professorhotstuff:
As primeiras palavras dela fizeram com que o homem rolasse os olhos. Sua benção e a pequena pressão nos ouvidos indicava o óbvio: era mentira. “Dusana, por favor,” começou, logo antes de ser interrompido pelo empurrão da garota. A proximidade recém adquirida era inebriante. Pôde sentir seu perfume, o que mais uma vez o fez suspirar. A forma com que ela o levara até ali fazia com que Leo se mantivesse na mesma posição, com um braço erguido como apoio, agora prendendo-a contra a porta. Resistiu à tentação de se manter ali, tirando o braço do lugar e dando um passo atrás. Não muito longo, contudo.
A encarou duramente nos olhos antes de começar a falar. Se ela queria fingir que nada estava acontecendo, então por que infernos estava aparecendo ali para discutir durante a madrugada? Ou o lançava olhares fuzilantes pelos corredores? Exalou com força, mas desta vez, de frustração. “Olha só. Eu vou te contar uma coisa que eu acho que você não sabe:” Havia um certo tremor em sua voz, e quando ele voltou a falar, ela estava muito mais elevada. “Ninguém se importa!” E as palavras só continuaram saindo, jorrando pra fora completamente desmedidas. “VOCÊ VAI FICAR AÍ SE IMPORTANDO SE OS OUTROS JULGAM QUEM VOCÊ FODE OU NÃO FODE, DUSANA? ENTÃO PARE DE AGIR COMO SE FOSSE ALGUÉM QUE NÃO SE IMPORTA. E DAÍ QUE EU JÁ A VI NUA? ACONTECEU. E DAÍ QUE TALVEZ, SE VOCÊ CONCORDAR, EU GOSTARIA DE CONTINUAR VENDO? REALMENTE ACHA QUE ALGUÉM DÁ A MÍNIMA PRA ISSO?”
Sentiu-se engolir em seco com a imagem do professor a prendendo contra a porta. Era um daqueles momentos em que criava uma dualidade, e pensava em como era ridícula por se privar de desejos. Tinha que se perguntar constantemente o motivo pelo qual não estava o beijando naquele instante, e mesmo que as respostas fossem baseadas apenas em proposições orgulhosas, as tomava como verdade o suficiente para manter-se ali, controlada. Uma das coisas em que era controlada, afinal, dentre muitas outras que não era. Assim que ele se afastou pode respirar propriamente, inclinando a cabeça para o lado assim que notou um lado de si frustrado por ele não ter tomado iniciativa. Poderia culpá-lo?
Conseguiu estabelecer uma pequena linha de concentração, e ela usou para poder prestar atenção nas palavras do rapaz. Arrepiara-se ao ouvir cada vez mais o tom aumentando, encolhendo-se sem perceber na parede, num reflexo inusitado para alguém acostumado com aquele tipo de tratamento. Ela só não esperava aquilo dele. “Pare de gritar.” falou, baixinho, logo que ele terminou. O olhar desviou do dele, e ela respirou fundo. “Sim, eu acho. Eu acho porque não é uma vez ou outra que saem matérias em revistas sobre mim, ou em sites de fofocas. Muitas pessoas no mundo estão sempre em busca de coisas que me tornem mais polêmica, mais detestável. Você não tem medo do que fariam por saber que você transou comigo? Não se importa com esse tipo de coisa? Eu dou sim a mínima. Eu dou a mínima porque querendo ou não, eu sou uma princesa numa posição delicada. Eu continuo viva porque meu irmão está no poder, ou já teria caído nas graças de meu povo. E não é fácil, Herrera. Eu dou a mínima porque eu não transo com muitas pessoas, e eu também não sei como agir.”

















