Rosalie Watson, Distrito 8. desafio 7, Parte2
Corri sem parar para pensar, corri com um único objetivo: fugir. Eu queria chorar mas que exemplo eu seria para minha ir… Eu nunca mais seria um exemplo para minha irmã então tanto fazia dali para frente o que acontecesse ela não saberia. Me joguei no chão de grama verde molhada e enterrei meu rosto nas minhas mãos e comecei a chorar, comecei a chorar colocando todas as minhas magoas para fora, aquela sensação era ótima. Dezesete anos de mágoas sendo colocadas para fora de uma vez só. Eu chorava como o gato da minha vizinha. Ele tinha tido uma inflamação nas cordas vocais e teve que retirar algumas então quando miava fazia um som bizarro. O gato me lembrava do meu distrito e aquilo me fez começar a chorar denovo. Comecei a pensar se o público gostava de mim. Eu era uma pessoa séria, sem sentimentos, que aparecia muito pouco. Eu era a pessoa mais sem graça do mundo. Pensei nas unicas vezes que eu apareci e em todas eu estava com a Amy, com a Nat e com a Ni… A Nina eu tinha me esquecido completamente dela! Mas eu também não a tinha visto ir para o mesmo lado que eu, e nem pra qualquer outro lado. Me levantei num pulo e saí correndo devolta para o banho de sangue. Aquilo não podia estar acontecendo. Eu gritava seu nome desesperada enquanto corria. Assim que eu cheguei lá meu corpo estremeceu. Aquele lugar me trazia lembranças recentes que eu queria esquecer. Andei pela cornucópia e a vi, eu vi seu corpo sangrento estatelado no chão. Fui na sua direção esperançosa. Me ajoelhei diante de seu corpo frio e o virei para cima e vi que seu pulmão não se mexia e que seu nariz estava coberto de sangue. Nina Volturi, minha primeira amiga de verdade estava morta!!! -Nina!!!- Eu gritei uma última vez. Me joguei sobre seu corpo e chorei sem parar. Morte era a única coisa que eu tinha em exesso na minha vida. Minha mãe, meu pai, Nina e eu sabia que em breve Amy também morreria, mas eu também sabia que se Amy morresse a culpa seria de nós duas. Minha mãe antes de falecer me pediu para que eu afastasse Amélia da realidade e da dor que nós sentiamos naquela época. Quando ela era pequena tentei fazer com que ela fosse forte e independente, mas ela só demonstrava fraqueza, então achei melhor eu a protejer e mante-la longe da realidade. Sem falar que ela que não tinha me deixado ir para os jogos sozinha e tacou a bola com os nomes no chão, se ela tivesse deixado para lá eu estaria mais tranquila e mais empenhada em vencer os jogos. Mexi no cabelo negro de Nina com a sua única mecha azul que caia sobre seu rosto. Me lembrei de suas expressões sempre sérias e de quando nos conhecemos no centro de treinamento. Ela tinha caído em mim e como eu estava estressada dei um soco nela, fazendo com que ela desmaiasse. Passei a minha mão sobre o ziper de metal frio do seu casaco e o fechei. Peguei o meu saco de dormir e limpei o sangue que escorria de seu nariz. Eu já estava prestes a sair de lá e seguir meu caminho quando alguém colocou sua mão sobre meu ombro. Puxei sem me movimentar muito a minha faca e me levantei . Era Natalie. Ela parecia meio triste, mas não era pela morte de Nina, elas nunca tinham se dado bem. Seus olhos azuis refletiam a luz do Sol e por algum motivo me senti melhor quando a vi. Eu e Nat nos entreolhamos, as duas querendo chorar mas ao invés disso nos abraçamos. Senti um grande alívio ao fazer aquilo, soltei então uma última lágrima. Derramei a última que consegui produzir naquele momento assim soltando a última lágrima ligada ao meu passado e comecei uma nova fase da minha vida deixando tudo para trás me focando apenas no meu presente, que era protejer Natalie. Enquanto nos abraçavamos eu disse: -Você me lembra Amy A abracei mais forte e depois a soltei . -O que houve?- Eu perguntei reparando que ela estava triste. Nat apenas apontou para o corpo de Lola caído e sangrento sobre as pedras. -Sinto muito!- Eu disse voltando a olhar para Nina- Quem a matou? -Leo-Ela me disse de forma direta. -A partir de hoje Leo’ O connor está na minha lista negra!- Disse dando uma última olhada em Nina. Vi que ela estava com as armas cobertas de sangue e tinha uma mala. Ela tinha se saído bem no banho de sangue e a maioria das pessoas achava que eu era incapaz, mas assim que eu me sentisse ameaçada eu seria capaz de tudo. Eu e Nat nos entreolhamos e seguimos em qualquer direção, só queriamos sair daquele lugar repleto de lembranças. Andariamos muito mas tinhamos nos saido bem na primeira fase dos jogos mas ainda tinhamos muitas coisas para vencer e conquistar. Entramos numa parte que parecia a mais vazia da arena e seguimos por lá. Depois de um dia de caminhada eu suava feito um porco apesar de toda a cobertura que algumas árvores me proporcionavam, meus pés doiam e eu estava morrendo de calor por isso achei melhor pedir para pararmos, descansarmos e tirarmos uma noite de sono. Natalie parecia bem e compreendeu facilmente o meu cansaço. Ficamos sentadas descansando até anoitecer. Combinamos que eu ficaria vigiando primeiro enquanto ela dormia. Abri sua mochila e acendi uma fogueira com seus fosforos. Coloquei os óculos esquisitos e descobri q eles eram óculos de visão noturna. Natalie era minha nova protegida e eu cuidaria muito bem dela. Sentei do seu lado e fiquei olhando para seu rosto, quando pequena eu sempre sonhara em ter um rosto como o dela. Era ótima a sensação da brisa leve que batia em meu cabelo e agitava o fogo. Comecei a ouvir barulhos estranhos, mas não consegui ver da onde vinha. Coloquei denovo o óculos e vi um bestante horrivel bem na minha frente, não tinha rosto, seu corpo era cinza e fino e ele tinha uns 2 metros. Eu queria gritar, mas minha voz não saia. Tentei acordar Natalie, mas ela não se mexia. Tinha chegado a minha hora. Me encolhi para me proteger, mas o monstro passou reto por mim. -Ahhh!- Eu ouvi um grito vindo de trás de mim. Olhei para trás e o monstro segurava Nat. Entrei em desespero e peguei o Ranseur que estava em cima das malas. Segurei a arma com força, dei um pulo, acertei a barriga do bicho e peguei a arma de volta. Imediatamente ele soltou Natalie e se voltou para mim. Seu sangue preto e gosmento cobria metade do seu corpo. O ser arranhou meu rosto e ele começou a sangrar, fazendo voltar a cor vermelha vivida. Ele estava prestes a me matar quando vi ele se curvar e quase cair. Olhei para ele confusa para ele, mas assim que ele se virou vi duas flechas enterradas nas suas costas. Eu e Natalie nos olhamos e pensamos na mesma coisa puxei uma faca e joguei no pé do bestante. Ele segurou seu pé e aproveitei para pegar as flechas e a faca. Nat por trás deu um empurrão nele o jogando na fogueira. Saimos correndo para pegar nossas coisas e na volta, quando já tinhamos tudo em mãos parei para ver o bestante terminar de queimar. Eu e Natalie eramos uma ótima dupla. Andamos para qualquer direção sem rumo.














