5 dias em uma excêntrica viagem ao Rio de Janeiro
13.02.20
- No primeiro dia assim que chegamos fomos logo para a Escadaria Selarón e havia uma fila para tirar foto (o que nos foi mencionado que nunca aconteceu antes, achamos estranho porem ótimo) e à nossa frente duas amigas, uma delas era a típica blogueira que não parava um segundo para ler as mensagens dos pisos de diferentes países ou admirar suas diversas cores, apenas selfies e até mesmo com pau de selfie (fazia anos que não via um). Logo que estava chegando nossa vez comentei para minha namorada "até ela terminar o book de fotos na vez dela na escadaria, já anoiteceu." Estávamos fazendo várias piadinhas internas entre nós até que eu solto um "her cellphone must have a huge memory" [o celular dela deve ter uma memória enorme] e minha namorada riu alto, percebemos que um casal ou 2 simples amigos atrás de nós na fila riam freneticamente sobre o que eu disse e nós percebemos. Minha namorada estava louca para fazer amizade com eles. Quando chegou a vez da blogueira fiquei observando as mil poses diferentes, apenas na cabeça dela, e percebi que a auréola do seio dela estava aparecendo. Comentei com a minha namorada e ela quase morre de tanto rir. Até hoje me pergunto se isso foi proposital ou se será arrumado em um desses aplicativos com photoshop. Tiramos nossa foto rapidamente para os "gringos" também tirarem; eles tiraram as nossas juntas e tiramos a deles juntos.
- Toda mulher sabe dos riscos de sentir que a menstruação pode acontecer em uma data não esperada, mas eu não estava tão preparada assim. É uma história engraçada porque eu nunca havia usado o.b antes, mas como em nossa viagem para o Rio havíamos agendado uma outra pequena viagem para Arraial do Cabo no dia seguinte da nossa chegada, tivemos apenas essa opção que acabou funcionando muito bem, já que eu não botava muita fé nesse fato. Primeiro tentamos com o normal, mas o nervosismo não permitiu. Depois de alguns minutos frustrada nessa tentativa minha namorada sugeriu que comprássemos o o.b com aplicador pela manhã. Tivemos que acordar um pouco mais cedo para assim ter mais tempo e tentativas. Dali alguns minutos iríamos tomar o ônibus com a empresa de turismo para Arraial. E novamente não estava funcionando e a situação se tornando cada vez mais agravante até que sugeri colocar lubrificante no aplicador e foi tão simples quanto respirar. Agradeci aos universos pelas várias maneiras que temos de solucionar problemas como esse, tão inconvenientes. Depois de ter um dos dias mais incríveis da minha vida naquelas praias cristalinas e tão puras e limpas, comemorando a nossa data livre de qualquer pensamento que não fosse paz e amor à vida, voltamos a noite. Assim que chegamos ao hotel quase derrubamos a tv tentando colocar o meu pen drive corretamente já que havia parado de funcionar e estávamos sem filmes para ver quando liguei a tv em algum canal qualquer e estava passando “O amor é cego”, um filme do qual nunca assisti e fiquei envolvida por essa história de amor externo e interno. Uma pena foi ter dormido antes mesmo de chegar ao fim.
- Um dos dias mais esperados: finalmente conheceria o Cristo Redentor. Cada parte desta saga significou em tantos pedaços de extrema importância pra mim. Me senti completa, pois foi um sonho tão esperado e sempre na ponta da caneta em tantas listas de meta; um sonho concluído. É impressionante ver o céu tão azul e brilhante, a cidade quase que inteira diante dos meus olhos. Meus olhos marejados embaixo dos óculos de sol e o coração palpitando tão forte e alegre. Estudei tanto a cidade que de lá de cima conhecia todos seus bairros. Em seguida fomos a mais passeios do nosso itinerário e no fim da tarde acabamos na praia do Leme, apenas chegando lá percebi que a calcinha do biquíni estava do avesso e eu tive a ideia de reproduzir o que fiz em Mongaguá um tempo atrás. Pensei em arrumar na água da praia, o que é totalmente diferente pois as praias do Rio são praias de tombo com mar muito agitado e suas ondas fortes. E fui atingida por uma onda com a calcinha na mão e várias crianças olhando, mas me cobri com a água e corri para o fundo do mar. Coloquei a calcinha e percebi que não estava mais ao contrário, mas a parte de trás estava na frente; isso mesmo. Voltei para onde a minha namorada estava e contei que havia conseguido apenas 50%. Eu não sei quem ria mais. Pensei em me trocar atrás de algum ônibus já que estávamos muito próximas da rua e também da água da praia, mas ia ser muito arriscado. Decidimos que deitar na canga onde ela estava para fazer essa troca era a única opção viável, e foi assim que fizemos: ela colocou minha toalha enorme de Star Wars em cima de mim para ninguém ver, fiz a troca um pouco tensa pelas pessoas ao nosso redor, porém a tarefa foi concluída com sucesso. E metade da dignidade ficou por ali mesmo. Na volta fomos rejeitadas por 4 motoristas de aplicativos por estarmos molhadas da praia. E só por um milagre divino um deles aceitou a corrida, sugerindo colocar tapetes da frente para que pudéssemos sentar e não molhar o banco. E mais uma vez o mundo sendo salvo por pessoas que praticam a empatia.
- Fizemos uma trilha no Parque Nacional da Tijuca bem curta e intensa por conta do calor. Aquele parque tem uma extensão inacreditável. Por onde havíamos escolhido se encontravam cachoeiras, a vista chinesa e a mesa do imperador. Trilhamos até a cachoeira do horto onde me deliciei pela primeira vez em uma cachoeira. Quando chegamos haviam algumas pessoas que logo foram embora nos deixando a sós. Tivemos a privacidade de uma cachoeira calma e extraordinária. Após alguns minutos um dos homens da construção logo acima veio espiar nos deixando completamente desconfortáveis. Essa construção foi devida à chuva forte de alguns dias atrás que acabou derrubando algumas árvores. Decidimos continuar a trilha para a vista chinesa, quando estávamos saindo chegaram algumas pessoas para a cachoeira. Desistimos de trilhar até a vista e voltamos para descansar e mais tarde irmos à praia de Ipanema. Assim que chegamos precisávamos procurar alguém que cuidasse de nossas coisas para entrar no mar, e a pessoa que escolhemos veio de onde meu pai mora agora, João Pessoa, me fazendo pensar que anos atrás pensava em conhecer o Rio de Janeiro com ele. Ela disse que as praias do nordeste são muito diferentes do Rio e que tem muito medo de entrar porque as ondas são severas, e concordo plenamente. Depois de curtir a praia caminhamos por 5 minutos até a Pedra do Arpoador onde escolhemos para assistir o pôr do sol com vista para o Morro dos Dois Irmãos. O local se encontrava lotado pois estavam à espera do espetáculo; algumas pessoas vendendo cerveja e água, um deles quase escorregou, me deixando completamente apavorada. Sentido contrário ao Morro dos Dois Irmãos encontra-se a praia do Diabo que é onde muitos surfistas costumam frequentar. Àquela hora da tarde o mar é bem agitado. Assim que o sol se escondeu caminhamos até um desses patinetes para tentar usá-los e chegar a um ponto de ônibus mais próximo, mas foi um caos porque nenhuma das duas entendia daquela tecnologia e no aplicativo no celular da minha namorada acabou dando problema e mesmo cancelando a viagem estava cobrando, mas no fim deu tudo certo.
Sempre quis viajar para o Rio com a meta de conhecer o Cristo Redentor, mas muitas das vezes as pessoas com quem compartilhava esse sonho nunca deu bola ou nem sequer ouviu os planos. Acredito que as coisas acontecem no tempo delas e por um motivo. Se foi só agora e para comemorar uma data tão significante com alguém especial, com todos esses acontecimentos hilários que sempre lembrarei com um sorriso nostálgico de memórias incríveis, devo agradecer ao universo por me permitir que mesmo com a demora tenha acontecido desta maneira e tão inimaginavelmente melhor. Devo confessar que uma das coisas impressionantes deste lugar foi o fato de ter ficado os 5 dias de viagem caminhando na rua meio que olhando para o chão procurando baratas (porque tenho um medo absurdo) e por incrível que pareça não achei nenhuma, nem mesmo perto de bueiros. Quais são as chances, não é?!
- A













