Jackie Shostakova e Connor Foster em: Arco-íris
Em um momento, Jackie Shostakova estava parada, encarando com tédio o gelo à sua frente. E, de repente, um arco-íris explodiu diante de seus olhos, forçando-a a dar um passo para trás, levantando seu escudo na altura dos olhos para tentar bloquear a luz repentina.
A explosão de cores durou apenas alguns segundos, e assim que a luz forte e colorida desapareceu, ela pôde reconhecer a figura do filho de Thor, ajoelhado no chão, em uma pose de super-herói.
Jackie revirou os olhos enquanto se aproximava.
— Não precisava desse drama todo, Foster. Não tem ninguém além de mim vendo, e você não vai me impressionar.
Connor se levantou em um pulo, animado, nem um pouco incomodado com o comentário.
— Ah, qual é, eu quase nunca uso a Bifrost pra me teleportar, me deixa aproveitar.
Jackie bufou, mas riu. Olhou Connor Foster de cima a baixo, e notou que ele não parecia com frio, apesar de estar vestindo uma armadura leve asgardiana, que deixava seus braços expostos. Mas, diferente de sempre, desta vez ele usava uma capa felpudinha, que parecia ser só de enfeite e não com o intuito de realmente bloquear o frio.
De qualquer forma, parecia que ela não precisaria se preocupar com ele, e isso era bom, muito bom.
— Vamos, temos um trabalho a fazer.
Ela se virou e começou a andar em direção a um pequeno morro de neve.
— É, sobre isso. — ele correu para ficar ao lado dela. — Por que mesmo eu estou aqui, no meio da Sibéria?
— Por isso. — assim que escalaram o morrinho, os dois heróis deram de cara com uma instalação antiga, quase completamente destruída, como se alguém tivesse jogado bomba ou quem sabe um Hulk contra ela. — Esta base estava listada como desativada desde os anos 80, mas como você pode ver…
— Aparentemente não estava. — Connor constatou.
— Não. E além disso, um grupo de pesquisadores russos e noruegueses desapareceram deste mesmo centro de pesquisa há dois dias. —ela explicou calmamente. — Minha equipe está ocupada com outra coisa, portanto, supus que poderíamos trabalhar juntos nessa pequena missão, você e eu.
O sorriso de Connor se alargou, e ele olhou para ela com um olhar nitidamente zombeteiro.
— Seu namorado não vai ficar com ciúmes porque você não chamou ele pra essa missão também?
— Ele…. — Jackie começou a responder, mas então revirou os olhos e conteve um pequeno sorriso, decidindo não morder a isca. — Foco Connor, pode ser?
— Tá, foco. — ele repetiu, voltando seu olhar para a instalação destruída. — Qual o primeiro passo?
— Vamos olhar mais de perto e ver se conseguimos descobrir o que aconteceu por aqui.
Dito isso, os dois se aproximaram com cautela da instalação, e escorregaram para dentro pelo buraco aberto pela lateral do lugar.
Assim que entraram, ambos estudaram o lugar com atenção. Tudo estava um caos, com destroços para todos os lados. Não parecia que uma luta havia acontecido ali, apenas parecia que eles haviam sido surpreendidos e tentaram desesperadamente fugir do que quer que os estivesse atacando.
E não demorou muito para que Connor parasse e fizesse Jackie parar também, apontando para um ponto específico.
— Olha ali. — Jackie surgiu seu olhar e suspirou ao identificar um pedaço rasgado do que um dia foi uma jaqueta de inverno, afundada na neve, perto de algumas manchas que só podiam ser de sangue. — Não acho que vamos encontrar sobreviventes.
Jackie se aproximou da peça de roupa, se agachou, e tentou entender o que havia acontecido ali.
— Isso não é nada bom.
Connor concordou, e sem mais nada que pudessem fazer por ali, os dois voltaram para o lado de fora. Ainda havia outra parte da instalação que eles precisavam explorar, mas devido ao estado do lugar, só poderiam acessá-la dando a volta.
O silêncio se instalou entre eles por um momento.
— O que será que eles estavam fazendo? — Connor perguntou, não para Jackie exatamente, estava mais pensando alto do que qualquer coisa.
— Parece que estava escavando alguma coisa. — Jackie respondeu, a mente trabalhando rápido para tentar resolver esse problema. Eles já haviam fracassado em salvar os pesquisadores, o máximo que podiam fazer agora era entender porque eles foram atacados. — O que, exatamente, ainda temos que descobrir.
— E o que será que causou todo esse estrago? — o meio asgardiano continuou, intrigado.
Jackie abriu a boca para responder com suas próprias teorias, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, os dois sentiram o chão tremer. Eles pararam, e assim que se viraram, viram um monstro azulado surgir de onde antes havia o morrinho de neve que eles subiram.
— Pelas barbas de Odin, um gigante de gelo! — resmungou surpreso, puxando sua espada dourada.
Jackie manteve seu olhar no monstro, e preparou seu escudo.
— Um o que?!
— Gigante de gelo. — o jovem meio asgardiano explicou, como se fosse óbvio. — São de Jotunheim. Às vezes aparecem por aquina terra. Às vezes a mando de Amora, às vezes sem querer.
Jackie queria ter uma resposta espertinha para oferecer, mas estava mais preocupada em analisar o novo oponente, então tudo o que saiu de sua boca foi:
— Bom, acho que encontramos o culpado por todo esse estrago.
O gigante de gelo se colocou de pé lentamente, com um rugido quase ensurdecedor. Ele parecia ter cerca de quatro metros de altura, sendo bem mais alto do que qualquer um dos dois. Trazia uma maça enorme em suas mãos, e parecia muito, mas muito irritado.
— Sei que parece ruim, mas demos sorte. — Connor disse ao seu lado, fazendo com que Jackie o olhasse, incrédula. Ele não pareceu notar, apenas continuou. — Esse aí é pequeno. Deve ser jovem, ou seja, não deve ter muita experiência. Damos conta.
— Pequeno?! — ela teve que repetir pra ver se não estava ficando maluca, e em resposta, Connor deu de ombros.
— Bom, um gigante de gelo adulto pode chegar a tipo, dez metros de altura ou mais. Então, é, esse aí é pequeno.
Não tornava as coisas melhores, Jackie pensou.
E como se tivesse ouvido o que Connor dizia travou seus olhos vermelhos neles, e avançou de uma vez.
Agindo puramente por instinto, Jackie se colocou entre eles e o gigante de gelo, que usou sua arma para atingi-los. Ele acertou o escudo de Jackie em cheio, mandando tanto ela quando Connor voando vários metros para trás. Jackie caiu por cima de Connor, que afundou na neve e deixou a espada escapar de seus dedos.
— Ai… — Connor grunhiu. — Você é mais pesada do que parece.
Jackie bateu nele de leve e se colocou de pé, puxando-o para fazer a mesma coisa. Connor recuperou sua espada no segundo em que o gigante atacou mais uma vez. E por já estarem mais atentos, eles conseguiram não só desviar, como contra-atacar. Jackie saltou para trás, e Connor espetou a mão do gigante com sua espada, arrancando um rugido de dor quase ensurdecedor dele.
— Asgardiano, você tem mais familiaridade com essas criaturas do que eu, então o que você sugere?
Connor desviou de outro golpe do gigante, e então pensou por um instante. Ele não estava acostumado a dar as ordens, mas assumiu o papel muito bem.
— Nós somos dois, e ele é um só. Como eu disse, é pequeno, podemos dar conta. Só temos que desarmá-lo primeiro. Acha que consegue acertar ele com seu escudo enquanto eu o distraio?
A Guardiã assentiu a cabeça, e eles se posicionaram. Asgardiano atraiu a atenção do gigante, e quando ele levantou a maça com as mãos, Jackie jogou seu escudo, que bateu nelas, fazendo com que ele largasse a arma.
A maça caiu no chão, espalhando neve para todo lado, e Jackie teve que agir rápido para impedir que o gigante a recuperasse. Ela deslizou pela neve entre as pernas do gigante, e pegou a arma. Era muito mais pesada do que esperava, mas com sua força de supersoldado, ela conseguiu jogá-la para longe do alcance dele
Enquanto isso, o jovem vingador aproveitou a distração e partiu para o ataque.
Desferiu golpes precisos e rápidos com sua espada, mas nada parecia estar parando o gigante—ele ainda agia como se os dois não passassem de mosquitos irritantes. Mas sem sua enorme maça, ele também não estava tendo sucesso em seus golpes, porque Connor e Jackie eram mais rápidos.
O gigante começou a se cansar, ficar mais errático, e isso abriu uma oportunidade para Jackie golpeá-lo atrás de seu joelho, fazendo com que ele se curvasse para frente. Connor aproveitou, e saltou sobre o monstro, cravando a espada asgardiana bem no pescoço do gigante, com toda a força que tinha.
Finalmente, o corpo do gigante desabou na neve, imóvel.
Jackie se sentou no chão, enquanto Connor se curvou para a frente, apoiando as mãos nos joelhos. Ambos olhavam para seu adversário caído, sujos com sangue azul.
— Eu disse que a gente dava conta. — Connor disse, arfando de leve para recuperar o fôlego. Ele fechou o punho e o estendeu para a Jackie, que lhe deu um soquinho.
— É o primeiro gigante de gelo que encontro, e já odeio essas coisas.
— Bem vinda ao clube. — ele foi verificar se o monstro estava morto mesmo, e depois estendeu a mão para ela, e a puxou com um único movimento suave para que ela ficasse de pé. — E agora?
— Ainda temos que descobrir qual era a pesquisa que estavam fazendo aqui, porque com certeza esse grandão estava ligado a isso, de algum jeito.
Com duas batidinhas no braço de Connor, ela o chamou para que a seguisse. Os dois caminharam lado a lado até a segunda parte da instalação, agora mais atentos a seus arredores, mas não foram atacados novamente.
Entraram por outro buraco, e desta vez, não precisaram nem andar e nem investigar muito para encontrar o que estavam procurando. Pouco depois de entrar na instalação, eles se depararam com um enorme bloco de gelo, e dentro dele, alguns artefatos e armas, congelados no tempo. Pareciam ser feitas de ouro, quase como a espada de Connor, mas assim que Jackie se aproximou mais, notou que o material deles não parecia nem ser da terra.
Connor também se aproximou, tocando o gelo.
— Era disso que eles estavam atrás. — o jovem vingador deduziu. — Armas e artefatos de imenso poder. Caramba, nem sei há quanto tempo essas coisas estão aqui na terra, mas certamente são asgardianas.
Jackie trocou um olhar com ele.
— O que quer dizer que são perigosas nas mãos erradas.
— E como.
Jackie assentiu.
— Ok, se são artefatos asgardianos, então acho que é justo que você decida o que fazer com eles agora.
Connor pensou por apenas um segundo.
— Vou avisar minha prima e meus amigos, eles podem vir buscar esses itens e levar de volta para Asgard, para serem catalogados e guardados em um local seguro.
— Parece ser um bom plano.
Ela colocou o escudo nas costas enquanto Connor acionava seu comunicador, falando com Lorraine, para trazer Axl e Astrid para a localização dele urgentemente. Quando terminou de falar com a prima, Connor se afastou do bloco de gelo, virando-se para Jackie.
— Bem, ela pediu para esperarmos aqui. Não quer correr o risco de alguém ainda estar atrás disso.
— Então... só ficamos aqui e esperamos?
Connor concordou com a cabeça, sentando-se no chão frio do que restou do piso da instalação.
— É, agora nós esperamos. — ele então abriu um sorriso maroto. — E enquanto esperamos, você pode me falar do seu lance com o Braddock, e quando eu vou poder conhecer ele oficialmente para vermos quem é o melhor espadachim de uma vez por todas.











