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Com homofobia latente em estádios, série lembra Coligay, 1ª torcida LGBTQIA+ do Brasil
Produção a ser lançada em 2026 retrata torcida do Grêmio que virou marco na luta contra homofobia no futebol
Grupo surgiu na década de 70, durou seis anos e foi tratado como lenda até ter sua história resgatada
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Coligay, a revolução
porLÉO GERCHMANN
As cores de arco-íris que pintaram imagens no Facebook desde sexta-feira se justificam. Uma onda cívica se formou. A decisão da Suprema Corte americana, de legalizar o casamento gay em todos os 50 Estados, tem alto simbolismo. Os EUA, por mais que você os critique, ditam os rumos da cultura ocidental.
Os Beatles passaram a ser reconhecidos como artífices e maestros da contracultura planetária quando gritaram "iê, iê, iê" no Ed Sullivan Show, em Nova York. O cinema se tornou o que é em razão da potência de Hollywood. "Assim caminha a humanidade", diriam alguns, roubando o título do filme estrelado por James Dean, Elizabeth Taylor e Rock Hudson.
Tive a honra de receber dezenas de mensagens que lembravam meu livro Coligay – Tricolor e de todas as cores (Editora Libretos). É evidente que a vaidade do autor se vê acariciada pelos elogios ao texto e à história. Mas a Coligay é a estrela, e a ela volto a me reportar, olhando o passado e o futuro.
A Coligay foi desbravadora, revolucionária. Encontrou no Grêmio, presidido pelo hoje patrono Hélio Dourado, o ambiente plural que a acolheu. Tudo durante a ditadura militar, ora veja. Tempos obscuros, aqueles. O início foi de desconfianças, mas os rapazes se fizeram respeitar e ganharam admiração generalizada.
Para o clube, ainda houve a coincidência de Volmar Santos e sua turma terem começado a rebolar nas arquibancadas em 1977, quando o Grêmio rompeu uma fase de hegemonia colorada parecida com a atual. E é incrível: a organizada gay durou até 1983, quando Volmar teve de retornar para sua Passo Fundo por problemas pessoais. Recolheu as faixas no ano do mundial tricolor. Parece ter cumprido uma missão.
Bacana! Aí me perguntam: como seria hoje? Sei que muitos discordam, mas acho que seria mais fácil, apesar da violência disseminada. Nos anos 1970, mulheres que fossem aos estádios eram xingadas de "vadias". A polícia perseguia quem tivesse comportamento transgressor, na política e nos costumes. Hoje, não.
Ah, mas os caras se matam nas arquibancadas, você pondera. E eu respondo: é verdade, só que os costumes avançaram. Imagino os rapazes da Coligay torcendo sem parar, como faziam quase 40 anos atrás. E, se alguém resolvesse agredi-los, um cordão protetor se formaria, como uma vaia em coro contra bandidos, que certa vez ouvi e engrossei na Arena. La nave va. E não tem marcha a ré.
eu era muito querido pela Coligay. fazia gol e ia lá vibrar com eles!
Tarciso, campeão da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes pelo Grêmio em 1983.