ontem tive um bom sonho...
onde depois de finalmente conseguir sair da velha biblioteca de babel borgiana, já bem decrépito, é claro...
dou de cara com um prédio estranho, futurista, posso dizer...
mesmo que durante toda a vida eu não tenha visto nada além da própria biblioteca e suas infinitudes, e os livros dela que pude ler, sobre todos os assuntos que por algum acaso me coube esquadrinhar...
com o que esses livros me ensinaram, posso dizer sim que, ao sair da grande biblioteca infinita, dei de cara com um prédio bem estranho...
não vendo nenhuma viva alma com quem conviver, me informar, me emocionar, por simplesmente ver alguém de fora da minha antiga realidade, de fora da biblioteca, sigo adentrando ao prédio, vendo e tateando simultaneamente a tudo que posso, sem que isso diminua demais os meus passos pra dentro do novo prédio, sem que isso interrompa a minha jornada...
é tudo tão novo, tão belo, reluzente até, mas nenhuma viva alma se interpõe a mim...
é quando percebo que, não, não, deuses antigos, não, mil vezes não, justo agora que me imaginava livre de todos os seus joguetes, mil vezes não...
percebo que mesmo esbravejando, é tarde, já que novamente estou dentro de outra biblioteca, mal saído DA BIBLIOTECA...
onde em suas estantes não encontro livros, não no sentido do que me acostumei em todos esses anos, mas "coisas" singelamente finas e tão reluzentes como a própria biblioteca que estou dentro agora...
em algum lugar vejo a palavra e-reader, e já avanço por conta própria no raciocínio...
estou numa imensa biblioteca cujo as estantes não tem livros, mas estão repletas de todos os tipos possíveis e imagináveis de e-readers, também repletos em toda a extensão de armazenamento que possamos imaginar pro futuro, de livros, livros e livros, de todos os tipos imagináveis e concebíveis...
acordo desse sonho quase que imediatamente após perceber que diferentemente da biblioteca de babel, dessa eu não terei vida pra dela sair, já que assim que olho pra trás, num sortilégio não muito sofisticado perto dos que vi por toda a vida, eu vejo a entrada por onde vim e me trouxe até aqui, lentamente se fechar...
já desperto, me pergunto:
teria visto antecipadamente um ponto tangível do futuro?