"Sereno - Menores Atos"
Aos meus finais.
Sempre temi os finais. Era uma morte lenta que eu sempre adiei. Alimentava os momentos que ficavam próximos ao fim tal qual um antídoto para um envenenamento que eu mesma me causava.
Eu me matava e sempre era igual. Abria longos machucados e era minha própria ajuda para curar tudo. No final do dia eu abria todos os pontos novamente.
Criei uma ilusão de que sempre andei lado a lado com quem sempre me agarrei. No dia da queda, não tinha ninguém. Não consegui gritar para quem estava tão longe. Caí diversas vezes tentando alcançar. Não deixo de reconhecer quem passou por mim. Mas eu aprendi a deixar ir.
Aprendi que, no final, fica apenas o tempo e eu.
Então, aos meus finais, deixei o tempo me curar. Me acompanhar.
Aos meus começos, deixo o tempo me guiar. Que o tempo me acompanhe.
May, 2026.


















