Other Lover - Capitulo 18
POV Selena
Mesmo com o pedido de Ashley, eu não consegui conter as lagrimas. Só foi eu a ver fechar a porta a minha frente com certa violência, que uma enchente se causou em meus olhos. Como eu odiava ser tão sensível assim, mas não pude evitar. Mesmo sendo avisada da realidade que esse lance que tínhamos era, eu tinha esperanças em que iria evoluir. Eu realmente estava gostando dela, aos poucos descobrindo seus outros lados, sua presença me fazia um bem inexplicável, mas eu simplesmente não podia aguentar ela podendo ser assim com qualquer outra pessoa, eu tive que colocar um ponto final. Hora ou outra me arrependia da minha atitude, queria sair correndo e dizer que fui precipitada, que não queria aquilo, mas meu consciente me alertou que o certo era eu lidar com minhas ações. Após a choradeira, decidi que o melhor seria tomar um banho para lavar minha cara inchada e ficar deitada em minha cama rodeada de pensamentos até pegar no sono.
(...)
Gostaria de poder dizer que mesmo com o fim da nossa relação tudo estava perfeitamente normal, mas eu estaria mentindo. Quer dizer, Ashley parecia não se importar nem um pouco, a comunicação dela comigo era como antes, ela me convidava para andar com ela, sair para algum lugar... Porém eu que estava a evitando, não estava mais passando o tempo livre com as meninas por ainda não querer ficar ao seu redor, ainda não me sentia confortável o suficiente. Se ela estava notando isso? Não sei, mas se sim, estava fingindo muito bem.
- Selena, você está aí? – a mão de Nolan mexia rapidamente próximo ao meu rosto para me chamar a atenção – Terra chamando Selena.
- Selena está de volta na Terra, agora – respondi brincando.
- Estava pensando em que? – perguntou curioso.
- Nada importante... – menti e ele me encarou com uma cara desconfiada – O que foi?
- Está tudo bem com você?
- Sim Nolan, estou bem – menti.
- Por que eu estou sentindo que isso não é verdade? – continuou com a mesma expressão.
- Porque você é um paranoico exagerado, lembra? – falei rindo.
- Você não me deixa esquecer – semicerrou os olhos – Mas é tudo preocupação com você – abriu seus grandes braços e me puxou para um abraço de lado.
- É, eu sei, muito amor envolvido.
- Até demais! – ele exclamou e me apertou mais forte em seus braços. Continuei ali parada recebendo seu carinho, do qual de algum modo ele concedia nos momentos que eu mais precisava, mesmo sem saber nada da situação, por enquanto. Durante o momento que eu ainda estava aproveitando seu caloroso abraço, ouço alguém gritar meu nome e então Nolan desfez o abraço rapidamente.
- Oi Vanessa – disse sorridente a ela – Está tudo bem?
- Tudo ótimo – ela falou feliz – Só vim perguntar se você vai na festa do Juan nesse sábado, vai certo? – questionou empolgada.
Como podia haver tantas festas nessa região? Não se passava uma única semana sem alguma comemoração feita por algum aluno, ou os amigos deles... Não importava, sempre davam um jeito de ter a sua preciosa festa de fim de semana.
- Hmmm... Acho que não, Nessa – na verdade, certeza que não.
- Poxa Selena, todas nós vamos! Eu, Janel, Lucy, Troian, Ashley e mais um monte de gente – ficar ao redor das amigas da pessoa que eu estou evitando? Não, obrigada – Só falta você – ela segurou minhas mãos e as mexeu empolgada – Vamos lá!
- Eu realmente não vou poder ir, me desculpa – disse sincera, e a expressão de seu rosto foi de certa decepção – Não fica com essa carinha, na próxima eu vou!
- Eu vou chamar a Ashley para te convencer – ela se virou querendo ir em outra direção chamar a loira.
- NÃO, não! – gritei e puxei-a de volta – Não precisa, e não adianta que nessa festa eu não vou poder ir mesmo. Aceite isso – ela soltou uma risada e então saiu do mesmo modo. Avistei o lugar a procura de meu amigo, e então o encontrei num canto mexendo no celular, e decidi voltar a ele até o restante da manhã.
(...) Mais tarde (...)
Depois de ir até a sorveteria com Nolan, como sempre fazíamos quando podíamos, eu voltei a minha casa e me surpreendi ao ver meu avô ali. Logo corri até ele o dando um abraço apertado carregado de saudades de que eu estava desse homem. Mal terminei de o abraçar, e levei um susto com o grande cachorro que veio correndo até mim, quase me derrubando. Era Baylor, um vira-lata de olhos azuis que encontrei quando mais nova nas ruas da minha antiga casa, naquela época era um filhote que cabia em minhas mãos, agora já estava enorme e tentar segura-lo estava fora de cogitação. Eu amava aquele cão, mas por causa do emprego do meu padrasto vivíamos trocando de residência, sendo impossível em várias circunstancias ter um cachorro presente, felizmente meu vô aceitou continuar cuidando dele, e então aqui está eu agora acariciando esse enorme babão.
Abracei mais um pouco meu avô, e então minha mãe me chamou para ajudá-la a cozinhar, e com prazer eu fui. Minha mãe se prontificou a cuidar da salada e arrumar a mesa, enquanto eu cozinhava o macarrão e fazia um strogonoff. Com tudo pronto e posto sob a mesa, chamamos os rapazes que estavam na sala assistindo a alguma partida de futebol americano, para jantarmos. Não poderia ter pedido uma forma melhor de passar a noite de hoje, amava esses momentos famílias, e era ótimo ouvir meu vô contar suas histórias passadas, demonstrando o quanto de experiência que já tinha, e ouvir histórias de infância da minha mãe também era algo reconfortante. Gostava disso, de saber sobre o passado, de como essas pessoas eram antigamente, o que as levou até hoje, as coisas que nunca mudaram, as vergonhas passadas que agora causavam grandes risadas. E era isso que o jantar tinha, muitas risadas e todos satisfeitos com a comida, me elogiando, enquanto eu jogava alguns pedaços escondidos para Baylor, que também pareceu apreciar.
Em seguida, fomos para a sala de estar, assistir um filme militar no qual se passava na televisão, o que fez o meu avô relembrar da época que já esteve no meio disso e o quão ele se orgulhava de ter participado e feito a diferença na vida de outras pessoas, mesmo sem essas pessoas o reconhecerem, o importante a ele era que ele melhorou suas vidas. Quando o filme já estava em seu fim, ele alertou que já deveria ir embora pois já estava tarde, nos despedimos dele, acariciei por um longo tempo Baylor não o querendo abandonar e então os acompanhei até o carro. Vovô avisou que em breve ele já iria trazer o cão de volta, que não era para eu me preocupar, eu o agradeci e então ele deu a partida em seu automóvel e buzinou como um até logo. Seguidamente disso, eu já estava cansada, pus meu pijama, peguei o cobertor, apaguei as luzes e então me acomodei na cama, com o sono chegando rapidamente a mim.
(...)
Ouvi um diferente barulho, mas ignorei. Agora, o som de antes aumentou e eu pude notar que o barulho na verdade era o toque de meu celular, resmunguei e continuei com os olhos fechados, ignorando até que parasse e eu voltar a dormir. Infelizmente, a pessoa continuou a me ligar, olhei para a janela de meu quarto, vendo que ainda sim era madrugada, e me perguntando por que raios alguém estaria telefonando a essa hora, tateei em cima da escrivaninha em busca do meu celular e então me surpreendi quando vi um nome na tela, não era algum aleatório número alegando ser engano, era Ashley.
- Alô? – pude ouvir um abafado som de música no fundo – Alguém aí? – continuei a perguntar
- Oieeeee – ela disse animada – Quem é?
- Sou eu, Selena – falei o obvio – Você que me ligou, Ashley... – bufei friamente, embora estivesse afastada dela, ainda me importava, e só a curiosidade sobre o que ela queria comigo que deixou eu ter a coragem de continuar essa conversa em vez de voltar ao meu sono – O que quer?
- Oh, é verdade – relembrou e pude notar sua voz embriagada – Onde você está? Eu te procurei a nooooooite toda – ela praticamente cantarolou emburrada – Eu te procurei embaixo da cama também e você não estava lá.
- Ashley, você está muito bêbada, certo? – perguntei a ela, mais no intuito de afirmar a mim mesma.
- Nãooooo – mentiu – Claro que não, eu só bebi essa água que tem uma coisa diferente junto.
- Isso é vodka, e você sabe muito bem disso – rolei os olhos – Ash, é melhor você ir para sua casa e dormir.
- NÃO – ela gritou me assustando do outro lado da linha – Eu tenho que achar a Selena antes, tipo eu vi ela dançando, mas mas mas mas – repetiu diversas vezes o “mas” me fazendo rir da situação. Maldade, eu sei. – Mas depois ela trocou de rosto.
- Trocou de rosto? – ri – Como? – questionei curiosa com sua teoria.
- EU SEI LÁ! – ela gritou novamente – Ela pode ser uma... uma... UMA FEITICEIRA! – berrou mais uma vez contente com sua descoberta – Ela só virou e quando eu vi trocou o rosto. Aí eu fiquei procurando por todo canto, agora eu estou olhando debaixo desse carro – senti o telefone ser solto no chão e depois ouvi um “ai” seguido de gemidos de dor – Bom, ela também não está debaixo do carro, e eu me machuquei.
- Ashley, presta atenção em mim – pedi devagar para que ela entendesse. O mínimo que eu podia fazer era tentar faze-la voltar segura para sua casa, pois ela estava impossível nesta condição – Onde você está?
- Eu estou na grama.
- Na casa de quem, Ashley? – voltei a perguntar.
- Mano, a grama é tão verde – expressou encantada – Sente – ela falou e eu ouvi um leve ruído no celular – Sentiu? É tão verde! Quer dizer, por que ela é verde? – estava difícil não rir de seus devaneios, assumo – Ela poderia ser azul, mas daí não seria tão verde assim, não é?
- Ashley, onde você está? – a ignorei e retornei à minha questão de saber onde ela se encontrava.
- Na grama azul. – ouvi sua própria risada seguida de soluços – Ahá, te enganei! Porque na verdade estou na grama verde.
- Ok... – respirei fundo – De onde é essa grama? – insisti ainda, com a paciência se esgotando.
- Da casa do Juan! – respondeu feliz lembrando onde estava – Eu tenho que achar ele para elogiar a grama dele, mas merda merda merda, nem acho a Selena – encarei o escuro teto do quarto tentando entender como ela podia ter chegado nesse deplorável e cômico estado – Eu tive uma ideia, acho que vou ligar pra ela.
- Ai meu Deus – bati a mão na cara com a sua "ideia" e novamente a ignorei – Você foi na festa com quem?
- Eu vim voando num dragão – rolei meus olhos sem paciência pela milésima vez.
- Ashley, eu estou falando sério, você foi na festa com quem? – insisti
- Com a minha baby V, pagou tudo para mim, aquela linda! – a elogiou – Ela é gostosa – anunciou – Ela é gostosona, tipo... PARABÉNS BABY V! – ela gritou provavelmente para o nada.
- Benzo, se levante de onde você está e vá procurar a Vanessa – a pedi ainda lentamente para ela captar todas as palavras – E peça para ela pagar um táxi para você.
- Eu falei que ela é gostosona, porque ela é mesmo – sim, eu ouvi da primeira vez – Mas eu estou procurando é a Selena, eu quero é a Selena! – admito ter sorrido com essa frase, mas logo chacoalhei a cabeça e voltei a realidade.
- Você lembra de seu endereço para falar para o taxista, Ashley?
- Acho que vou procurar minha morena embaixo daquele caminhão – não sabia que ela bêbada poderia criar apelidos e ficar buscando embaixo de automóveis por uma pessoa, eis uma novidade.
- ASHLEY! – foi minha vez de gritar – Você sabe seu endereço? – o silencio reinou no telefone – Ashley? – não ouvia mais nada além do som do vento, estava até pensando que a ligação havia se perdido.
- Westwood, rua Sunset Bivd, 182, perto de uma loja de cupcake – ela falou de repente, me fazendo ter um susto – É aí que eu moro. Por que você não vem me visitar Selena? Eu ia gostar disso – ela falava sem parar e agora lembrando com quem estava falando.
- Tudo bem, eu vou te visitar, mas só se você prestar muita atenção no que eu vou te falar – pedi já não esperando muito – Eu preciso que você fique na frente da casa do Juan, que eu vou mandar um táxi ir te buscar.
- Mas eu nem elogiei a grama do Juan para ele, nem apertei o bumbum da baby V que me deu uma vontade, e eu não achei a Selena – tagarelava sem parar para respirar – Eu tenho que achar ela, levar ela em segurança para casa dela.
- Hey Ashley, eu garanto que eu – parei para pensar e refiz minha fala – garanto que a Selena está em segurança, só fique aguardando o táxi aí na frente, ok? Ela iria querer isso.
- Eu estou com vontade de apertar o bumbum da baby V – ela repetiu o seu desejo sobre Vanessa – Eu também estou com saudades de beijar a Selena.
- É uma pena... – provoquei.
- Sim – me levantei da cama e fui até o telefone fixo para ligar para algum táxi – Tipo por isso eu estava procurando ela na festa – coloquei o aparelho fixo em meu ouvido enquanto deixei o celular no viva voz – Tinha umas cópias, mas eu queria ela. Esbarrei com quatro garotas muuuuito iguais a ela, todas tinham o nome de Isadora – ri imaginando a situação, dela esbarrando repetidas vezes com a mesma garota. Conhecia Isadora, ela realmente era parecida comigo, mas também sei que seu nome não é tão comum nesse país, tendo só uma – Todas chatas, falavam a mesma coisa... Só diziam "você de novo?", sem graças.
Enquanto ela conversava com uma terceira pessoa inexistente, eu chamei o táxi, lhe dei as coordenadas para buscar e deixa-la em casa. Era o máximo que eu podia fazer nesse momento, voltei me arrastando até a cama, sentindo o sono me invadir com mais força. Peguei o celular novamente, e o coloquei em minha orelha.
- Eu já chamei o táxi até onde você está, daqui a pouco quando ver um carro amarelo, entre nele, tudo bem?
- Uh hum – pigarreou – Em vez de folhas, a arvore podia ter hamburguers, seria mais útil e de graça – e seus devaneios voltaram – Imagina, você planta uma arvore e PAM! Nasce hamburguers – pausou – Quer saber, eu vou eu mesma plantar uma árvore de hambúrguer em casa e ficar rica, e ninguém vai saber disso.
- Boa sorte – disse sarcástica.
- Valeu, e para você também – soltei um baixo riso.
Após uns seis minutos ouvindo Ashley cantarolar qualquer música que vinha em sua mente, e certificar de que ela entrasse no táxi em segurança, encerrei a ligação. Me perguntando por que raios ela estava me procurando numa festa no qual eu não fui? Por que ela tinha bebido tanto assim? Por que ela queria tanto me achar? E assim pensando em tantas dúvidas e buscando respostas a elas, peguei no sono.















