Já ouviu falar em algo chamado destino? Difícil é não ouvir falar, mas em algum momento já duvidou de sua existência? Eu sempre duvidei, nunca acreditei em sorte, fado ou qualquer coisa ligado a ela, porque essas coisas não aconteciam comigo, mesmo que acontecesse com todos a minha volta, e quando digo todos é todos mesmo. “Fulano de tal ganhou no bingo” “puxa, que sorte!” “Sicrano jogou na mega e ganhou 12 reais” “nossa, um dia consegue 1 milhão” “Joãozinho acertou a carta que eu escolhi” “Isso não é poder, é sorte mesmo”. Como todos tinham isso e eu não? Tenho algum problema? Que eu saiba nasci de nove meses, em perfeito estado, nunca repeti de ano ou colei, fui boa filha, boa aluna e frequentei a igreja, o que tenho de diferente? É o que martelava em minha mente durante as manhãs, até que tudo mudou 26 de dezembro do ano passado, isso mesmo, um dia depois do natal, era pra ser um dia normal ou de ressaca, mas foi o dia da minha morte, renascimento ou ainda o dia que o destino tinha me reservado todo esse tempo. Eu estava saindo da casa de minha avó com aquela melancolia pós natal, pensando na vida e nos sentimentos exaltados dos parentes se abraçando, desejando votos felizes uns aos outros, mesmo que no fundo, não se suportavam, quando ao atravessar a rua, fui pega de surpresa por um carro vindo em minha direção rápido demais, meu único pensamento foi, “E agora? Será que vou sair dessa?’’ Eu não podia me mexer, mas ouvia as vozes das pessoas gritando “SOCORRO!’’. Eu queria me levantar e dizer que estava tudo bem, mas não podia nem abrir os olhos, quem diria falar, estava cansada, com dor e queria dormir, no fundo me lembrava sobre do que passava sobre acidentes na televisão que após um acidente a vitima tem que se manter acordada quando possível, então eu estava lutando com o que me restava de forças, mas em uma fração de segundos, tudo se esvaiu. Não sentia mais nada além de leveza, não ouvia mais as pessoas, somente uma brisa leve, e meus olhos estavam abertos ou eu pensava que estava, mas eu não estava mais na rua, era um lugar branco, somente branco e mais nada. Por um momento pensei “morri” e meu pensamento estava meio certo, até que comecei a ouvir um choro forte de bebê que se transformou em choro de criança, depois choro preso de adolescente, gritos de uma jovem e por fim lamentos de uma adulta, e mesmo que eu procurasse
cada canto daquele lugar, não acharia nada, não tinha canto só paisagem branca, não tinha nada, eu estaria ficando louca? Coloquei as mãos na cabeça em desespero e quando passei pelo rosto, percebi que estava molhado, seria lágrimas? O choro era meu? Esse lugar era mais do que parecia, ele era vazio e essa condição me dizia muito, porque era como eu sempre fui. O medo veio como um tiro me atingindo, em desespero, procurando sem parar um lugar onde eu
pudesse ver algo, entender o que estava acontecendo, mas não tinha sentido, não havia mais nada ali, apenas eu. Será que mais uma vez o tal destino iria me deixar na mão? Em meio a tantos pensamentos, sentimentos que eu poderia ter naquele momento, o que não parava de palpitar dentro de mim era ”e se eu tiver uma segunda chance? E se o destino estiver decidindo se vou ou se fico?” e no mesmo instante, eu já estava de joelhos, implorando pra ficar, eu agradecia por não ter ganho bingos pois o que eu pedia agora, era bem mais, eu queria uma chance de sobreviver. Comecei a chorar forte, gritar, colocar tudo pra fora “Ei destino, mostre-se faça algo, mostre pra mim que não é meu destino morrer, eu sei que esse não pode ser o fim pra mim, ainda tenho que terminar a faculdade, certo? Ainda não me mostraste o homem da minha vida ou meu final feliz. Dá pra você acordar na minha vida e me acordar? CADÊ VOCÊ?” e quanto mais o chamava o cenário tomava forma, começava a surgir ruídos, talvez sirenes ou eram gritos de outras pessoas, via carros, luzes piscando e um rosto, perto do meu, sorria e ao mesmo tempo me enchia de perguntas, era jovem mas não tanto, me transmitia paz e só consegui falar “é você destino?”, ele deu uma risada e respondeu “não sou o destino, mas talvez eu seja do seu” em seguida gritou pra alguém de fora” traz a maca, está falando e até cantada já me passou”. Me deram algo, acho que foi tranquilizante, pois sei que dormi no caminho até o hospital, de certo modo, mesmo apagada, eu sentia que o moço do resgate segurava minha mão. Quando acordei, estava no hospital, com aquela roupa horrível e o cabelo, meu Deus, meu cabelo tava impossível, ao olhar no espelho ao lado da cama, apesar do ferimento no lábio, meus olhos estavam vivos, meu rosto tinha cor, tinha vida, e eu ri, como eu ri gostoso, ri agradecendo ao destino que tinha se provado vivo e solidário comigo, e nesse instante de ‘loucura’ o moço do resgate entra no quarto com um sorriso de alívio ”Prazer Julia, sou Pedro, se preferir, seu destino” e com um sorriso bobo veio me abraçar. Não fazia parte da minha vida qualquer outra coisa a não ser ter que morrer e renascer para esse homem entrar na minha vida, para que esse homem após meses me desse uma vida de verdade e se tornasse ela pra mim, e esse foi só o início de uma nova história. E sabe o que aprendi? Que curioso é sua ação, mas definitivamente o destino existe!