16 Almost there
AMERICA’S POV
Andrew estava deitado, os olhos fechados, sua respiração pesada, apenas esperando o tiro que iria direto na sua cabeça. A arma em minha mão já estava destravada, apenas esperando que eu apertasse o gatilho, e então aquela sala branca logo estaria manchada em vermelho. Suspirei.
- Você não vale tudo isso, Andrew. Não vou destruir mais um pouco de mim por alguém como você – ele abriu os olhos e me encarou. Eu ainda tinha a arma apontada na sua direção. – Eu estou tão irritada agora. Tão magoada! – senti meus olhos arderem e lágrimas teimosas caírem por minha face – Confiei em você, Andrew. Justin confiou em você! – gritei – E olha só a situação em que estamos, Ands. Você vai morrer, Justin vai morrer e eu irei também. Todos nós estamos ferrados!
Andrew apenas me olhava com uma expressão assustada. Ele não tinha mais ideia do que eu faria com ele. Meu coração ainda doía com a hipótese de perder Justin.
- America – ele suspirou -, me dê mais uma chance! Eu posso ajudar Justin a sair vivo dessa, e você também!
- Agora não depende nem de você, e muito menos de mim, Ands. – baixei a arma – Não existe mais plano algum. Está tudo na mão do destino! – coloquei a arma no cós de minha calça preta – Mas uma coisa você pode ter certeza, Ands. O destino vai te fazer pagar, e caro!
JUSTIN’S POV
Já havia destruído muitas máquinas de tantas peças que arranquei das mesmas para tentar quebrar aquele vidro idiota. O medo estava presente em cada centímetro de meu corpo, em cada gota de suor que escorria por minha face. Mas eu não estava com medo por mim. Quero dizer, é obvio que eu estava com medo de morrer, mas o que mais me apavorava era America. O que estaria acontecendo com ela, como ela ficaria ao descobrir minha morte.
Passos me despertaram do transe e então olhei na direção da escada pela qual eu havia descido.
- O que faz aqui, meu filho? – sua voz grave ecoou pelo lugar e senti minhas mãos se fecharem em punho. O que ele estaria fazendo ali? Eu imaginei que seguranças fossem chegar a qualquer momento, armados e prontos para me trucidar, mas não que Jeremy chegaria todos sorrisos e com uma preocupação falsa em sua voz. Pela falsidade eu sempre esperaria, mas não pelo sorriso doente em seu rosto. Sua fisionomia estava completamente transformada. Ele estava com a fisionomia de um louco, um psicopata.
- Faço a mesma pergunta pro senhor, papai – ironizei, e apertei forte a barra de ferro que estava em minhas mão. A última parte de uma das máquinas.
- Vim ver o tamanho do estrago que você tinha feito, mas pelo visto nem para isso você é útil, não é? – ele riu e o ódio tomou conta de mim. Minha vontade era voar para cima dele e enfiar aquela barra de ferro no seu pescoço, arrancando sua cabeça, mas me controlei. Levaria essa situação de calma pelo máximo de tempo possível. Um de nós dois iria morrer, restava saber qual.
- Andrew esqueceu de me dar o cartão para abrir essa aqui – sorri de lado -, mas me ajudou a chegar muito longe. Quando você me falou desse lugar não imaginei quão bem construído e elaborado fosse.
- Falando em Andrew, o deixei sozinho na sala de observação com a sua protegida – o sorriso de meu pai se alargou ainda mais, e meu coração pareceu que iria se despedaçar.
- America? – minha voz falhou e senti a força deixar meu corpo.
- Pode ficar calmo, filho. Tenho certeza que Andrew está cuidando muito bem dela – Jeremy piscou um olho.
No momento eu não conseguia reagir, não conseguia me mover. Tudo o que se passava na minha cabeça era America e quando me dei conta de que se eu não agisse rápido ela poderia morrer ergui meu braço direto, o que eu tinha a barra de ferro em minhas mãos, e o levei direto para o rosto de Jeremy. Ele claramente não esperava por meu golpe e cambaleou para trás, visivelmente tonto pela pancada no rosto que havia levado. Sua bochecha sangrava, assim como seus lábios. Jeremy retomou o equilíbrio e então sorriu.
- Você sabe que se Andrew não a matar, serei eu a fazê-lo, não sabe?
- Você não vai viver o suficiente para conseguir sair daqui, Jeremy – falei de forma dura, como uma ameaça, minha voz alta e firme, mostrando uma coragem que eu ainda não tinha. Não me importava a coragem, eu iria matar meu pai se isso fosse preciso. Não importa a dor que irei sentir, não só na consciência, mas porque apesar de tudo ele ainda era meu pai.
- E quem irá me impedir? Você? – ele gargalhou, e então tirou uma espécie de arma da manga. Não era uma arma comum e isso havia me intrigado.
- Você sempre me subestimou, Jeremy. Nunca viu o que eu era capaz. Esse sempre foi seu maior erro! – me aproximei ainda mais dele e pude perceber que ele colocou seu dedo indicador no gatilho da pequena arma – Não seja covarde, pai! Vamos resolver isso como pai e filho, como homens. Uma luta justa – soltei a barra de ferro no chão e Jeremy me fitava completamente indeciso sobre o que fazer.
- Não sou um homem justo, filho – ele sussurrou e eu sorri.
- Disso eu sempre soube – e no mesmo segundo ergui meu punho, dando um soco de direita, muito próximo de sua fonte. – Você não é justo, e muito menos homem!
Ele caiu no chão, mas eu não o acertaria enquanto ele estivesse caído. Eu queria lutar com ele. Lutar até o ponto em que um de nós estivesse caído no chão, mas sem chances de levantar. Lutar até o momento em que um de nós não conseguisse mais respirar.
Durante anos vivi com meu pai me dizendo o que eu deveria fazer, como deveria ser e com quem deveria me relacionar. Durante anos vi meu pai traindo minha mãe enquanto ela lutava contra um câncer que aos poucos roubava o brilho de seus olhos. Durante anos fui vítima de seus preconceitos e julgamentos. Durante anos eu nunca tive um pai. Estava cansado de olhar para ele e sentir repulsa, raiva. Esses não eram sentimentos que um filho deveria nutrir por seu pai, e muito menos pena e desapontamento, que era o que sempre via nos olhos de Jeremy quando o mesmo olhava para mim. Tinha certeza que me sentiria culpado depois e que não aguentaria seu sangue em minhas mãos, mas eu iria sobreviver, custasse o que custasse.
Jeremy levantou-se de forma lenta, provavelmente ainda tonto por culpa do soco. Sua boca sangrava.
- Pegue esse pedaço de ferro inútil, Justin. Vamos ver quem morre primeiro! – ele gritou, e mesmo que eu odeie admitir aquelas palavras me machucaram. Ele realmente seria capaz de matar, e por dinheiro, ganância, egoísmo, poder.
- A primeira coisa que irá morrer vai ser o Chronos, papai – ironizei a forma como o chamei. Ele gargalhou.
- O Chronos nunca morrerá, Justin – ele continuava parado, a arma em sua mão, assim como eu.
- E o que o velho Joseph irá falar para as autoridades sobre esses seres humanos que vivem aqui?
- Nenhuma autoridade irá descobrir, Justin. Todo esse pequeno caos está acontecendo aqui dentro. Ninguém nunca descobrirá.
- Isso é o que você acha – sorri de lado, e então dei o primeiro golpe em seu braço esquerdo.
AMERICA’S POV
Abri a porta da sala de observatório e havia dois seguranças de costas para a mesma. Puxei o gatilho da arma que estava em minhas mãos, mas ao invés do tiro o que saiu da mesma foram duas mini-flechas, que atravessaram os dois seguranças de uma vez. Eles caíram no chão, e pelo fio quase transparente que prendia as flechas à arma era possível ver pequenas correntes elétricas passando por ele. Eles estavam sendo eletrocutados, e logo desmaiaram. Apertei um outro botão que havia na arma e os fios se soltaram da mesma. Desci alguns degraus e logo já estava no meio de todas aquelas pessoas assustadas por culpa do alarme que tocava e algumas luzes vermelhas piscando. Comecei a caminhar rápido por aquele lugar, procurando alguma saída e correr para encontrar Justin, mesmo não sabendo onde ele estava.
Várias pessoas começaram a me encarar de uma forma estranha, talvez por culpa de minhas roupas, já que eu estava vestida toda de preto, enquanto todos naquele lugar eram vestidos de branco dos pés à cabeça.
Depois de atravessar aquele salão enorme subi mais um pequeno lance de escadas e entrei na primeira porta que vi, entrando direto em um longo corredor cheio de portas. Caminhei por ele e logo abri outra porta e me deparei com uma espécie de quarto. Nele tinha apenas uma cama de casal e cômoda ao lado da mesma. De frente para a cama uma grande tela que ocupava toda a parede, mostrando as horas, o dia e o que seria servido no lanche da tarde. Fechei a porta e voltei a caminhar pelo imenso corredor branco e iluminado por luzes muito fortes. Abria todas as portas procurando por alguma coisa que pudesse me ajudar, mas ali era como se fosse a ala dos dormitórios.
- Hey – uma voz familiar chamou -, o que você está fazendo? – virei meu corpo na direção da voz e então travei. Eu não acreditava no que eu estava vendo.












