É um filme de Danny Boyle. Se você já viu “Trainspotting”, irá reconhecer a assinatura do diretor nas primeiras cenas do longa. Frases rápidas e curtas são jogadas na tela, ao som de uma música com ritmo igualmente apressado. A batida eletrônica (obra de Simon Boswell, responsável pela trilha sonora) preenche os 92 minutos de “Cova Rosa” (“Shallow Grave”, 1994). No filme, Boyle mostra, à sua maneira, como um crime pode mudar temperamento de uma pessoa aparentemente normal e calma. E ainda: como o humor negro britânico, através do suspense, faz o espectador gostar de um assassino à beira da loucura.
A sinopse é a seguinte: três amigos decidem dividir o apartamento em que moram com um novo inquilino. Para isso, fazem uma seleção de candidatos - com direito à chacotas aos estranhos, feios e nerds. O escolhido é um escritor, cujo passado é um mistério. Após um dia morando no quarto alugado, ele aparece morto na cama. Overdose. A pergunta que fica: o que fazer com o corpo? Chamar a polícia? Seria a melhor saída, se não houvesse uma mala cheia de dinheiro entre os pertences do cadáver. A tentação faz com que os amigos decidam enterrar o corpo, deixando-o, a fim de evitar reconhecimento, sem pés, mãos e dentes.
O que nenhum deles imagina é que a pessoa submetida a realizar essa atrocidade possa mudar o temperamento da água para o vinho. Um crime acaba levando à outro, e a disputa dentro do próprio lar pela maleta de dinheiro é o que alimenta o suspense da trama. Até o fim, muito sangue há de rolar.
Estrelado por Kerry Fox, Christopher Eccleston e Ewan McGregor, o filme questiona os laços da amizade quando tentados pela ganância. Pois, dentro de nós, o mal sempre existe. A diferença é como lidamos com ele quando atiçado por um ato de violência.