Expositor (reposição) #nilbijux #atacadoevarejo👏 #expositores #dimell (em São Paulo, Brazil) https://www.instagram.com/p/Butgs2AghCb/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=mbexnbmbu8g1

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I feel like I'm the worst, so I always act like I'm the best || @Dimell {flashback}
A loira de corpo rechonchudo e pequeno invadia os salões e corredores da fortaleza vermelha e os preenchia com gargalhadas e brincadeiras fora de hora. Ela tinha cinco anos e mais parecia um furacão. Se comparassem o seu comportamento dessa época com o atual, certamente veriam uma pessoa diferente surgir no auge de seus quarenta anos. Outra Isobel. Agora mais tímida, retraída e reservada. Também confusa e dissimulada, mais Carmesim. A menininha de rosto sardento, como mil beijinhos de anjos, outrora imitava um passarinho com os braços abertos e muito bem esticados enquanto corria em direção ao seu quarto. Fazia barulhinhos com a boca para avisar aos criados que estava passeando tão impetuosa. Sua ama, coitada, corria atrás da menor afim de segurá-la e contê-la, mas a princesa era duas vezes mais ágil.
Era tão curiosa quanto um filhote de gato, explorando tudo à sua volta, perguntando sobre estrelas, a santa Árvore e até sobre a morte. Sobre os soldados e as guerras, os casamentos arranjados e as flores engraçadas que agora já desbotavam a tinta rubra. Mas quando o assunto chegava em “Alice” tudo virava um silêncio mortal. Ninguém desobedeceria as ordens da própria rainha e contaria as façanhas da humana intrometida. Que já deveria ter seus vinte anos ou mais. Nunca chegou a conhecê-la. Ouvia apenas os rumores aqui e ali, a mais nova ia aprendendo aos poucos. Era tão astuta quanto uma Carmesim poderia ser. Tudo bem, talvez até um pouco mais.
Sua atenção foi capturada por uma capa reluzente e verde. As letras em relevo dourado e as gravuras estonteantemente coloridas. Um sorriso travesso apareceu em seus lábios, um risinho escapou-lhe quando o pensamento de “tomar” o objeto emprestado ocorreu-lhe. Ninguém repararia. Era tentador. Precisava descobrir o que era aquilo em cima da mesa de ouro. Com alguns pulinhos e as mãos esticadas, conseguiu pegar o livro segundos antes da gravidade puxá-la para baixo. Caiu de traseiro mas não se importou. O joelho estava machucado, mas a pequenina nem mesmo sentira. Estava animada. O objeto era estranho, familiar. O reconheceu. Por que não estava na biblioteca? Certamente esperavam que ela o encontrasse. Foram feitos um para o outro! Era isso! Estavam tão predestinados quanto seus pais!
A menina dançou brevemente sobre o tapete, um ato desengonçado e altivo. Não haveria problema algum se outra pessoa a visse assim, seu quarto estava logo ali naquele corredor. Subir na cama alta fora um verdadeiro desafio para a Carmesim corpulenta. Escalava os próprios lençóis e os desforrava. Não descansava. Puxava-os resfolegante até atingir seu objetivo e deitar no acolchoado cansada e orgulhosa de si mesma por ter conseguido subir na cama sem a ajuda de ninguém. O trabalho desta vez fora dobrado já que a pequena recusara soltar o exemplar de sua mão. Se não pudesse lê-lo completamente, o guardaria ou pediria para que uma de suas damas o fizesse. Mas onde será que elas estavam agora? Teriam desistido da princesa também? Não bastasse sua mãe? Isobel encontrou a si mesma sozinha no quarto, ela e sua única companhia dali em diante: um livro.