Pena de morte é a solução? Reflexões sobre criminalidade, violência e a importância da ressocialização
A criminalidade no Brasil tem aumentado ao longo dos anos. Todos os dias, nos noticiários, vemos casos de roubos, mortes e assassinatos pelas ruas do país. Muitas vezes, surge o discurso de que a pena de morte deveria ser implantada como solução. Mas será que essa é realmente a resposta para o problema da criminalidade?
Recentemente, voltei a assistir à série Chicago Fire, que retrata o dia a dia do quartel do corpo de bombeiros 51. Um episódio em particular chamou minha atenção: o episódio 18 da 10ª temporada. Nele, um fugitivo da cadeia invade um mercado após se acidentar, acabando por fazer reféns das pessoas que estavam no local. O que marcou o episódio para mim foi a abordagem do protagonista, o chefe Boden, que procura entender a história daquele homem e o motivo de suas ações.
Chefe Boden.
O fugitivo explica que nunca foi um criminoso e que foi preso injustamente. Na prisão, sofreu agressões e, por isso, fugiu do hospital onde estava para não ter que voltar àquele lugar. Ele conta que tem irmãs e ama sua família, mas não aguenta mais ser tratado daquela forma. Percebe-se que a maneira como ele trata os reféns no mercado reflete a violência que ele próprio viveu. O protagonista, ao invés de reagir com mais violência, tenta ajudá-lo, mostrando que ele poderia ser julgado de forma justa.
Esse episódio nos faz refletir sobre como o aumento da criminalidade é, muitas vezes, um reflexo da violência estrutural na sociedade. O homem retratado não era um criminoso de fato, mas, ao ser submetido a um ambiente de agressão e injustiça, acabou se tornando mais uma vítima do ciclo de violência. Essa realidade também se reflete nas crianças que crescem em meio ao tráfico e à violência. Em situação de vulnerabilidade extrema, muitas vezes veem no crime a única saída para mudar de vida, e, quando percebem, já estão presas nesse mundo.
Muitas vezes, acreditamos que a prisão é a solução para a criminalidade, mas esses ambientes também são marcados por violência, não apenas entre os presos, mas também por parte dos policiais. Hoje, enfrentamos problemas como a superlotação das prisões, a presença de facções e a violência policial. Esse cenário contribui para o aumento da criminalidade, em vez de resolvê-lo. É fundamental que a sociedade e o Estado atuem na ressocialização dos presos, ajudando-os a entender que o crime não é o melhor caminho. Oferecer oportunidades de emprego, educação e melhoria na qualidade de vida é essencial para romper esse ciclo.
Além disso, é crucial combater a vulnerabilidade social. Acesso à educação, saúde, alimentação e condições dignas de vida são direitos básicos que, quando negados, contribuem diretamente para o aumento da criminalidade.
Ainda na série Chicago Fire, há um personagem que, na adolescência, cometeu um furto e foi preso. No entanto, com a ajuda de pessoas próximas, ele reconheceu seu erro e decidiu mudar de vida. Apaixonou-se pela profissão de bombeiro, mas, por causa de seu passado, enfrentou dificuldades para ingressar na carreira. Graças ao apoio de seus amigos, conseguiu reverter essa situação e hoje é um bombeiro dedicado.
Mason, o bombeiro que conseguiu mudar sua realidade.
Essa história, embora fictícia, nos mostra que, com ajuda e oportunidades, é possível mudar. Na vida real, também há inúmeros casos de pessoas que conseguiram se afastar do crime e hoje ajudam outras a fazer o mesmo. Isso nos faz perceber que a pena de morte não é uma solução definitiva, mas sim uma medida temporária que não aborda as raízes do problema.
A verdadeira solução para a criminalidade passa por políticas públicas eficazes, investimento em educação, combate à desigualdade social e a criação de oportunidades para todos. Somente assim poderemos romper o ciclo de violência e construir uma sociedade mais justa e segura.





