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4ª Temporada - 13º Capítulo - O Casamento (I)
[Narração Giovana]
Frio. Eu sentia frio. Depois de acalmar um choro quase inconsolável, pude reparar á minha volta. Anderson não havia acreditado em uma palavra sequer do que eu disse. "Eu quero me esquecer por um instante que você existe" foram as palavras escolhidas por Anderson para desligar o celular na minha cara. Apenas decidi abandonar o carro dele naquele lugar ermo, numa rodovia a qual não fazia questão de me lembrar. Optei por acionar uma corrida por meio de um aplicativo. "Boa tarde, a senhora está bem?". O motorista tentava puxar certa conversa, e eu apenas observava a paisagem que me rodeava, e eu só sabia me perguntar se aquilo tudo valia á pena. Anderson costumava fazê-la, porém, não mais. - Tome o seu troco, moça a qual ainda não sei o nome mas tem lindos olhos. - o motorista encerrava nossa corrida ao chegarmos em minha casa. - Fique com o troco, moço. Obrigada. - eu agradecera na mesma velocidade em que corria para fora do carro. - Mas moça, são 50 reais... - o motorista insistira. Afastei-me do carro, aflita, porém ansiosa por chegar em casa. Adentrei a mesma, e procura por Anderson em todo canto. O relógio apontava ás 21 horas... Com a cabeça pesando mais do que uma tonelada, preferi sentar-me no sofá e esperar por notícias. Até que, ali mesmo adormeci. Algum tempo depois [Narração Anderson] Encarava-me no espelho, enquanto eu me aprontava. - É hoje, cara! - eu conversava comigo mesmo. - Eu sei, essa garota nunca foi fácil de lidar, mas o Daniel também não é. Trocamos seis por meia dúzia, não estou tão mal... Ou estou? - eu continuara um diálogo com meu reflexo. - Anderson! Anderson! - eu escutara alguém gritando, aparentando estar subindo as escadas para ir ao meu encontro. - Aqui no quarto! - gritei em resposta á aquilo. - O vestido dela é lindo, Anderson! - Elidio se aproximara dizendo com certo encanto em sua voz. - Anderson, você não irá se arrepender. Ela é a mulher mais linda que existe! - Daniel completara mostrando certa emoção em seu tom de voz. "O filho da mãe vem tentar ajudar-me a cometer o erro de me casar, mas vem usando xadrez! Droga de camisa xadrez! Droga de Daniel! Tão gost..." enquanto eu pensara comigo, um pisão no pé interrompera meu pensamento. - Me desculpe, Andy. Mas você precisa ir pra igreja já! - Daniel desculpava-se. - Ou você quer ser a noiva? Assim como Elidio será a minha? - seu tom de voz amaciava-se á medida que proferia aquelas palavras. - Podem descer, eu já os acompanho. - pedi com hesitação. Assim que encontrei-me sozinho novamente em meu quarto, respirei fundo algumas vezes. Não suficientes. Novamente, e alguns suspiros mais longos. - Eu não preciso do Daniel. Se preciso fazer isso, que eu faça. - encarei meu reflexo novamente tentando convencer a mim mesmo de tudo. [Narração Elidio] - Olha, Dani... Eu não sei você, mas eu acho que o Anderson está meio ranzinza hoje. Será que é porque ele não gostou da lua de mel que demos á eles? A Grécia é linda! - eu comentara. - Querido, você tem que entender que o Anderson é velho. - Daniel dissera com uma risada doce a seguir. - Vamos, eu ainda quero que você pegue o buquê. - ele encerrara com um sorriso. Chegamos á Igreja, e Anderson nos acompanhara. Eu e Daniel fizemos questão de nos sentarmos bem próximo ao casal. Á medida que a cerimônia ia acontecendo, não consegui não reparar na inquietude de Anderson. Seus olhos não eram fixos em Giovanna. Daniel sorria, com aquele olhar doce o qual eu era apaixonado, e com isso, eu conseguia entender (ás vezes) o sentimento de Andy. Daniel era o tipo de pessoa que não se importava em ir á um casamento trajado de xadrez, desde que eu o achasse sexy e diferente de todos ali. - Eu, Anderson, aceito você Giovana... - Anderson tentava fazer seus votos sem que sua voz falhasse. - Para amar e respeitar... - ele continuara tentando ser convincente. - Dani, você está chorando? Eu é que deveria estar! - eu tentara cochichar para Daniel. Daniel fez um gesto tentando desculpar-se e, em seguida, limpara suas lágrimas. - Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. - o padre então dissera. Giovana radiante, com um sorriso que parecia invadir todo o ambiente beijara, empolgadamente, Anderson. Após o encerramente da cerimônia, nos preparamos para ir á festa. - Daniel, Elidio... - Anderson dissera tentando nos alcançar. - Preciso conversar com vocês enquanto Giovana está ocupada conversando com algumas pessoas. - ele finalizara. - Você veio elogiar minha roupa? - Daniel dissera enquanto dava uma volta gabando-se do que trajava. - Sim, Daniel, você está, de fato, bem... É... Então - eu percebia o esforço de Anderson para encontrar palavras. - Eu não acho uma boa ideia aceitarmos a lua de mel que vocês nos deram. Eu agradeço, mas... - Anderson tentara desviar os olhos de Daniel. - Lua de mel é para o casal celebrar o amor e bem... - ele continuara a se esforçar. - Já entendi! Você quer nos contar que você é impotente e não quer aceitar nosso presente pois seria em vão! - eu brincara. - Querido! - Daniel dera-me um tapa de leve no peito e dera uma risada curta porém alta. - Ok, vocês não estão me levando á sério... - o ranzinza tentava prosseguir. - Eu ainda não estou... Na sintonia de amor por Giovana. Na verdade, prefiro afundar-me em nossos eventos profissionais. - ele dissera rindo de canto. - Meus amores, vocês estão aí! - Giovana nos interrompera, com a voz empolgada. - Dani, Lico... Sem vocês... Como eu conseguiria? - seus olhos brilhavam ao proferir aquelas palavras. - Sua ideia de nos presentar, Dani... Grécia? Quando que eu podia imaginar? - ela finalizara ainda mais empolgada. - Ô minha... Minha... Coisinha rara. De nada. - eu agradecera apertando sua bochecha. Nos afastamos do casal devido o constrangimento, e decidi conversar a só com Daniel. [Narração Daniel] - Eu estou me sentindo um bad boy! - eu desabafara com Elidio. - O que houve, querido? Não sabia que chatisse da terceira idade era invenção sua. - Elidio ironizava. - Lico, querido... Eu dei a ideia da viagem! Eu vou ser o motivo de mais briga deles! Eu não sei, Elidio, eu não entendo... O que eu tenho? Eu atraio desavenças? Eu causo intrigas? Eu tanto apoiei eles... - tentei conter uma lágrima que insistira em cair. - Daniel Castro! E você sabe como é raro eu te chamar assim! - Elidio dissera com aquele tom de voz bravo, o qual era o mais doce possível. Com seu dedo indicador apontado pra mim ele então prosseguira. - Você sabe que é um ótimo homem e que só procura o bem alheio! - ele tentara ser firme. Fechei a mão de Elidio, e imediatamente, aconcheguei-a na minha e beijei-o brevemente. - Você... não... faz... ideia. - eu tentara me expressar. - Você é lindo. - finalizei. - Eu preciso lhe contar algo... - Elidio acrescentou seriedade á sua voz. - Você precisa ir ao banheiro? Eu te disse que não deviamos ter bebido champagne antes de virmos ao casamento! Você exagera muito e depois fica ai aper... - eu tentara respondê-lo. - Eu quero rasgar sua camisa xadrez e fazer coisas das quais eu não me envergonho. - Elidio dissera envergonhadamente. [Narração Anderson] - Giovana... - respirei fundo para continuar. - Eu acho melhor não irmos á Grécia. Custaria muitos pros dois... Estamos com novos esquetes pra gravar... - eu buscava a melhor desculpa. - Anderson, acabamos de nos casar. - Giovana tentava ser firme no que dizia. - Vai ser sempre assim? Você sempre vai me negar qualquer coisa? - seu tom de voz seguia o caminho da dramaticidade. - Não, não é isso... E..e...eu te amo, claro. - respondi tentando forçar um sorriso. - Quantos casais adiam a lua de mel? Você poderia fazer isso por mim? Por nós? Poderia? - eu encarava-a diretamente em seus olhos, enquanto acariciava seu queixo. - Eu entendo, meu amor... - Gio responder abrindo-me um sorriso. - E é claro, você precisa trabalhar. Logo teremos uma família imensa. Eu te contei que uma tia minha teve 6 filhos? Incluindo gêmeos! Ah, Anderson, eu tenho tantos planos... - ela prosseguira falando disparadamente enquanto minha mente ia longe. Já na festa de casamento Eu procurara por Daniel e Elidio por todo canto da festa, sem sucesso. A cada um que eu perguntava, nada... Minha mente começava a me manipular, imaginando o motivo do sumiço. E claro, eu imaginava, pensava, preocupava-me se Daniel estava bem. Minha mente me sabotava á todo momento. - Elidio, com calma! Calma! - aquela voz eu reconhecia. E como. Segui aquele tom de voz o qual era irreconhecível. Naquele ambiente exageradamente grande para, apenas, uma festa de casamento, a voz parecia sumir. - Daniel, deixa... - eu percebera outro tom de voz. Consegui retomar o rumo das vozes as quais eu escutava, até escutá-las com mais clareza. As vozes me levaram pra um lugar onde não havia convidados, uma área mais externa. Deparei-me com Daniel e Elidio aos amassos. - Anderson! - Elidio gritou tirando a mão de dentro da cueca de Daniel. Daniel estava parado ali. Camisa xadrez rasgada. Cabelo bagunçado. Somente de cueca. Não reagi. Fiquei estático por mais tempo que pude perceber. - Anderson! Anderson! - Elidio tentava me sacudir, implorando para uma reação de uma parte. - Eu... bebi muito... e...eu vou embora. Vocês podem avisar Giovana? Obrigado. - disse com o tom de voz mais calmo que consegui. - Anderson, nos desculpe... - quando percebi, Daniel já havia vestido o que sobrado de sua roupa e sussurrava essas palavras ao me abraçar. - Tudo bem, Daniel... - lutei com as palavras até que as mesmas saissem. - Você... Sua... Xadez... Rasgou... Cu...Cueca rasga... rasgada? - eu me embolava para tentar finalizar a frase. - Podemos ir visitar vocês amanhã? - Elidio perguntara gritando de maneira escandalosa. Desvencilhei meu corpo do abraço de Daniel. Com muita calma, de maneira que conforme nossos corpos se encostavam, eu sentia como se pudesse morrer naquele momento. Consegui soltar-me, e sem olhar pra trás caminhei em direção á saída. [Narração Elidio] - Agora você está pelado, o noivo foi embora... - eu dissera desesperando-me enquanto caminhava em círculos. - Eu vou buscá-lo, amor. - Daniel dissera num tom firme. - Você. Fica. Aqui. - Daniel prosseguia pedindo-me com o tom de voz mais amoroso possível. - Distraia a Giovana. Vá dançar com ela! Está tocando Anitta, você gosta tanto... - ele encerra dando-me um belo sorriso. - Se ele tentar te beijar, você me avisa? - perguntei inseguro. - Eu chamo a Polícia Federal pra ele! - soltei um grito em seguida. - Se bem que eu não poderia estar por perto por ter medo de entidade, e enfim, você me conhece... - Eu te amo. - Daniel dissera beijando-me na testa e em seguida foi em direção á Anderson. Procurei manter-me calmo e concentrar-me na música que estava tocando. Era Anitta, e meu corpo pedia pra dançar. Eu procurava por todo canto por Giovana, até avistá-la isolada num canto parecendo aflita. - Gio! - gritei chamando sua atenção. - Vamos dançar! Daniel e Anderson estão conversando sobre trabalho, e aqui estou eu, seu amigo. Para ficar com você. - eu tentava parecer normal longe do Daniel. - T...Tudo bem, Elidio. - Giovana concordara parecendo fingir acreditar em minhas palavras. [Narração Anderson] - Anderson! - um braço quente tocava-me enquanto eu ouvia aquela voz. - Conversa comigo? - eu sentia o cheiro de Daniel se aproximar. - Não há o que conversa, não é mesmo? Eu sou o fracassado e o noivo ao mesmo tempo. Isso existe? - virei-me de frente, e então proferi aquelas palavras. - Sente-se. - Daniel convidou-me á sentar no chão. Ali mesmo. - Temos que conversar. - ele insistia. Daniel insistia para conversar comigo, e eu insistia para que meu coração retomasse o ritmo normal de batidas.
Continua.... (sim, continua!)
ADORO RS