Minha? Sua? De ninguém, pois não se erra quando se é suficiente, paciente e capaz de superar toda e qualquer tempestade.
Não se julgue, não me culpe, não faça a alguém o que não queres que façam a você.
Não há culpados, quando ambos conseguem enxergar além dos seus olhos, sentir o corpo sem necessitar de sexo, fazer tremer de tanto rir e arrancar suspiros depois de uma caricia na orelha feita com a delicadeza dos dedos que toca o rosto após sentir cada pedaço de uma beleza jamais igualada.
“Seus olhos, sua boca, sua pele com tons de dia, o reflexo que a luz da lua causava no seu tão delicado rosto, invadia meu pedacinho de céu, quebrando todos os obstáculos que eu mesmo fazia com medo de lhe magoar, não tinha estruturas perto de sua delicadeza.”. Era esse meu pensamento quando te fazia dormir. Sim, éramos felizes...
Até o dia que tive que escrever este poema.
Sua pele branca na minha preta
Sua voz me embriagando, me deixando tonto
O cheiro do seu colarinho na minha barba.
É assim que todas as noites começam, e mais uma noite se vai.
Não consigo, não paro de pensar em sua voz suave me levando a outras constelações
Fico Imaginando, o que sou? Olhos que piscam por um coração? Ou apenas algumas noites frias de verão?
No meu espelho, ainda tem fotografado seu reflexo
Nos ecos de minha casa ainda ouço suas risadas, sinto o cheiro do seu cabelo, e o movimento do seu corpo ainda reflete na parede
Sussurrando aquela canção suave que me faz deixar uma lembrança sair pelos meus olhos ao lembrar de nossa última dança.
Parece só mais uma canção de ninar, ou paixão de adolescente, isso que me magoa
Não me conheço, me esqueço, me esnobo, me refaço só pra te agradar, e você? Ainda calado, sem entender
Me paralisa, me maltrata, não me ama, me esquece, me ignora, me faz chorar sem querer, ou insistir por sua presença aqui
Sou apenas uma sombra, que te segue pela noite
Sou o sol na tempestade e a pigmentação escura de sua pele branca
No mês mais florido do ano, em meu quintal, cai flores negras
Deixando gravado em mim, como um filme da década de 90, onde as cores só podiam ser imaginadas
Iguais as noites ao seu lado, agora, apenas gravadas em minha memória, se igualaram, como no reflexo pálido do espelho
Ninguém nuca vai ver, apenas eu quem irá ter histórias pra contar.
LIVRO: O Preço da Liberdade - Isaque Silva