estranho
Sinais incongruentes me atacando a face, como tapas em sequência, evidenciando sem delicadeza que o império está ruindo. Minhas interrogações te cercam e não se tornam pontos finais diante de tanta desatenção. Meus infernos não são visíveis quando tudo que você vivencia é tão bonito. Divididos entre minha derrocada e sua ascensão, minha melancolia não acessando a melhor vida que você já viveu.
Os abraços meio soltos, as palavras automáticas, como fantasmas de quem fomos. Ou seria só eu? Só meu mundo parece não fazer mais sentido quando juntos?
[seu abraço é tão solto, não consegue me prender]
Acumulando sinais de que conforto não é escolha e, sim, uma forma de honrar o tempo, sem questionar se vale a pena acumular tempo quando não há mais brilho. O corpo acostumado a caminhar para casa sempre encontra os passos de volta, não porque se sente bem, mas porque sempre o fez.
Encontro meu caminho para você como um sonâmbulo encontra a própria cama. Encontro seus toques como um animal que apanha vez sim, vez não, sempre disposto a manter-se sob um teto.
[seu carinho parece que arranha]
As tentativas vão de sussurros a outdoors simbólicos, nenhuma delas é notada. Seu olhar viciado se habituou a me ignorar e olhar para a próxima coisa brilhante, visto que o meu brilho já nem existe mais.
Enterro os sentimentos em parcelas: declarações, histórias, toques, risadas. Dia após dia deixando apenas migalhas de nós, até perceber que acumulei antiguidades e nada novo sustenta a coleção. Sonambulando de volta, nem vendo onde deito, me recusando acordar e me deparar com o desconhecido ao lado. Um corpo, uma vida, uma história há tanto estranha.
Onde eu desconheci você?














