“… almazinha subindo, tunelzinho de novo, aquela coisa toda. Vai subindo, daqui a pouco ele olhou, viu uma putaria gostosa mesmo, a rapaziada magoando uma herniazinha ali, era homem com homem, mulher com mulher, todo mundo com todo mundo, ele falou: ‘Rapaz, esse tal de Céu vai ser divertido.’ Só que ele chegou no Céu, uma chatura danada, ninguém comia ninguém, não acontecia nada. Ele viu São Pedro passando e falou: ‘Mago! Chega aí, doido. Cola aí.’ São Pedro chegou, ele falou: ‘Sabe o que que é? Na subida pra cá, eu vi uma putariazinha tão gostosa. To querendo saber quando vai começar, que eu to precisando tirar o queijo.’ São Pedro falou: ‘Vai tirar o queijo coisa nenhuma. Isso aí que tu viu foi o Inferno. Isso não é o Céu não!’. Ele falou: ‘Se é pra ficar nessa chatura do Céu, quero ir pro Inferno mesmo.’ São Pedro falou: ‘Vá!’. Pronto, tunelzinho de nuvem, tunelzinho de nuvem, descendo e nada de chegar a putaria. Daí a pouco, pronto, ele viu. Passou uma pica gotejando para cá, uma buceta, homem com homem, mulher com mulher, preto com branco, todo mundo misturado. Ele chegou perto assim, meio tímido e falou: ‘Mago, licença, aqui que é o Inferno?’ ‘Não é não, doido. Aqui é o Recife. O Inferno é pra lá! Siga aí, que é depois das Olindas, anda mais um tempo…’”










