A postura, ereta. Os cabelos, sem um fio fora do lugar. A boca em uma linha reta podia passar tanto frieza quanto compaixão, mas isso era mais responsabilidade de quem a lia do que dela. Compasso sempre dava o seu melhor, desde que pisara na ilha pela primeira vez. Seguia cada pequena regra, mesmo se ela própria a tivesse criado (principalmente). E se cada decisão era avaliada tantas vezes antes de tomada, e cada minuto planejado na direção do melhor aproveitamento, então estava tudo bem, porque graças a isso que sua vida havia tomado um rumo tão satisfatório. Secretária do chefe da ilha há anos, se tornara seu braço direito, e conseguia vislumbrar o futuro brilhante: seria sua sucessora. Você não é seu cargo, alguns tentam lhe alertar. O escritório não é sua vida, essas planilhas não são seus amigos, você é jovem! A ilha não vai a lugar nenhum, relaxa! Era como lhe dizer para criar asas e voar. Ainda mais quando não para de bater os pés no assoalho, pensando no estrago que esses forasteiros parecem querer causar.
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A plaquinha com seu nome e o título “chefe da ilha” está nos sonhos de Compasso. E nos pesadelos de Pavão, que sempre teve certeza de que seria a sucessora óbvia. Assim como o pai fora do pai dele. Percebe que Compasso está envolvida demais, confiante demais, sabendo demais. Mas, a depender de Pavão, a usurpadora que aguarde e veja. A aproximação repentina e um tanto forçada de Pavão na rotina do escritório é o suficiente para desestabilizar Compasso, incomodada consigo mesma quando seu controle sempre tão firme lhe escapa diante das menores provocações, diante da sua simples presença no ambiente.
Quando duas pessoas são tão diferentes e formam uma unidade tão estreita, a imagem pode se assemelhar à dança do equilíbrio de yin-yang, opostos complementares. Impossivelmente distintos, Compasso e Dragão caminhavam juntos desde uma fatídica noite de caos e ombros amigos, esse último algo que os dois precisavam tanto que foi como se soltassem um suspiro de alívio conjunto. A lógica e a emoção, o pé no chão e o mergulho nas profundezas. O alívio de um peso que não percebiam segurar, era o que eram um para o outro.
Tarka — chegada em Saint Abbon de Fleury: há cinco anos
Idade: (não determinada - faceclaim de 24 a 30 anos)
Ocupação: secretária
Moradia: (utp)