O que seria o contrário da vida?
Ao responder a pergunta, imagino que o avesso da vida não seria a morte, mas talvez a apatia, desestima, indiferença. A perca pelo interesse em viver, esse é o contrário da vida.
A morte pode ser vista não como um fim, mas como uma passagem, em que a vida continua do outro lado, dessa vez em um plano espiritual. Particularmente, acredito nisso.
Você sabe como funciona o ciclo de vida das plantas? A semente, ao entrar em contato com a terra fértil, água, luz solar e outros nutrientes, começa a romper sua casca permitindo com que as raízes e o broto nasçam e possam crescer e se desenvolver. Obviamente há fatores externos que contribuem ou inviabilizam esse processo - temperatura, umidade e oxigênio influenciam diretamente na germinação.
Com o crescimento, se tudo der certo até aqui, a planta fixa raízes, cria caule, nascem folhas e atinge seu ápice (não sou a melhor pessoa para afirmar isso) na maturidade, quando há floração - este é um sinal de que a planta está pronta para se reproduzir, criar frutos e outras sementes. Recomeçando o processo. Se reproduzindo. A morte, segundo minhas humildes pesquisas, é o momento em que ocorre a senescência: o envelhecimento saudável do ser vivo.
Ao voltar com a cuidar do meu pequeno jardim, percebi que a magia desse hobbies se justifica por isso: perceber as fases de vida de um ser vivo. Perceber como as flores brotam, as folhas nascendo, pequeninas e delicadas, frágeis e crescem até se tornarem grandes, fortes e imponentes. Notei, assim, que a vida é essa coisa rara, frágil, que deve ser cuidada, valorizada, cultivada. Acima de tudo porque é, também, curta. Passageira. Efêmera. Rápida.
Ótima analogia aplicada aos seres humanos.
É preciso ter fome de vida para não viver o avesso dela, para que a morte não ocorra enquanto essa coisa preciosa está no meio de seu percurso. O que você teria deixado de viver se não tivesse resistido à vontade de desistir? Quantas pessoas (ótimas e péssima, sejamos realistas) teria deixado de conhecer? Quantos momentos com pessoas queridas nunca teriam acontecido? Quantas descobertas jamais ocorreriam? Quantos filmes, músicas e livros deixariam de ser vistos, escutadas e lidas por nós? Quantas vezes seu animal de estimação teria ficado triste ao final de cada dia sem sua presença?
Quantas culturas, coisas novas, meu deus, teríamos deixado para trás? Quantas viagens, conversas rasas e profundas teriam ficado para trás? Piadas que jamais poderiam ganhar risadas.
A vida é essa coisa rara que deve ser agarrada com todas as forças, segurada como uma bóia que nos salva enquanto estamos, hipoteticamente, nos afogando. Viva, apenas viva. Simplesmente aproveite o milagre que é (ainda) estar vivo.















