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@deconstructingnicholas
O grande relógio de madeira em uma das principais ruas de Hogsmeade marcava apenas 02:19 da madrugada de sábado, mas àquela altura Dominique já estava para lá de bêbada sentada no balcão do Três Vassouras. Chegara ainda cedo na noite de sexta-feira após suas aulas e sentara no banco de sempre, acenando para o bartender de sempre lhe servir o firewhisky de sempre. As sextas-feiras eram os dias mais esperados da semana, em que Dominique Weasley finalmente se livrava das visões de Victoire Weasley por dois dias e meio. Até a semana seguinte, irmã. Desde que comparecera ao seu primeiro dia de aula na Academia de Aurores foi assim. Sentava ao fundo da sala e lá permanecia, enquanto Victoire tinha bastante atenção nas cadeiras mais à frente. Era dedicada e inteligente o suficiente para não deixar que suas notas sofressem com a presença de sua irmã tanto quanto ela mesma sofria, mas compensava com uma excessiva quantidade de álcool e cigarros. E olha que pensara que nesse ano isso seria diferente. Um grande engano.
Nunca entendera ao certo o que Victoire estava fazendo ali. Não fazia parte da mais nova julgar a motivação dos outros, mas quando se tratava de sua irmã, não conseguia conter. Para ela, Victoire era uma modelo, um rostinho bonito, ainda que inteligente, mas uma princesinha perfeita que seria protegida de todo mal --- e não proteger ninguém dele. Dominique achava que tinha o que era preciso para ser auror, a força, a garra, a facilidade com os feitiços, a destreza nos duelos que ainda não lhe permitira perder, a dedicação aos seus estudos e a coragem em se meter onde fosse preciso para completar uma missão. De toda forma, Dominique não achava que Victoire tinha o que era preciso. O que era suficiente para ratificar suas suspeitas de que não havia motivo nenhum para Victoire estar ali senão tirar a única felicidade e maior desejo de Dominique: ser auror. O copo continuava a ser preenchido com o líquido alcoólico e a veela entrava cada vez mais em um estado de torpor. Seu pensamento entrou em loop, sempre contornando os mesmos assuntos, sempre concluindo em raiva e indignação em relação à irmã. Eram assim suas sextas-feiras de toda semana, salvo por poucas.
Em determinado momento, perto de duas e meia da manhã, Dominique Weasley bateu novamente o copo vazio no balcão. Entretanto, não teve sequer forças para indicar ao bartender para que o enchesse pela sétima ou oitava vez. Não que ela soubesse a conta, nunca contava. Sentiu sobre o ombro um toque, que a fez virar de uma vez e experimentar o terror da visão dobrada. Nicholas Mackenzie. O rapaz a salvara de cometer a besteira de cair bêbada e desmaiada no bar algumas semanas atrás e, desde então, estavam frequentemente se esbarrando em momentos oportunos. Principalmente para Dominique, quem precisava de alguma ajuda para voltar ao dormitório e não dormir na rua. Não era o tipo de coisa que acontecia com tanta frequência antigamente, mas que estava ficando cada vez mais comum. A veela não podia evitar. Cavava o seu próprio poço e enterrava-se lá dentro com as feridas a sangrarem por todo o seu corpo e não podia evitar.















