Eu te odeio tanto neste momento que eu seria bem capaz de escrever um livro só pra te matar no fim!
Alice H.

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Eu te odeio tanto neste momento que eu seria bem capaz de escrever um livro só pra te matar no fim!
Alice H.
O segredo está nos intervalos, nas entrelinhas, nos piscares de olhos, nas distrações: seguimos acreditando, ignorando as estatísticas. Aguardando o tão esperado dia em que tudo mudará e nos intervalos, nas entrelinhas, nos piscares de olhos, nas distrações estarão somente as coisas ruins. Tudo o mais será leve. E haverá paz. E nossos corações poderão bater aliviados. Acreditar nos faz tolos. Mas tolos sorriem mais. De qualquer forma, sempre restará uma parte tão sombria de nós que nos deixará, por vezes, esgotados, por não poder mostrar a ninguém. Como se todos eles também não se esforçassem para manter seus monstros trancados... Nos cabe o consolo da esperança de que os dias de paz chegarão!
Alice H.
Por quanto tempo a tristeza fica impregnada na gente? Acordo, levanto da cama, escovo meus dentes e saio pra trabalhar como faço todos os dias, de segunda a sexta, mas junto comigo vai essa tristeza que não me abandona nem quando durmo. Sinto vontade de socar a cara de certas pessoas mas me contenho e apenas sorrio como quem não tem nenhum problema. Minha tristeza aumenta. Volto pra casa, tiro minha roupa, acendo um cigarro e fico só eu e essa angústia que encontrou em mim um bom lugar pra morar. Tomo banho, deixo a água escorrer em meu corpo na esperança de que, com ela, não só as impurezas desçam pelo ralo, mas também toda essa tristeza. Nada adianta. Alguém sabe me dizer por quanto tempo a tristeza fica impregnada na gente?
Alice H.
Eu implorei pelo teu amor. E esperei pelo dia em que você me pediria para ficar na sua vida para sempre. Me doei tanto. Me doeu tanto. E o que restou de mim? Não quero mais migalhas desse teu amor que espera que algum milagre aconteça para que você me queira para sempre! Não haverá nada de novo em mim se não houver nada de novo em você. Então não espere que eu seja a mulher perfeita porque você não me mereceria se eu fosse! Melhor me retirar agora enquanto a nossa casa não está pronta. A casa que você está reformando para viver com a mulher de sua vida mas que ainda não se decidiu se esta mulher sou eu. Não tenho mais um dia sequer a perder esperando que você me diga que aquela casa é minha também! Cansei de implorar, de me diminuir pra caber nos planos que você fez pra você e não pra nós! É como se meu mundo estivesse desmoronado, eu tão exagerada como sempre, não consigo sentir diferente, mesmo sabendo que não é o fim do mundo! Porque por enquanto é, pra mim é. É o fim do mundo que eu construí pra nós dois. Te amo de um tamanho tão grande que doi meu peito, mas me retiro nobremente! Talvez você encontre a mulher perfeita para morar na tua casa.
Eu? Eu sou só isso!
- Alice H.
Depois da despedida todo vazio parece eterno, toda dor parece infinita, todo dia vira fim do mundo. A gente nunca sabe (nem pode prever) por quanto tempo o outro fará morada em nosso peito! Mas eu posso afirmar que um belo dia o coração abre de novo as portas, se prepara e arruma a casa para uma nova paixão. Talvez hoje isso lhe soe impossível, mas eu te garanto: não é!
Alice H.
Está ficando tarde para... O tempo escorre pelos dedos e eu me vejo atordoada por este medo imenso de estar desaparecendo a cada volta que o relógio dá. Está ficando tarde para... Ainda não conclui a faculdade, ainda não comprei o meu carro nem minha casa, ainda não me casei nem fiz filhos, ainda não fiz nada de grandioso que fizesse com que vocês lembrassem de mim apos a minha partida. Está ficando tarde para... E eu tenho essa maldita sensação de que não estou aproveitando meu tempo da melhor forma, sinto somente que o desperdiço a cada segundo que passa, como neste exato momento em que escrevo estas coisas inúteis. Está ficando tarde para... Já é tarde demais?
Alice H.
E na cabeça eu carrego meu próprio cemitério. Queria mesmo poder começar de novo e construir em seu lugar um parque de diversões...
Alice H.
A verdade é que de todos os caprichos femininos que ele me inspirou a ter, o único que sobreviveu até hoje foi o perfume. Durante um ano, num ato quase que religioso, eu usei o mesmo perfume, que era para que quando a gente se reencontrasse, ele me reconhecesse pelo cheiro. Hoje, parei. Parei com esse perfume idiota que eu nunca gostei tanto assim. Como posso querer que ele lembre meu cheiro, se é bem provável que ele já tenha esquecido meu nome?
Alice H. (setembro/2010)