ce brota do escuro com a desculpa do acaso fazendo carinho nas costas. eu também senti sua falta, mas não houve um susto em que eu antes não dissesse pra mim mesma que a ausência que eu criei viria me assombrar. o espanto não é de quem não te sabe distante. é de quem te soube perto e não mais. ce chega de fininho por trás e eu nunca espero esse gesto banal que é a não-desistência. como por um milagre planejado. ce sabe que eu acredito no universo e nos anjos. em deus, depende da hora. ce sabe que o mundo é pequeno demais. não te falo disso. do mapa de encontros que é a plataforma da rodoviária. de como a gente sempre soube que cada palavra tava marcada, antes mesmo de falar. eu nunca disse adeus porque é, de todos os vocábulos, o mais perecível. a gente se esbarra e, se não se esbarrar, a gente dá uma volta maior - que nunca é assim tão grande - pra poder se cruzar de frente. o mundo é miúdo diante de você, alma imensa. eu gosto de te admirar de perto (mesmo que agora só de vez em quando)













