Por algum motivo, Dusana gostava de comprar revistas com teorias da conspiração sobre a morte de seu tio, ou mesmo de outros monarcas. Sempre que via algo minimamente interessante, além das coisas normais que comprava para expandir seu conhecimento, estava lá, juntando à sua longa pilha de coisas para ler. Era o caso da nova revista que tinha lido. Fora atraída pela capa que falava sobre os mimivírus, vírus descobertos recentemente que pareciam atestar os demais como seres vivos. A medida que avançava as páginas, entretanto, caindo na parte que tirava algumas páginas para expor a opinião particular dos escritores da revista ou mesmo internautas sobre assuntos aleatórios, sua atenção se prendeu num título grande, que referia-se a rei da Estônia. Acabara debilitado depois de um atentado, e agora todas as suspeitas recaiam sobre seu filho bastardo, Lorcan. Ela reconhecera o rapaz das fotos, ainda que falhasse em tentar lembrar de alguma interação. Parecia muito com o que tinha lido anteriormente, sobre si mesma, com a contrastante diferença de que vinha diretamente na capa da revista. Como a própria autora explicara, não existia muita lógica na hipótese dele ter matado seu pai. Ela, por outro lado, tinha todos os motivos do mundo. Era público e notório que jamais desejara o casamento, e aquilo só funcionava para fazer com que diretamente, toda a culpa pela morte de seu tio recaísse sobre si. Ele poderia ter morrido por causas naturais, com um coração que apresentara falhas normais para qualquer homem de sua idade, mas as teorias da conspiração eram presentes. Ainda mais porque ele desfalecera exatamente na noite que antecedia seu casamento. Ela admitia que caso não soubesse, também suspeitaria de si. O problema era só as pessoas estarem constantemente cutucando o que acontecera. Faziam meses desde que o casamento fora cancelado, quase um ano inteiro, e mesmo assim, ninguém havia abandonado o tópico. Estava tão entretida com seus pensamentos que mal percebera uma segunda pessoa no cômodo, mais preocupada em reler as linhas finais.












