esculto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades. Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... Sinto saudades dos que foram e de quem não me despedi direito! Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; ...Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curti na totalidade. Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... Não sei onde...Para resgatar alguma que nem sei o que é e nem onde perdi...
Clarice Lispecto