9 - Carta para alguém que gostou de conhecer Oi, não sei exatamente por onde começar, já tem um tempo em que a correria do dia a dia vem me roubando o tempo em que tinha de escrever, então acho que estou perdendo o jeito aos poucos, mas estou tentando de coração. Prazer, me chamo Natália, nascida e crescida em Lagoa da Prata, 21 anos mas as vezes tenho 7 ou 80. Não sou de muitas palavras, mesmo com quem já tenho bastante intimidade. Faço o tipo de que se dedica e demonstra em pequenos detalhes, nas menores porções, nas quais quase ninguém se importa mais. Amo ler. Não levo jeito pro falar dos meus problemas nem de emoções – mal sei me comportar com elas, então eu escrevo sobre tudo o que eu sinto o tempo todo. Sou tímida, muito. Mas porque acredito que o melhor de mim deve ser guardado pra quem o desperte. A melhor coisa que tenho a receber de alguém é oportunidade de sentir as diversas formas que pessoas diferentes fazem meu coração vibrar, cada qual com sua exclusividade. Nunca conheci o mar, mas morro de vontade, mesmo que eu tenha que mergulhar em mil vidros de filtro solar. Sobre sonhos, tenho muitos. Cita-los seria exagerado, mas priorizo que o que sinto por crianças é o que motiva tanto a querer um trabalho que me ligue a elas. Quando sonho e isso de alguma forma me deixe cismada, acaba tendo 99,9% de chances de acontecer. Chata. Não encho a boca ao apontar qualquer um como meu amigo, mas quando digo isso a alguém é porque conseguiram subir no meu degrauzinho de bens querer. Super protetora. Ciumenta apenas quando provocada ou quando sinto minha posição de importância em risco a alguma concorrência. Detesto gente que me bajule. Gosto de pessoas com personalidades definidas, e que não tentem ser agradáveis o tempo inteiro. Canto só se for sozinha. Desastrada e lerda, na maior parte do tempo. Nem menina, nem mulher(...)Sempre fui o tipo de pessoa intensa. Que quer tudo muito, que quer tudo agora, que quer sempre mais! E me espanto com pessoas que vivem de “quases”. Quase sentimentos, quase realizadas, quase felizes. Aqui é oito ou oitenta. Ou você me diz o que tem pra dizer, ou vai embora! Não sei ser meio termo,” comigo é sim ou não, tudo ou nada. Cala ou grita. Vai ou fica. Pois de incerto aqui na terra, já basta o tempo de vida.”. sou todos os meus erros e acertos, minhas perguntas e duvidas, envolvida em uma quase considerável pessoa de 1.58m. Escolhas erradas, antecipadas ou até mesmo o que aprendi com as boas, me obrigaram a criar minhas próprias regras. Sempre bastante rígidas, até que me sentisse confiante em quem não aplica-las. Então acho que fiz de você mesmo sem querer até mesmo sem perceber, um aconchego. Me vi escolhendo você, ao invés de amizades de longa data, quebrando até mesmo algumas das minhas regras. Em ausência de presenças, medo de ficar sozinha, com qualquer pessoa pra ligar e pedir que fique conversando comigo, escolhi você várias vezes. Com amizades á mais uma década não preenche nem meia mão as que fiz de minhas confidentes, ás quais corri só pra chorar sem esperar ouvir nada, ás quais corria apenas pra desabafar ou só para ter de companhia em um silêncio mutuo pra confortar meu coração que com todos os problemas ainda sou querida. O que estou tentando dizer é que, com tanta gente ao meu lado a tanto tempo... você conseguiu se encaixar tão rápido nessa minha vida monótona. Me proporcionando o prazer de me arrancar risadas com tanta facilidade. Tenho por você um carinho muito grande, do tipo que se demora tempos para conquistar. Mesmo meio marrenta, não querendo admitir muita coisa, sou muito grata; Por toda atenção, por todas as vezes que me liga, por me acordar sempre que peço e até mesmo quando não peço –risos , por ter esse incrível senso irônico de humor, por ser exatamente do jeitinho que é. Te desejo muitas vitórias e muita fé para os momentos difíceis que a vida nos testa. Acho que não tem muito o que você esperava nesta carta, mas meu coração se sente aliviado em fazê-la. Te descrever na minha vida, ainda é uma coisa que não sei bem como fazer, mas você me proporciona alguns bens, que nenhum material ou dinheiro pode conseguir. Tenho você, como meu maior confidente, depois de Camilla, é claro... Ela sabe coisas demais k. Tudo o que eu queria dizer, é que gosto muito de você, soldadinho! Natália Santos dos Reis












