Quando Deus a viu perfeitamente resignada e confiante, teve compaixão dela; E uma noite, quando estava em oração, ouviu chamar: Rita! Rita! Um pouco receosa talvez, pois ia avançada a noite, aproximou-se da janela para ver quem a chamava e o que queria, mas não viu ninguém. Pensando ter-se enganado, voltou à oração, mas, pouco depois, repetiu-se o mesmo apelo: Rita! Rita! Desta vez teve a certeza de que não se enganara. Levantando-se abriu a porta e foi à rua. Quem era? Um homem de venerável aspecto, acompanhado de dois outros. Se fossem criaturas mortais, a piedosa mulher se teria assustado ou teria suposto que se tratava de viajantes a pedir pousada e alimento; Mas iluminada por divina luz, Santa Rita não tardou a reconhecê-los: Eram seus protetores tantas vezes invocados: São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino, que a convidaram para segui-los. Em êxtase, como num sonho, ela os seguiu; em pouco tempo estava em Cássia, diante do convento de Santa Maria Madalena. Dormiam as religiosas; a porta estava fechada e bem trancada. A mesma porta que por três vezes se fechara diante dela, a porta que lhe era a entrada do paraíso terrestre. Mas não é sem razão que se chama Santa Rita, a santa dos impossíveis. Com efeito, era impossível abrir esta porta por meios humanos, mas Santa Rita estava em boa companhia. Os Santos que Deus enviara para acompanhá-la fizeram com que se encontrasse no interior do mosteiro. Ela aí se achou, mas só, porque seus Santos haviam desaparecido. Entretanto estava segura de que, após tão evidente milagre, seria admitida. Sem que nenhuma das boas religiosas o pressentisse, o mosteiro recebia de Deus, nessa silenciosa noite, o dom de uma bem preciosa margarida… . - “Santa Rita” de Mons. Luis de Marchi.