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Todo maconheiro é vagabundo (Claro que não!)
"Eu fumo maconha desde os 15 anos. Eu estou com 54. Então já faz 39 anos. Eu sempre tive um relacionamento bom com a maconha, ela nunca me deixou leso demais, nem alegre demais... Ela me deixa relaxado, feliz e pronto.
Mas já que você está entrevistando um neurologista, ouça bem: o problema é a frequência. Quanto mais maconha uma pessoa usa, mais embotada ela fica. Um amigo meu teve esclerose e botou uma prótese. O coitado fica tonto que nem um louco. Então, ele usa diariamente quatro, cinco baseados. Aí já não é uso recreativo.
Eu uso recreativamente. Que nem: ontem eu fumei, anteontem também. Amanhã já não vou fumar, nem segunda, nem terça... Geralmente, fumo de dia. Ontem, por exemplo: acordei umas 10h, era sábado, não tinha o que fazer, só umas coisas que são chatas para mim: dar uma olhada em uns papéis, preparar umas aulas... Fumei um e relaxei. Aí você se perde um pouco, ri, brinca, mas acaba produzindo e resolvendo aquilo.
Mas não uso droga no exercício da profissão. A maconha te deixa tão relaxado que como você vai atender uma pessoa, sendo médico ou qualquer outra coisa, e tomar uma conduta meio embotado com o reflexo da droga? Eu vou falar: 'Muda de Gardenal para Tegretol'? Não tem como eu realizar o ato médico fumado! Quando eu era residente e tinha supervisão, fumava. Na faculdade, vixe! Metade do que eu aprendi na faculdade foi usando maconha, e muita! Mas a partir do momento que você começa a exercer a profissão, não dá.
Isso depende do tipo de trabalho. Se você é artista e vai pintar um quadro, tranquilo. Mas no ato médico é complicado, você toma decisões que refletem na continuidade da vida de uma pessoa. Se eu fosse psicanalista, seria uma boa fumar para aguentar algum paciente chato por 45 minutos! (risos) Agora, num prontosocorro, discutindo com residente, não dá! A maconha te tira a atenção.
Já fumei muito mais do que fumo hoje. Mas também já parei de fumar. Quando fui fazer residência médica, por exemplo, porque eu tinha que produzir e ganhar meu dinheiro. Então, percebi que eu ficava lento.
Tem diferença de você usar maconha para outras drogas. Quantas pessoas bebem todo dia e nem falam? O álcool é uma droga, cujo efeito cumulativo e destrutivo é muito mais complicado que o da maconha. E ele tem uma penetração diferente, mais aceitável, não enfrenta tanto preconceito. Mas é a causa mais comum de doenças, principalmente psiquiátricas. Tanto é que você tem CID¹ alcoólatra, mas não tem CID maconheiro.
Já ouviu falar de overdose de maconha? A pessoa pode usar maconha de forma aditiva com outros propósitos. Tenho amigos que fumam para contrabalancear o efeito da coca. Mas pense: se eu uso recreativamente a maconha, ela não me acompanha no lado profissional; se eu uso recreativamente o álcool, ele piora meu lado profissional.
Eu não percebo que o uso dela tenha me trazido efeitos colaterais de longo prazo. Não tenho perda de memória. O problema, eu disse, é a frequência, o momento e a quantidade que você usa. É como tomar um cálice de vinho e tomar três; você fumar um baseadinho e fumar três...
Hoje em dia, talvez entre os usuários de droga tenha só uma pequena porcentagem de maconheiro. Acho que a molecadinha se embala tanto mais com bolinha, com droga momentânea, que com o ritual de fumar. É tudo sintético, é tomar comprimidinho e acabou.
Se eu vou numa balada hoje, chego para um monte de moleque e peço um baseado, vão me chamar de careta. Antigamente, isso tinha um outro viés. Quando minha mãe descobriu que eu fumava, quase me deu uma surra: 'Meu Deus, meu filho é maconheiro!' Depois eu cheguei a ouvir paciente dizer: 'Quem dera se meu filho usasse só maconha'. Entendeu? "
¹Classificação Internacional de Doenças, publicada pela Organização Mundial de Saúde.
A morte é um negócio sério
Sua visão embaça. A imagem de sua família aos pés da maca é substituída pela escuridão. A sensação de medo ante o desconhecido toma conta. Tudo o que você enxerga é uma trêmula luz ao longe. Aos poucos, você não percebe mais seu corpo, não ouve mais o choro dos que te amam, não sente o cheiro do vaso de rosas na cabeceira. Você morreu... Ei, mas será que dá para virar o rosto só um pouquinho para a direita, porque esse lado não te favorece?!
A morte se tornou um negócio lucrativo. Funerais antes feitos em casa, com flores recolhidas pela criançada do bairro, tornaram se incumbência de agências funerárias, floriculturas, cemitérios e crematórios. Isso sem contar os coveiros, guardas de cemitério, operadores de fornalhas e as famigeradas choradeiras. Essa indústria mórbida, como qualquer outra, cresceu e hoje conta com serviços requintados, propaganda, concorrência e todas as jogadas de marketing a que tem direito. Atualmente, o falecimento de um ente querido se tornou um evento a ser organizado por buffets especializados e preços pela hora da morte (com o perdão do trocadilho).
Na cultura geral brasileira, a morte sempre foi um tabu: o telefonema no meio da madrugada, o gato que subiu no telhado... Mas a tradição de dar um ar mais festivo às cucuias é presente em muitas outras culturas. O Día de Los Muertos mexicano é muito mais animado que o nosso Finados; a cultura japonesa também é mais receptiva em relação à morte. No interior da China, o Ministério da Cultura tem feito esforços para reprimir a presença de strippers nos velórios. Sim, é isso mesmo. Já no Brasil, acontece uma mudança de comportamento em relação à morte, e isso se reflete no surgimento de casas como a Funeral Home, localizada próxima à suntuosa Avenida Paulista.
"A ideia era fazer velórios estilo americanos, ou que remetessem ao tempo em que se velava o corpo em casa", diz Márcia Regina Pinto, gerente da empresa. "A família entra em contato e nós fazemos toda parte de assessoria: pegamos a declaração de óbito, levamos books com fotos de urnas e flores etc. A família, então, pode ser dispensada e nós acompanhamos a remoção do corpo até o local do velório, fazemos troca de roupas, higienização, maquiagem, ornamentação com flores, ou seja, tudo."
Depois de sete dias úteis (e sete palmos abaixo da terra), toda a documentação de cartório é entregada na residência da família. No entanto, há serviços mais emblemáticos que explicitam essa nova maneira de encarar a morte: se solicitado, o evento pode contar até com lembrancinha. "No caso de retrospectiva em vídeo, temos televisores e DVD em todas as salas", garante Márcia.
Para a gerente, a grande vantagem que alavancou esse business é a praticidade: "A família não precisa se preocupar com nada, só em estar presente." De fato, no momento de uma dor tão intensa, há muito mais com o que se preocupar do que toda a burocracia e planejamento. Aqueles que podem arcar com as despesas, preferem pagar não só pelo necessário, mas também pelo sofisticado. Afinal, se todos nós um dia vamos abotoar o paletó, por que ele não pode ser um Armani?
Se não tinha intenção de continuar, por que começou?
So it is officially Friday, so it's officially the weekend right ;D
BEAUTIFUL PERSON AWARD! Once you have been given this award, you are supposed to paste it in the ask of 8 people who deserve it. If you break the chain nothing will happen, but it’s always sweet to know that someone thinks you’re beautiful inside and out.
Hahahaha, obrigada Ana.Te Amo, sim ou claro???