metalínguadela // bia veneu
Metalínguadela
Porque pensamos o corpo. Ela, eu. Porque escrevemos com o corpo. Ela, eu. Porque escrevemos sobre o corpo. Ela, eu. Porque rondamos com o sublime. Ela, Ela. Porque tem clímax, Ela, Ela. Porque não queremos controle. Ela, eu. Porque falamos do Hugo Mãe. Ela, eu. Escrita fluida. Ela, Ela, eu, eu. Só Ela ! Eu, eu. Controle dela. Eu, eu. Sem controle. Porque ter mais que 50 anos, Ela, Ela, eu, eu. A idade acrescenta Ela, eu, eu. A idade controla Ela, eu, eu. Porque quando você pensa antes de executar o movimento, ele já perdeu o que ele tem de mais inaugural. Você percebe o momento em que o pensamento controlou seu movimento. Ela, Ela, Ela. O gesto inaugural. Ela, eu, eu. O mais lento possível. O quão lento fosse conseguir chegar de uma posição a uma outra. Lento... Bem lento. Ela, Ela. O controle absurdo. O desejo e o controle. Não desejo mais aquela dança. Não quero ser controlada. Quero não-dança. Ela, eu,eu. STUTZ, STUTZ, TUTZ, TUTZ... TUTZ... TUTZ......tutz..... tutz.
(Beatriz Veneu)
Texto criado a partir da performance SÓ de Denise Stutz, apresentada no CCBB, dentro do Festival Panorama 2018, em novembro no Rio de Janeiro.
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Bia Veneu é designer e artista pesquisadora em dança com interesse na construção de um pensamento decolonial e dasacomodado, com olhar especial ao corpo encantado. Apresenta "Metalínguadela", um poema atravessado por um espetáculo de Denise Stutz + fotografias. Acredita na liberdade dos ventos transformadores e outras possibilidades de interpretações de mundo. Tem o grande prazer de produzir peças de identidade visual para o coletivo La Kermesse. Faz parte do corpo editorial da Revista Espaço, projeto de Extensão do Departamento de Artes Corporais da UFRJ. Além do curso em Teoria da Dança está em processo de incubadora da CASA CORPA (Espaço de Pensamento em Dança)
Instagram: @bea.moon.triz











